sábado, 24 de dezembro de 2022

 As vezes faltam palavras.

E isso é natural.

Afinal, elas foram feitas só para coisas.

Pode ser que alguém venha a dizer que tudo é coisa, e todas as coisas do mundo para representar tenham palavras.

É compreensível.

Mas tem coisas, que até podem parecer, mas se parar para pensar, pode surgir um será?

Será que são coisas o que a gente sente?

Será que são coisas o que sentem pela gente?

Será que são coisas o que a gente pensa sentir e o que a gente pensa que sentem pela gente?

Como saber, como provar?

Na minha, modesta, opinião coisas são palpáveis, materializadas, facilmente compreensíveis, também explicaveis.

Será que as coisas que não se compreendem, facilmente, que não tem explicações lógicas, fáceis, visíveis, palpáveis, são coisas?

Já tentou descrever um sabor, um cheiro…?

Até é possível, mas se faz necessário uma comparação, de algo que existe e não será exatamente igual, semelhante, similar, muito parecido, mas diferente.

Mesmo assim, objetivamente, é possível representar por conta da sua materialidade, se fosse exatamente igual não teria uma palavra, seria a mesma coisa.

É essa coisa que falta que faz a coisa até parecer mas nunca ser só coisa.

Coisa é algo possível de substituir, de ocupar um espaço, encher um lugar, físico.

Mas, o espaço, o lugar, o ser, por mais que possa parecer, não é só físico.

As palavras até se esforçam, até chegam bem perto, mas não conseguem atender, ocupar, encher o espaço, o lugar, o ser.

Por isso, insisto em usar palavras para dizer que elas só servem para denominar, representar, responder, perguntar coisas e as vezes, muitas vezes, faltam palavras.

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