domingo, 16 de julho de 2023

Não existe nada de diferente entre seres humanos, aliás somos assim classificados, seres humanos.

Todo o funcionamento desse organismo e qualquer órgão, sangue…conforme a tipologia e padrões são comuns.

Não existe diferença, mas diversidade, somos diversos, completamente diversificados, nada natural é exatamente igual, portanto, se nada é igual como pode ser diferente?

Parece esquisito, paradoxal, mas só é possível admitir diferenças entre iguais…

Qual a diferença???

E se houvesse o ser perfeito, o impossível possível, nós, no alto da nossa perfeita imperfeição, procurariamos exaustiva e principalmente por possíveis imperfeições.

Indeléveis…aplicariamos todo o nosso conhecimento e preconceito na busca de prováveis incompreensões, apenas para auferir/conferir qualquer alguma semelhança.

Selexcia


Não existe verdade, pelo menos absoluta, pois tudo é relativo, determinado por perspectivas e, principalmente, expectativas. Em todo e qualquer fato, mesmo em situações isoladas com apenas um sujeito, o evento possui ao menos um ponto de observação, referência e incontáveis outros não percebidos. A verdade, se houvesse, seria a totalidade, completa, na íntegra, sem pontos cegos, invisíveis, desapercebidos, negando a possibilidade de questionamentos por outrem.

Portanto, obviamente também não existe mentira, apenas diferentes perspectivas, expectativas, realidades, compreensões…

Para tudo, por mais absurda, desaprovada, ilegal e imoral, de acordo com a mentalidade da época, existe ao menos duas explicações, as vezes três, uma que afirma, outra a questionar e ainda outra a ponderar, todas determinadas por juízos e valores.

História é o que acontece agora, temperada, no futuro.

Em outras palavras, a partir do ponto futuro, não do passado, mas da perspectiva e da expectativa distanciada do tempo, presente, o da execução.

Para que serve?

Dentre outras justificativas, teorias, respostas, afirmo servir para desenvolver o raciocínio, o pensar…

Por um viés muito simplista, é aquilo que, apesar de todos os protocolos e registros, precisa ser contado.

No dia 2 de setembro de 2019 o fogo ardeu e queimou o Museu Nacional. Em meio a notícias, cobertura jornalísticas, enquanto as chamas ardiam o conjunto arquitetônico e o acervo nele guardado eram transformados. Simultaneamente as histórias de pessoas que emocionados, tristes e chocadas, eram arremetidas a outra dimensão. Saiam, mesmo sem saber, do status de funcionários, pesquisadores, socorristas, para a imortalidade de personagens históricos. Nenhuma energia pode ser criada ou destruída, mais que listar o nome dos que trabalham e, no futuro, trabalharam na restauração, reconstrução, ou manutenção da estrutura física, se faz imperioso registrar a experiência, histórica, transformadora.

O Museu não mais será o que era, na realidade nunca foi ou é, continua e continuará sendo o resultado de seres em transformação, cujos destinos e funções é da metamorfose.

Por isso virou violão, violino, virou poesia, virou canção, virou teses, artigos, matérias, campanhas, doações, emoção e contribuição, a vida de pessoas, cooperação, virou e sua missão é virar…

É fundamental lembrar, para quem duvida desse processo transformador, da chácara construída por… que se transformou através da doação em acomodação/casa da família reinó em 180…depois em palácio imperial, em 1822…depois em Museu Nacional, escola, centro acadêmico…Na realidade transforma e se transforma, transforma as vidas das pessoas que se transformaram, estudantes em pesquisadores, em professores, em doutores… energias acumuladas, compartilhadas, doadas e recebidas…

Aliás, o prédio, o corpo, só encontra significados ao permitir significar para seres que a impregna com as suas existências a existência com vida, por isso o museu vive, e viverá enquanto vida houver a partilhar energias…camadas de significados…

O ser inanimado tem um estado anímico alimentado pela…

Como é possível negar as almas, emoções, lágrimas, sorrisos, prazeres incorporados em paredes, cinzas, chamuscadas, nos móveis, utensílios, relíquias… não precisa ser fênix, dizer renascer, aliás o processo é similar, como disse o poeta .. a morte da lagarta se chama borboleta…

Cinza, madeira, cimento, cal, galagala, barro, pó…poeira, sentimento e emoção…

Aliás, história é o exercício de registrar e contar o que precisa ser lembrado, não consegue, pela importância para alguém, cair no esquecimento, ou melhor, recordar, re-cordis, que significa voltar a passar pelo coração…

E assim, não se reconstrói, mas dá continuidade a transformação de um patrimônio público.

Logo após o fogo ser controlado, corações, corpos e cérebros cansados, em meio ao rescaldo, talvez deles mesmo, continuaram a trabalhar. As suas funções, talvez as mesmas, tiveram as rotinas alteradas, muitas pessoas acumulando outras preocupações, além das habituais, e sendo obrigadas a aprender o que jamais imaginaram ser preciso aprender.

Começaram a contabilizar, friamente, não só os prejuízos, mas as perdas que sempre são irreparáveis, o que em meio ao que achavam ser perdido poderia e como poderia ser recuperar, restaurar, além de projetar as possíveis e prováveis novas faces do museu. Idéias, sugestões…

Pontuar os projetos, discussões.

Numa reportagem, sobre as mulheres, algumas delas, foram proferidas as seguintes frases, expressões, sentimentos…

Pensar em depoimentos

Em relação ao primeiro inventário… acervo pedido, recuperado…

Num segundo momento…

As somas necessárias… orçamentos…

Doações…

Entidades que participam…

Anônimos…

Iniciativas…eventos…

Amigos do museu…apoios…

Contas na cgu…

Previsões…

Imagens…

Pessoas/trabalhadores…modeladores, escultores…


Desfecho…


O fogo ao invés da primeira percepção, a da destruição, acendeu a chama da transformação. O Museu Nacional, limitado ao acesso, ao toque e a presença de alguns, limitado a dimensão do Rio de janeiro, majoritariamente, se projeta a um processo de internacionalização, ao alcance Mundial, universal…

Ampliação, estendida, majorada…espectro, radiação…irradia…









Palavras são precisas apenas para coisas, para o que não são traem, criam armadilhas.

Muitas vezes nos vemos despreparados pelo efeito das palavras, que dependem tanto de quem pensa e as usam quanto daquele que as recebe e pensa. Muitas vezes dizemos: não foi isso que eu quis dizer. Caiu na armadilha.

Nem sempre se sabe o que dizer, por mais querer, a palavra não descreve sentimentos e, por inúmeras vezes, arrasta a compreensão do que se quer entender.

A palavra só é eficiente em comunicar quando percorre a intimidade, o conhecimento, a vida de ambos, ambíguas, peculiaridades, ainda assim, não desarma armadilhas pois está vinculada a, no mínimo, às expectativas, distintas, diversas, particulares e individuais. Nunca é possível saber se o que se diz será compreendido como se quiz dizer.

Não adianta pensar bem, exaustivamente, a palavra dita, ou não, percorre caminhos e chega como se quer receber. A palavra tem remetente, tem destinatário, acerta, mas não prescinde causar efeitos no itinerário, ou no destino final.

Por isso há tantos ruídos, tantas exclamações, tantos julgamentos, tanta condenação.

A palavra pode e causa danos, irreversíveis, nunca será possível medir seus efeitos destrutivos, construtivos, transformadores…

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