quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Será que no outro lugar a gente pode encontrar com a gente que a gente acha que nunca mais estará?

Com quem acha se perder?

Será?

Por achar que ser é maior que estar?

Será?

Gente que é importante a gente nunca deixa de ver, nas fotografias, nos objetos, na lembrança, na saudade, na memória, nos sinais, nos sonhos, elas existem, elas persistem, elas estão.

É gente que a gente é, e por isso nunca deixa de ser, vive dentro da gente, mas será que um dia a gente poderá estar junto delas novamente, será?

Sabe, se a gente soubesse seria gratificante, mas também muito perigoso. Peligroso...

Se a gente soubesse que poderia estar novamente com tanta gente tão importante poderia ter vontades de não estar mais com tanta gente tão importante quando achasse que elas não estão mais com a gente.

Mas, feliz ou infelizmente a gente não sabe.

Acha, é possível, sonha, pode ser improvável, mas jamais tem a certeza e essa dúvida, essa imprevisibilidade, faz a gente esperar o tempo decidir para a gente.

Dor é coisa de viver.

Só o ser vivo sente dor, enquanto sentir dor sabe ser e estar nessa dimensão, nessa emoção, nessa vida, vivo nesse amor, nessa importância, nessa necessidade, de ser e estar gente.

Hoje eu sei dizer o que preferiria, se pudesse, se soubesse, nessa hora, nesse agora, mas não sei se estaria certo.

Certamente, a incerteza é combustível do viver, e a gente vive sem saber, se soubesse, se tivesse, muito provavelmente preferiria não ter.

Viver é dúvida, dúvida que a gente precisa, pra viver.

Todo dia a vida corre risco e é arriscado viver, viver e ver algo vivo vir e surpreender.

Qual graça teria se andássemos sobre o fio da certeza e soubéssemos, programassemos, esperassemos tudo ser exatamente como imaginassemos?

Tudo fosse previsível, matariamos o improvável, o impossível, o surpreendente, o imponderavel, o algo mais, não daríamos chance ao acontecer.

E é sobre vida, é sobrevida, é sobre viver.

Minha mãe dizia, tantas outras pessoas também, que Deus, prefiro Deusas, escreve certo por linhas tortas… não acho mais que são linhas tortas, a gente só não sabe, não alcança, não consegue compreender, não tem a menor ideia de como rascunha, desenha e constrói o destino.

Imagina o corpo humano, a natureza, a complexidade inscrita em artérias, veias, fluxos, órgãos, composições, funções, quanta física, tanta química, cálculos, somas, subtrações, divisões, arranjos, combinações e inexplicáveis, e inacreditáveis, arranjos e, e inimagináveis, pelo menos pra gente, mortais, limitados, humanos, seres.

Humanos seres, cheios de histórias, escritas, escrotas, contadas, cantadas, tocadas sob o escrutínio do encantamento. 

Encanto, num canto qualquer, proporcionado pelo fato de não saber, mas aprender, descobrir, revelar, por simplesmente ser, estar, encontrar, ganhar, perder e as vezes achar se perder.

Eu preciso de você, da sua voz, do seu olhar, do seu cheiro, do seu sorriso, do seu sabor, gosto, do seu gosto, do seu calor, do seu...

De muito, de tudo, de um pouco preciso, preciso demais.

Preciso de você.

De você preciso.

Preciso para ser.

Para ser preciso.

Para ser, preciso.


