O que fazer quando viver não dá mais nenhum prazer?
Eu tenho me perguntando, muitas vezes, qual graça tem viver?
Não sei se a vida acaba, mas viver perde a graça, o encanto.
E não adianta chorar, esperar, tampouco desesperar, a hora chega quando tiver que chegar.
A gente até tenta negar, mas dá para perceber que sorrateiramente, silenciosamente, há tempos, ela chega.
Teoricamente, é muito antes da hora chegar.
E, na verdade, nem é hora, é o imprevisível momento que menos se espera, e sempre chega sem menos esperar.
E nada importa, invariavelmente, sempre haverá um futuro que termina antes de começar.
É louco.
Seja ontem, amanhã, daqui a pouco, a hora é sempre um agora.
Não tenho medo de partir, de me transformar, ter o meu corpo decomposto e se recompor para assumir outras formas, deixar de ser inteiro, partes ser.
Só sinto saudade, mesmo antes da metarmofose acontecer.
Sinto muita saudade de quem se foi e não voltou, do que não foi, do que não pôde ser, do quê, não aconteceu, e agora sei, não acontecerá.
Não queria que chorassem, mas se chorarem, quem sou eu para dizer o quê pode ou não fazer?
Também, acho que não fará diferença ser ou não lembrado, ser ou não esquecido, ser ou não, o fim, enfim.
As vezes acho fazer tempo, algum tempo, que morri.
Morri várias vezes, quando as vidas disseram não, e queria achar poder um sim ser.
Não é morrer, de verdade, é quando a gente acha que nada ninguém nunca mais irá dizer.
De verdade, seria menos difícil não fossem, é só quando as pessoas importantes deixam de ser fundamentais.
Tenho chorado demais, e sei os motivos.
Talvez, o maior de todos, é que muitas vezes achei, gosto de achar, ser a última vez que veria, estaria, sorriria, choraria, conviveria, ria, ria, ria… com alguém, com algumas pessoas…choro agora por achar que está chegando a hora de não mais só achar…
Não é a solidão, fora sentir a dor de perder quem amo, e amor não acaba, meu outro maior medo é da certeza…já disse, mas nunca é demais reiterar, sempre preferia achar…e mais importante do que saber responder, é perguntar!
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