quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Do que adianta acreditar se ninguém acredita em mim?

Desconfio, não consigo acreditar, nem eu acredito.

Crença parece não exigir explicação, não se explica, se acredita e só, mas não é bem assim.

Para acreditar precisa algo acontecer, algo de bom e se nada acontece?

Ou, pelo contrário, se só acontece o que tem de acontecer, o óbvio, não precisa acreditar.

Se só acontece o nada, o previsível, o desconfortável, o desconfortante, o sozinho, o pão cai com o lado da manteiga no chão.

Sabe, se só uma coisa boa, daquelas que a gente quer, ou melhor precisa, realmente boa, acontecesse, acho, poderia, acreditar, acreditaria.

Confiança, esperança...

Mas não adianta, suspeito, quase tenho certeza, que não vai acontecer, se acontecer acontecerá o que não queria acontecesse.

Não adianta acontecer quando não mais puder acreditar.

Não adianta acontecer quando não dá mais para esperar.

Todo dia, há tantos dias, penso em desligar.

Tenho adiado todo dia esse dia, todo dia, há tempos, mas acho em um momento não conseguir desligar a necessidade de alertar o botão de desligar e desligar.

E o pão, duro, seco, embolorado, sem sabor, sem amor, sem vida, imprestável, inútil, desprezível, irreciclável cairá, não importa a manteiga, definitivamente no chão, para baixo.

Algum dia consegui iludir, fiz acreditar em mim?

Desculpe.


 O tempo, dê um tempo, mas o tempo dá um tempo, o tempo cura tudo?

Não, não cura, mas faz a distância distanciar até ser impossível ver, enxergar.

O tempo alimenta o esquecer até derreter o lembrar.

O tempo faz o familiar ficar estranho e não ser possível reconhecer.

O tempo não transforma, mas as pessoas sim e enquanto se modificam faz desconhecer.

O tempo não é remédio, mas também não é veneno, o tempo é o tempo que não para enquanto há transformação.

O tempo não tem prazo, não tem validade, impoluto não perde a sua integridade, mas as pessoas se consomem e são consumidas pelo tempo.

O tempo não modifica o sentir, o sentimento, só faz se perder no tempo, adormecer, achar quando precisar, quando desperto acordar.

Quando a gente deixa de ver, acompanhar, uma pessoa por muito tempo a pessoa que conhecemos fica naquele tempo, quando a encontramos é outra, diferente, transformada.

Existem duas possibilidades, tentamos conhece-la para com o tempo reconhecer ou ela fica fora do tempo, naquele tempo que passou.

É preciso estar próximo, estar junto, caso contrário o tempo transforma, dá forma, deforma tudo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

 Talvez, muito provável, a maior contradição do ser humano, na sua condição de indivíduo que vive e participa de uma sociedade, seja a de ser prisioneiro da ideia de liberdade.

Todo mundo quer ser livre, mas para isso precisa estar preso a princípios morais e éticos, preso a existência do outro. Isso, certo modo, pode ser traduzido como respeito, particularmente às existências que lhe confere reconhecimento, lhe faz humano, um outro responsável por retribuir com significados a vida do outro.

Preso nesse looping, infindável, o um só existe se compartilha dos mesmos códigos do grupo no qual insere e é inserido.

Por isso é preso a valores, a gostares, a acreditares, a amores.

O ser humano para ser humano precisa de outro, de outros, seres humanos. Sem esse olhar voltado ao semelhante o um não sabe quem é, talvez nem precise ser. É esse outro que lhe confere razão para viver, como disse o poeta "é impossível ser feliz sozinho". Mais que isso, é impossível ser humano sem outro, outros seres humanos.

A condição humana depende de tanta coisa, depende do respeito pelos outros, precisa aprisionar o ser em outro ser, para ser, depende que a ideia de liberdade e de respeito pela liberdade do outro aprisione os seres.

Sem outro ser humano não e possível ser alguma ou qualquer coisa, sozinho só nada se é.

É o outro que dá sentido, faz sentir e se sentir.

Por isso, talvez, a maior contradição do ser humano é ser prisioneiro da ideia de liberdade. É preciso liberdade, liberdade para até se prender.

