quarta-feira, 21 de abril de 2021

Ensinamentos da Mamãe

Lembro, por volta de 1977, minha mãe entrar numa discussão após ouvir um amigo da família dizer que seus filhos não fariam serviços domésticos por não ser coisa de homem.

Na continuidade da discussão, depois de argumentar sobre a utilidade dessa ajuda nos trabalhos caseiros, quase sempre desvalorizados, e do carinho contido no ato retrucou: quanta ignorância!

Desde muito pequeno, também lembro, ouvir minha mãe dizer que seus filhos poderiam ser qualquer coisa, tudo o que quisessem, se assim o quisessem. Dizia ela, apenas não gostaria que fossem desonestos, criminosos, bandidos. Mas, se por acaso desviassem desses seus preceitos mais íntimos, embora reprovasse, não deixaria de amá-los, de defendê-los e de respeitá-los.

Com o passar do tempo, de tanto ouvir pronunciamentos e posicionamentos preconceituosos, soltos no convívio social, confesso, adquiri hábitos e falas ao encontro. Mas, sempre lembrei, e cheguei a questionar a validade dos ensinamentos da minha mãe, comuns, que determinavam, independente de estereótipos, conceitos e preconceitos, acima de tudo o respeito.

Hoje, mais ignorante do que supunha - tem pouco tempo que aprendi o significado do nome Cibele - principalmente, por descobrir que continuo e preciso aprender e reaprender até aquilo que minha mãe há tempos ensinava. Que não importa como deveria ou não uma pessoa ser, o que importa é a pessoa, é respeitá-la, é amá-la, não pelo que a gente acha que é, pelo que ela quer ser, mas por ela ser.

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