O grande triunfo da polis, especialmente da classe dominante, foi descobrir e utilizar, bem e mal, as peculiaridades da linguagem. Perceber a língua evocar outros sentidos e mais que dela, em sinergia com boca e cordas vocalicas, depender de corações e mentes, de ouvidos.
Alegoria do Panoptico - lógica estruturada - capturar a linguagem, na sua dimensão ampla, por aspectos da lógica binária, de uma linguagem estruturada…. não somente vigiar e punir, mas controlar, limitar, conhecer para conduzir as ofertas. Grosso modo, impedir o exercício, a experiência, linguística, de escrever, ler, ouvir, conhecer… com a desculpa, não argumento, de facilidade, velocidade, eficiência e acessibilidade enquanto retarda/diminui - polêmica - acessar processos cognitivos, consequentemente arrefecer a necessidade de pensar, do pensamento...ao invés de desenvolver habilidades, capacidades, valores para abrir, conquistar, ampliar... os seres humanos são obrigados a usar as "chaves" entregues, concedidas, vendidas, precificadas …
Essas ligações "lógicas", diretas, objetivas, subtrai as possibilidades, freia impulsos subjetivos - adquiridos na vivência/ convivência, inibe os encontros, as experiências, as combinações, os arranjos, a diversidade, o devir...o devir é projetado, planejado, mapeado...diminuir surpresas, soluções pensadas, para todo problema há uma resposta, sem a necessidade das perguntas…
Se tem fome, compra, de tem sede, compra, se tem dúvidas, compra...empobrecimento, ausência do lembrar, consequentemente do esquecer, o que pode acontecer justamente por não ser preciso mais nem lembrar, nem esquecer, basta comprar uma memória - qual a data de nascimento, o número do telefone, o endereço, o nome???
Não é preciso pensar, apenas acessar a agenda, ou outro dispositivo...decréscimo das emoções, dos valores, das valências, dos inesperados, fast food, Uber, on demand, Google... desvalorização do tempo, do seu tempo, que deve ser usado para realizar o fetiche da mercadoria... desvalorização da humanidade, da falibilidade, da criatividade… da necessidade de adaptação, o ser humano passa a comprar, não precisa esperar, não precisa tirar o leite da vaca, plantar, esperar germinar, florir, frutificar...a linguagem da natureza... só precisa vender a força de trabalho, pelo preço determinado por quem pode comprar…o ser passa a ser peça, independente, autônoma, fria e descartável, da mecanica regida pela lógica binária, pela logica capitalista.
Se por um lado grita a autonomia, a individualidade, a independência, reificado é obrigado a usar a linguagem dos códigos fechados...sempre foi assim, idiomas, culturas, hábitos e práticas, mas não binário, robótico, andróide...pela lógica estruturada, induzida, encabrestada, rapitada, capturada. Por outro, alardeia silenciosamente a ruptura de laços, dos cordões, das solidariedades, trocas permitidas e cultivadas na horizontalidade, lateralidade, vizinhança, do conhecimento e reconhecimento pela reciprocidade nutrida na economia dos afetos.
Parece contraditório, mas a distância, a verticalidade, do mesmo modo que homogeiniza, por tornar menos visível, perceptível, as diferenças…acentua a indiferença.
Enquanto as semelhanças, talvez imantadas, as complementariedades, peculiaridades, particularidades, porosidades que precisam ser preenchidas, se atraem com impetuosidade na…??? proximidade ???
Sobreposição, ligação, ajuntamento…
É mais fácil ouvir perto de quem fala...observar, meticulosamente, enxergar e ver pelas lentes do microscópio...
Menina veste rosa, menino veste azul…
Pior que não estimular o pensamento, a "linguagem" do opressor conduz a um espaço de respostas programadas, estabelecidas, de negação ao questionamento, ao questionador, perguntador, pensador, tratado como outside, marginal, em obediência a lógica de suprimir o lugar de fala.
Artifício usado, com maestria, pela religião, pela igreja secular. Onde ao fiel, ao crente, cabe acreditar na crença, na fé, a qual se fundamenta, apesar de absurdos, em não exigir explicação.
Por enquanto a linguagem, os mecanismos da linguagem, da comunicação, está sob controle, contrariando o corolário de Cícero, pautada num discurso de uma suposta verdade, por uma minoria que se auto-proclama com atributos de "autoridade".
Etimologia linguagem...
Indução, pseudo liberdade... sugestão condicional, condicionada, coação, ótica do Sofisma... sofistas...
A linguagem guarda a particularidade de, obrigatoriamente, ser ação combinada, conjugada, compartilhada, na e da pólis, de indivíduos em grupo, de plurais…sem desprezar os demais sentidos, epíteto de bocas, ouvidos, mentalidades…
Linguagem é Catarse... sinergia ... elegia
Interrompe a sucessão, a equação esperada, o devir, e substituí de total para parcial a imprevisibilidade: Aconteceu - acontece - acontecerá - ou não - aconteceria
Passado - presente - futuro
Nenhum comentário:
Postar um comentário