sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Penso, por vezes, pedir, como fosse possível, para você sair dos meus sonhos.

Logo desisto.

Sua ausência nos meus delírios, pensamentos, fantasias, na minha imaginação…decretaria a mais cruel pena ao, meu, ser humano, ser condenado a só viver pesadelos... beijo



Sempre gostei de olhar para o céu, olhar as nuvens.

Cresci num lugar onde nuvens são muitas, brancas, cinzas, em vários tons, e o azul é, é, e é irradiante.

Ao olhar via imagens, via formas, formatos, desenhos, desejos, sonhos de algodão.

As vezes imaginava nelas tocar, pisar, repousar, e as tocava no fundo do coração, na minha imaginação.

Certos momentos penso que assim, muito mais que ensinaram, descobri, criei uma maneira de aprender e aprendi.

Talvez seja assim, nos mostram, apresentam, nos guiam por um monte de conteúdo, mas só aprendemos o que escolhemos, as imagens, os sons, os tons, o sabor que a gente sente.

Tentaram ensinar, um monte de coisas, se esforçaram, e não foi em vão, mas só aprendi o que queria o meu desejo, projetado, em forma de emoção.

Ninguém perguntou o que queria aprender, mesmo se o fizessem, não sei se realmente seria aquilo, pois nunca soube de tudo, de todas as opções, e agora sei que nunca vou saber.

Acho que foi Pablo Picasso, certa vez perguntado como era o seu processo criativo, como sabia o que desenhar, o formato que iria construir, escupir, e ele disse: quando olho para um bloco penso no que vou tirar.

Em tantas oportunidades olhamos para algo e sua "mensagem" é óbvia, direta, objetiva, mas escolhemos perceber o avesso, o contraponto, o matiz, o contraste, o negativo como a película das antigas fotografias. 

O que seria das nuvens, quantas imagens formaria com todos os seus tons de branco se não tivesse no fundo todo aquele cinza, todo aquele azul, azul irradiante???

Não sei se é possível ensinar, mas indubitavelmente, a gente, pessoas, sempre irá aprender aquilo que escolhemos aprender, por nos atrair, irradiar, nos dar prazer. Mais que prazer, sentir a necessidade de olhar e ver o que precisamos tirar para o resultado ser a obra da nossa vida.


A gente precisa compreender que o eu só existe porque você existe, que só existe eu se existir você.

outro não é só fundamental, é referência, é parte vital.

Sem o outro não há vida, nem sonhos desejos, não existe chegada, caminho, e partida.

Não existe beijo, não dá para abraçar, é possível enxergar, mas é tão difícil se ver, se olhar.

E quando a gente se toca, descargas tão intensas não provoca, nem os excelentes curtos circuitos que o outro foi feito para fazer.

Tudo perde a cor, o tom, a medida, o sabor.

Sem o outro talvez se possa odiar, mais ainda o fato de estar sozinho, por não ter ninguém para amar.

A gente não pode nunca esquecer, que o encontro de outro com outra, ou de outra com outro, é que faz nascer.

É tão ridículo o que a vida faz com a gente, o que faz o capitalismo.

Nos ensina egoísmo, a assumir compromissos capitalizados, a vender o tempo, a vida, a adiar o prazer.

A gente só pensar na gente, nos nossos problemas, e deixar de viver encontros, convívios, coloca os seres humanos num plano secundário, para, dizem, sobreviver…

Primeiro vem o dinheiro, a primazia da vontade de quem nos paga, um fazer para receber, dinheiro, só depois pensamos e voltamos atenção a pessoas, ao outro, a quem nos faz viver…

Marx tem razão…

Segundo a minha teoria o altruísmo é egoísta, o ser humano não se importa em fazer o bem.

Em não fazer mal, pode ser, mas no fundo ele gosta, quer e precisa sentir prazer…sente prazer em ajudar, em abrir mão, em ser generoso, e quando isso faz, em primeiro lugar, lá no fundo acaba pensado primeiramente, mais, em si…que em qualquer outro.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Várias vezes ouvi pessoas dizerem que queriam mudar o mundo, mesmo sem se darem conta, que elas estão mudando.
Ouvi, inúmeras vezes, pessoas dizerem que gostariam de mudar a si mesmas, serem melhores, não tenho opinião formada quanto a isso.
Eu nunca pensei em mudar o mundo, pelo contrário, também não pensei em mudar as pessoas, muito pelo contrário.
Sequer pretendo ser melhor, acho impossível, e acho que só conseguiria não ser o que seria, não ser o que sou.
Não sei se estou errado, mas acho perceber o mundo, e isso é aprendizado, através das suas múltiplas faces, por meio de "óculos" que descobrem e enxergam a diversidade.
Se pudesse dizer algo, objetivo, diria para todas as pessoas continuarem a serem plurais e diversas, ímpares, e a permitir encontros, combinações, interseções de suas subjetividades, objetivadas, únicas com as exclusivas das outras pessoas.
Acho assim não mudarmos o mundo, nem a nós mesmos, mas ouvir, ver, assinar, permitir, respeitar e compor harmonias, fundamentais, para o viver as nossas vidas.


