sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Agora eu acho que entendo.

Quando falta vontade de viver.

Um dia a gente acorda e não sente mais prazer.

É tudo enfadonho, até se tenta, mas não consegue se enganar.

Desesperança, desespera, a dor, desgraça, perdeu a graça, e não se quer mais esperar.

Saber que tudo que poderia ser, não será.

E não importa, não tem conserto, não dá pra consertar.

Não importa, nada nem ninguém vai bater a porta, chamar no portão.

Toca, mas não faz canção.

Toca, mas não bate, só por bater, o coração.

Toca, mas não faz dançar.

Toca, mas tanto faz, não tem força pra tocar.

Não vive, sobre vive, não há vida, não pode convidar.

E se convidam, não tem vida, não dá para vivenciar…compartilhar.

Não é só tristeza, não é só desânimo, não é só vontade, é um hiato, um vazio, um algo misturado com tudo, cuja soma é nada.

É o que se sente e não dá para sentir.

Sinto muito, é um sentimento, o que palavra não conseguem explicar.

Não sei se quer morrer,nem se se quer viver, simplesmente não se quer.

E não importa ao tempo, tempo dar …

Não dá para explicar…

Só dá para explicar o que tem explicação, e tudo que não é coisa, tem não.

Não tem remédio, não tem conserto, não tem remendo, e pouco importa, se tiver, não sabe se se quer.

Agora eu entendo, chega um momento que a gente acha que já viveu tudo que podia viver.

Não foi legal, e o que acha ainda poder, com toda certeza de que nada vai, acontecer, não vai fazer valer.

Falta vontade de ter vontade, mas não encontra a probabilidade de encontrar…de se encontrar…

E se, depois de tanto tempo, tentando, levando porrada da vida, sofrendo, só tendo decepção, parecer dar certo, não sabe se terá tempo para dar.

Prefiro os passarinhos…

Não são coisas o que a gente não sabe, nem pode dizer…

Por não serem coisas, certas co

isas a gente não sabe dizer…

Muitas pessoas passam nas nossas vida…chamamos de colegas, conhecidos, de tanta coisa, até de ex…

Algumas pessoas entram nas nossas vidas, essas a gente chama, quando sentimos saudade, vontade, e elas sabem que também podem a qualquer momento, em qualquer oportunidade nos chamar.

Poucas, grosso modo, a gente acaba por na vida delas entrar, somos presente e presenteados pelas suas existências, nos ensinam e aprendemos a amar…

E outras pessoas, a gente nem sabe como chamar.

Na maioria das vezes, de tão preciso, não precisa, quando é preciso e sem precisar.

Sabemos todos os dias, todas as vezes, na alegria e na tristeza, morarem, no coração, na gente.

E, o que somos, onde estamos, achamos ter, a elas tudo pertence.

As vezes dizemos fazer parte das nossas vidas.

Mas, pensando bem, não.

Nossas vidas junta tantas partes, pedaços unidos, colados, remendados, manchados, e essa mistura de tudo é o estar e ser, ou ser e estar, tanto faz quanto tanto foda-se.

Então, pensando bem, deveríamos dizer: são as nossas vidas e, só, por causa delas a gente existe...

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Penso, por vezes, pedir, como fosse possível, para você sair dos meus sonhos.

Logo desisto.

Sua ausência nos meus delírios, pensamentos, fantasias, na minha imaginação…decretaria a mais cruel pena ao, meu, ser humano, ser condenado a só viver pesadelos... beijo



Sempre gostei de olhar para o céu, olhar as nuvens.

Cresci num lugar onde nuvens são muitas, brancas, cinzas, em vários tons, e o azul é, é, e é irradiante.

Ao olhar via imagens, via formas, formatos, desenhos, desejos, sonhos de algodão.

As vezes imaginava nelas tocar, pisar, repousar, e as tocava no fundo do coração, na minha imaginação.

Certos momentos penso que assim, muito mais que ensinaram, descobri, criei uma maneira de aprender e aprendi.

Talvez seja assim, nos mostram, apresentam, nos guiam por um monte de conteúdo, mas só aprendemos o que escolhemos, as imagens, os sons, os tons, o sabor que a gente sente.

Tentaram ensinar, um monte de coisas, se esforçaram, e não foi em vão, mas só aprendi o que queria o meu desejo, projetado, em forma de emoção.