domingo, 6 de novembro de 2022

Às vezes, quase sempre, quase todo dia me questiono se o castigo, a punição, a sentença, a penalização pode curar o ódio.
Penalizar por conta do ódio, do preconceito, da ignorância que se respira gera, pode gerar, ainda mais ódio, repulsa, mais preconceito.
Não sei a solução, mas acho o remédio contra o desconhecimento poder se chamar conhecimento, contra a distância a aproximação, contra o ódio só poder ser amor.
Ao invés de impor penas, pecuniárias, físicas, de qualquer natureza, acho que poderia ser melhor ajudar a aprender, ajudar a descobrir, ajudar a entender, ajudar a conhecer, ajudar a sentir.
Grosso modo, fazer com quem nutre, aprendeu a odiar, acumulou preconceitos, poder ver se desfazer, através da delicadeza, as suas certezas.
Assim, o remédio recomendado deveria ser aproximar-se do distante.
A distância permite ser indiferente, ao não poder estar perto se sentir insensível, e por isso até ser agressivo.
Curioso como a natureza ensina, tudo o que se teme é por conta da distância, do desconhecimento, da ignorância.
Todo animal é selvagem até se socializar. Ou seja, até o animal mais feroz, mais hostil, guardados os instintos primitivos, até se relacionar, até ganhar amor, até descobrir também poder dar amor, ser cuidado e cuidar, é só um animal selvagem.
A esse processo de aproximação, de acolhimento, da permissão de trocas, de ensinamento e aprendizado é dado o nome de adestramento. Mas é puro conhecimento, é pura confiança, é puro reconhecimento, é pura descoberta, é pura gratidão, é puro afeto, é pura retribuição, o puro amor que só é possível por estar perto, por deixar de ser deserto, por encher vazios, por poder receber e poder dar, por estar presente, por se acostumar, por não ser mais sozinho, ou sobreviver apenas na companhia de iguais, passar a ser diferente em meio a diferentes e ao conviver perceber semelhanças a ligarem todos, ligar seres, animal a animal, animal a vegetal, animal ao mineral.
A cura para a desumanidade só pode estar, ser encontrada, na própria humanidade.
Agressão, violência, castigo, punição não produz respeito, que deriva do reconhecimento e é a conjunção da admiração ao afeto, coisa do amar, mas o medo, que não permite e/ou contém qualquer traço de sentimento, pelo contrário é desequilíbrio do terror, é temor, é ressentimento.
Assim, a cura para todo ódio que há no mundo, talvez seja não odiar quem, por ignorância, desconhecimento, por causa da distância, do estranhamento, sente medo e é impedido de aprender amar.
Cuidar de si é cuidar do outro e esse outro precisa de cuidado, mesmo que muitos desses outros, disso, ainda não saibam.
Gente por gente, outro por outro.


segunda-feira, 31 de outubro de 2022

 Embora a forma consagrada, aceita e defendida, pela mentalidade hodierna seja "orientação sexual" questiono.

Orientação significa….

Defendo a natureza, a natureza ...a pessoa nasce, é da sua natureza sentir atração, desejar, sentir prazer em se relacionar, interagir com as pessoas do sexo oposto ou do mesmo.

É aptidão, em função dos afetos, do prazer, da sua natureza sexual.

Mais certo talvez fosse "Natureza Sexual".

Orientar é seguir para algum lugar, e nesse sentido é possível fazer opções e os aspectos sexuais não correspondem a escolhas, direções, orientações, mas a satisfação dos sentidos, das naturezas.


Conforme a Constituição cabe a TSE/TRE organizar, fiscalizar e realizar as eleições.

Se está na Constituição, a priori, não se deve questionar.

Quem o quiser, proponha emenda, passe por todos os trâmites legais, e tente alterar, na forma da lei.



O termo "politicamente correto" não passa de uma tentativa de rotular para resistir a mudança de mentalidade.

Grosso modo, a atualização no modo de agir, comportar e pensar com representatividade intermediada por uma virada linguística, linguistic turn, dentro do irrefreável "processo civilizatório".


 Eu.

Eu e muitos.

Eu e todo mundo.

Eu e tantos outros.

Todo mundo e eu.

Eu e toda gente.

Eu não sou gente de bem.

Eu não sou gente de mal.

Eu, tenho defeitos, tenho virtudes.

Tenho defeitos que são virtudes.

Tenho virtudes que são defeitos.

Sou o equilíbrio de defeitos, de virtudes, de boas e más ações.

Entre o meu bem e o meu mal há muitas faces e facetas, situações, condições, conjunturas, ações.

Não somos só bom.

Não somos só mau.

Nós somos bom, mau e tudo o que tem entre essas, supostas, extremidades.

Entre o bom e o mau muito mais há.

Não sou gente de bem.

Não sou gente de mal.

Eu sou, ele é, tu és, nós somos, só e tudo gente.


Dizem, frequentemente, "a vida imita a arte", mas será?

Arte é criação da criatura, do ser humano, do ser vivo, é do criador e principalmente do admirador.

É expressão e representação de experiências, de sensações, de conhecimento, de reconhecimento, de criatividade, do poder de transformar o que seres vivos vivem, querem e imaginam viver ou fazer vida.

Sendo assim, a vida, o acontecer, é incapaz de qualquer coisa imitar, coisa que, por sua parte, a arte também não é capaz de fazer.

Para sermos mais razoáveis, a arte representa, apresenta, manifesta sentimentos de gente que vive ávida a vida e assim a aviva.

A vida não imita a arte, nem a arte reproduz, copia, imita a vida.

Simplesmente, a arte convida, enviva, enfeita, encanta, confeita, respira o ser vivo, com vida, inspirado viver a vida.



