sábado, 28 de outubro de 2023

Sentimento é aquilo que a gente sente e nem sempre consegue explicar.

Distância e distanciamento.

Um resulta de fatores físicos, espaço e tempo. O outro de psicológicos ou psicossociais, do desejo, domínio dos sentimentos e das emoções.

As vezes uso a esfarrapada desculpa da distância, para evitar encontrar.

Todos sabem, que não existe distância capaz de conter o ser quando precisa saciar a vontade, o desejo, de ver, de estar.

As vezes a vontade…

Acho que me escondo atrás da distância, ou me protejo através do distanciamento.

Pode parecer contraditório, mas distanciar impede a realidade, indelevelmente implacável, impiedosa, de dissolver, demolir, desintegrar os sonhos, impossíveis porém importantes.

A realidade ao acabar com a fantasia, com a ilusão, com a esperança, acaba com a gente, nos quebra, derrama e espalha os pedaços da gente no chão.

Enquanto a distância, o distanciamento, parece conservar uma ínfima esperança de encontrar o sonho impossível, improvável, esperando sentado, de braços, olhos e coração abertos, numa esquina qualquer do futuro…

A distância conserva a esperança do milagre…

Sei que só esperar não adianta de nada, mas dês esperar também…

Eu nem acredito em milagres, eu acho…nunca aconteceu comigo, ou se aconteceu foi tão sútil, não pareceu ter mudado o curso, o meu destino…

É curioso como a gente sente mais a falta, a ausência, a distância, o distanciamento…o cotidiano talvez seja feito de milagres, mas o que está presente é normalizado, naturalizado, contém pertencimento, parece dado…


Não só coisas, mas pessoas também ficam obsoletas. Em certo momento deixam de valer a pena, exigem sacrifícios descabidos, nem mesmo a boa vontade...

Não é fácil aceitar essa condição humana insatisfatória, mesmo a simpatia, a empatia, os sentimentos, não conseguem esconder o estado de degradação física, emocional, intelectual… Em suma, a sua incapacidade de produzir qualquer estímulo positivo, agradável, liquidam as energias que ativam os …do prazer.

Nesses casos, conscientemente, o isolamento é uma opção que parece responsável, coerente, no objetivo de evitar constrangimentos e, no mínimo, desconfortos.

Sabe quando alguém já não tem nada para dar, e tudo o que puder receber, além de não se considerar apto a retribuír, pode não importar.

As vezes tenho medo de receber… não sei se é isso, mas não sentir bem em tocar o cume e depois descer, voltar ao mesmo ponto.

Talvez a pior coisa seja o vazio que fica depois de ser enchido.

Já observou um balão, um saco, qualquer corpo antes de ser enchido e depois de esvaziado???

Embora antes estivesse vazio, não parecia, na sua forma objetiva, como objeto, íntegro, intacto…depois de receber conteúdo e ser esvaziado…perde padrões, resistência, fica deformado.

Um corpo depois da bariátrica exige outras e mais cirurgias…

Se sentir vazio é mais ou menos assim…não é agradável, muito pelo contrário, mas se assume uma forma, um padrão, e depois de receber carinho, abraço, amor e certo momento deixar de recebê-lo a dor é muito maior.

Tipo o vício, a gente não sente falta, necessidade, daquilo que desconhece, mas depois de provar, experimentar, acostumar, passa a depender, viciar…é tão difícil negar, querer, e saber que não vai ter, que precisa tentar, a todo custo, esquecer…

Pelo menos se contentar, aceitar a ausência…

Se precisa esvaziar, é melhor não encher.


As vezes eu queria pedir para me esquecer, embora saiba que isso não queira... muito pelo contrário…mas acho racional, não perder tempo, dispender energia, qualquer sentimento, com quem não merece, não presta, não vale a pena… eu.

Por isso tenho me escondido, me protegido, não sei, atrás do muro da solidão…ou penso assim preservar pessoas importantes…

Assim não causo desconforto, mágoa… não faço nenhum mal, a não ser a mim mesmo.


Seria ironia fosse qualquer outra razão.

Não fosse o coração, mais que ironia, seria decepção.

