quinta-feira, 22 de abril de 2021

movimento...

Vida é movimento, e o ser humano, resultado vivo de movimentos e movimentações, de transformações, físicas e mentais, tem como fundamento viver e se movimentar.

Por isso, de tanto ver, de tanto sentir, de tanto ser, viver natureza em movimento, colhe, recolhe, forma, deforma, se transforma e transforma o natural.

Sob a justificativa, argumento, legitimo, de suprir necessidades desmonta a natureza para com emprego do que chama arte fazer artificial, mas de modo “artificial” tudo que tenta e consegue reproduzir, quase sempre, é o que é tão natural.

Na realidade a necessidade é de movimento, de movimentar.

Depois de destruir precisa reconstruir, depois de matar ressuscitar, de desmatar reflorestar, de perder recuperar, depois de terminar seu único objetivo, enquanto vivo, é recomeçar, na verdade não quer, mas precisa.

A natureza, em constante movimento, naturalmente criou com movimento um ser para se movimentar e o movimento está na e é a sua gênese, seu princípio, seu fim, sua/seu geist.

Parado, inerte, sem movimento, morre por dentro, por fora, por...

Por ainda não entender, ignorar cadeia, processo, ciclo, que mesmo quando aparentemente não mais conseguir se movimentar, para salvar suas propriedades físicas e mentais, ainda será movimento, organismo em de e composição, já que a vida é movimento a movimentar outros movimentos, energias.

O movimento não morre, nem deixa de estar, apenas se transforma em alguma outra coisa, em outro qualquer lugar a se movimentar.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Ensinamentos da Mamãe

Lembro, por volta de 1977, minha mãe entrar numa discussão após ouvir um amigo da família dizer que seus filhos não fariam serviços domésticos por não ser coisa de homem.

Na continuidade da discussão, depois de argumentar sobre a utilidade dessa ajuda nos trabalhos caseiros, quase sempre desvalorizados, e do carinho contido no ato retrucou: quanta ignorância!

Desde muito pequeno, também lembro, ouvir minha mãe dizer que seus filhos poderiam ser qualquer coisa, tudo o que quisessem, se assim o quisessem. Dizia ela, apenas não gostaria que fossem desonestos, criminosos, bandidos. Mas, se por acaso desviassem desses seus preceitos mais íntimos, embora reprovasse, não deixaria de amá-los, de defendê-los e de respeitá-los.

Com o passar do tempo, de tanto ouvir pronunciamentos e posicionamentos preconceituosos, soltos no convívio social, confesso, adquiri hábitos e falas ao encontro. Mas, sempre lembrei, e cheguei a questionar a validade dos ensinamentos da minha mãe, comuns, que determinavam, independente de estereótipos, conceitos e preconceitos, acima de tudo o respeito.

Hoje, mais ignorante do que supunha - tem pouco tempo que aprendi o significado do nome Cibele - principalmente, por descobrir que continuo e preciso aprender e reaprender até aquilo que minha mãe há tempos ensinava. Que não importa como deveria ou não uma pessoa ser, o que importa é a pessoa, é respeitá-la, é amá-la, não pelo que a gente acha que é, pelo que ela quer ser, mas por ela ser.

sábado, 17 de abril de 2021

foi...

Tudo na vida é perecível, até a palavra perecível perece.

Bases, colunas, estruturas, alicerces... seres são sólidos, mas perecem, sólidos padecem até esfacelarem, não mais serem e serem substituídos por outra solidez, solide, solitude, solidão.

O tempo de duração, de um conceito, de uma ideia, de um pensamento, de uma “verdade” a estruturar e conformar a realidade em uma mentalidade tem somente o tempo que dura, o tempo que pode ser.

Tudo, como incita Políbio em “sua” Anaciclose, fixado nos dispositivos/recursos/objetos de memória pode ser "ressuscitado", por segundos, portanto é passível de reanimação, recuperação, reintegração, reviver um presente, mas nessa estante onde se aloca e se coloca instantes só há lugar para aquilo que foi, o “é”, subitamente, deixa de ser para ser engolido, pelo será, pelo ter sido.

