Não é sobre a vida, é sobre viver.
Quando penso na vida vivida que vivi, não sei se é viver.
A dúvida paira e se aclara, principalmente, quando lembro as desilusões, as muitas tristezas e as poucas alegrias.
Jamais vivi a vida que sonhei.
Talvez seja severo, rigoroso, e deixe as dores serem falarem mais alto, é verdade.
Mas, as experiências rotineiramente são acompanhadas, ornadas, decoradas, por desencantos, insucessos e decepções.
Confesso, sempre esperei mais, sempre quis mais, sempre precisei demais.
Raramente aceitei acomodado o que recebi, sempre achei pouco, sempre precisei de mais.
As vezes questiono se era realmente pouco, e mesmo fosse, se era digno de merecer…mereço bem menos…
Eu vivi a vida com os dois pés fora da minha realidade. Nunca aceitei as minhas ausências, deficiências, sempre careci, tive carências, frustrações. Sempre imaginei que podia ser melhor, que conseguiria alcançar o topo, mas nunca passei do segundo andar…
Nunca fui competente para conseguir, e sei disso, acho por isso valorizo tanto o amor. O amor, como a crença, não requer, não obriga, não precisa, o amor acontece.
E não precisa de competência, de alguma habilidade, de inteligência, só depende de amar.
Ah, eu amei demais, nem sei se vale ou pode quantificar, e mesmo quando desconfiava ser, não me sentia completamente amado.
Sempre desconfiado, acho que tentava me preservar, tentar me defender, medo para evitar sofrer, consciente de não merecer… nunca deu certo, muito pelo contrário, eu amei demais, sofri demais, chorei demais, fui demais, e sempre tenho aquela pequena, bem pequenininha, esperança de um acontecer acontecer.
Na curva, numa esquina, numa noite, num amanhecer...aquela bobagem de achar o amanhã ser.
É tudo muito louco, se juntar todos os pedaços dos poucos com os muitos e mais os outros tudo o que a gente quer é ser feliz.
Eu já fui feliz com amendoim, com macarrão e molho de tomate, com uma garrafa de qualquer coisa, estava com aquela, com ela, com a mulher.
É interessante como uma pessoa tem a capacidade de fazer, sem nada fazer, outra pessoa simplesmente, com toda a riqueza contida na simplicidade, feliz.
Não precisa de muita coisa, só precisa dela, ser ela, estar com ela, ouvi-la, pois ouvir ela é esquisito, receber dela um oi, um sorriso, um olhar, sentir o cheiro, nela pensar.
Mas quer saber, eu nunca acreditei nas minhas loucuras, me esforço, as vezes até acho, mas sabe fazer promessa, prometer, pagar e ter a certeza que nada, rigorosamente nada, vai acontecer?
Só espero que a próxima vida não seja tão sofrida e se for que eu consiga ser mais resistente para suportar a dor.
Adiar o sofrimento aumenta a angústia.
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