Entre tantos sentimentos, sentidos, toda emoção, vívida, não fosse o coração, que sempre mais apanhou, o motivo da volta ao princípio, do voltar a não ser.

Não estou triste, alegre também não posso estar, mas sereno, consciente.

Resignado, é possível dizer, afinal o final é lei do viver. 

Tantas vezes tomado pelo coração, aprendi a sofrer, escondi o choro atrás de sorrisos, colori ilusão.

Tudo foi muito, foi muito sorrir, muito chorar, foi muito sofrer.

Muita esperança, muita alegria, muito desespero, muito esperar e, acho, pouco ser feliz.

Sem sequer lembrar que um dia não iria mais bater.

Mas é só uma vida, nada mais que uma vida, quero crer.

Talvez digam "que pena", mas acho nem valer a pena.

Como disse, penso, acho, foi só uma vida incapaz de fazer bem para vidas.

Talvez não valha a pena chorar, nem você ou eu.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Amor não precisa de sexo, não cobra retribuição, é sentimento desmedido com nenhuma explicação.

A gente ama o sexo, do jeito que for, mas sexo é mais amado com amor.


O amor é uma intercomunicação íntima de duas consciências que se respeitam. Cada um tem o outro como sujeito de seu amor.


Acho que amar é diferente de querer só pra gente.

Isso é posse, prender, é como querer pagar pelo presente, assim ignorar os significados do que é dado, que não tem preço, e não pode ser comprado.

Quando a gente ama o prazer está em achar que é feliz, por pensar que é feliz.

Acho que quando a gente ama não sente dor, até o que dói muito, para muitos, é sacrifício, dolorido, é indolor.

Sei que devia ser doloroso, mas nem todas as regras não valem para o amor.

Talvez a única seja o respeito, pelas escolhas, pelas opções…

Acho que amar é um se importar que não se importa em ter, abre mão do desejo, da vontade, da necessidade e se sacia com o sorriso, com a alegria e com ideia de  felicidade.

Não sei como é, mas acho que quando a gente não precisa aprisionar para se sentir perto, é amor


…de verdade.


Não queria usar "de verdade".

Verdade parece mentira, tentar conferir um selo de autenticidade, prende, contraria a ideia de liberdade, e amar é livre.

A gente ama até quem não ama a gente.

Alguém escreveu: "Entre a vida e a morte o amor está no meio".

Entre o final e o início existem tanto tudo, tanto conteúdo.

Viver, na realidade, não está nas extremidades, é o que acontece, as descobertas, as experiências, os aprendizados, nas tristezas e alegrias, no entre a noite e o dia...o desenvolvimento, até chegar o esvanencer...

Vida é o que está no caminho, percurso, jornada, estágio, é tudo que está no meio, achado no curto tempo, para ser exato, embora há bordas, também sobras, para a continuação da posteridade, viver é recheio.

Viver é obra inacabada...por isso a gente vive deixando o que fez para o que não se fez e outras fazerem.

Por isso acho que não te amo, pois te quero tanto, te quero só pra mim, desde que nos encontramos, que aconteceu, que te conheci, até o meu fim.


domingo, 15 de outubro de 2023

Não falei o porquê.

Não sabe e talvez nunca irá saber.

Mas ontem, me despedi de você.

Foi rebate falso, mas achava não ser, vivi a sensação.

Então, achei necessário dizer, dar um alô, demonstração de sentimento, de emoção.

Para quem é … não é só paixão.

É alguém por quem a gente sente aquilo que ninguém consegue entender, e a gente, simplesmente, não pode, não consegue explicar.

Acontece, é amor e é mais que amar.


Ontem fui fazer um procedimento, relativamente simples, cateterismo, e correu tudo dentro esperado. Mas, certo momento tive a sensação de poder ser a última chance, e sempre é, de demonstrar carinho, afeto, sentimento, mais que amor, por você. Beijo 


Outro dia achei que chegava a hora do fim me encontrar.

Não tive medo, encarei de frente.

Só chorei quando percebi que não tinha medo do fim.

Mas de nunca mais poder amar a mulher amada.

Senti medo de nunca mais poder sonhar, abraçar e beijar.

De não ter outra vez a oportunidade de encontrar.