Porém, o será também sofre os mesmos efeitos e rapidamente depois que passa a ser percebido se vai, se foi, é passado, perece. 

E assim, registrado, passa a ocupar um espaço nas prateleiras da lembrança, da memória, nesse repositório, até esquecidos serem, para, num momento de qualquer tempo, reavivadas, novamente, voltar a ser ser.

O futuro vive no agora e acaba de passar.

A vida é cheia de vazios

A vida é cheia, muito cheia, toda cheia, de vazios.

E, a gente passa a vida toda tentando enche-la. 

Mas, por mais cheia que a vida pareça, sempre esta cheia de vazios e sempre falta aquilo que faz falta.

O ser acumula, acumula tudo e, sem perceber, tudo o que acumula, depois de acumular, parece não importar, importa é o que falta.

O tudo que temos só será indispensável quando faltar.

O que temos, o que somos, já realizou o desejo. 

A vida humana deseja, só deseja, deseja muito, deseja mais, por isso cheios não parecem cheios e vazios prometem encher, mas são cheios apenas de vazios.

Os cheios por mais que cheios nunca parecem cheios, só os vazios.
E tudo tem menos a ver com a escassez, do que com o vazio, que é existencial.
Ser humano é recipiente, cheio de vazio, que precisa ser enchido, de conteúdos, de cheios que sempre depois de cheio será vazio.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Ser Humano se acha

A gente vive tentando encontrar certezas, mas a única certeza é uma incerteza tão certa que desconcerta.

A todo momento atento tenta dela fugir, dela que é certa, é voraz, é fatal, é desfecho, é final.

Para tanto, acha até razão onde razão não há, não se explica, mas é preciso, por isso precisa achar.

Essa gente tenta tanto driblar a morte, tanto tenta ter sorte, tenta prolongar, tanto dar continuidade, tenta, atenta e não consegue, talvez não precise, enganar a realidade.

A realidade é que não adianta correr, não adianta chorar, ser ser humano é e se achar.

      

 

domingo, 28 de março de 2021

O que é viver?

O que é viver?

Como de hábito, minha resposta é: não sei.

Só sei que viver parece ser morrer todo dia.

E, ainda assim, mesmo sabendo um dia ela chegar, todo dia da morte fugir.

As vezes eu queria deixar de morrer tantas vezes,

mas isso significa morrer apenas uma vez.

Se só uma vida tivesse não poderia, todo dia, tentar e conseguir, até agora, dela escapar.

Não sei se viver assim, correndo da morte, é bom ou ruim.

Mas, a outra opção seria parado, inerte, sem movimento, não prosseguir.

E nessa correria, todo dia, em meio a quedas, tombos, machucados, feridas, acompanhadas de muitas lagrimas, as vezes aparecem uns sorrisos, no meio de tantos nãos surgem improváveis sins.

Na verdade não são suficientes, mas necessários.

Sigo sem saber o que é viver, 

Só sei que vivo todo dia do que ainda não sei até o dia de saber o que é morrer. 

Será que viver é morrer todo dia e mesmo assim todo dia fugir da morte?


Talvez sim, a vida deve ser isso, morrer todo dia e mesmo assim fugir da morte para morrer só uma vez.


Mas no fundo, o que faz viver é a crença de a vida poder recompensar e até recomeçar.




   

segunda-feira, 22 de março de 2021

Não desisti

Se, por acaso, alguém disser que desisti, onde quer que eu esteja, digo não.

Nunca desisti, mas até eu sei reconhecer o não é possível, quando não dá mais para tentar, a força se esvai e é impossível.

Ninguém sabe realmente, e isso não é possível, quanto lutei diariamente.

Lutei contra minhas limitações, demências, afastamento da mente, contra carências, contra paixões, platônicas, contra certezas, contra a realidade e, ultimamente, luto contra o luto.

Sabe, eu morri muito, morri dias, por anos, morri muitas vezes e ainda estou morrendo.

