terça-feira, 12 de julho de 2022

A linguagem

duto, veia...carrega mensagem

dita, mal dita, bem dita, não dita...

compartida, pedaço, inteira, chegada, partida.

finita, enfim, infinita.   

sexta-feira, 8 de julho de 2022

 O grande triunfo da polis, especialmente da classe dominante, foi descobrir e utilizar, bem e mal, as peculiaridades da linguagem. Perceber a língua evocar outros sentidos e mais que dela, em sinergia com boca e cordas vocalicas, depender de corações e mentes, de ouvidos.


Alegoria do Panoptico - lógica estruturada - capturar a linguagem, na sua dimensão ampla, por aspectos da lógica binária, de uma linguagem estruturada…. não somente vigiar e punir, mas controlar, limitar, conhecer para conduzir as ofertas. Grosso modo, impedir o exercício, a experiência, linguística, de escrever, ler, ouvir, conhecer… com a desculpa, não argumento, de facilidade, velocidade, eficiência e acessibilidade enquanto retarda/diminui - polêmica - acessar processos cognitivos, consequentemente arrefecer a necessidade de pensar, do pensamento...ao invés de desenvolver habilidades, capacidades, valores para abrir, conquistar, ampliar... os seres humanos são obrigados a usar as "chaves" entregues, concedidas, vendidas, precificadas …

Essas ligações "lógicas", diretas, objetivas, subtrai as possibilidades, freia impulsos subjetivos - adquiridos na vivência/ convivência, inibe os encontros, as experiências, as combinações, os arranjos, a diversidade, o devir...o devir é projetado, planejado, mapeado...diminuir surpresas, soluções pensadas, para todo problema há uma resposta, sem a necessidade das perguntas…

Se tem fome, compra, de tem sede, compra, se tem dúvidas, compra...empobrecimento, ausência do lembrar, consequentemente do esquecer, o que pode acontecer justamente por não ser preciso mais nem lembrar, nem esquecer, basta comprar uma memória - qual a data de nascimento, o número do telefone, o endereço, o nome???

Não é preciso pensar, apenas acessar a agenda, ou outro dispositivo...decréscimo das emoções, dos valores, das valências, dos inesperados, fast food, Uber, on demand, Google... desvalorização do tempo, do seu tempo, que deve ser usado para realizar o fetiche da mercadoria... desvalorização da humanidade, da falibilidade, da criatividade… da necessidade de adaptação, o ser humano passa a comprar, não precisa esperar, não precisa tirar o leite da vaca, plantar, esperar germinar, florir, frutificar...a linguagem da natureza... só precisa vender a força de trabalho, pelo preço determinado por quem pode comprar…o ser passa a ser peça, independente, autônoma, fria e descartável, da mecanica regida pela lógica binária, pela logica capitalista.

Se por um lado grita a autonomia, a individualidade, a independência, reificado é obrigado a usar a linguagem dos códigos fechados...sempre foi assim, idiomas, culturas, hábitos e práticas, mas não binário, robótico, andróide...pela lógica estruturada, induzida, encabrestada, rapitada, capturada. Por outro, alardeia silenciosamente a ruptura de laços, dos cordões, das solidariedades, trocas permitidas e cultivadas na horizontalidade, lateralidade, vizinhança, do conhecimento e reconhecimento pela reciprocidade nutrida na economia dos afetos.

Parece contraditório, mas a distância, a verticalidade, do mesmo modo que homogeiniza, por tornar menos visível, perceptível, as diferenças…acentua a indiferença.

Enquanto as semelhanças, talvez imantadas, as complementariedades, peculiaridades, particularidades, porosidades que precisam ser preenchidas, se atraem com impetuosidade na…??? proximidade ??? 

Sobreposição, ligação, ajuntamento…

É mais fácil ouvir perto de quem fala...observar, meticulosamente, enxergar e ver pelas lentes do microscópio...

Menina veste rosa, menino veste azul…

Pior que não estimular o pensamento, a "linguagem" do opressor conduz a um espaço de respostas programadas, estabelecidas, de negação ao questionamento, ao questionador, perguntador, pensador, tratado como outside, marginal, em obediência a lógica de suprimir o lugar de fala.

Artifício usado, com maestria, pela religião, pela igreja secular. Onde ao fiel, ao crente, cabe acreditar na crença, na fé, a qual se fundamenta, apesar de absurdos, em não exigir explicação.

Por enquanto a linguagem, os mecanismos da linguagem, da comunicação, está sob controle, contrariando o corolário de Cícero, pautada num discurso de uma suposta verdade, por uma minoria que se auto-proclama com atributos de "autoridade".

Etimologia linguagem...


Indução, pseudo liberdade... sugestão condicional, condicionada, coação, ótica do Sofisma... sofistas...


A linguagem guarda a particularidade de, obrigatoriamente, ser ação combinada, conjugada, compartilhada, na e da pólis, de indivíduos em grupo, de plurais…sem desprezar os demais sentidos, epíteto de bocas, ouvidos, mentalidades…

Linguagem é Catarse... sinergia ... elegia 


Interrompe a sucessão, a equação esperada, o devir, e substituí de total para parcial a imprevisibilidade: Aconteceu - acontece - acontecerá - ou não - aconteceria


Passado - presente - futuro

domingo, 3 de julho de 2022

Com o passar do tempo a gente acha que a memória da gente fica prejudicada. Faz sentido, pode ser, mas também pode ser que não seja, verdade.

Acho que a gente nunca deixa de se encher, de captar, receber, conhecer e assimilar informações, absorver energias, catalisar sentimentos, amar amores. Com o tempo acho que a gente acumula, empilha, guarda tanta coisa nesse repositório que - a velocidade de processamento continua a mesma só não podemos fazer upgrade do hardware, do software alguns de nós até faz - tem tanto guardado e naturalmente fica mais difícil de acessar. Mas, tá nos guardados, nada importante perde a importância, perde valor, tal qual quem a gente ama será e estará sempre indicado no escaninho do amor. Não se sabe ao certo o tempo, que em meio a tantas valências, valores, bens, sentimentos, experiências, sensações e quinquilharias se levará para encontrar. Nem mesmo se ainda teremos tempo, mais um pouquinho de tempo para revirar as pilhas, os lotes, as gavetas, os embrulhos que fazemos vivendo, convivendo, conhecendo, compartilhando e reconhecendo. Mas enquanto esse tempo der um tempo, que nos permita procurar, com certeza vamos achar o que de tão especial só pode ficar, ser e estar no lugar mais especial da gente, de gente guardar.

E por falar em lembrança, em coisa de lembrar, que é sucessivamente coisa ativada pelo ato de amar e, naturalmente, impossível esquecer...


Para o João...

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