O mundo é inundado por produções com ênfase em violência, em matança, em mortes.

Matadores, ladrões, criminosos são colocados como os heróis que matam outros matadores, ladrões e criminosos inimigos, rivais, supostamente, vilões.

Enquanto isso, a realidade em que heróis sem fama para sobreviver desafiam as probabilidades, a crueldade, é desprezada.

Heróis são as pessoas que trabalham para criar filhos, construir casas, fazer bem ao outro, sobreviver honestamente, sem matar, roubar, cometer crimes.

Heróis são as pessoas que amam, cuidam, protegem, amparam, recebem, acolhem, estudam, vence as probabilidades através das suas possibilidades, mesmo sem oportunidade.

Esses heróis, repletos de humanidade, de caráter, de ética, moral, responsabilidade, solidariedade, de ensinamento, de aprendizado, salvadores de vidas, que eu gostaria de ver nas produções, nos filmes.

Heróis, sem violências, mas heróis de decência, com defeitos e virtudes, com bondade, com amigos, que respeitam leis, o outro, valorizam vida e humanidade.


Dor nao é igual, não é sinônimo, não é tradução de sofrimento.

Embora quisessemos, pareça o cenário ideal, não se cura, felizmente, a dor do sentir, por não ser doença, por sentir incluir, mas ser diferente de dor.

Ainda, não tem remédio rápido para o desconforto, muito pela razão de não ser rápido, de demorar, de se somar, se dividir, subtrair e se multiplicar, de crescer, desenvolver, ser maior, pior, melhor e nunca ser menor, de ser sentimento, que acontece a medida do tempo.

Sentimentos acontecem, aparecem e tomam formas, não desaparecem, se transformam, se deformam, degeneram, regeneram...

O problema não é sentir, mas não mais sentir, ser indiferente, insensível...

Às vezes desencanto, desespero, desesperança fazem a gente achar que parou de sentir.

Mas, se isso nos incomoda é sinal que se sente, e sinto muito.

Quando o tanto faz quanto tanto foda-se se estabelece e pouco importa falar, dizer, contar, ouvir e escutar estamos diante do verdadeiro problema, do não sentir.

Por mais que pareça mínimo, o sentimento é sempre o máximo e a vida que agente vive, com altos e baixos, progressos e retrocessos, encantos e desencantos, só sente vivo.

As vezes demora para gente entender que o amargo também é sabor.


Regeneração...


Curiosa a dualidade, mas dentro desses pares há sempre milhares de pequenas partes, das experiências, de surpresas, das repetições... então, dizer que são pares é só uma forma de simplificar e de não conseguir explicar o que nem sempre tem explicação.



Criar referência não deveria ser objetivo, mas as vezes isso acontece, e quase nunca é por acaso, mas pelo reconhecimento de outras, de outres, do outro.


Existe fórmula para criar referência?


Merecer deferência?


Acho que não. A genialidade acontece naturalmente e, não raro, deixa de ser imediatamente reconhecida.






São rasas e reducionistas as análises que caracterizam a conjuntura numa disputa binária.

Não se trata de embate entre direita e esquerda, entre autoritarismo e democracia, entre quaisquer pares opostos.

A concepção é complexa, com raízes e teias, cujo objetivo é um projeto exclusivista, e até eugenista, de poder, tal qual o nazismo, onde não se admite oposições, críticas e apenas a subserviência a prevalência física, bélica, econômica e ideológica.

Tal projeto despreza a razão, as aptidões intelectuais, culturais, e faz submergir a medieva concepção divina na arquitetura do medo.

Paralelamente, faz ressurgir anacrônicas representações taumatúrgicas.

O negacionismo, o sistemático ataque a ciência, degradação da educação, o ostensivo e intensivo uso da máquina pública na propagação da mentira/fofoca, técnica goebbeliana, e de uma liberdade de expressão seletiva, fundamentalista, são táticas de desinformação para enformar.

A tônica é a obediência ao inexplicável, a vozes de comando e a lixiviação do caráter crítico por uma doutrinação pseudo religiosa e educacional em "escolas" milicianas.

Não é à toa nomes como "Brasil Paralelo", com a finalidade de espelhar, confundir e alterar a realidade.

Não existe Gente de bem, assim como de mal não existe também, o que existe é simplesmente e tão somente Gente.

Gente que acerta, erra, aprende, tenta, faz muitas coisas para sobreviver, para sobressair, para superar.

A primeira coisa que deveríamos aprender é não existir um poder supremo, um maior, mas equilíbrio de poderes.

Todo poderoso, grosso modo também gente, tem falhas, fraquezas, virtudes, defeitos, pecados.