Mas, chega um momento em que até um ser desprovido de poderes especiais, de sorte, de espertezas, sabe não adiantar tentar não morrer, e a gente morre, talvez, até pela ultima vez.

Enfim, não desisti, apenas reconheci que lutar só, que só lutar, não adianta.

Para ser sincero, a vida ainda desistiu de mim, não sei o que isso é, se é bom, se é ruim ou outra coisa. 

Para desistir ela precisaria ter dado uma chance e isso ela não faz, pelo menos não percebi.

Tudo, desse nada que eu não tenho, foi na luta, consumiu forças, mas achava ser incansável, com vontade de lutar contra frustrações, contra ilusões, contra desejos e contra-desejos, mas agora se mostra contraproducente e acho que a gente cansa.

Acho não ter mais forças para lutar para conter lágrimas e sorrir sorrisos, quase todos sem graça, contra a tristeza de um existir demonstrar a alegria, desmedida, imprópria, exagerada.

Acho não ter mais força para sentir e, mesmo assim, tentar afastar a dor que dói e que eu sinto.

Eu sempre achei que amanhã seria melhor.

Que amanhã, numa esquina dessa vida, um sorriso eu poderia receber e dar para mim.

Eu queria me ver sorrindo com alegria, pelo menos uma vez, e não só para e por vocês.

Sempre achei que no amanhã, numa curva dessa vida, o milagre aconteceria e eu deixaria de ser pobre.

Não tem nada a ver com dinheiro.       

Tá, eu enganei muita gente, não todas.

Mas, em alguns instantes, me mostrei.

Lembram quando me conheceram?

Nos primeiros dias eu era eu, só eu, eu só, calado, tímido, trancando em mim.

Mas esse eu ninguém reparava, não conquistaria alguém.

Só quando eu me vestia do que eu não sou recebia atenção.

Por isso eu sorria, por isso despejava bobagens, em grandes quantidades, por isso era bobo e até ridículo.

Sabia, só sendo o que eu não era, conseguindo ser o que não sou, poderia ser um pouquinho do que queria ser.

Mas agora já não posso mais.

Não consigo.

Algumas vezes o disfarce caia, voltava a ser chato, vazio, sozinho... nesse momento era o que era e não queria, por isso me escondia.

Sempre fiz coisas com segundas intenções.

Não, não sou generoso, não sou altruísta, não sou cordial.

Eu sempre fiz coisas por alguma retribuição.

Fosse um abraço, um beijo, uma amizade, um carinho, um sorriso, uma palavra, fosse um reconhecimento.

Eu falava muito, muito, sobre o que ouvia.

Quase não perceberam, mas eu sabia e gostava de ouvir.

Até porque, se não fossem pelos ouvidos não teria nada na boca, nem pão, nem beijo, nem dentes, nem palavras.

Agora, como não ouço, não vejo, não encontro, não sei do outro e outro não quer saber de mim, acho que fiquei mudo nesse mundo.

O tempo todo me alimentei do outro e agora sozinho, só comigo, não deixei de sentir fome, mas, talvez, não tenha mais o que comer, nunca foi suficiente, mas necessário.

Não, eu não desisti.

Apenas quero fugir, sair daqui, desse lugar que bem conheço e, tenho quase certeza, só vai me dar mais um pouco de mim. Ou seja, nada.

Preciso tentar uma nova chance, se tiver, em outro lugar, se tiver, e ser algo diferente do que sou.

Eu nunca desisti de mim, desistir de mim não é desistir de mim, mas desistir de você.

...de vocês.

domingo, 21 de março de 2021

Nada...

De Pessoa, pessoa até no nome, a obra que mais admiro é aquela em que ele assume a sua insignificância e confessa não ser nada.

Outros já o fizeram antes, mas condicionam o “não ser” a faltas em relação ao outro.

Na “sua” tabacaria, Pessoa não, assume de maneira contundente o não ser nada por simplesmente não ser, não poder ser e não querer. Embora sonhos tenha, reconhece a insignificância e a impossibilidade de conseguir todos, tantos, alguns sonhos, apenas sonhos. Parece falar de mim.

