quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

 Eu quero morrer?

Não, não, eu queria viver.

Mas, viver é ter de suportar só dor, só solidão, só fracasso, só tristeza?

Se é, acho que ninguém quereria viver, nem mesmo sobreviver.

Isso é castigo, carma, desgraça, praga, maldição, e viver, acho que não é só isso não.

Na realidade o que não quero, não posso, não consigo é viver numa desvida, embora saiba que o início principia o fim, acho que não gosto dessa morte em vida.

Parece, que nessa ilusão de liberdade, a que somos aprisionados, sentir, amar, sofrer e doer, viver ou não viver, morrer, definitivamente não é opção, mas falta.

Nada depende do querer, do desejo, das  tentativas, dos esforços concentrados e contínuos, mas, e principalmente, do acontecer.

Não adianta toda dedicação se não há talento, não adianta todo talento se não há oportunidade, não adianta oportunidade se não há reconhecimento, não adianta reconhecimento se não há surpresa... - seria possível prolongar o encadeamento, mas não precisa - não adianta surpresa se não há tesão e isso de pouco adianta sem paixão e amor.

Podemos pensar a escolha ser nossa, individual, que nós escolhemos, trilhamos, construímos, mas só respondemos a estímulos, a leis de compensação.

Perguntas são feitas, e desfeitas, apenas para as respostas conhecidas, reconhecidas e direcionadas pela percepção do alcance.

Esse raio é muito limitado, e é sim um estado de aproximação dado pelo sistema de probabilidades, mais ainda possibilidades determinadas por nossas habilidades, conhecimentos, pelas noções de capacidade adquiridas e desenvolvidas.

Só nos apaixonamos e amamos quem conhecemos, admiramos, aproximamos, trocamos, por quem nos dá prazer de estar, faz sonhar e promete, promete ser ainda melhor quando juntos.

A promessa, comumente, é quase sempre melhor que a realidade.

Todavia a realidade existe, se toca, se reconhece, se realiza e a promessa só promete.

Por isso é tão difícil arriscar, ter coragem de apostar e poder perder o que se tem para tentar o que falta.

Para amar é preciso conhecer, reconhecer e se reconhecer merecedor capaz de desejar esse amor.

Sobretudo esse amor parecer ser, por mais difícil e improvável, possível.

O principal motivo de amar é...


Sei que não tem nada a ver, ou haver.

Mas tem gente de tão especial que não cabe num foi, sempre e só existe no é.

É pra sempre. E, a sede não acaba depois que a gente bebe água.

Sacia, por um tempo, mas inúmeras vezes se será necessário saciar. 

A gente aprende que essa memória está para nossa história assim como nossa história está para a sua existência.

Que a sua lembrança aquece o viver no lembrar e não conseguir esquecer.

As vezes é preciso tentar ou, mais bem, aprender a conviver com a improbabilidade do acontece não acontecer.

Essas pessoas tão especiais que não pertencem a um pertencer, a um estar, e só a temos ao não vê-las somente num lugar, limitadas, após compreender esse ser solto no ar, na compreensão do amar.

Pra essa gente a sensação da gente é de receber até quando entrega.


Ninguém jamais conseguirá ser completamente feliz, mas pode todo dia sorrir, sentir alegrias, se iludir e tentar enganar a máxima, a lógica, se acreditar.

A chave está na crença, não precisa entender por não precisar explicar.

Não é o objetivo, mas o subjetivo. A promessa é sempre muito melhor que a realidade e a realidade é uma bosta.


A mentalidade do guardião, de todo e qualquer guardião, aquele que guarda, deve se baser no princípio do respeito e da responsabilidade. O guardião, fundamentado nesses valores, não impõe a força, a violência, o conflito. Muito pelo contrário, com a sua atuação e presença impede, reduz, evita tais modelos, ações, respostas.

A única resposta plausível para a guerra, a paz, se constrói com inteligência, conhecimento, responsabilidade, compreensão e alternativas.

O enfrentamento, última...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Tem histórias que só podem ser contadas na primeira pessoa.

Eu sempre fui triste.

