quarta-feira, 19 de julho de 2023

As vezes eu penso como seria a minha vida com vocês ainda aqui.
Não tenho dúvidas que seria bem melhor, só teria motivos para sonhar, e força para não desistir.
Principalmente, não precisaria ter que me esforçar, tentar me reconstruir depois de todas as porradas que abalaram a cabeça, a esperança, desritimaram o meu coração.
Seria tão bom, tudo seria igual, continuaria sendo o mesmo cara e filho chato. Intransigente, impaciente, resmungaria, responderia, mas me preocuparia todo dia, daria bom dia e sempre que pudesse fugiria para ficar e achar que cuidava de vocês.
Ainda viveria os mesmos velhos conflitos, alguns dias ficaria triste, noutros invocaria o palhaço, o bobo, que adormeceu dentro de mim, para tentar enganar as adversidades com alegria.
Certamente, como tudo muda o tempo todo, muita mudança sugiria, mas mesmo em meio as modificações, nada seria tão diferente, e seria?
Eu só queria, sei que não será possível, ter abraçado mais uma vez e poder dizer o quanto amei e amo você mãe, você pai…obrigado mãe e desculpa mãe…obrigado pai e desculpa pai…
Mãe eu estou tentando, mas sem você eu sei, tenho certeza que não consigo…
Pai, ao menos eu estava a seu lado e acho ter te dado todo carinho que podia, sem você tá difícil, muito difícil.
Se vocês estivessem aqui, por algum motivo, talvez por ter me dado a vida, a minha vida ainda viveria…

O tempo todo a gente desperdiça tempo, nem lembra que a cada instante se desenha a primeira e ao mesmo tempo a última chance.
Tá, ainda podem haver outras oportunidades, geralmente e inúmeras vezes isso acontece. Mas, sempre há um não ser a chegar e pela última vez tentar fazer acontecer.
Cada dia está mais perto o não dar para recomeçar, e nesse instante pode se alcançar o destino de todo um viver.
Por isso a gente não deve, não pode, deixar de o que se sente dizer, o importa, a quem importa.
Até pode, por algum motivo, por alguma razão, escolher, preferir ocultar, esconder, se conter e não deixar o coração falar, mas é preciso coragem ao vestir um acho com a, enganadora, retícula de certeza, mesmo que saiba nunca ter certeza.
As vezes a gente não tem a menor chance, ainda assim é incerto, impreciso, e o sim pode ser, mesmo quando esgotadas as probabilidades, sejam nulas e inexistentes, certo modo, minimamente, ela insiste, persiste e existe, na esperança, fantasiada de sonho, delírio, ilusão, enquanto se escolhe evitar o contundente, decepcionante e definitivo não.
Às vezes o aparente silêncio significa, mesmo que remotamente, continuar sonhando…
Não saber, muitas vezes, proporciona, "por aparelhos", um sopro de vida antes do fim.





Nenhum comentário: