sábado, 24 de dezembro de 2022

 O Poeta uma vez escreveu: "navegar é preciso, viver não é preciso".

Estava certo.

Viver é como uma nau a seguir rumos, imprevisíveis e decisivos.

Precisamente, viver é impreciso.

Viver é não saber o que vai acontecer, mesmo navegando por mares calmos, seguindo os rumos planejados, pode acontecer o que não se previa, o que não se esperava, o que muda os rumos, mesmo seguindo nas mesmas direções.

São os acontecimentos que acontecem sem mesmo a gente perceber estar acontecendo.

Derepente encontra, também passa a ver, sentir, ter necessidade que não sabia.


O som não explica, se faz entender…


E se ao invés de Deus, chamassemos, rotineiramente, a energia criadora e transformadora, que se reflete na denominação Natureza, de Deusa?

Como a Deusa-Mae cretense.

Se dividissemos o poder da criação, no mínimo, a um Deus junto a uma Deusa?

Visto nada ser reproduzido sozinho, por um unico organismo, elemento, substância. Todo um precisar de, pelo menos, um outro para...

Provavelmente as injuncoes/ concepções sobre o patriarcado não seriam tão sólidas.

Não se demoliram as fundações do patriarcado, necessárias e legítimas, mas seriam reforçadas a instituição do matriarcado.

Todas as civilizações, em todas as épocas, se valeram do inexplicável para justificar o que não é possível explicar.

No entanto esse inexplicável, inteligentemente usado, sempre foi construido com a face, os argumentos, os interesses de quem não poderia e não pode explicar.

Se tivéssemos Deusa….precisaria dividir...



É muito bom dizer eu te amo a quem se ama e saber que apesar de poder parecer ridículo não acredita ser ridículo.

Poderia dizer que é confiança, também é, mas é amor.


Alguém sabe dizer quem foi a primeira pessoa a nascer nas terras chamada Brasil?

Não falo dos nativos, dos povos originais, mas do filho do "imigrante" que chegou depois, bem depois, de quem aqui estava antes.

Qual foi a primeira pessoa a nascer não em Pindorama, quase impossível saber, mas quem aqui chegou para ser o primeiro brasileiro?

Certo, na época ainda não ser Brasil, mas nessas terras, o filho de estrangeiro ou de nativo com estrangeiro que viria a ser o primeiro brasileiro.

Acho ninguém poder, com precisão, dizer.

O Brasil, repito não Pindorama, desde a pré-colonização não é terra de estrangeiro, mas de brasileiro.

Brasileiro é mistura de nativo com outro, de outro com outro, de quem nasceu aqui.

Nativo, natural, já nascia aqui antes de inventarem o Brasil.


As cores do arco-íris são representativas, fato, mas ao observar as proibições, restrições absurdas e anacrônicas, em regimes, esses sim, anormais poderiam ser adotadas alternativas.

Por exemplo, se a soma de todas as cores é a cor branca, por que não pensar em adota-la, além de ser improvável ser proibida, vetada, censurada… sei lá com algum símbolo a mais, o de infinito…???

Todas as vezes que as cores do arco-íris forem vítimas da mentalidade tacanha, retrógrada, a liberdade for cerceada, como já se fez contra a censura, usar o que não parece, mas é.

Sugiro a cor branca, mas a preta, ausência de cores, também pode servir de crítica ao atraso, à opressão, à hipocrisia.



Político não deveria ter salário, qualquer remuneração, receber quando muito o que fazia jus antes de ocupar o cargo eletivo.

E, após deixar o cargo ser investigado, supervisionado, auditado, criteriosamente, durante 30 anos para saber da sua mobilidade, da conquista e acumulação de patrimônio, se houvesse, fosse, sem dúvidas, lícita, honesta.

Outra coisa, ricos e milionários deveriam ser proibidos de ocupar cargos eletivos, qualquer função em que pudesse legislar em causa própria, pelo interesse individual.


 Engraçado, como as músicas que a gente gosta fala tanto da gente.

Quando era pequeno, gostava de uma música que diz "...eu só não quero cantar sozinho", ficava indignado com a parte "eu quero couro de passarinho", só fiquei sossegado quando descobri ser "coro", e o que era "coro"... não sei se tenho um milhão de amigos, nem sei se isso importa, a quantidade…

Sempre gostei de músicas, de várias, inúmeras, ritmos, gêneros, estilos, diversas, diversos…

 As vezes faltam palavras.

