sábado, 17 de abril de 2021

foi...

Tudo na vida é perecível, até a palavra perecível perece.

Bases, colunas, estruturas, alicerces... seres são sólidos, mas perecem, sólidos padecem até esfacelarem, não mais serem e serem substituídos por outra solidez, solide, solitude, solidão.

O tempo de duração, de um conceito, de uma ideia, de um pensamento, de uma “verdade” a estruturar e conformar a realidade em uma mentalidade tem somente o tempo que dura, o tempo que pode ser.

Tudo, como incita Políbio em “sua” Anaciclose, fixado nos dispositivos/recursos/objetos de memória pode ser "ressuscitado", por segundos, portanto é passível de reanimação, recuperação, reintegração, reviver um presente, mas nessa estante onde se aloca e se coloca instantes só há lugar para aquilo que foi, o “é”, subitamente, deixa de ser para ser engolido, pelo será, pelo ter sido.

Porém, o será também sofre os mesmos efeitos e rapidamente depois que passa a ser percebido se vai, se foi, é passado, perece. 

E assim, registrado, passa a ocupar um espaço nas prateleiras da lembrança, da memória, nesse repositório, até esquecidos serem, para, num momento de qualquer tempo, reavivadas, novamente, voltar a ser ser.

O futuro vive no agora e acaba de passar.

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