A vida toda a gente procura significado para encher o vazio de existir. Esse vazio só é enchido com o amor. Muitas vezes a gente acha que encontrou, mas por mais que se ame o vazio insiste. Mas, predestinados, não desiste e incansavelmente tenta, tenta encontrar o amor que preenche, que inunda de significado tudo o que significou vida. Alguns sortudos conseguem encontrar o amor que tudo significa, mas descobre que ele não pode ser, pois há mais vazios que se supunha, há vazios que não foram feitos para serem enchidos, há vazios que não podem preencher esse desejo de amor. Quando isso acontece se passa ter a medida exata, que jamais é exata.

O amor acontece e, talvez, ele não te preenche, não por não poder, mas por…

Não sei explicar, amar não precisa que o amor te ame, na realidade ninguém precisa ser amado, seria ótimo, mas o amor que preenche é aquele que mesmo distante vive dentro de você. O segredo de amar alguém é amar, mesmo que o amor nunca vá te amar, só porque você ama?

O amor que preenche é aquele que aprisiona e liberta, é aquele do sentimento mais generoso, mais amável, mais amador, aquele que ama o amor mesmo que ele ame outro amor.

A gente suporta, se suporta, só ama e por esse amor pode tudo fazer, até o mais difícil  que é, aparentemente, não fazer nada.

Não se escolhe quem se ama, mas é possível escolher não dizer, mesmo que por outras formas, pelo olhar, pelo brilho dos olhos, por gestos, por delicadezas se entregar, que se ama esse amor e sempre vai amar.


 Te amo não é a frase mais incompleta que completa sem dizer nada. Mas ela completa e não. É daquelas que precisam e não precisam completar, acho não ser nem frase.

Te amo quer dizer te amo, sem Porque, com por quê, sem por que e com porquê. Ou sem ou com o quê, tanto faz quanto tanto foda-se... te amo quer dizer um monte que diz tudo sem precisar dizer nada, ou diz nada sem sequer um eu te amo dizer.

Não tem insisto, não tem desisto, não tem procuro, não tem concordo ou discordo.E a gente só diz te amo quando consegue dizer, quando não dá para não amar.

Pra ser exato é preciso, confortavelmente só se diz te amo quando se ama, quando dizer não é difícil, é fácil, é preciso, com todos os seus significados, quando difícil é não dizer.

Aí, assim, não é fácil.

É impossível dizer te amo quando não se ama, sabe que não vai amar. É impossível não dizer te amo quando se ama.

Eu não consigo, mas compreendo a falta, a ausência, o não dizer quando não consegue responder.

Para dizer te amo se precisa amar,  dessa coisa, de uma única coisa, que nem é coisa, pois não dá pra comprar, não dá pra fazer, não dá pra pedir, não dá pra vender, amar só dá pra se amar.

Nem sei se precisava, sei que é exagerado, mas, sou exagerado e ah… eu sei que não dá, mas te amo por te amar. E, pra finalizar, com todas as consequências, ainda assim eu te amo e amo te amar... até quando eu desligo, ligado, me ligo e ligado vou continuar, ligado sempre a você. Você é liga que liga e em silêncio vou até desligar.

Como diz a música te amo, ela não diz bem isso, eu gosto, e quero te amar...

 Sei que há você.

Sei que você há.

Há você.

Há você sem mim.

Mas não há, eu sem você.

Até há, mas esse eu sem você é um eu que não há.

Gosto de gostos que não provei.

Não posso provar, mas gosto do gosto que há por gostar.

As vezes prefiro o silêncio.

Ficar em silêncio pode não causar nenhum bem, também não causa mal.

Neutro, silencioso, ainda mais quando se sabe que pode atrapalhar, pode ferir, pode magoar, pode não fazer bem, se afasta para não ser afastado, rejeitado, cancelado.

Silenciosamente espera, tenta não desesperar.

Que lixo…

Não é covardia, é cuidado.

O que eu quero depende de outro querer.

Eu queria dar tudo, dar o mundo, mas só posso dar o que tenho, e acho pouco, não deveria achar, só acho nao ser o bastante. As vezes acho que pode ser, as vezes acho que nunca irá poder.

Você é muito, você é tudo, pode não ser o suficiente, mas necessária, e eu preciso.

Sei que preciso muito, mesmo que seja só um pouco.

Tudo o que posso dar é o que eu tenho, e quando olho para você e acho ser muito pouco.

Não sei se posso prometer, nem sei se posso dar mais, nem sei se um dia vou poder, só posso dizer e afirmar que vou tentar.