Até os reis contaram com apoios, receberam críticas e seu poder não pode e nem é limitado. Freios, receios, dúvidas, dádivas, sempre haverão.

O pensamento, a divisão, tripartite também se mostra polissêmica, tem no mínimo três extremidades sem contar riquezas fracionadas e porosidades nas bases, se fundamenta no princípio de equilíbrio e importância das partes.

Os três, como assina a constituição, devem funcionar em harmonia e complementaridade.

Não existe, embora pareça, uma cabeça acima de todas, alguém que preside solitariamente, mas no mínimo três presidências, com valores equivalentes em conformidade com as respectivas searas.

Ao executivo cabe executar, ao legislativo legislar e ao judiciário ajuizar, mas não somente, aos três cabe manter-se em harmonia com a sociedade, com as peculiaridades e não particularidades de indivíduos.


O estudo dos fenômenos/comando/controle de massa...

Paroxismo.

Proselitismo.



A história não se repete ipsis literis, mas experiências do vívido são recombinadas, rearranjadas, reagrupadas, colhidas nas sucessivas versões, eventos, fatos históricos.

A história não se repete pois cada ação ou movimento é único, quase nunca acontece no mesmo lugar e jamais será no mesmo tempo.

Nesse sentido, na construção de uma analogia plausível, podemos pensar na teoria da física, até na sua apropriação, que diz dois corpos não ocuparem o mesmo lugar no tempo e no espaço.

Tudo no mundo natural, inclusive do ser naturalmente humano, é completamente igual, mas similar, acima de tudo semelhante.

Um bolo, um objeto, uma coisa, considerando a redução de questionamentos e certo grau de relatividade, podem ser rigorosamente iguais, produzidos em série, mas não o natural.


Não sou gente de bem, de mal não sou também.

Sou ser humano, um ser imperfeito, esse é o meu, o seu, o nosso jeito.

Não sou gente de bem, nem de mal, sou simplesmente e somente Gente.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Na real, não é fake news, o nome para mentira, para a fofoca, sempre foi mentira, fofoca.

A liberdade de expressão precisa e deve ser garantida, mas cada um deve ser responsável pelo que diz, pelo que reproduz, pelo que propaga.

Antes de tudo precisa, para evitar sanções legais, se certificar, ter provas, citar as fontes como, por exemplo, prescreve as normas acadêmicas.



Sobretudo, sobre tudo...


O mundo não muda, a vida acontece e as pessoas se transformam quando/enquanto descobrem significados.


Distinto e distantes.


De longe tudo parece igual, fica difícil perceber as diferenças e principalmente as, quase sempre sutis, semelhanças.


Toda estória, não por acaso, tem trilha sonora.

Todo filme, peça, teatral, institucional, qualquer ficção, não por acaso, é permeado, enchido, encantado com registros musicais.

E não é por acaso, por mais delirante, fantasioso, exótico, as estórias, as estorinhas, são baseadas na história, está contida na realidade.

Seja a história épica, materialismo histórico, …. cultural...que igualmente possui uma trilha, trilhas sonoras compostas por partícipes dessa história.

Assim, quem compõe, reproduz e transmite os ecos são pessoas que vivem no tempo, possuem e compartilham a experiência do vivido, do sentido, do percebido, do assimilado, do aprendido e vivenciado.



O maior de todos os defeitos não é a arrogância, a prepotência, mas a ilusão dr autoridade, de deter todo o conhecimento, a soberba, a presunção de infalibilidade que só os ignorantes incompetentes psicopatéticos possuem.

Quem detém todo conhecimento???




Seja bem vinda na sua estreia desse palco chamado vida.

Você chegou para brilhar

...


 e se em algum momento duvidar o público que te ama …

O amor vai te fazer sorrir…




Deve-se lembrar.

O Estado, cuja razão de existir é proteger, amparar e servir os cidadãos, sobrevive dos impostos e tributos pagos pelos indivíduos.

Logo, os bancos federais deveriam negociar, descontos, e adquirir pacotes de passivos junto aos credores.

Na prática, comprar as dívidas, com base nos descontos conseguidos e novos números, assumir a negociação, fixar taxas e definir prazos justos que caibam no orçamento.

Os desempregados, teriam as dívidas reajustadas pela inflação, muito menor que as taxas bancárias, e periodicamente precisa atualizar sua situação para manter a condição, até que possa renegocia-las.

Os empregados, nos moldes do crédito consignado, teriam descontos na folha de pagamento, de modo a interferir minimamente no orçamento, aumentando a garantia de quitação.

