Do que adianta acreditar se ninguém acredita em mim?
Desconfio, não consigo acreditar, nem eu acredito.
Crença parece não exigir explicação, não se explica, se acredita e só, mas não é bem assim.
Para acreditar precisa algo acontecer, algo de bom e se nada acontece?
Ou, pelo contrário, se só acontece o que tem de acontecer, o óbvio, não precisa acreditar.
Se só acontece o nada, o previsível, o desconfortável, o desconfortante, o sozinho, o pão cai com o lado da manteiga no chão.
Sabe, se só uma coisa boa, daquelas que a gente quer, ou melhor precisa, realmente boa, acontecesse, acho, poderia, acreditar, acreditaria.
Confiança, esperança...
Mas não adianta, suspeito, quase tenho certeza, que não vai acontecer, se acontecer acontecerá o que não queria acontecesse.
Não adianta acontecer quando não mais puder acreditar.
Não adianta acontecer quando não dá mais para esperar.
Todo dia, há tantos dias, penso em desligar.
Tenho adiado todo dia esse dia, todo dia, há tempos, mas acho em um momento não conseguir desligar a necessidade de alertar o botão de desligar e desligar.
E o pão, duro, seco, embolorado, sem sabor, sem amor, sem vida, imprestável, inútil, desprezível, irreciclável cairá, não importa a manteiga, definitivamente no chão, para baixo.
Algum dia consegui iludir, fiz acreditar em mim?
Desculpe.
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