sábado, 18 de dezembro de 2021

Respeito, carinho, amizade, afeto, admiração, amor, coração.

Palavras que não pedem complemento, fáceis de entendimento, não precisam explicação.

Era uma vez alguém que se apaixonou por outro alguém e descobriu mais que tudo ama-la.

Mas não podia dar o que ela precisava, tudo o que tinha era o insuficiente.

Só tinha sonhos, e era proibido de sonhar, e sonhos não são palpáveis, se localizam num futuro que pode nunca chegar, demorou para descobrir, para entender, ainda mais para aceitar.

Ele só podia dar o que tinha e não tinha o que ela merecia, precisava, queria.

Só podia dar o que não tem preço, mas é cheio de valor.

Talvez tudo isso fosse pouco, ele sentia mas nunca disse o que sentia pois, mesmo querendo muito, não queria perder o que tinha, o que parecia não se suficiente, mas sempre necessário.

Achou talvez ser pouco oferecer sentimento, reconhecimento, respeito, carinho, amor.

Não são coisas, não tem preço, mas cheias de valor.

Imagina se 

Inda, ainda, é possível ser poeta num mundo sem poesia?

Em que a desconfiança amarga a amargura.

Onde o vício no medo de perder inibe a procura, o encontro, a ternura, o acontecer.

Quando um não sei entorpece a travessia.

Não sei, não sei se é possível ainda acreditar.

São muitas as dúvidas, apesar de não gostar e não acreditar em certezas.

Apesar de todos os apesares, o momento é de pouca ou nenhuma esperança.

A graça não consegue rir, e até a desgraça não faz mais chorar.

Acostuma-se com um não-ser que absorve o não-dizer e vive num não-lugar.

É óbvio que para o poeta tudo é possível, mas não é provável se ele não sente, não sofre, não consegue se alegrar, não fica feliz e só, só fica só, é indiferente.

O poeta para poetar, o ato de fazer essa porra de poesia, precisa viver um motivo.

Mas quando os motivos deixam de importar, quando o outro significa nada para um outro, quando a ideia de final da vida não causa dor, quando não se ama o amor, em que ele pode se inspirar?

Sabe quando a luz apaga no meio do dia e tanto faz que ela não esteja acesa?

Sabe quando falta luz, fica escuro e o sono é profundo?

Sabe quando se caminha, perdido e sem encontrar, para o fim do seu mundo?

Sabe quando o importante não passa por debaixo da porta?

Sabe quando ao abrir a janela se vê um muro?

Sabe quando tudo é nada e nada é tudo?

O desalento faz desfalecer, cansa morrer todo dia um pouco e se torce até para o dia definitivo chegar,.

É foda morrer a vida toda, viver e ver a vida todo dia te matar.

Diria tchau fosse pessimista, mas não sou, então adeus.

E para responder a pergunta que inicia, realmente precisa ter respostas para todas as perguntas e perguntas para todas as respostas?

Apesar de tudo, de todos, de todos os nadas, de todos os tudos, das perguntas sem respostas, das respostas sem perguntas, das faltas, das falas, da falta de falas, da desimportancia do que é importante, poeta que é poeta até no último dia, na fronteira da morte com a vida, que acontece todo dia, acho que sim, não tenho certeza, ainda vai achar, em meio a tantos perdidos, um motivo pra fazer poesia.

Mesmo que ninguém compreenda, mesmo que ninguém considere, o.

A coragem não é tão corajosa assim, pode ser falta de apego, desvalor, nenhum sentimento, ausência de amor.

Se jogar do abismo pode não ser barvura nem opção, nem falta dela, mas estar cheio de vazio.

Coragem pode ser o ato de fazer por acreditar não ter nada a perder.

Coragem é reconhecer o valor daquilo que se acha ter e não querer arriscar a perder até pouco.

É parecer ficar em off estando em on.

É conseguir ficar em silêncio, querendo gritar, só para não causar desconforto, incomodo, tristeza, distância mento.

É fingir que está tudo bem, por se importar com quem importa.

É esperar na porta, mesmo querendo arrombar ou pular a janela.

É guardar todas as palavras sentidas no brilho, opaco, do olhar.

Coragem é negar a si mesmo a possibilidade do sim, para não ocasionar um não.

É preciso ter coragem, muita, para calar e conter a vontade, des esperada, de falar.

Há, houve, haverá, em algum momento, pausado o esquecimento, um momento para lembrar.

Para não cair na lama e desaparecer, antes de não ter mais tempo.

E se cair, por um momento, poder resgatar, de certo modo encontrar.

Antes que se perca, que se ache perdido.

Há, houve, haverá, na poeira do tempo, na sombra, na noite, no escuro, um facho, um halo, um brilho, um raio, uma luz.

Há um foi, um é, um será.

Uma emoção, um sinal, um sentimento.

Para em algum momento lembrar...acordar, despertar, adormecer.

Há um ser, um amanhecer, um acontecer, um acontecerá.

Pode não ser com quem se espera, com quem se desespera, com quem hoje se ama, mas com quem irá no amanhã amar.

Há um susurro, há uma fala, há um grito a gritar.