Me perdi de vez, sem sentir medo do fim, e não importa se ela não gosta de mim.

Como disse Jorge, eu gosto dela mesmo assim.

Nunca deixe de dizer que ama quem é importante, seja lá quem for.

Não precisa ser dramático, não precisa apelar, ser com dor, diga algo simples, simplesmente por amor.


sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Enquanto pude eu sorri.

Sorri não para afrontar, e sim até perder o ar de tentar alegrar a tristeza que vive dentro de mim.

Sorri para enganar quem não me via chorar, queria que me aceitassem, queria fazer parte…

Sorri, até o fim das reticências, para esquecer as decepções, esconder minhas limitações, todas solidões, a falta de qualidade, de talento e de limões.

Enquanto pude sonhei, dormindo e acordado, sonhei com amor, queria amar, amei, queria ser amado, viver o encontro, das águas, do Negro e Solimões.

Mas o amor, também, nunca me quis.

Flertei com a vida, tentei tudo que sabia, o que aprendia, e mesmo assim ela não …quis saber de mim, sempre me disse não, de tanto insistir, algumas vezes achei ouvir um sim.

Tentei ignorar a rejeição, ainda tento, do fundo do coração, desesperadamente fugir da solidão.

Resisti, achei que não passava de uma fase, que precisava superar desafios, mas no fundo sabia, passa não.

Sempre surge uma provação, sucessivos obstáculos, inimagináveis dificuldades.

Tive muito medo, nas poucas vezes que fui feliz.

Não é incomum ter medo do desconhecido, do estranho, do que não se tem intimidade.

É assim que vejo a felicidade, tenho medo dela torturar.

Dela me encontrar, e deixar eu experimentar, sentir o sabor, para logo me abandonar, acabar e me deixar só, somente com o gosto, e muita saudade.

A minha felicidade sempre foi fulgaz, logo desintegrava, me arrasou, e acabou, na maioria das vezes, antes de começar.

Os meus sonhos, as minhas fantasias, as minhas ilusões, eufemismo para mentira, tentei transformar em verdade. 

Nunca quis acreditar, mas não dá para fugir dos demônios, da realidade.

Ela não cansa, sempre alcança, vence e você volta a ser apenas o que sempre foi, o que é e o que será.

Nada mais, nem diferente, longe demais daquilo que achou querer, se esforçou para, sem sucesso, ser.

Leva um tempo para entender, que o que não é, é o que não pode ser.

Chega um momento que já não se pode mais, não restam forças, crença não mais há, nem sobra esperança, e aceitar a sua condição não é opção.

Aí, conscientemente só sobra a mediocridade, a insuficiência e a insatisfação de o ser doente, medíocre, insuficiente e insatisfatório.

Não desafiei, não contestei, só usei todas as forças, por ignorância, sem saber da proibição.

Mas não tem jeito, inda mais para um sujeito, com essa predestinação.

Diversas vezes me enganei, achei que podia achar, que não era proibido de sonhar.

Mas chega uma hora que a gente cansa de perder, nada mais parece importar, a gente sente que não importa, nunca irá ganhar, realizar…

A gente cansa, desacredita, se perde em certezas e finalmente deixa de achar que pode achar.


domingo, 1 de outubro de 2023

O que fazer quando viver não dá mais nenhum prazer?

Eu tenho me perguntando, muitas vezes, qual graça tem viver?

Não sei se a vida acaba, mas viver perde a graça, o encanto.

E não adianta chorar, esperar, tampouco desesperar, a hora chega quando tiver que chegar.

A gente até tenta negar, mas dá para perceber que sorrateiramente, silenciosamente, há tempos, ela chega.

Teoricamente, é muito antes da hora chegar.

E, na verdade, nem é hora, é o imprevisível momento que menos se espera, e sempre chega sem menos esperar.

E nada importa, invariavelmente, sempre haverá um futuro que termina antes de começar.

É louco.

Seja ontem, amanhã, daqui a pouco, a hora é sempre um agora.

Não tenho medo de partir, de me transformar, ter o meu corpo decomposto e se recompor para assumir outras formas, deixar de ser inteiro, partes ser.

Só sinto saudade, mesmo antes da metarmofose acontecer.