Sempre me senti só, talvez esteja nesse aspecto, nessa solidão, a origem e a razão da minha tristeza.

Lembro, ainda criança brincava sozinho ao redor de um poço.

Tinha e não tinha medo de cair.

Minha mãe fazia eu não me sentir só, era a única pessoa constante, presente, inabalável, perene na minha vida.

Por mais distante, separada, de alguma forma estava sempre junto de mim.

Uma vez eu me perdi, na rua, depois ou bem próximo ao tempo em que girava ao redor do poço, acho que tinha três anos, eu queria achar minha mãe e achei.

Depois, com os mesmos três anos, fiquei internado e só, num hospital, internado, queria achar minha mãe e achei.

Mas uma hora ela teve que partir.

Acho que, de alguma forma, a culpa foi minha.

Enfim, quero muito achar minha mãe, preciso e …

Mesmo me sentindo só, muita gente entrou na minha vida.

Poucas fizeram a solidão diminuir.

Poucas fizeram eu me sentir menos só, mas não são constantes, não são inabaláveis, nem sempre presentes.

Nos últimos anos me sinto muito sozinho, só e sem motivos.

Estou mais triste, nem consigo disfarçar como sempre tentei e acho fazer até acreditarem numa suposta alegria.

Acho que eu cansei de ser sozinho, acho que todo mundo vai me abandonar, acho que só fui importante, ilimitadamente, para minha mãe.

Tá, também acho que, relativamente, fui importante para algumas pessoas, mas não sou prioridade, não sou insubstituível não sou alguém que queiram ilimitadamente sempre presente.

Algumas pessoas ainda são prioridades, são insubstituíveis, gosto de estar com elas, por elas sinto amor.

Não seria justo fazer uma lista.

Não seria ético classifica-las.

Mas elas, as pessoas, de alguma forma, vão saber.

Não sei quando será o dia de amanhã, mas no depois do amanhã, só, posso pedir desculpas e agradecer.

Perdão e obrigado a você.

Talvez, perdão e obrigado a vocês.

Não quero mais ser triste, não quero mais ser só, não quero mais só estar e não ser.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Eu não queria estar sozinho.

Mas não depende, somente, de querer.

O se quer não é suficiente.

Do desejar, do desejo.

Só, continuo em meio a muita gente.

Nos últimos anos uma pessoa, só, por vezes e menos que gostaria, conseguiu acender magia.

Como só você consegue?

Com prazo de validade, contado, fez sorrir alegria, sentir o bem estar, paz e tranquilo dormir.

Mas é só problema meu, até não mais ser e ir.

Ah se eu pudesse retribuir.

Só um pouco.

Mas, acho, não poder.

Não depende do querer, continua a depender, mas do se quiser, se se quer, se se querem.

Queria retribuir, mas.

Tem gente que a gente só pode agradecer.

Podem nem saber o porquê, a gente sabe.

As vezes até só pedir desculpas.

E elas, com certeza, não vão saber o porquê, talvez não precisem.

A solidão faz da gente só mais um.

Daqui a pouco tudo acaba, a luz apaga, o fim termina, nada arresta e só resta nada.

Dói, só, dói.

Dói e não sei como fazer para parar de doer.

Até sei, acho.

Mas, o que penso e posso fazer pode fazer outro doer.

Certas coisas não dá, não se consegue e nem sei se é preciso tentar explicar.

Pode até ter explicação, mas será que vai dar para entender?

Acontece, se descobre, estão no acontecer.

São feitas no ar, do sonho, do sentir, de conviver, de ver, ouvir, olhar e gostar.

É um estar bem e um bem estar.

Feito de amor, efeito do amar.

Meu mundo é tão pequeno, não sei se cabe todo mundo, mas sei quem cabe até apagar.

Eu sempre quero e espero um sinal, mas devo confessar, sou péssimo em reconhece-los, em identificar.

I love you to the end.

Desde o início até quando vomitar.




sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Não é um livro de história, embora tenha. Não é de sociologia, mesmo pisando com dois pés nas lições dos sociólogos. Não é um trabalho de filosofia, assim como da biologia, da psicologia, é um livro que dialoga, que fala e, principalmente, evoca os encontros do problemas com as problemáticas, com os aconteceres, com o devir.