Há, houve ou haverá.

Um sonho distante, uma próxima realidade, um lugar.

Uma fuga…

Lágrimas, sorrisos, tristezas, alegrias, até gotas de felicidade.

Brancos, rosas, violetas, pretos, amarelos, caramelos, azuis, doces, amargos, azedo, salgados. O ardido, o cheiro, o aroma, o fedor, o perfume.

O sabor, a cor, a dor, o prazer, o amor.

O amortecedor.

Há, houve, haverá.

Tardes, dias, noites, madrugadas.

Cabelos, pêlos, púbis, ânus.

Mentiras, sonhos, fantasia, ilusão, miragem, milagres, o que tem e não explicação.

Haverá, houve, há.

Há, haverá, houve.

Houve, há, haverá.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Do que adianta acreditar se ninguém acredita em mim?

Desconfio, não consigo acreditar, nem eu acredito.

Crença parece não exigir explicação, não se explica, se acredita e só, mas não é bem assim.

Para acreditar precisa algo acontecer, algo de bom e se nada acontece?

Ou, pelo contrário, se só acontece o que tem de acontecer, o óbvio, não precisa acreditar.

Se só acontece o nada, o previsível, o desconfortável, o desconfortante, o sozinho, o pão cai com o lado da manteiga no chão.

Sabe, se só uma coisa boa, daquelas que a gente quer, ou melhor precisa, realmente boa, acontecesse, acho, poderia, acreditar, acreditaria.

Confiança, esperança...

Mas não adianta, suspeito, quase tenho certeza, que não vai acontecer, se acontecer acontecerá o que não queria acontecesse.

Não adianta acontecer quando não mais puder acreditar.

Não adianta acontecer quando não dá mais para esperar.

Todo dia, há tantos dias, penso em desligar.

Tenho adiado todo dia esse dia, todo dia, há tempos, mas acho em um momento não conseguir desligar a necessidade de alertar o botão de desligar e desligar.

E o pão, duro, seco, embolorado, sem sabor, sem amor, sem vida, imprestável, inútil, desprezível, irreciclável cairá, não importa a manteiga, definitivamente no chão, para baixo.

Algum dia consegui iludir, fiz acreditar em mim?

Desculpe.


 O tempo, dê um tempo, mas o tempo dá um tempo, o tempo cura tudo?

Não, não cura, mas faz a distância distanciar até ser impossível ver, enxergar.

O tempo alimenta o esquecer até derreter o lembrar.

O tempo faz o familiar ficar estranho e não ser possível reconhecer.

O tempo não transforma, mas as pessoas sim e enquanto se modificam faz desconhecer.

O tempo não é remédio, mas também não é veneno, o tempo é o tempo que não para enquanto há transformação.

O tempo não tem prazo, não tem validade, impoluto não perde a sua integridade, mas as pessoas se consomem e são consumidas pelo tempo.

O tempo não modifica o sentir, o sentimento, só faz se perder no tempo, adormecer, achar quando precisar, quando desperto acordar.

Quando a gente deixa de ver, acompanhar, uma pessoa por muito tempo a pessoa que conhecemos fica naquele tempo, quando a encontramos é outra, diferente, transformada.

Existem duas possibilidades, tentamos conhece-la para com o tempo reconhecer ou ela fica fora do tempo, naquele tempo que passou.

É preciso estar próximo, estar junto, caso contrário o tempo transforma, dá forma, deforma tudo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

 Talvez, muito provável, a maior contradição do ser humano, na sua condição de indivíduo que vive e participa de uma sociedade, seja a de ser prisioneiro da ideia de liberdade.

Todo mundo quer ser livre, mas para isso precisa estar preso a princípios morais e éticos, preso a existência do outro. Isso, certo modo, pode ser traduzido como respeito, particularmente às existências que lhe confere reconhecimento, lhe faz humano, um outro responsável por retribuir com significados a vida do outro.

Preso nesse looping, infindável, o um só existe se compartilha dos mesmos códigos do grupo no qual insere e é inserido.

Por isso é preso a valores, a gostares, a acreditares, a amores.

O ser humano para ser humano precisa de outro, de outros, seres humanos. Sem esse olhar voltado ao semelhante o um não sabe quem é, talvez nem precise ser. É esse outro que lhe confere razão para viver, como disse o poeta "é impossível ser feliz sozinho". Mais que isso, é impossível ser humano sem outro, outros seres humanos.

A condição humana depende de tanta coisa, depende do respeito pelos outros, precisa aprisionar o ser em outro ser, para ser, depende que a ideia de liberdade e de respeito pela liberdade do outro aprisione os seres.

Sem outro ser humano não e possível ser alguma ou qualquer coisa, sozinho só nada se é.

É o outro que dá sentido, faz sentir e se sentir.

Por isso, talvez, a maior contradição do ser humano é ser prisioneiro da ideia de liberdade. É preciso liberdade, liberdade para até se prender.