Sinto muita saudade de quem se foi e não voltou, do que não foi, do que não pôde ser, do quê, não aconteceu, e agora sei, não acontecerá.

Não queria que chorassem, mas se chorarem, quem sou eu para dizer o quê pode ou não fazer?

Também, acho que não fará diferença ser ou não lembrado, ser ou não esquecido, ser ou não, o fim, enfim.

As vezes acho fazer tempo, algum tempo, que morri.

Morri várias vezes, quando as vidas disseram não, e queria achar poder um sim ser.

Não é morrer, de verdade, é quando a gente acha que nada ninguém nunca mais irá dizer.

De verdade, seria menos difícil não fossem, é só quando as pessoas importantes deixam de ser fundamentais.

Tenho chorado demais, e sei os motivos.

Talvez, o maior de todos, é que muitas vezes achei, gosto de achar, ser a última vez que veria, estaria, sorriria, choraria, conviveria, ria, ria, ria… com alguém, com algumas pessoas…choro agora por achar que está chegando a hora de não mais só achar…

Não é a solidão, fora sentir a dor de perder quem amo, e amor não acaba, meu outro maior medo é da certeza…já disse, mas nunca é demais reiterar, sempre preferia achar…e mais importante do que saber responder, é perguntar!







 Não esqueço as inúmeras vezes que a noite, a madrugada, não acabava.

Depois da noite, da madrugada, desesperada, via que o dia amanhecia, e a solidão perdurava.

Depois do bar, do restaurante, da boate, da festa, da "noite", as pessoas iam para suas casas, e eu ainda tinha horas solitárias a esperar.

Depois de andar, sozinho, esperava o ônibus chegar.

Depois esperava no ônibus ele saír, só partem de hora em hora.

Depois dessa espera, esperava vencer a distância e atravessar o percurso, um longo caminho, até minha distante casa.

As vezes o sono, o cochilo de um sozinho no coletivo, ainda fazia o trajeto ser mais longo. Muitas vezes precisei caminhar por quase horas para voltar ao ponto onde deveria parar.

Imaginava a quantas horas as pessoas, amigas e amigos, já estariam seguras, confortáveis e, provavelmente, dormindo.

Ou, o que deveriam ter feito após eu seguir e não mais estarmos juntos.

Só depois de muitas horas, finalmente, conseguia chegar.

Muitas vezes ouvia minha mãe perguntar algo, conversar alguma coisa, fazer um carinho, dar um beijo, um abraço, ou ir olhar, conferir eu estar no quarto, na cama…se dizer preocupada e só conseguir dormir quando sabia estar.

Várias vezes pensei: são duas horas para ir, sem contar a preparação, tomar o banho que, ao chegar no lugar, já estava vencido, sem nenhum frescor, fumado, desperfumado, seco…e, ainda mais de duas horas para voltar, bêbado e, respeitando a escassez dos transportes, tentando adivinhar qual a menos pior opção para vencer as longas distâncias, as baldeações, enfim… com todos esses obstáculos, será que valeria mesmo a pena sair de casa?

Mas, o fazia, sabia da viagem, o preço a pagar para encontrar, para junto estar, para sorrir, e na volta só, poder pensar, refletir sobre o que aconteceu, sobre o que não aconteceu, sobre o que queria que acontecesse.

Ia para viver experiências, os encontros, construir memórias, compartilhar histórias, estar acompanhando e ser companhia.

Mas, sabe o que acontecia?

Eu viajava sozinho para, por algum momento, não me sentir sozinho, mas tantas vezes, a maioria, me sentia.

Não só na ida e na volta, mas o tempo todo, a emoção, o sentimento, a sensação são exclusivas, são pessoais, individuais…e só gente sabe o tamanho indecente da dor que a gente sente.

Que seguramente dói muito mais do que consegue transmitir a palavra.

Eu demorei muito tempo para aceitar a solidão.

Aceitar, aceitar, não sei se aceitei, se consigo ou conseguirei.

Mas hoje a distância é muito maior.

É aínda mais difícil de encontrar, muita gente não pode, tem outros compromissos, outras prioridades, ou não faz questão de estar no mesmo lugar.

