Insanidade, insana idade?
Milhões de anos, ao longo dos tempos, se vão cristalizando a ideia de evolução.
De fato o ser humano, com inúmeros percalços, com incontáveis avanços e retrocessos, apesar de tamanha destruição para, contraditória mente, construir construções, evoluiu como ser humano.
Mas como previu Políbio, ao imaginar o modelo da anaciclose, parece caminhar a involução.
Talvez não seja uma simples regressão, meia volta a um ponto de início, tomara, mas a oportunidade de rever a trajetória.
Mas a impressão, independente do otimismo, é da manifestação de uma insanidade que corrompe o ser humano por conta do excesso de individualidade.
O ser humano que evoluiu por perceber o óbvio, a possibilidade de desenvolvimento estar condicionada a ideia de fusão, primitiva e natural, de fluídos, conhecimentos, capacidades por intermédio da conexão de códigos, reconhecimentos, compartilhares, comunicações, aproximações que permitiram encontrar nas semelhanças igualdades, facilitando o desenvolvimento de fraternidade a cada dia parece se afastar dessa compreensão.
Talvez por conta de uma confusão sobre liberdade, ao invés de expandir o grupo, associar mais recursos humanos, unir mais inteligências, reduz. Os grupos são cada vez menores, seletivos, exclusivos, individuais, vips, individual.
Se sabe ao certo os parâmetros da exclusão, mais que os da inclusão, os interesses mais imediatos, o apego a curta duração, a falsa percepção da liberdade como artigo uno.
Ora, tudo é uno e estéril enquanto uno. Aliás, só alguns seres, específicos, unicelulares conseguem se reproduzir, mesmo assim, dependentes de um outro elemento...
Nessa insana idade parece negarmos a nós mesmos, a nossa própria natureza, embriagados …
Esquecendo a via da evolução, do desenvolvimento, se basear na probabilidade do reconhecimento. De olhar o outro e observar, admirar, aprender, compreender, dividir, compartilhar, reconhecer o ser dentro do outro ser para reproduzir seres, estares, e assim os seres poderem ser.
O ser sozinho até é mas está limitado a só poder ser àquilo que acha ser que é.
Ele não se olha, não se vê, não pode se reconhecer.
A insana idade é o momento do imperioso egoísmo…
Sem o outro alguém é só ninguém.
A solução parece ser retomar o ponto onde a aproximação excitou encontrar pontos de semelhança, de igualdade, para restabelecer a produção e reprodução de afetos, de fraternidade, o respeito ao outro, a sua individualidade, mas sem se afastar, sem desconectar, sem negar a nossa liberdade de ser e estar.