Ainda mais, é um grito preciso que é preciso gritar.

As vezes, em quase todos os dias, a qualquer hora, dá vontade de gritar eu te amo.

Mas vem a dúvida, com status de dívida, será que posso?

Não, não deixei de amar o amor, mas não sei se o amor merece, se o amor carece.

Já pensei ser nada e descobri ser tudo, tudo que não merece ser visto, tudo que não precisa ser quisto, um nódulo, um sisto.

Do preciso a precisão, da necessidade a compulsão.

Quando a gente não tem nada inteligente, sentimental, com conteúdo a dizer a gente deve ser honesto e nada dizer.

O que eu disse era algo que não devia dizer, o que não disse era algo que não podia viver, o que eu quero é algo que não depende só e exclusivamente do querer, até depende do querer, de ser o mesmo, dos quereres se encontrarem, se quiserem pra querer acontecer.


A solidez, a solitude, a solidão e a solidariedade do beijo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Falta energia

Falta luz

Tá escuro

Falta alegria

Falta amor

Falta tudo

Sobra dor

Não consigo mais esconder

E mesmo quando a manhã do amanhã do amanhã amanhecer ainda falta você.

Se é pra viver assim

Só fugindo de mim

Quero ir.

Assim não dá mais

Queria luz, queria paz, queria sorrir

Por favor me deixa dormir

Um sono profundo

Sair desse mundo, da escuridão,

acordar do pesadelo, adeus solidão.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Voa longe o coração.


Maravilhas, de segredos e mistérios.


Um planeta em órbita, hemisfério de voar.


Tentar achar razão, na alegria de sonhar.


Liberdade, poder ou não, se aprisionar, sem prender se amarrar a pessoa mais brilhante do planeta.


Vai coração,

Amor, paixão.

Vai dizer pro mundo inteiro,


que eu não tenho mais jeito,


meu defeito foi me apaixonar,


pela rainha de um mundo, onde eu não posso entrar.


Ser da rosa o espinho, esse artifício, pra ficar perto da flor.

O amor que faz feliz, contraditóriamente, mais facilmente faz sentir dor.

Final nunca será feliz e nada vai mudar isso.

Mas, se é impossível mudar a história, tirar a tristeza desse lugar, dá para construir e irrigar a memória.

Colorir a trajetória, enfeitar, embelezar o percurso, encher de alegrias, de prazeres e de sorrisos. 

Não dá pra mudar tudo, mas parte, com música, poesia, bobeiras, bobagens, com arte,

para quando o último dia chegar, na Terra, no mar, no ar se preferir, como ensina a lição do palhaço, que todo dia faz graça e transforma a desgraça, em música, em poesia, em ironia, até chorar de rir.




A vida é mesmo uma grande contradição.

O primeiro dia inicia o percurso ao fim.

Quem acompanha te faz conhecer solidão.

Quem faz feliz, dá alegria, faz sorrir, é a mesma pessoa que mais facilmente faz sentir infelicidade, tristeza, te põe a chorar.



Doutor a comprovar a teoria da relatividade.

Insanidade, insana idade?

Milhões de anos, ao longo dos tempos, se vão cristalizando a ideia de evolução.

De fato o ser humano, com inúmeros percalços, com incontáveis avanços e retrocessos, apesar de tamanha destruição para, contraditória mente, construir construções, evoluiu como ser humano.

Mas como previu Políbio, ao imaginar o modelo da anaciclose, parece caminhar a involução.

Talvez não seja uma simples regressão, meia volta a um ponto de início, tomara, mas a oportunidade de rever a trajetória.

Mas a impressão, independente do otimismo, é da manifestação de uma insanidade que corrompe o ser humano por conta do excesso de individualidade.

O ser humano que evoluiu por perceber o óbvio, a possibilidade de desenvolvimento estar condicionada a ideia de fusão, primitiva e natural, de fluídos, conhecimentos, capacidades por intermédio da conexão de códigos, reconhecimentos, compartilhares, comunicações, aproximações que permitiram encontrar nas semelhanças igualdades, facilitando o desenvolvimento de fraternidade a cada dia parece se afastar dessa compreensão.