Quase tão mais difícil, e mais caro, que ir e voltar é algo poder acontecer…e a distância provoca infindáveis e incontroláveis tantas horas de solidão.

E, finalmente, quando em casa chegar, não tem ninguém a esperar para dizer algo, para fazer um carinho, para abraçar, certificar se cheguei, estarei como sempre sozinho, só eu comigo mesmo e a solidão.

Sendo assim, será que vale a pena?

Se é para tudo ficar como está, na maioria das vezes prefiro ne

m arriscar, nem tentar.



Final Feliz.
Não é incomum questionar se existe final feliz.
Talvez até seja corriqueiro achar finais felizes existirem apenas nos contos, em estórias.
A história na realidade segue, prossegue, e cada personagem vive e vivencia sucessivas experiências.
Então seria mais pertinente, preciso, perguntar: existe final?
Ao recorrer a teorias, bem fundamentadas, como, por exemplo, "nenhuma energia pode ser criada ou destruída", não dá para pensar em final, só na transformação.
Pessoas, energias, vivem uma vida toda sob o ritmo de metamorfoses, enquanto ser vivo ela se transforma e vê o mundo mudar. Até depois do seu último sopro, nessa condição que chamamos de vida, continua a ser matéria, energia em transformação.
Não se sabe exatamente como, o que, nem aonde, mas não é absurdo dizer se tornar moléculas, átomos, proteínas, nitritos, nitratos, substratos, elementos, alimentos, organismos que alimentam organismos, fecundar a terra, enriquecer a água, flutuar no ar.
Enfim, energias que, se transformam, a energizar.
Dá para parar e pensar, o que deve ter no ar? …na água, rizomas, raízes, tubérculos, caules, folhas, flores, frutos, nos animais, no que ingerimos, comemos, bebemos?
Tem um monte de pedacinhos, partículas, energias, elementos, dos quais exatamente pouco ou nada sabemos.
Aí volto a perguntar, embora não saiba se pode ou não pode ser feliz, se é o caminho, o destino, natural, afinal será que há final?
A nossa tristeza é por pensar em perder uma companhia que quando ainda existia, no plano material, não se fazia tanta questão de ter.
Nossa tristeza é por achar perder quem a gente achava que nos achava importante.
Nossa tristeza é por, alguns minutos, achar que nos deixou sozinhos.
Nossa tristeza é por não mais poder ver, olhar, ouvir, tocar…por não compreender apenas se transformar naquilo que ainda não somos, mas seremos…pois o que será, será, e no final não importa rir, se não pode sentir, não adianta chorar.

A vida muda?

Não sei, às vezes sim, acho.

Só às vezes, mas sempre "era uma vez".

A natureza, da natureza, é mutante, e o ser só é o mesmo por instantes.

A cada piscada, de olho, células, moléculas, átomos, energias entram e saem do ser, se movem para outro estado de estar.

Antes, durante, depois, acordados e dormindo, somos matéria em recomposição.

Obra inacabada, que não acaba mesmo quando acha acabar, objetos da mudança, prisioneiros da transformação.

Na realidade essa é nossa única certeza, acho, a vida seguir a se metamorfosear.

Quem, com, fusão.

Mudanças, bailar de energias, chamamos vida, onde personagens, pessoas, seres, entram e saem, se alternam, assumem importâncias, valências, prioridades.

Compartilham protagonismos, todos temporários, para generosamente o viver ser acima de tudo flutuar, ao tempo, conduzidos por elos, elas, eles, correntes, ventos, ar.

Nesse movimento constante, mutante, mente, imutável, pessoas, acompanhantes, encontros de longos períodos, de uma vida curta, que passa rápido.

Outras, companheiras, na eternidade do instante, vivem na memória ou noutro lugar que não dá para entender, não dá explicar.

Por certo, acho, é difícil dizer se existe a mais importante… se poderia?

…pode ser uma, antes de dormir, e ao acordar já pode não ser.

Só o que se viveu e se vive é e foi, e o a viver não dá para saber, tudo só existe nos diversos agoras, passados e presentes…viver é achar, acho.

Pensando bem, todos importam, colaboram nos encontros, de energias, nas infindáveis transformações.