Assim, se faz circular dinheiro, se impulsiona a economia, gera emprego e renda.

De igual modo, serviços sociais e ações cidadãs/solidárias em prol do bem público/comum, por exemplo, horas destinadas a coleta de lixo em praias, rios, voluntariado, professores de cursos comunitários, etc ...poderiam gerar créditos para ajudar a saldar os débitos.

Seria uma maneira de exercitar as relações e coesão social, reforçar vínculos e o sentimento de pertencimento.

Outra coisa, é possível repensar, com empregadores e trabalhadores, a redução da jornada de trabalho sem alterar remuneração.

Empregadores teriam descontos no pacote de encargos trabalhistas conforme o número de pessoas contratadas.

Com a jornada reduzida o trabalhador, cidadão, indivíduo teria mais tempo para viver, usufruir, desfrutar, consumir e assim compensar os descontos dos encargos e a arrecadação.




 Embora quiséssemos, pareça o cenário ideal, não se cura, felizmente, a dor do sentir por não ser doença, por sentir incluir dor.

Ainda, não tem remédio rápido para o desconforto, muito pela razão de não ser rápido, de demorar, de se somar, se dividir, subtrair e se múltiplicar, de crescer, desenvolver, ser maior, pior, melhor e nunca ser menor, de ser sentimento, que acontece a medida do tempo.

Sentimentos acontecem, aparecem e tomam formas, não desaparecem, se transformam, se deformam, degenera, regenera...

O problema não é sentir, mas não mais sentir, indiferente, insensível...

As vezes desencanto, desespero, desesperança fazem a gente achar que parou de sentir.

Mas, se isso nos incomoda é sinal que se sente, e sinto muito.

Quando o tanto faz quanto tanto foda-se se estabelece e pouco importa falar, dizer, contar, ouvir e escutar estamos diante do verdadeiro problema, do não sentir.

Por mais que pareça mínimo, o sentimento é sempre o máximo e a vida que agente vive, com altos e baixos, progressos e retrocessos, encantos e desencantos, só sente vivo.

As vezes demora para gente entender que o amargo também é sabor.


Regeneração...


Curiosa a dualidade, mas dentro desses pares há sempre milhares de pequenas partes, das experiências, de surpresas, das repetições... então, dizer que são pares é só uma forma de simplificar e de não conseguir explicar o que nem sempre tem explicação.



Criar referência não deveria ser objetivo, mas as vezes isso acontece, e quase nunca é por acaso, mas pelo reconhecimento de outras, de outres, do outro.


Existe fórmula para criar referência?


Merecer deferência?


Acho que não. A genialidade acontece naturalmente e, não raro, deixa de ser imediatamente reconhecida.






É engraçado, talvez nem seja, como as vezes sinto ter amigos imaginários.
Quando era criança, faz tempo, eu brincava sozinho, e me divertia com algumas imagens.
Não sei se era só imaginação, provavelmente, mas eu via o que não existia. As vezes sentia medo, mas essas pessoas, essas imagens, eram as minhas melhores, as vezes únicas, companias.
Hoje, sozinho, gostaria que eles aparecessem, mas isso não acontece.
Por outro lado, tenho amigos de verdade, que também não aparecem.
Eles existem, vivem, mas como não os vejo são como os amigos imaginários.
É engraçado, saber que conheço um bom número de pessoas, elas são reais, mas parecem viver só na minha imaginação.
Certo modo, são iguais aqueles de quando, faz muito tempo, eu era criança.
Acho que isso é coisa da solidão, uma solução, autodefesa, remédios para não sentir solidão.
Eu sempre falei muito, mas disse sempre quase nada.
É engraçado, não sei se é, como a maioria das pessoas que me conhecem, sabem pouco ou nada de mim.
Algumas até acham, eu não duvido, mas sabem só o que não tenho vergonha, medo, receio.
Eu sou muito bom nisso, disfarço, desapareço e deixo transparecer só o impossível esconder.
Pra ser sincero, não sei o peso dos meus pecados, da minha insegurança, o tamanho das minhas fantasias, das minhas dúvidas, nem as incertezas sobre os meus achos, não gosto de certezas, é coisa que eu detesto.
Enfim, as vezes até acho bom que todos sejam, ou pareçam, tão imaginários.
E eu, os imagino da melhor forma que consigo, que posso, que sei.
Sinceramente, não sei se seriam e continuariam meus amigos, por tanto tempo, se fossem mais reais e menos imaginários.
Por falar em tempo, quanto é muito tempo?
E... quanto é pouco tempo ou quanto é o tempo que está entre o muito e o pouco???