Bebi até a última gota que havia na minha garrafa de alegria.

Quando acabou não sabia mais o que, nem se algo tinha.

Ainda não sei, quando acabou, em que se transformou o que sobrou.

Mesmo, aparente, a garrafa não ficou vazia, só, aparentemente, nada restava.

Mas como é o que ninguém cria, nem pode destruir, a garrafa antes cheia, de alegria, teve o seu espaço ocupado por outra energia.

E o corpo, outro recipiente do ingrediente, agora cheio do que antes não havia, ainda espera esse algo transformar e se transformar.

Alguma alegria, ser transportada por para outros recipientes, outros corpos, pois é, poisé, energia.

Nem sei se se transforma, talvez so mente, somente, se mente, mude de lugar, troque de copo, de garrafa, de recipiente, de corpo e siga a outro lugar, isso é trans portar.

Existe transformação se tudo ficar no mesmo lugar, é possível trans portar?

As pessoas parecem não querer saber o que significa.

Na realidade, na maioria das vezes elas, inconscientemente, não dão importância aos significados.

Sabe, as pessoas não sabem o que significa, principalmente, por realmente não saberem o que significa.

Por desaprender a valorizar os significados.

A gente só descobre que precisava saber o que significa quando não dá mais para significar os significados. É quando eles começaram realmente a significar.

Chega um momento em que o tempo já não importa, a esperança já não vai bater nenhuma porta.
Quando re parou, o tempo de esperar pegou carona no trem do des espero.
Não é mais o tempo da possibilidade, mas da probabilidade, quando é mais frequente e preciso chegar o tempo de ir para não voltar.
Já não faz muita diferença, o tempo segue o ritmo da despedida, no trilho do tempo a passar.
As vezes eu penso como seria a minha vida com vocês ainda aqui.
Não tenho dúvidas que seria bem melhor, só teria motivos para sonhar, e força para não desistir.
Principalmente, não precisaria ter que me esforçar, tentar me reconstruir depois de todas as porradas que abalaram a cabeça, a esperança, desritimaram o meu coração.
Seria tão bom, tudo seria igual, continuaria sendo o mesmo cara e filho chato. Intransigente, impaciente, resmungaria, responderia, mas me preocuparia todo dia, daria bom dia e sempre que pudesse fugiria para ficar e achar que cuidava de vocês.
Ainda viveria os mesmos velhos conflitos, alguns dias ficaria triste, noutros invocaria o palhaço, o bobo, que adormeceu dentro de mim, para tentar enganar as adversidades com alegria.
Certamente, como tudo muda o tempo todo, muita mudança sugiria, mas mesmo em meio as modificações, nada seria tão diferente, e seria?
Eu só queria, sei que não será possível, ter abraçado mais uma vez e poder dizer o quanto amei e amo você mãe, você pai…obrigado mãe e desculpa mãe…obrigado pai e desculpa pai…
Mãe eu estou tentando, mas sem você eu sei, tenho certeza que não consigo…
Pai, ao menos eu estava a seu lado e acho ter te dado todo carinho que podia, sem você tá difícil, muito difícil.
Se vocês estivessem aqui, por algum motivo, talvez por ter me dado a vida, a minha vida ainda viveria…

O tempo todo a gente desperdiça tempo, nem lembra que a cada instante se desenha a primeira e ao mesmo tempo a última chance.
Tá, ainda podem haver outras oportunidades, geralmente e inúmeras vezes isso acontece. Mas, sempre há um não ser a chegar e pela última vez tentar fazer acontecer.
Cada dia está mais perto o não dar para recomeçar, e nesse instante pode se alcançar o destino de todo um viver.
Por isso a gente não deve, não pode, deixar de o que se sente dizer, o importa, a quem importa.
Até pode, por algum motivo, por alguma razão, escolher, preferir ocultar, esconder, se conter e não deixar o coração falar, mas é preciso coragem ao vestir um acho com a, enganadora, retícula de certeza, mesmo que saiba nunca ter certeza.
As vezes a gente não tem a menor chance, ainda assim é incerto, impreciso, e o sim pode ser, mesmo quando esgotadas as probabilidades, sejam nulas e inexistentes, certo modo, minimamente, ela insiste, persiste e existe, na esperança, fantasiada de sonho, delírio, ilusão, enquanto se escolhe evitar o contundente, decepcionante e definitivo não.
Às vezes o aparente silêncio significa, mesmo que remotamente, continuar sonhando…
Não saber, muitas vezes, proporciona, "por aparelhos", um sopro de vida antes do fim.





domingo, 16 de julho de 2023

Não existe nada de diferente entre seres humanos, aliás somos assim classificados, seres humanos.