Algumas delas a gente gosta tanto, que nunca é demais, parece não escutar o tic-tac do tempo que passa passar.

A gente simplesmente não sente o relógio contar, se perde na viagem, tudo é fluido, os momentos não saem da gente, permanecem no mesmo lugar…no fundo sabe se modificar, enquanto a gente também, mas é só a vida seguindo…e na balança dos afetos o "peso" se mantém, o mesmo valor, embora mude e se mude, a gente sente nada ser diferente…por elas o sentimento, que não se acha ser semeado, mas foi, acontece, floresce e faz nascer um fugir para o lugar do achar não mudar.

Acho que certo ou errado não há, sei que andar sozinho, sem alguém ao lado, não é bom, por isso lembro, não esqueço, penso e sinto, ah, saudade.

Enquanto as emoções duram ninguém vaga vazio pelas pedras, pelos espinhos, espalhados nos caminhos do viver.

Emoções e sentimentos se transformam e conseguem nos transformar, também as dificuldades, adversidades, em grandes histórias que podem ser contadas com sorrisos, lágrimas, sentimentos e emoções…

Espero que você ainda mude muito, mas para mim sempre será energia, a personagem que várias vezes não se vê, mas está na vida, que dizem ser minha, ser sua, ser de alguém, mas é nossa, e nossa quer dizer de todo mundo…para nos momentos precisos, entrar em cena, brilhar, fazer o sorriso, o choro, alegre ou triste…fazer a emoção, o sentimento, serem únicas provas vivas, materiais e concretas, de o ser estar vivo, a viver, ao se transformar.



quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Ontem eu chorei…

Porque, pra ser sincero, não sei.

E será, que sempre será preciso justificar alguma razão para chorar?

Ontem foi só mais uma, das tantas vezes que chorei e, mais uma vez, ninguém viu.

Não tinha ninguém por perto, ninguém a olhar, ninguém viu, ninguém verá, ninguém a perguntar, só eu.

E parei a pensar, será por isso, será?

Pode ser.

Pode ser a solidão, pode ser por achar que ninguém se importa, não com as lágrimas, mas comigo.

Tenho chorado tanto, tenho chorado muito, tenho chorado sozinho.

Mas também não quero que me vejam chorando, por isso nas poucas vezes que estou com pessoas, sorria.

Continuo, com o mesmo vazio, no peito, achando que ninguém se importa…

E admito, elas tem razão, eu também não quero que elas me vejam chorar, me vejam vazio a interpretar, eufemismo para fingimento.

Mas, se elas não se importam comigo, e pra mim são importantes, como posso comigo me importar?

As vezes eu queria vivê-las, que é completamente diferente de somente ver.

Queria que elas me vivessem e não somente me vissem, a sorrir e a chorar.

Parece que tudo perdeu a importância.

Eu não sei mais nada, eu não conheço mais ninguém, reconheço, mas conhecer é diferente.

Não sei mais das suas viagens, dos seus passeios, dos seus anseios, dos seus sorrisos, das suas lágrimas, e queria.

Sempre falei muito de amor, mas não sei se soube amar.

Amar pode ser completamente diferente do que eu penso, do que pensei, do que vou pensar.

As vezes acho que é sentimento compartilhado.

Noutras, acho que só tem um lado.

Na maioria acho ser nada precisar fazer, ter…

Ninguém ama ninguém por beleza, por gentileza, por reciprocidade, por importância, por interesse, embora interesse, importe.

A gente ama por sentir prazer, tem satisfação, por amar até quem a gente acha que nunca vai nos dar o amor.

Por isso acho que amar parte de si, e ninguém precisa ver, saber, possivelmente nem sentir.

Acho que choro por achar que estou condenado a só sonhar com o amor que nunca vai me encontrar, e não é culpa de ninguém, nem do amor, do amor que nunca vai me amar.

As vezes queria mandar mais mensagens, outras músicas, mas acho não adiantar, pois não é só para ler ou escutar, e não adianta nada se não vai te tocar.

O que digo, da minha forma, só pra mim faz sentido, só a mim toca.

Assim, é inútil tentar que compreenda o que não dá para explicar.

Não sei a quanto tempo te amo, só sei que não importa o tempo, importa é te amar.