segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Insanidade, insana idade?

Milhões de anos, ao longo dos tempos, se vão cristalizando a ideia de evolução.

De fato o ser humano, com inúmeros percalços, com incontáveis avanços e retrocessos, apesar de tamanha destruição para, contraditória mente, construir construções, evoluiu como ser humano.

Mas como previu Políbio, ao imaginar o modelo da anaciclose, parece caminhar a involução.

Talvez não seja uma simples regressão, meia volta a um ponto de início, tomara, mas a oportunidade de rever a trajetória.

Mas a impressão, independente do otimismo, é da manifestação de uma insanidade que corrompe o ser humano por conta do excesso de individualidade.

O ser humano que evoluiu por perceber o óbvio, a possibilidade de desenvolvimento estar condicionada a ideia de fusão, primitiva e natural, de fluídos, conhecimentos, capacidades por intermédio da conexão de códigos, reconhecimentos, compartilhares, comunicações, aproximações que permitiram encontrar nas semelhanças igualdades, facilitando o desenvolvimento de fraternidade a cada dia parece se afastar dessa compreensão.

Talvez por conta de uma confusão sobre liberdade, ao invés de expandir o grupo, associar mais recursos humanos, unir mais inteligências, reduz. Os grupos são cada vez menores, seletivos, exclusivos, individuais, vips, individual.

Se sabe ao certo os parâmetros da exclusão, mais que os da inclusão, os interesses mais imediatos, o apego a curta duração, a falsa percepção da liberdade como artigo uno.

Ora, tudo é uno e estéril enquanto uno. Aliás, só alguns seres, específicos, unicelulares conseguem se reproduzir, mesmo assim, dependentes de um outro elemento... 

Nessa insana idade parece negarmos a nós mesmos, a nossa própria natureza, embriagados …

Esquecendo a via da evolução, do desenvolvimento, se basear na probabilidade do reconhecimento. De olhar o outro e observar, admirar, aprender, compreender, dividir, compartilhar, reconhecer o ser dentro do outro ser para reproduzir seres, estares, e assim os seres poderem ser.

O ser sozinho até é mas está limitado a só poder ser àquilo que acha ser que é.

Ele não se olha, não se vê, não pode se reconhecer.

A insana idade é o momento do imperioso egoísmo…

Sem o outro alguém é só ninguém.

A solução parece ser retomar o ponto onde a aproximação excitou encontrar pontos de semelhança, de igualdade, para restabelecer a produção e reprodução de afetos, de fraternidade, o respeito ao outro, a sua individualidade, mas sem se afastar, sem desconectar, sem negar a nossa liberdade de ser e estar.


Silêncio

Falta de som

Silêncio

Falta de...

Grita em silêncio

Dói sem som

Não adianta gritar

Não quer escutar

E se

Vai sentir?

Grito

Silêncio

História sem sim

Viver

Fim

Ouvir

Silêncio

Gosto de te olhar

De ver

De estar

Contigo

Encontrar

Sentir

Perto

De você.

De confundir ser e estar, estar e ser

De beber e embriagar, teu ser.

Eu gosto de te ver sair e entrar no mar, 

Gosto do gosto que acho ter te amar.

De proteger, até o nome, por amor.

Te gosto e gosto de ti.

Não é sobre a vida, é sobre viver.

Quando penso na vida vivida que vivi, não sei se é viver.

A dúvida paira e se aclara, principalmente, quando lembro as desilusões, as muitas tristezas e as poucas alegrias.

Jamais vivi a vida que sonhei.

Talvez seja severo, rigoroso, e deixe as dores serem falarem mais alto, é verdade.

Mas, as experiências rotineiramente são acompanhadas, ornadas, decoradas, por desencantos, insucessos e decepções.

Confesso, sempre esperei mais, sempre quis mais, sempre precisei demais.

Raramente aceitei acomodado o que recebi, sempre achei pouco, sempre precisei de mais.

As vezes questiono se era realmente pouco, e mesmo fosse, se era digno de  merecer…mereço bem menos…

Eu vivi a vida com os dois pés fora da minha realidade. Nunca aceitei as minhas ausências, deficiências, sempre careci, tive carências, frustrações. Sempre imaginei que podia ser melhor, que conseguiria alcançar o topo, mas nunca passei do segundo andar…

Nunca fui competente para conseguir, e sei disso, acho por isso valorizo tanto o amor. O amor, como a crença, não requer, não obriga, não precisa, o amor acontece.

E não precisa de competência, de alguma habilidade, de inteligência, só depende de amar.

Ah, eu amei demais, nem sei se vale ou pode quantificar, e mesmo quando desconfiava ser, não me sentia completamente amado.

Sempre desconfiado, acho que tentava me preservar, tentar me defender, medo para evitar sofrer, consciente de não merecer… nunca deu certo, muito pelo contrário, eu amei demais, sofri demais, chorei demais, fui demais, e sempre tenho aquela pequena, bem pequenininha, esperança de um acontecer acontecer.