Todo o funcionamento desse organismo e qualquer órgão, sangue…conforme a tipologia e padrões são comuns.

Não existe diferença, mas diversidade, somos diversos, completamente diversificados, nada natural é exatamente igual, portanto, se nada é igual como pode ser diferente?

Parece esquisito, paradoxal, mas só é possível admitir diferenças entre iguais…

Qual a diferença???

E se houvesse o ser perfeito, o impossível possível, nós, no alto da nossa perfeita imperfeição, procurariamos exaustiva e principalmente por possíveis imperfeições.

Indeléveis…aplicariamos todo o nosso conhecimento e preconceito na busca de prováveis incompreensões, apenas para auferir/conferir qualquer alguma semelhança.

Selexcia


Não existe verdade, pelo menos absoluta, pois tudo é relativo, determinado por perspectivas e, principalmente, expectativas. Em todo e qualquer fato, mesmo em situações isoladas com apenas um sujeito, o evento possui ao menos um ponto de observação, referência e incontáveis outros não percebidos. A verdade, se houvesse, seria a totalidade, completa, na íntegra, sem pontos cegos, invisíveis, desapercebidos, negando a possibilidade de questionamentos por outrem.

Portanto, obviamente também não existe mentira, apenas diferentes perspectivas, expectativas, realidades, compreensões…

Para tudo, por mais absurda, desaprovada, ilegal e imoral, de acordo com a mentalidade da época, existe ao menos duas explicações, as vezes três, uma que afirma, outra a questionar e ainda outra a ponderar, todas determinadas por juízos e valores.

História é o que acontece agora, temperada, no futuro.

Em outras palavras, a partir do ponto futuro, não do passado, mas da perspectiva e da expectativa distanciada do tempo, presente, o da execução.

Para que serve?

Dentre outras justificativas, teorias, respostas, afirmo servir para desenvolver o raciocínio, o pensar…

Por um viés muito simplista, é aquilo que, apesar de todos os protocolos e registros, precisa ser contado.

No dia 2 de setembro de 2019 o fogo ardeu e queimou o Museu Nacional. Em meio a notícias, cobertura jornalísticas, enquanto as chamas ardiam o conjunto arquitetônico e o acervo nele guardado eram transformados. Simultaneamente as histórias de pessoas que emocionados, tristes e chocadas, eram arremetidas a outra dimensão. Saiam, mesmo sem saber, do status de funcionários, pesquisadores, socorristas, para a imortalidade de personagens históricos. Nenhuma energia pode ser criada ou destruída, mais que listar o nome dos que trabalham e, no futuro, trabalharam na restauração, reconstrução, ou manutenção da estrutura física, se faz imperioso registrar a experiência, histórica, transformadora.

O Museu não mais será o que era, na realidade nunca foi ou é, continua e continuará sendo o resultado de seres em transformação, cujos destinos e funções é da metamorfose.

Por isso virou violão, violino, virou poesia, virou canção, virou teses, artigos, matérias, campanhas, doações, emoção e contribuição, a vida de pessoas, cooperação, virou e sua missão é virar…

É fundamental lembrar, para quem duvida desse processo transformador, da chácara construída por… que se transformou através da doação em acomodação/casa da família reinó em 180…depois em palácio imperial, em 1822…depois em Museu Nacional, escola, centro acadêmico…Na realidade transforma e se transforma, transforma as vidas das pessoas que se transformaram, estudantes em pesquisadores, em professores, em doutores… energias acumuladas, compartilhadas, doadas e recebidas…

Aliás, o prédio, o corpo, só encontra significados ao permitir significar para seres que a impregna com as suas existências a existência com vida, por isso o museu vive, e viverá enquanto vida houver a partilhar energias…camadas de significados…

O ser inanimado tem um estado anímico alimentado pela…

Como é possível negar as almas, emoções, lágrimas, sorrisos, prazeres incorporados em paredes, cinzas, chamuscadas, nos móveis, utensílios, relíquias… não precisa ser fênix, dizer renascer, aliás o processo é similar, como disse o poeta .. a morte da lagarta se chama borboleta…

Cinza, madeira, cimento, cal, galagala, barro, pó…poeira, sentimento e emoção…

Aliás, história é o exercício de registrar e contar o que precisa ser lembrado, não consegue, pela importância para alguém, cair no esquecimento, ou melhor, recordar, re-cordis, que significa voltar a passar pelo coração…

E assim, não se reconstrói, mas dá continuidade a transformação de um patrimônio público.

