segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

 Talvez, muito provável, a maior contradição do ser humano, na sua condição de indivíduo que vive e participa de uma sociedade, seja a de ser prisioneiro da ideia de liberdade.

Todo mundo quer ser livre, mas para isso precisa estar preso a princípios morais e éticos, preso a existência do outro. Isso, certo modo, pode ser traduzido como respeito, particularmente às existências que lhe confere reconhecimento, lhe faz humano, um outro responsável por retribuir com significados a vida do outro.

Preso nesse looping, infindável, o um só existe se compartilha dos mesmos códigos do grupo no qual insere e é inserido.

Por isso é preso a valores, a gostares, a acreditares, a amores.

O ser humano para ser humano precisa de outro, de outros, seres humanos. Sem esse olhar voltado ao semelhante o um não sabe quem é, talvez nem precise ser. É esse outro que lhe confere razão para viver, como disse o poeta "é impossível ser feliz sozinho". Mais que isso, é impossível ser humano sem outro, outros seres humanos.

A condição humana depende de tanta coisa, depende do respeito pelos outros, precisa aprisionar o ser em outro ser, para ser, depende que a ideia de liberdade e de respeito pela liberdade do outro aprisione os seres.

Sem outro ser humano não e possível ser alguma ou qualquer coisa, sozinho só nada se é.

É o outro que dá sentido, faz sentir e se sentir.

Por isso, talvez, a maior contradição do ser humano é ser prisioneiro da ideia de liberdade. É preciso liberdade, liberdade para até se prender.

A vida toda a gente procura significado para encher o vazio de existir. Esse vazio só é enchido com o amor. Muitas vezes a gente acha que encontrou, mas por mais que se ame o vazio insiste. Mas, predestinados, não desiste e incansavelmente tenta, tenta encontrar o amor que preenche, que inunda de significado tudo o que significou vida. Alguns sortudos conseguem encontrar o amor que tudo significa, mas descobre que ele não pode ser, pois há mais vazios que se supunha, há vazios que não foram feitos para serem enchidos, há vazios que não podem preencher esse desejo de amor. Quando isso acontece se passa ter a medida exata, que jamais é exata.

O amor acontece e, talvez, ele não te preenche, não por não poder, mas por…

Não sei explicar, amar não precisa que o amor te ame, na realidade ninguém precisa ser amado, seria ótimo, mas o amor que preenche é aquele que mesmo distante vive dentro de você. O segredo de amar alguém é amar, mesmo que o amor nunca vá te amar, só porque você ama?

O amor que preenche é aquele que aprisiona e liberta, é aquele do sentimento mais generoso, mais amável, mais amador, aquele que ama o amor mesmo que ele ame outro amor.

A gente suporta, se suporta, só ama e por esse amor pode tudo fazer, até o mais difícil  que é, aparentemente, não fazer nada.

Não se escolhe quem se ama, mas é possível escolher não dizer, mesmo que por outras formas, pelo olhar, pelo brilho dos olhos, por gestos, por delicadezas se entregar, que se ama esse amor e sempre vai amar.


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