Ninguém perguntou o que queria aprender, mesmo se o fizessem, não sei se realmente seria aquilo, pois nunca soube de tudo, de todas as opções, e agora sei que nunca vou saber.

Acho que foi Pablo Picasso, certa vez perguntado como era o seu processo criativo, como sabia o que desenhar, o formato que iria construir, escupir, e ele disse: quando olho para um bloco penso no que vou tirar.

Em tantas oportunidades olhamos para algo e sua "mensagem" é óbvia, direta, objetiva, mas escolhemos perceber o avesso, o contraponto, o matiz, o contraste, o negativo como a película das antigas fotografias. 

O que seria das nuvens, quantas imagens formaria com todos os seus tons de branco se não tivesse no fundo todo aquele cinza, todo aquele azul, azul irradiante???

Não sei se é possível ensinar, mas indubitavelmente, a gente, pessoas, sempre irá aprender aquilo que escolhemos aprender, por nos atrair, irradiar, nos dar prazer. Mais que prazer, sentir a necessidade de olhar e ver o que precisamos tirar para o resultado ser a obra da nossa vida.


A gente precisa compreender que o eu só existe porque você existe, que só existe eu se existir você.

outro não é só fundamental, é referência, é parte vital.

Sem o outro não há vida, nem sonhos desejos, não existe chegada, caminho, e partida.

Não existe beijo, não dá para abraçar, é possível enxergar, mas é tão difícil se ver, se olhar.

E quando a gente se toca, descargas tão intensas não provoca, nem os excelentes curtos circuitos que o outro foi feito para fazer.

Tudo perde a cor, o tom, a medida, o sabor.

Sem o outro talvez se possa odiar, mais ainda o fato de estar sozinho, por não ter ninguém para amar.

A gente não pode nunca esquecer, que o encontro de outro com outra, ou de outra com outro, é que faz nascer.

É tão ridículo o que a vida faz com a gente, o que faz o capitalismo.

Nos ensina egoísmo, a assumir compromissos capitalizados, a vender o tempo, a vida, a adiar o prazer.

A gente só pensar na gente, nos nossos problemas, e deixar de viver encontros, convívios, coloca os seres humanos num plano secundário, para, dizem, sobreviver…

Primeiro vem o dinheiro, a primazia da vontade de quem nos paga, um fazer para receber, dinheiro, só depois pensamos e voltamos atenção a pessoas, ao outro, a quem nos faz viver…

Marx tem razão…

Segundo a minha teoria o altruísmo é egoísta, o ser humano não se importa em fazer o bem.

Em não fazer mal, pode ser, mas no fundo ele gosta, quer e precisa sentir prazer…sente prazer em ajudar, em abrir mão, em ser generoso, e quando isso faz, em primeiro lugar, lá no fundo acaba pensado primeiramente, mais, em si…que em qualquer outro.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Várias vezes ouvi pessoas dizerem que queriam mudar o mundo, mesmo sem se darem conta, que elas estão mudando.
Ouvi, inúmeras vezes, pessoas dizerem que gostariam de mudar a si mesmas, serem melhores, não tenho opinião formada quanto a isso.
Eu nunca pensei em mudar o mundo, pelo contrário, também não pensei em mudar as pessoas, muito pelo contrário.
Sequer pretendo ser melhor, acho impossível, e acho que só conseguiria não ser o que seria, não ser o que sou.
Não sei se estou errado, mas acho perceber o mundo, e isso é aprendizado, através das suas múltiplas faces, por meio de "óculos" que descobrem e enxergam a diversidade.
Se pudesse dizer algo, objetivo, diria para todas as pessoas continuarem a serem plurais e diversas, ímpares, e a permitir encontros, combinações, interseções de suas subjetividades, objetivadas, únicas com as exclusivas das outras pessoas.
Acho assim não mudarmos o mundo, nem a nós mesmos, mas ouvir, ver, assinar, permitir, respeitar e compor harmonias, fundamentais, para o viver as nossas vidas.


Bebi até a última gota que havia na minha garrafa de alegria.

Quando acabou não sabia mais o que, nem se algo tinha.

Ainda não sei, quando acabou, em que se transformou o que sobrou.

Mesmo, aparente, a garrafa não ficou vazia, só, aparentemente, nada restava.