Na curva, numa esquina, numa noite, num amanhecer...aquela bobagem de achar o amanhã ser.

É tudo muito louco, se juntar todos os pedaços dos poucos com os muitos e mais os outros tudo o que a gente quer é ser feliz.

Eu já fui feliz com amendoim, com macarrão e molho de tomate, com uma garrafa de qualquer coisa, estava com aquela, com ela, com a mulher.

É interessante como uma pessoa tem a capacidade de fazer, sem nada fazer, outra pessoa simplesmente, com toda a riqueza contida na simplicidade, feliz.

Não precisa de muita coisa, só precisa dela, ser ela, estar com ela, ouvi-la, pois ouvir ela é esquisito, receber dela um oi, um sorriso, um olhar, sentir o cheiro, nela pensar.

Mas quer saber, eu nunca acreditei nas minhas loucuras, me esforço, as vezes até acho, mas sabe fazer promessa, prometer, pagar e ter a certeza que nada, rigorosamente nada, vai acontecer?

Só espero que a próxima vida não seja tão sofrida e se for que eu consiga ser mais resistente para suportar a dor.

Adiar o sofrimento aumenta a angústia.


Mulher, tudo muda só o mundo fica no lugar.

Maravilhosamente o mundo gira e sempre volta pro mesmo lugar.

O que passou passou, o que virá também passará, mas não apaga, não se pode apagar.

Tá na memória, na história, tá no ser, tá no ar, no mar, no amar.

Embora nada tenha lugar cativo, na existência o que foi é e sempre será.

Gravado, guardado no peito, sentimento que se sente, invariavelmente sente-se, pra sempre.

Não dá para curar a dor, faz parte do amor e amor não foi feito pra curar, não, não tem lugar para um amou se se ama e só sabe amar.

É como o mundo, sempre parte e volta no mesmo lugar, pode não lembrar, de esquecer não dá.

Para sempre sempre será.

Contraditório, paradoxal, apesar do tudo não lembrar, aquece, nada esquece.

Amar não tem a perdoar.

Não ten medo do não, só do fim.

Não desistir da vida, não é bem assim, 

A vida, inteligente, há tempos dá sinais

desistiu de mim.


Acho, posso estar certo ou não, só dá para explicar o que tem explicação.

Não é o caso, sentimento não se explica, só,

Complica, com emoção.

Sabe lá o que é gostar muito e de repente surgir um clarão?

Dar branco em tudo,

A música tocar e não tocar o coração.

Não tem explicação,

Acordar sem encontrar

Dum sonho profundo despertar, foi sonho, um sonho em vão.

Tempo, miragem, ilusão.

Aí toca aquela música:...o sonhador tem que acordar...triste é viver na solidão.

Tristeza e solidão, a impensável aproximação, tentativa de fugir do desespero, de mim, da depressão.

Tentar o motivo e apostar 

Tudo, a possibilidade de amar.

Só faltou combinar.

Culpa não há, mas viagem chega ao fim, acaba e precisa acabar.

Sair da imaginação e só ser triste, só é realidade e a realidade é uma bosta.

Insano, amar quem não sabe desse amor, 

Não quer, não precisa dele.

Não é possível amar quem nem se sabe, e nem se é amor ou tentativa de fugir da realidade, do destino, da sina, do final sempre infeliz.

A realidade é uma bosta.

Preciso confessar, nesse tempo, sem esforços, vivi, com todos as vantagens e prejuízos, com todos os corações, com sorrisos e lágrimas, a real sensação de amar, a razão do amor.

O restante, detalhes, precisar explicar se não dá para entender?

Talvez, mais que provavelmente, declinar seja outra fuga, saber, nessa doida e doída vida, menos possível e demais improvável.

Desculpa e obrigado, por sem querer, sem saber, tentar me salvar.

Contínuo na dúvida, não sei se te amo ou se amo você.

Mas acho, nessa vida não conseguir saber.




sábado, 18 de dezembro de 2021

Respeito, carinho, amizade, afeto, admiração, amor, coração.

Palavras que não pedem complemento, fáceis de entendimento, não precisam explicação.

Era uma vez alguém que se apaixonou por outro alguém e descobriu mais que tudo ama-la.

Mas não podia dar o que ela precisava, tudo o que tinha era o insuficiente.

Só tinha sonhos, e era proibido de sonhar, e sonhos não são palpáveis, se localizam num futuro que pode nunca chegar, demorou para descobrir, para entender, ainda mais para aceitar.

Ele só podia dar o que tinha e não tinha o que ela merecia, precisava, queria.

Só podia dar o que não tem preço, mas é cheio de valor.

Talvez tudo isso fosse pouco, ele sentia mas nunca disse o que sentia pois, mesmo querendo muito, não queria perder o que tinha, o que parecia não se suficiente, mas sempre necessário.