Talvez por conta de uma confusão sobre liberdade, ao invés de expandir o grupo, associar mais recursos humanos, unir mais inteligências, reduz. Os grupos são cada vez menores, seletivos, exclusivos, individuais, vips, individual.

Se sabe ao certo os parâmetros da exclusão, mais que os da inclusão, os interesses mais imediatos, o apego a curta duração, a falsa percepção da liberdade como artigo uno.

Ora, tudo é uno e estéril enquanto uno. Aliás, só alguns seres, específicos, unicelulares conseguem se reproduzir, mesmo assim, dependentes de um outro elemento... 

Nessa insana idade parece negarmos a nós mesmos, a nossa própria natureza, embriagados …

Esquecendo a via da evolução, do desenvolvimento, se basear na probabilidade do reconhecimento. De olhar o outro e observar, admirar, aprender, compreender, dividir, compartilhar, reconhecer o ser dentro do outro ser para reproduzir seres, estares, e assim os seres poderem ser.

O ser sozinho até é mas está limitado a só poder ser àquilo que acha ser que é.

Ele não se olha, não se vê, não pode se reconhecer.

A insana idade é o momento do imperioso egoísmo…

Sem o outro alguém é só ninguém.

A solução parece ser retomar o ponto onde a aproximação excitou encontrar pontos de semelhança, de igualdade, para restabelecer a produção e reprodução de afetos, de fraternidade, o respeito ao outro, a sua individualidade, mas sem se afastar, sem desconectar, sem negar a nossa liberdade de ser e estar.


Silêncio

Falta de som

Silêncio

Falta de...

Grita em silêncio

Dói sem som

Não adianta gritar

Não quer escutar

E se

Vai sentir?

Grito

Silêncio

História sem sim

Viver

Fim

Ouvir

Silêncio

Gosto de te olhar

De ver

De estar

Contigo

Encontrar

Sentir

Perto

De você.

De confundir ser e estar, estar e ser

De beber e embriagar, teu ser.

Eu gosto de te ver sair e entrar no mar, 

Gosto do gosto que acho ter te amar.

De proteger, até o nome, por amor.

Te gosto e gosto de ti.

Não é sobre a vida, é sobre viver.

Quando penso na vida vivida que vivi, não sei se é viver.

A dúvida paira e se aclara, principalmente, quando lembro as desilusões, as muitas tristezas e as poucas alegrias.

Jamais vivi a vida que sonhei.

Talvez seja severo, rigoroso, e deixe as dores serem falarem mais alto, é verdade.

Mas, as experiências rotineiramente são acompanhadas, ornadas, decoradas, por desencantos, insucessos e decepções.

Confesso, sempre esperei mais, sempre quis mais, sempre precisei demais.

Raramente aceitei acomodado o que recebi, sempre achei pouco, sempre precisei de mais.

As vezes questiono se era realmente pouco, e mesmo fosse, se era digno de  merecer…mereço bem menos…

Eu vivi a vida com os dois pés fora da minha realidade. Nunca aceitei as minhas ausências, deficiências, sempre careci, tive carências, frustrações. Sempre imaginei que podia ser melhor, que conseguiria alcançar o topo, mas nunca passei do segundo andar…

Nunca fui competente para conseguir, e sei disso, acho por isso valorizo tanto o amor. O amor, como a crença, não requer, não obriga, não precisa, o amor acontece.

E não precisa de competência, de alguma habilidade, de inteligência, só depende de amar.

Ah, eu amei demais, nem sei se vale ou pode quantificar, e mesmo quando desconfiava ser, não me sentia completamente amado.

Sempre desconfiado, acho que tentava me preservar, tentar me defender, medo para evitar sofrer, consciente de não merecer… nunca deu certo, muito pelo contrário, eu amei demais, sofri demais, chorei demais, fui demais, e sempre tenho aquela pequena, bem pequenininha, esperança de um acontecer acontecer.