Mas como é o que ninguém cria, nem pode destruir, a garrafa antes cheia, de alegria, teve o seu espaço ocupado por outra energia.

E o corpo, outro recipiente do ingrediente, agora cheio do que antes não havia, ainda espera esse algo transformar e se transformar.

Alguma alegria, ser transportada por para outros recipientes, outros corpos, pois é, poisé, energia.

Nem sei se se transforma, talvez so mente, somente, se mente, mude de lugar, troque de copo, de garrafa, de recipiente, de corpo e siga a outro lugar, isso é trans portar.

Existe transformação se tudo ficar no mesmo lugar, é possível trans portar?

As pessoas parecem não querer saber o que significa.

Na realidade, na maioria das vezes elas, inconscientemente, não dão importância aos significados.

Sabe, as pessoas não sabem o que significa, principalmente, por realmente não saberem o que significa.

Por desaprender a valorizar os significados.

A gente só descobre que precisava saber o que significa quando não dá mais para significar os significados. É quando eles começaram realmente a significar.

Chega um momento em que o tempo já não importa, a esperança já não vai bater nenhuma porta.
Quando re parou, o tempo de esperar pegou carona no trem do des espero.
Não é mais o tempo da possibilidade, mas da probabilidade, quando é mais frequente e preciso chegar o tempo de ir para não voltar.
Já não faz muita diferença, o tempo segue o ritmo da despedida, no trilho do tempo a passar.
As vezes eu penso como seria a minha vida com vocês ainda aqui.
Não tenho dúvidas que seria bem melhor, só teria motivos para sonhar, e força para não desistir.
Principalmente, não precisaria ter que me esforçar, tentar me reconstruir depois de todas as porradas que abalaram a cabeça, a esperança, desritimaram o meu coração.
Seria tão bom, tudo seria igual, continuaria sendo o mesmo cara e filho chato. Intransigente, impaciente, resmungaria, responderia, mas me preocuparia todo dia, daria bom dia e sempre que pudesse fugiria para ficar e achar que cuidava de vocês.
Ainda viveria os mesmos velhos conflitos, alguns dias ficaria triste, noutros invocaria o palhaço, o bobo, que adormeceu dentro de mim, para tentar enganar as adversidades com alegria.
Certamente, como tudo muda o tempo todo, muita mudança sugiria, mas mesmo em meio as modificações, nada seria tão diferente, e seria?
Eu só queria, sei que não será possível, ter abraçado mais uma vez e poder dizer o quanto amei e amo você mãe, você pai…obrigado mãe e desculpa mãe…obrigado pai e desculpa pai…
Mãe eu estou tentando, mas sem você eu sei, tenho certeza que não consigo…
Pai, ao menos eu estava a seu lado e acho ter te dado todo carinho que podia, sem você tá difícil, muito difícil.
Se vocês estivessem aqui, por algum motivo, talvez por ter me dado a vida, a minha vida ainda viveria…

O tempo todo a gente desperdiça tempo, nem lembra que a cada instante se desenha a primeira e ao mesmo tempo a última chance.
Tá, ainda podem haver outras oportunidades, geralmente e inúmeras vezes isso acontece. Mas, sempre há um não ser a chegar e pela última vez tentar fazer acontecer.
Cada dia está mais perto o não dar para recomeçar, e nesse instante pode se alcançar o destino de todo um viver.
Por isso a gente não deve, não pode, deixar de o que se sente dizer, o importa, a quem importa.
Até pode, por algum motivo, por alguma razão, escolher, preferir ocultar, esconder, se conter e não deixar o coração falar, mas é preciso coragem ao vestir um acho com a, enganadora, retícula de certeza, mesmo que saiba nunca ter certeza.
As vezes a gente não tem a menor chance, ainda assim é incerto, impreciso, e o sim pode ser, mesmo quando esgotadas as probabilidades, sejam nulas e inexistentes, certo modo, minimamente, ela insiste, persiste e existe, na esperança, fantasiada de sonho, delírio, ilusão, enquanto se escolhe evitar o contundente, decepcionante e definitivo não.
Às vezes o aparente silêncio significa, mesmo que remotamente, continuar sonhando…
Não saber, muitas vezes, proporciona, "por aparelhos", um sopro de vida antes do fim.