Achou talvez ser pouco oferecer sentimento, reconhecimento, respeito, carinho, amor.

Não são coisas, não tem preço, mas cheias de valor.

Imagina se 

Inda, ainda, é possível ser poeta num mundo sem poesia?

Em que a desconfiança amarga a amargura.

Onde o vício no medo de perder inibe a procura, o encontro, a ternura, o acontecer.

Quando um não sei entorpece a travessia.

Não sei, não sei se é possível ainda acreditar.

São muitas as dúvidas, apesar de não gostar e não acreditar em certezas.

Apesar de todos os apesares, o momento é de pouca ou nenhuma esperança.

A graça não consegue rir, e até a desgraça não faz mais chorar.

Acostuma-se com um não-ser que absorve o não-dizer e vive num não-lugar.

É óbvio que para o poeta tudo é possível, mas não é provável se ele não sente, não sofre, não consegue se alegrar, não fica feliz e só, só fica só, é indiferente.

O poeta para poetar, o ato de fazer essa porra de poesia, precisa viver um motivo.

Mas quando os motivos deixam de importar, quando o outro significa nada para um outro, quando a ideia de final da vida não causa dor, quando não se ama o amor, em que ele pode se inspirar?

Sabe quando a luz apaga no meio do dia e tanto faz que ela não esteja acesa?

Sabe quando falta luz, fica escuro e o sono é profundo?

Sabe quando se caminha, perdido e sem encontrar, para o fim do seu mundo?

Sabe quando o importante não passa por debaixo da porta?

Sabe quando ao abrir a janela se vê um muro?

Sabe quando tudo é nada e nada é tudo?

O desalento faz desfalecer, cansa morrer todo dia um pouco e se torce até para o dia definitivo chegar,.

É foda morrer a vida toda, viver e ver a vida todo dia te matar.

Diria tchau fosse pessimista, mas não sou, então adeus.

E para responder a pergunta que inicia, realmente precisa ter respostas para todas as perguntas e perguntas para todas as respostas?

Apesar de tudo, de todos, de todos os nadas, de todos os tudos, das perguntas sem respostas, das respostas sem perguntas, das faltas, das falas, da falta de falas, da desimportancia do que é importante, poeta que é poeta até no último dia, na fronteira da morte com a vida, que acontece todo dia, acho que sim, não tenho certeza, ainda vai achar, em meio a tantos perdidos, um motivo pra fazer poesia.

Mesmo que ninguém compreenda, mesmo que ninguém considere, o.

A coragem não é tão corajosa assim, pode ser falta de apego, desvalor, nenhum sentimento, ausência de amor.

Se jogar do abismo pode não ser barvura nem opção, nem falta dela, mas estar cheio de vazio.

Coragem pode ser o ato de fazer por acreditar não ter nada a perder.

Coragem é reconhecer o valor daquilo que se acha ter e não querer arriscar a perder até pouco.

É parecer ficar em off estando em on.

É conseguir ficar em silêncio, querendo gritar, só para não causar desconforto, incomodo, tristeza, distância mento.

É fingir que está tudo bem, por se importar com quem importa.

É esperar na porta, mesmo querendo arrombar ou pular a janela.

É guardar todas as palavras sentidas no brilho, opaco, do olhar.

Coragem é negar a si mesmo a possibilidade do sim, para não ocasionar um não.

É preciso ter coragem, muita, para calar e conter a vontade, des esperada, de falar.

Há, houve, haverá, em algum momento, pausado o esquecimento, um momento para lembrar.

Para não cair na lama e desaparecer, antes de não ter mais tempo.

E se cair, por um momento, poder resgatar, de certo modo encontrar.

Antes que se perca, que se ache perdido.

Há, houve, haverá, na poeira do tempo, na sombra, na noite, no escuro, um facho, um halo, um brilho, um raio, uma luz.

Há um foi, um é, um será.

Uma emoção, um sinal, um sentimento.

Para em algum momento lembrar...acordar, despertar, adormecer.

Há um ser, um amanhecer, um acontecer, um acontecerá.

Pode não ser com quem se espera, com quem se desespera, com quem hoje se ama, mas com quem irá no amanhã amar.

Há um susurro, há uma fala, há um grito a gritar.

Há, houve ou haverá.

Um sonho distante, uma próxima realidade, um lugar.

Uma fuga…

Lágrimas, sorrisos, tristezas, alegrias, até gotas de felicidade.

Brancos, rosas, violetas, pretos, amarelos, caramelos, azuis, doces, amargos, azedo, salgados. O ardido, o cheiro, o aroma, o fedor, o perfume.

O sabor, a cor, a dor, o prazer, o amor.

O amortecedor.

Há, houve, haverá.

Tardes, dias, noites, madrugadas.

Cabelos, pêlos, púbis, ânus.

Mentiras, sonhos, fantasia, ilusão, miragem, milagres, o que tem e não explicação.

Haverá, houve, há.

Há, haverá, houve.

Houve, há, haverá.