Na curva, numa esquina, numa noite, num amanhecer...aquela bobagem de achar o amanhã ser.

É tudo muito louco, se juntar todos os pedaços dos poucos com os muitos e mais os outros tudo o que a gente quer é ser feliz.

Eu já fui feliz com amendoim, com macarrão e molho de tomate, com uma garrafa de qualquer coisa, estava com aquela, com ela, com a mulher.

É interessante como uma pessoa tem a capacidade de fazer, sem nada fazer, outra pessoa simplesmente, com toda a riqueza contida na simplicidade, feliz.

Não precisa de muita coisa, só precisa dela, ser ela, estar com ela, ouvi-la, pois ouvir ela é esquisito, receber dela um oi, um sorriso, um olhar, sentir o cheiro, nela pensar.

Mas quer saber, eu nunca acreditei nas minhas loucuras, me esforço, as vezes até acho, mas sabe fazer promessa, prometer, pagar e ter a certeza que nada, rigorosamente nada, vai acontecer?

Só espero que a próxima vida não seja tão sofrida e se for que eu consiga ser mais resistente para suportar a dor.

Adiar o sofrimento aumenta a angústia.


Mulher, tudo muda só o mundo fica no lugar.

Maravilhosamente o mundo gira e sempre volta pro mesmo lugar.

O que passou passou, o que virá também passará, mas não apaga, não se pode apagar.

Tá na memória, na história, tá no ser, tá no ar, no mar, no amar.

Embora nada tenha lugar cativo, na existência o que foi é e sempre será.

Gravado, guardado no peito, sentimento que se sente, invariavelmente sente-se, pra sempre.

Não dá para curar a dor, faz parte do amor e amor não foi feito pra curar, não, não tem lugar para um amou se se ama e só sabe amar.

É como o mundo, sempre parte e volta no mesmo lugar, pode não lembrar, de esquecer não dá.

Para sempre sempre será.

Contraditório, paradoxal, apesar do tudo não lembrar, aquece, nada esquece.

Amar não tem a perdoar.

Não ten medo do não, só do fim.

Não desistir da vida, não é bem assim, 

A vida, inteligente, há tempos dá sinais

desistiu de mim.


Acho, posso estar certo ou não, só dá para explicar o que tem explicação.

Não é o caso, sentimento não se explica, só,

Complica, com emoção.

Sabe lá o que é gostar muito e de repente surgir um clarão?

Dar branco em tudo,

A música tocar e não tocar o coração.

Não tem explicação,

Acordar sem encontrar

Dum sonho profundo despertar, foi sonho, um sonho em vão.

Tempo, miragem, ilusão.

Aí toca aquela música:...o sonhador tem que acordar...triste é viver na solidão.

Tristeza e solidão, a impensável aproximação, tentativa de fugir do desespero, de mim, da depressão.

Tentar o motivo e apostar 

Tudo, a possibilidade de amar.

Só faltou combinar.

Culpa não há, mas viagem chega ao fim, acaba e precisa acabar.

Sair da imaginação e só ser triste, só é realidade e a realidade é uma bosta.

Insano, amar quem não sabe desse amor, 

Não quer, não precisa dele.

Não é possível amar quem nem se sabe, e nem se é amor ou tentativa de fugir da realidade, do destino, da sina, do final sempre infeliz.

A realidade é uma bosta.

Preciso confessar, nesse tempo, sem esforços, vivi, com todos as vantagens e prejuízos, com todos os corações, com sorrisos e lágrimas, a real sensação de amar, a razão do amor.

O restante, detalhes, precisar explicar se não dá para entender?

Talvez, mais que provavelmente, declinar seja outra fuga, saber, nessa doida e doída vida, menos possível e demais improvável.

Desculpa e obrigado, por sem querer, sem saber, tentar me salvar.

Contínuo na dúvida, não sei se te amo ou se amo você.

Mas acho, nessa vida não conseguir saber.




sábado, 18 de dezembro de 2021

Respeito, carinho, amizade, afeto, admiração, amor, coração.

Palavras que não pedem complemento, fáceis de entendimento, não precisam explicação.

