Enquanto pude eu sorri.
Sorri não para afrontar, e sim até perder o ar de tentar alegrar a tristeza que vive dentro de mim.
Sorri para enganar quem não me via chorar, queria que me aceitassem, queria fazer parte…
Sorri, até o fim das reticências, para esquecer as decepções, esconder minhas limitações, todas solidões, a falta de qualidade, de talento e de limões.
Enquanto pude sonhei, dormindo e acordado, sonhei com amor, queria amar, amei, queria ser amado, viver o encontro, das águas, do Negro e Solimões.
Mas o amor, também, nunca me quis.
Flertei com a vida, tentei tudo que sabia, o que aprendia, e mesmo assim ela não …quis saber de mim, sempre me disse não, de tanto insistir, algumas vezes achei ouvir um sim.
Tentei ignorar a rejeição, ainda tento, do fundo do coração, desesperadamente fugir da solidão.
Resisti, achei que não passava de uma fase, que precisava superar desafios, mas no fundo sabia, passa não.
Sempre surge uma provação, sucessivos obstáculos, inimagináveis dificuldades.
Tive muito medo, nas poucas vezes que fui feliz.
Não é incomum ter medo do desconhecido, do estranho, do que não se tem intimidade.
É assim que vejo a felicidade, tenho medo dela torturar.
Dela me encontrar, e deixar eu experimentar, sentir o sabor, para logo me abandonar, acabar e me deixar só, somente com o gosto, e muita saudade.
A minha felicidade sempre foi fulgaz, logo desintegrava, me arrasou, e acabou, na maioria das vezes, antes de começar.
Os meus sonhos, as minhas fantasias, as minhas ilusões, eufemismo para mentira, tentei transformar em verdade.
Nunca quis acreditar, mas não dá para fugir dos demônios, da realidade.
Ela não cansa, sempre alcança, vence e você volta a ser apenas o que sempre foi, o que é e o que será.
Nada mais, nem diferente, longe demais daquilo que achou querer, se esforçou para, sem sucesso, ser.
Leva um tempo para entender, que o que não é, é o que não pode ser.
Chega um momento que já não se pode mais, não restam forças, crença não mais há, nem sobra esperança, e aceitar a sua condição não é opção.
Aí, conscientemente só sobra a mediocridade, a insuficiência e a insatisfação de o ser doente, medíocre, insuficiente e insatisfatório.
Não desafiei, não contestei, só usei todas as forças, por ignorância, sem saber da proibição.
Mas não tem jeito, inda mais para um sujeito, com essa predestinação.
Diversas vezes me enganei, achei que podia achar, que não era proibido de sonhar.
Mas chega uma hora que a gente cansa de perder, nada mais parece importar, a gente sente que não importa, nunca irá ganhar, realizar…
A gente cansa, desacredita, se perde em certezas e finalmente deixa de achar que pode achar.
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