Às vezes, convencido, penso ser a mais completa farsa. Mas, como tudo que é solido se desmancha no ar, seja por Marx ou Berman, sinto cada partícula esvaziada sair de mim enquanto sonhos que sonho se transformam em sonhei.

A solidez da matéria só existe, com o tempo deixa de existir, na atmosfera do desejo de negar o que sou.

Reconheço, por um tempo fui hábil em enganar, principalmente, a mim mesmo, pensando enganar as pessoas, mas tudo que é solido desmancha naquilo que não parece ser e na realidade é. Naquilo que não se toca, não se vê, não se escuta, não se prova, só se sente e quando não se sente, aquilo que não é mas é solido, sufoca, asfixia.

Não sei escrever como poeta, na verdade, comprovando a mais completa nulidade, sei nem escrever.

Tá, é possível que alguns enganados enquanto não descobrirem a máscara, como pessoa, que caiu em mim sintam falta do produto desse artefato. Mas depois que a removerem, que ela finalmente cair fora de uma vez, não demora a reconhecer o nada e esquecer o que não pode ser lembrado.

Talvez, muito talvez, eu tenha vivido um sonho ou delirei, nos halos dos cigarros, desejando ser tudo aquilo que não sou. Mas, se por instantes, revelasse o que sou por certo descobririam que nada sou e eu não teria vivido.

Autodefesa, sabendo que não era e não poderia ser tentei ser o aquilo que não era, não fui, não serei, nem por um segundo, pela sobrevivência.

Não tenho dúvidas, já não consigo, embora ainda tente, usar mais máscaras.

Elas não mais cabem, o tempo passou tão rápido, ultimamente tão lentamente, e ao me olhar posso me ver, mas não me encontro. Sem me reconhecer como algo deixo de existir para ser tudo o que sou e esse tudo, vazio, sozinho, triste, parado, nulo, só eu, eu só... é somente tudo o que jamais quis ser, nada.

Sabia que se fosse o que sou, nada, seria assim, por isso vivi a vida escapando da realidade, me esquivando, correndo, driblando, sonhando e fugindo de mim.

quinta-feira, 18 de março de 2021

Ah se sei lá

Ah... se...sei lá...

Se você decidisse escutar...se quisesse ouvir e de repente cantar...

Ah...se...sei lá...

Depois de o dia dormir, quando você acordar

Ah...se...sei lá...

se a vida voltasse a vida sorrir...

E... de alegria chorar...

Ah...se...sei lá...

Quando o pesadelo acabar... 

a gente encontrar...

Ah...se...sei lá...

O abraço abraçar...o cansaço passar...

Ah...se...sei lá...

Ah...se...sei lá...

O relógio do tempo contar pro amor se amar, 

Ah se esse dia chegar

Ah...se...sei lá...

esquecer, se lembrar...

Quando o eterno hoje se for... e a manhã no amanhã que virá... será Mah...se...sei lá...

Ah... se... sei lá...se o sol voltar a brilhar, a lua acordar e sutilmente encostar no mar... o beijo beijar...

Mah... se... sei lá...eu poderia... ah... acreditar...


domingo, 14 de março de 2021

Viver?

Viver é o Ser compreender Estar ou o Estar compreende o Ser?

Não sei...

Só sei ser preciso mais que apenas Ser, mais que Estar.

Para Ser é preciso Estar, mas para Estar é preciso Ser.

Tanto Estar quanto Ser precisam do outro Ser e Estar.

Nada pode Ser sem Estar com, por,  

Nada pode Estar sem Ser com, por,

Sem Ser e Estar ou Estar e Ser composição. 

Ser é ser algo para outro, o si mesmo compreender essa imprescindibilidade do Estar.

Estar é com outro, o si mesmo compreender essa imprescindibilidade de Ser. 

Não dá para só ser, não dá pra Ser só.

Não da pra só Estar, não dá para Estar só.  

Estar só nega o Ser.

Só o Ser nega Estar.

Sem o outro para Estar não existe o Ser.

Sem o outro para Ser inexiste o Estar.