Era uma vez alguém que se apaixonou por outro alguém e descobriu mais que tudo ama-la.

Mas não podia dar o que ela precisava, tudo o que tinha era o insuficiente.

Só tinha sonhos, e era proibido de sonhar, e sonhos não são palpáveis, se localizam num futuro que pode nunca chegar, demorou para descobrir, para entender, ainda mais para aceitar.

Ele só podia dar o que tinha e não tinha o que ela merecia, precisava, queria.

Só podia dar o que não tem preço, mas é cheio de valor.

Talvez tudo isso fosse pouco, ele sentia mas nunca disse o que sentia pois, mesmo querendo muito, não queria perder o que tinha, o que parecia não se suficiente, mas sempre necessário.

Achou talvez ser pouco oferecer sentimento, reconhecimento, respeito, carinho, amor.

Não são coisas, não tem preço, mas cheias de valor.

Imagina se 

Inda, ainda, é possível ser poeta num mundo sem poesia?

Em que a desconfiança amarga a amargura.

Onde o vício no medo de perder inibe a procura, o encontro, a ternura, o acontecer.

Quando um não sei entorpece a travessia.

Não sei, não sei se é possível ainda acreditar.

São muitas as dúvidas, apesar de não gostar e não acreditar em certezas.

Apesar de todos os apesares, o momento é de pouca ou nenhuma esperança.

A graça não consegue rir, e até a desgraça não faz mais chorar.

Acostuma-se com um não-ser que absorve o não-dizer e vive num não-lugar.

É óbvio que para o poeta tudo é possível, mas não é provável se ele não sente, não sofre, não consegue se alegrar, não fica feliz e só, só fica só, é indiferente.

O poeta para poetar, o ato de fazer essa porra de poesia, precisa viver um motivo.

Mas quando os motivos deixam de importar, quando o outro significa nada para um outro, quando a ideia de final da vida não causa dor, quando não se ama o amor, em que ele pode se inspirar?

Sabe quando a luz apaga no meio do dia e tanto faz que ela não esteja acesa?

Sabe quando falta luz, fica escuro e o sono é profundo?

Sabe quando se caminha, perdido e sem encontrar, para o fim do seu mundo?

Sabe quando o importante não passa por debaixo da porta?

Sabe quando ao abrir a janela se vê um muro?

Sabe quando tudo é nada e nada é tudo?

O desalento faz desfalecer, cansa morrer todo dia um pouco e se torce até para o dia definitivo chegar,.

É foda morrer a vida toda, viver e ver a vida todo dia te matar.

Diria tchau fosse pessimista, mas não sou, então adeus.

E para responder a pergunta que inicia, realmente precisa ter respostas para todas as perguntas e perguntas para todas as respostas?

Apesar de tudo, de todos, de todos os nadas, de todos os tudos, das perguntas sem respostas, das respostas sem perguntas, das faltas, das falas, da falta de falas, da desimportancia do que é importante, poeta que é poeta até no último dia, na fronteira da morte com a vida, que acontece todo dia, acho que sim, não tenho certeza, ainda vai achar, em meio a tantos perdidos, um motivo pra fazer poesia.

Mesmo que ninguém compreenda, mesmo que ninguém considere, o.

A coragem não é tão corajosa assim, pode ser falta de apego, desvalor, nenhum sentimento, ausência de amor.

Se jogar do abismo pode não ser barvura nem opção, nem falta dela, mas estar cheio de vazio.

Coragem pode ser o ato de fazer por acreditar não ter nada a perder.

Coragem é reconhecer o valor daquilo que se acha ter e não querer arriscar a perder até pouco.

É parecer ficar em off estando em on.

É conseguir ficar em silêncio, querendo gritar, só para não causar desconforto, incomodo, tristeza, distância mento.

É fingir que está tudo bem, por se importar com quem importa.

É esperar na porta, mesmo querendo arrombar ou pular a janela.

É guardar todas as palavras sentidas no brilho, opaco, do olhar.

Coragem é negar a si mesmo a possibilidade do sim, para não ocasionar um não.

É preciso ter coragem, muita, para calar e conter a vontade, des esperada, de falar.