A vida toda a gente procura significado para encher o vazio de existir. Esse vazio só é enchido com o amor. Muitas vezes a gente acha que encontrou, mas por mais que se ame o vazio insiste. Mas, predestinados, não desiste e incansavelmente tenta, tenta encontrar o amor que preenche, que inunda de significado tudo o que significou vida. Alguns sortudos conseguem encontrar o amor que tudo significa, mas descobre que ele não pode ser, pois há mais vazios que se supunha, há vazios que não foram feitos para serem enchidos, há vazios que não podem preencher esse desejo de amor. Quando isso acontece se passa ter a medida exata, que jamais é exata.

O amor acontece e, talvez, ele não te preenche, não por não poder, mas por…

Não sei explicar, amar não precisa que o amor te ame, na realidade ninguém precisa ser amado, seria ótimo, mas o amor que preenche é aquele que mesmo distante vive dentro de você. O segredo de amar alguém é amar, mesmo que o amor nunca vá te amar, só porque você ama?

O amor que preenche é aquele que aprisiona e liberta, é aquele do sentimento mais generoso, mais amável, mais amador, aquele que ama o amor mesmo que ele ame outro amor.

A gente suporta, se suporta, só ama e por esse amor pode tudo fazer, até o mais difícil  que é, aparentemente, não fazer nada.

Não se escolhe quem se ama, mas é possível escolher não dizer, mesmo que por outras formas, pelo olhar, pelo brilho dos olhos, por gestos, por delicadezas se entregar, que se ama esse amor e sempre vai amar.


 Te amo não é a frase mais incompleta que completa sem dizer nada. Mas ela completa e não. É daquelas que precisam e não precisam completar, acho não ser nem frase.

Te amo quer dizer te amo, sem Porque, com por quê, sem por que e com porquê. Ou sem ou com o quê, tanto faz quanto tanto foda-se... te amo quer dizer um monte que diz tudo sem precisar dizer nada, ou diz nada sem sequer um eu te amo dizer.

Não tem insisto, não tem desisto, não tem procuro, não tem concordo ou discordo.E a gente só diz te amo quando consegue dizer, quando não dá para não amar.

Pra ser exato é preciso, confortavelmente só se diz te amo quando se ama, quando dizer não é difícil, é fácil, é preciso, com todos os seus significados, quando difícil é não dizer.

Aí, assim, não é fácil.

É impossível dizer te amo quando não se ama, sabe que não vai amar. É impossível não dizer te amo quando se ama.

Eu não consigo, mas compreendo a falta, a ausência, o não dizer quando não consegue responder.

Para dizer te amo se precisa amar,  dessa coisa, de uma única coisa, que nem é coisa, pois não dá pra comprar, não dá pra fazer, não dá pra pedir, não dá pra vender, amar só dá pra se amar.

Nem sei se precisava, sei que é exagerado, mas, sou exagerado e ah… eu sei que não dá, mas te amo por te amar. E, pra finalizar, com todas as consequências, ainda assim eu te amo e amo te amar... até quando eu desligo, ligado, me ligo e ligado vou continuar, ligado sempre a você. Você é liga que liga e em silêncio vou até desligar.

Como diz a música te amo, ela não diz bem isso, eu gosto, e quero te amar...

 Sei que há você.

Sei que você há.

Há você.

Há você sem mim.

Mas não há, eu sem você.

Até há, mas esse eu sem você é um eu que não há.

Gosto de gostos que não provei.

Não posso provar, mas gosto do gosto que há por gostar.

As vezes prefiro o silêncio.

Ficar em silêncio pode não causar nenhum bem, também não causa mal.

Neutro, silencioso, ainda mais quando se sabe que pode atrapalhar, pode ferir, pode magoar, pode não fazer bem, se afasta para não ser afastado, rejeitado, cancelado.

Silenciosamente espera, tenta não desesperar.

Que lixo…

Não é covardia, é cuidado.

O que eu quero depende de outro querer.

Eu queria dar tudo, dar o mundo, mas só posso dar o que tenho, e acho pouco, não deveria achar, só acho nao ser o bastante. As vezes acho que pode ser, as vezes acho que nunca irá poder.

Você é muito, você é tudo, pode não ser o suficiente, mas necessária, e eu preciso.

Sei que preciso muito, mesmo que seja só um pouco.

Tudo o que posso dar é o que eu tenho, e quando olho para você e acho ser muito pouco.

Não sei se posso prometer, nem sei se posso dar mais, nem sei se um dia vou poder, só posso dizer e afirmar que vou tentar.

 Eu queria te dar um céu enchido de estrelas, te dar o brilho do teu brilhar.

Te dar a luz a noite, queria te dar o luar.

Queria te dar o azul do céu, o contraste e que o aproxima e mar.

Raios de Sol, brilho do Sol, reflexos achados…

Mas não posso…

Sei que é pouco o brilho dos meus olhos quando te olho e vejo você toda, até o seu olhar.

E os óculos atrapalham você ver, você enxergar.

Amar não é muito, amar não é pouco, amar não é quantidade, nem qualidade, amar é outra emoção, sem escalas, sem escolas, sem formas, sem definição.

Amar é inexplicável e sem explicação.

Dá pra compreender, mas não dá pra explicar.

Amar é amor e amor é amar