E isso é natural.

Afinal, elas foram feitas só para coisas.

Pode ser que alguém venha a dizer que tudo é coisa, e todas as coisas do mundo para representar tenham palavras.

É compreensível.

Mas tem coisas, que até podem parecer, mas se parar para pensar, pode surgir um será?

Será que são coisas o que a gente sente?

Será que são coisas o que sentem pela gente?

Será que são coisas o que a gente pensa sentir e o que a gente pensa que sentem pela gente?

Como saber, como provar?

Na minha, modesta, opinião coisas são palpáveis, materializadas, facilmente compreensíveis, também explicaveis.

Será que as coisas que não se compreendem, facilmente, que não tem explicações lógicas, fáceis, visíveis, palpáveis, são coisas?

Já tentou descrever um sabor, um cheiro…?

Até é possível, mas se faz necessário uma comparação, de algo que existe e não será exatamente igual, semelhante, similar, muito parecido, mas diferente.

Mesmo assim, objetivamente, é possível representar por conta da sua materialidade, se fosse exatamente igual não teria uma palavra, seria a mesma coisa.

É essa coisa que falta que faz a coisa até parecer mas nunca ser só coisa.

Coisa é algo possível de substituir, de ocupar um espaço, encher um lugar, físico.

Mas, o espaço, o lugar, o ser, por mais que possa parecer, não é só físico.

As palavras até se esforçam, até chegam bem perto, mas não conseguem atender, ocupar, encher o espaço, o lugar, o ser.

Por isso, insisto em usar palavras para dizer que elas só servem para denominar, representar, responder, perguntar coisas e as vezes, muitas vezes, faltam palavras.

 Estranho, assim como a ignorância e o exótico, é filho da distância.

O familiar, por sua vez é legítima cria da proximidade.

De perto, diariamente, o diverso nas suas diversas formas naturais, aromas, sabores e cores adquirem DNA, sangue, ganham identidade, pertencimento.

O comum, o próximo, o familiar, nasce do cruzamento de perto com diariamente.

O exótico, o estranho, o diferente, o outsider, é resultado acentuado pelo raramente, que não é frequente.

De perto é mais fácil ver as diferenças, mas também com elas acostumar, aceitar, conhecê-las e ao reconhecer cada dia ser mais difícil percebê-las, por isso misturam-se e compreendidas como semelhanças são.

Mas, mesmo improvável, uma vez não percebidas em razão de viver com ou com viver, conviver, elas passam a fazer parte.

Ou parte fazer…

Todo mundo é diferente, e isso faz todo um ser especial.

Tem tanta coisa em comum em todo um, as diferenças mais que comuns são fundamentais, faz cada ser ser único, ser original.

Na realidade o ser não é diferente, é estranho, é diverso, por certo ninguém é comum, incomum é ser desigual.

O natural não é igual.

Todo ser para ser precisa do outro ser, para se viver o outro precisa encontrar o outro…

 Às vezes faltam palavras, falta muitas vezes.

Aí lembro do Michel, o tal de Foucault.

Não é exatamente sobre isso, mas acho que as palavras servem mais bem a coisas.

Por isso, talvez seja natural faltarem para as coisas que só não são exatamente coisas.

Apesar de não saber o que escrever, faltarem palavras, "...Nao hà nada no mundo que possa fazer…Eu…deixar de gostar de você…".

É d'uma música, e "gostar" é desses casos em que a palavra mostra limitação, sua incapacidade, mas assim cantou Bethânia.

Sei que não tem nada a ver, mas além de desejar, e sei nunca será possível, que você realize todos os seus desejos, saiba que faltam palavras e ainda desconfio, felizmente, sempre faltarão para o que não tem semente, não é da natureza natural do ser gente.

Para o que não basta ler, pois precisa sentir, não se explica e se entende, no olhar, no tocar, no pensar…é falta palavras, mas só palavras…

Sabe é muito maior o quanto dói naquilo que se convencionou chamar de dor.

É muito mais e não pode caber naquilo que a palavra acostumou a chamar amor.