Sempre gostei de olhar para o céu, olhar as nuvens.
Cresci num lugar onde nuvens são muitas, brancas, cinzas, em vários tons, e o azul é, é, e é irradiante.
Ao olhar via imagens, via formas, formatos, desenhos, desejos, sonhos de algodão.
As vezes imaginava nelas tocar, pisar, repousar, e as tocava no fundo do coração, na minha imaginação.
Certos momentos penso que assim, muito mais que ensinaram, descobri, criei uma maneira de aprender e aprendi.
Talvez seja assim, nos mostram, apresentam, nos guiam por um monte de conteúdo, mas só aprendemos o que escolhemos, as imagens, os sons, os tons, o sabor que a gente sente.
Tentaram ensinar, um monte de coisas, se esforçaram, e não foi em vão, mas só aprendi o que queria o meu desejo, projetado, em forma de emoção.
Ninguém perguntou o que queria aprender, mesmo se o fizessem, não sei se realmente seria aquilo, pois nunca soube de tudo, de todas as opções, e agora sei que nunca vou saber.
Acho que foi Pablo Picasso, certa vez perguntado como era o seu processo criativo, como sabia o que desenhar, o formato que iria construir, escupir, e ele disse: quando olho para um bloco penso no que vou tirar.
Em tantas oportunidades olhamos para algo e sua "mensagem" é óbvia, direta, objetiva, mas escolhemos perceber o avesso, o contraponto, o matiz, o contraste, o negativo como a película das antigas fotografias.
O que seria das nuvens, quantas imagens formaria com todos os seus tons de branco se não tivesse no fundo todo aquele cinza, todo aquele azul, azul irradiante???
Não sei se é possível ensinar, mas indubitavelmente, a gente, pessoas, sempre irá aprender aquilo que escolhemos aprender, por nos atrair, irradiar, nos dar prazer. Mais que prazer, sentir a necessidade de olhar e ver o que precisamos tirar para o resultado ser a obra da nossa vida.
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