São rasas e reducionistas as análises que caracterizam a conjuntura numa disputa binária.
Não se trata de embate entre direita e esquerda, entre autoritarismo e democracia, entre quaisquer pares opostos.
A concepção é complexa, com raízes e teias, cujo objetivo é um projeto exclusivista, e até eugenista, de poder, tal qual o nazismo, onde não se admite oposições, críticas e apenas a subserviência a prevalência física, bélica, econômica e ideológica.
Tal projeto despreza a razão, as aptidões intelectuais, culturais, e faz submergir a medieva concepção divina na arquitetura do medo.
Paralelamente, faz ressurgir anacrônicas representações taumatúrgicas.
O negacionismo, o sistemático ataque a ciência, degradação da educação, o ostensivo e intensivo uso da máquina pública na propagação da mentira/fofoca, técnica goebbeliana, e de uma liberdade de expressão seletiva, fundamentalista, são táticas de desinformação para enformar.
A tônica é a obediência ao inexplicável, a vozes de comando e a lixiviação do caráter crítico por uma doutrinação pseudo religiosa e educacional em "escolas" milicianas.
Não é à toa nomes como "Brasil Paralelo", com a finalidade de espelhar, confundir e alterar a realidade.
Não existe Gente de bem, assim como de mal não existe também, o que existe é simplesmente e tão somente Gente.
Gente que acerta, erra, aprende, tenta, faz muitas coisas para sobreviver, para sobressair, para superar.
A primeira coisa que deveríamos aprender é não existir um poder supremo, um maior, mas equilíbrio de poderes.
Todo poderoso, grosso modo também gente, tem falhas, fraquezas, virtudes, defeitos, pecados.
Até os reis contaram com apoios, receberam críticas e seu poder não pode e nem é limitado. Freios, receios, dúvidas, dádivas, sempre haverão.
O pensamento, a divisão, tripartite também se mostra polissêmica, tem no mínimo três extremidades sem contar riquezas fracionadas e porosidades nas bases, se fundamenta no princípio de equilíbrio e importância das partes.
Os três, como assina a constituição, devem funcionar em harmonia e complementaridade.
Não existe, embora pareça, uma cabeça acima de todas, alguém que preside solitariamente, mas no mínimo três presidências, com valores equivalentes em conformidade com as respectivas searas.
Ao executivo cabe executar, ao legislativo legislar e ao judiciário ajuizar, mas não somente, aos três cabe manter-se em harmonia com a sociedade, com as peculiaridades e não particularidades de indivíduos.
O estudo dos fenômenos/comando/controle de massa...
Paroxismo.
Proselitismo.
A história não se repete ipsis literis, mas experiências do vívido são recombinadas, rearranjadas, reagrupadas, colhidas nas sucessivas versões, eventos, fatos históricos.
A história não se repete pois cada ação ou movimento é único, quase nunca acontece no mesmo lugar e jamais será no mesmo tempo.
Nesse sentido, na construção de uma analogia plausível, podemos pensar na teoria da física, até na sua apropriação, que diz dois corpos não ocuparem o mesmo lugar no tempo e no espaço.
Tudo no mundo natural, inclusive do ser naturalmente humano, é completamente igual, mas similar, acima de tudo semelhante.
Um bolo, um objeto, uma coisa, considerando a redução de questionamentos e certo grau de relatividade, podem ser rigorosamente iguais, produzidos em série, mas não o natural.
Não sou gente de bem, de mal não sou também.
Sou ser humano, um ser imperfeito, esse é o meu, o seu, o nosso jeito.
Não sou gente de bem, nem de mal, sou simplesmente e somente Gente.
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