Quando era criança, faz tempo, eu brincava sozinho, e me divertia com algumas imagens.
Não sei se era só imaginação, provavelmente, mas eu via o que não existia. As vezes sentia medo, mas essas pessoas, essas imagens, eram as minhas melhores, as vezes únicas, companias.
Hoje, sozinho, gostaria que eles aparecessem, mas isso não acontece.
Por outro lado, tenho amigos de verdade, que também não aparecem.
Eles existem, vivem, mas como não os vejo são como os amigos imaginários.
É engraçado, saber que conheço um bom número de pessoas, elas são reais, mas parecem viver só na minha imaginação.
Certo modo, são iguais aqueles de quando, faz muito tempo, eu era criança.
Acho que isso é coisa da solidão, uma solução, autodefesa, remédios para não sentir solidão.
Eu sempre falei muito, mas disse sempre quase nada.
É engraçado, não sei se é, como a maioria das pessoas que me conhecem, sabem pouco ou nada de mim.
Algumas até acham, eu não duvido, mas sabem só o que não tenho vergonha, medo, receio.
Eu sou muito bom nisso, disfarço, desapareço e deixo transparecer só o impossível esconder.
Pra ser sincero, não sei o peso dos meus pecados, da minha insegurança, o tamanho das minhas fantasias, das minhas dúvidas, nem as incertezas sobre os meus achos, não gosto de certezas, é coisa que eu detesto.
Enfim, as vezes até acho bom que todos sejam, ou pareçam, tão imaginários.
E eu, os imagino da melhor forma que consigo, que posso, que sei.
Sinceramente, não sei se seriam e continuariam meus amigos, por tanto tempo, se fossem mais reais e menos imaginários.
Por falar em tempo, quanto é muito tempo?
E... quanto é pouco tempo ou quanto é o tempo que está entre o muito e o pouco???
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