Sentimento é aquilo que a gente sente e nem sempre consegue explicar.
Distância e distanciamento.
Um resulta de fatores físicos, espaço e tempo. O outro de psicológicos ou psicossociais, do desejo, domínio dos sentimentos e das emoções.
As vezes uso a esfarrapada desculpa da distância, para evitar encontrar.
Todos sabem, que não existe distância capaz de conter o ser quando precisa saciar a vontade, o desejo, de ver, de estar.
As vezes a vontade…
Acho que me escondo atrás da distância, ou me protejo através do distanciamento.
Pode parecer contraditório, mas distanciar impede a realidade, indelevelmente implacável, impiedosa, de dissolver, demolir, desintegrar os sonhos, impossíveis porém importantes.
A realidade ao acabar com a fantasia, com a ilusão, com a esperança, acaba com a gente, nos quebra, derrama e espalha os pedaços da gente no chão.
Enquanto a distância, o distanciamento, parece conservar uma ínfima esperança de encontrar o sonho impossível, improvável, esperando sentado, de braços, olhos e coração abertos, numa esquina qualquer do futuro…
A distância conserva a esperança do milagre…
Sei que só esperar não adianta de nada, mas dês esperar também…
Eu nem acredito em milagres, eu acho…nunca aconteceu comigo, ou se aconteceu foi tão sútil, não pareceu ter mudado o curso, o meu destino…
É curioso como a gente sente mais a falta, a ausência, a distância, o distanciamento…o cotidiano talvez seja feito de milagres, mas o que está presente é normalizado, naturalizado, contém pertencimento, parece dado…
Não só coisas, mas pessoas também ficam obsoletas. Em certo momento deixam de valer a pena, exigem sacrifícios descabidos, nem mesmo a boa vontade...
Não é fácil aceitar essa condição humana insatisfatória, mesmo a simpatia, a empatia, os sentimentos, não conseguem esconder o estado de degradação física, emocional, intelectual… Em suma, a sua incapacidade de produzir qualquer estímulo positivo, agradável, liquidam as energias que ativam os …do prazer.
Nesses casos, conscientemente, o isolamento é uma opção que parece responsável, coerente, no objetivo de evitar constrangimentos e, no mínimo, desconfortos.
Sabe quando alguém já não tem nada para dar, e tudo o que puder receber, além de não se considerar apto a retribuír, pode não importar.
As vezes tenho medo de receber… não sei se é isso, mas não sentir bem em tocar o cume e depois descer, voltar ao mesmo ponto.
Talvez a pior coisa seja o vazio que fica depois de ser enchido.
Já observou um balão, um saco, qualquer corpo antes de ser enchido e depois de esvaziado???
Embora antes estivesse vazio, não parecia, na sua forma objetiva, como objeto, íntegro, intacto…depois de receber conteúdo e ser esvaziado…perde padrões, resistência, fica deformado.
Um corpo depois da bariátrica exige outras e mais cirurgias…
Se sentir vazio é mais ou menos assim…não é agradável, muito pelo contrário, mas se assume uma forma, um padrão, e depois de receber carinho, abraço, amor e certo momento deixar de recebê-lo a dor é muito maior.
Tipo o vício, a gente não sente falta, necessidade, daquilo que desconhece, mas depois de provar, experimentar, acostumar, passa a depender, viciar…é tão difícil negar, querer, e saber que não vai ter, que precisa tentar, a todo custo, esquecer…
Pelo menos se contentar, aceitar a ausência…
Se precisa esvaziar, é melhor não encher.
As vezes eu queria pedir para me esquecer, embora saiba que isso não queira... muito pelo contrário…mas acho racional, não perder tempo, dispender energia, qualquer sentimento, com quem não merece, não presta, não vale a pena… eu.
Por isso tenho me escondido, me protegido, não sei, atrás do muro da solidão…ou penso assim preservar pessoas importantes…
Assim não causo desconforto, mágoa… não faço nenhum mal, a não ser a mim mesmo.
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