Logo após o fogo ser controlado, corações, corpos e cérebros cansados, em meio ao rescaldo, talvez deles mesmo, continuaram a trabalhar. As suas funções, talvez as mesmas, tiveram as rotinas alteradas, muitas pessoas acumulando outras preocupações, além das habituais, e sendo obrigadas a aprender o que jamais imaginaram ser preciso aprender.

Começaram a contabilizar, friamente, não só os prejuízos, mas as perdas que sempre são irreparáveis, o que em meio ao que achavam ser perdido poderia e como poderia ser recuperar, restaurar, além de projetar as possíveis e prováveis novas faces do museu. Idéias, sugestões…

Pontuar os projetos, discussões.

Numa reportagem, sobre as mulheres, algumas delas, foram proferidas as seguintes frases, expressões, sentimentos…

Pensar em depoimentos

Em relação ao primeiro inventário… acervo pedido, recuperado…

Num segundo momento…

As somas necessárias… orçamentos…

Doações…

Entidades que participam…

Anônimos…

Iniciativas…eventos…

Amigos do museu…apoios…

Contas na cgu…

Previsões…

Imagens…

Pessoas/trabalhadores…modeladores, escultores…


Desfecho…


O fogo ao invés da primeira percepção, a da destruição, acendeu a chama da transformação. O Museu Nacional, limitado ao acesso, ao toque e a presença de alguns, limitado a dimensão do Rio de janeiro, majoritariamente, se projeta a um processo de internacionalização, ao alcance Mundial, universal…

Ampliação, estendida, majorada…espectro, radiação…irradia…









Palavras são precisas apenas para coisas, para o que não são traem, criam armadilhas.

Muitas vezes nos vemos despreparados pelo efeito das palavras, que dependem tanto de quem pensa e as usam quanto daquele que as recebe e pensa. Muitas vezes dizemos: não foi isso que eu quis dizer. Caiu na armadilha.

Nem sempre se sabe o que dizer, por mais querer, a palavra não descreve sentimentos e, por inúmeras vezes, arrasta a compreensão do que se quer entender.

A palavra só é eficiente em comunicar quando percorre a intimidade, o conhecimento, a vida de ambos, ambíguas, peculiaridades, ainda assim, não desarma armadilhas pois está vinculada a, no mínimo, às expectativas, distintas, diversas, particulares e individuais. Nunca é possível saber se o que se diz será compreendido como se quiz dizer.

Não adianta pensar bem, exaustivamente, a palavra dita, ou não, percorre caminhos e chega como se quer receber. A palavra tem remetente, tem destinatário, acerta, mas não prescinde causar efeitos no itinerário, ou no destino final.

Por isso há tantos ruídos, tantas exclamações, tantos julgamentos, tanta condenação.

A palavra pode e causa danos, irreversíveis, nunca será possível medir seus efeitos destrutivos, construtivos, transformadores…

Várias vezes ouvi pessoas dizerem que queriam mudar o mundo, mesmo sem se darem conta que elas estão mudando.

Ouvi, inúmeras vezes, pessoas dizerem que gostariam de mudar a si mesmas, serem melhores, não tenho opinião formada quanto a isso.

Eu nunca pensei em mudar o mundo, pelo contrário, também não pensei em mudar as pessoas, muito pelo contrário.

Sequer pretendo ser melhor, acho impossível, e acho que só conseguiria não ser o que seria, não ser o que sou.

Não sei se estou errado, mas acho perceber o mundo, e isso é aprendizado, através das suas múltiplas faces, por meio de "óculos" que descobrem e enxergam a diversidade.

Se pudesse dizer algo, objetivo, diria para todas as pessoas continuarem a serem plurais e diversas, ímpares, e a permitir encontros, combinações, interseções de suas subjetividades, objetivadas, únicas com as exclusivas das outras pessoas.

Acho assim não mudarmos o mundo, nem a nós mesmos, mas ouvir, ver, assinar, permitir, respeitar e compor harmonias, fundamentais, para o viver as nossas vidas.