 Eu queria te dar um céu enchido de estrelas, te dar o brilho do teu brilhar.

Te dar a luz a noite, queria te dar o luar.

Queria te dar o azul do céu, o contraste e que o aproxima e mar.

Raios de Sol, brilho do Sol, reflexos achados…

Mas não posso…

Sei que é pouco o brilho dos meus olhos quando te olho e vejo você toda, até o seu olhar.

E os óculos atrapalham você ver, você enxergar.

Amar não é muito, amar não é pouco, amar não é quantidade, nem qualidade, amar é outra emoção, sem escalas, sem escolas, sem formas, sem definição.

Amar é inexplicável e sem explicação.

Dá pra compreender, mas não dá pra explicar.

Amar é amor e amor é amar 


 As vezes eu acho não querer ser lembrado, talvez esquecido.

Também, não tem nenhum motivo importante para que lembrem de mim.

Nunca fiz nada extraordinário, só coisas ordinárias, comuns, simples, daquelas que não precisa lembrar.

Fui apenas um cara muito aquém do normal, fora algumas bobagens, algumas besteiras, alguns risos pela falta de noção, pela falta de profundidade, pela tamanha banalidade, sem dúvidas tenho tudo para ser facilmente esquecido.

E isso, não é ruim, não fará ninguém se culpar, não fará ninguém sentir saudade, não fará ninguém me guardar na memória.

Afinal, só se lembra do que é preciso lembrar.

Por essa perspectiva, acredito que não será nem preciso esquecer.

Quando eu sair de cena serei apenas um figurante nas histórias de vida.

As vezes queria acreditar, ser como um vento, um sopro, mas o elemento ar tem tanto significado, então não dá.

Não encontro nenhuma figura, alegoria, analogia com poder de representar tamanha inutilidade nessa passagem pelo existir. Nada que confira algum reconhecimento, nada que mereça sentimento.

A vida inteira fui um nada, sem nada a agregar, sem nada a contribuir, sem nada para acreditar.

Não a toa fiquei só, só sem alguém, até eu não me suporto e precisei me afastar de mim.

Eu vou sentir saudade das pessoas, de estar com elas e ter a sensação efêmera que era alguma coisa. Mesmo quando sabia não ser nada, mesmo ignorado, mas ignorante, ou melhor delirante, tentava acreditar que fazia parte, que era integrante.

Sempre fui passageiro nessa viagem, no máximo acompanhante, por necessidade.

Voltando a metáfora do ar, com certeza não posso adotar. Mas com muita benevolência, com muito esforço, talvez possa com a poeira me comparar.

Não é tão ilustre, mas também nunca fui.

É poeira, fragmentos, resíduos, restos, partículas, de restos, que pegam carona no vento, no movimento do ar, mas não vão longe e quando se acumula precisa limpar.

Ninguém precisa lembrar da poeira, só sabe que há e, periodicamente, precisa limpar.

Já disseram isso, mas por ausência de criatividade, talvez a única opção, e repetir o que já vi.

Sendo assim, metaforicamente, poeira e solidão.

Chega uma hora que não precisa mais saber, nada mais se pode fazer.

Obrigado por deixar, -ia dizer sujar, mas é meio feio, desagradável, até mais que eu-, eu empoeirar a sua, as suas vidas.

Vivam até quando a vida durar, e lembrem, não vai ser difícil esquecer e nem necessário lembrar.

Teve um tempo na minha vida, pra ser sincero a maior parte do tempo e dessa vida, que acreditei a minha função fosse fazer as pessoas rirem. Por um tempo, acho até ser bem sucedido nessa tarefa, mas o meu sorriso parou de sorrir, e um sorriso escondido, enchido de triste não consegue estimular alegria, gargalhadas, essas coisas que parecem com o poder de enganar, ao menos driblar a tristeza e simular felicidade.

Queria dizer preciso, mas sei que não vai precisar.

Sem beijo no coração e em nenhum outro lugar.

Lembra só se esquece do que precisa lembrar.

O grito esquecido, contido, retido, engolido, não gritado, não pode ser ouvido, não é grito...precisa gritar?

Se por descuido, ignorância, insensibilidade, eu estiver um pouquinho errado, enganado, e se alguém de mim lembrar, e até esquecer, provavelmente não poderei responder, mas pode gritar por qualquer coisa, acho que de onde estiver, se é que vou estar, possivelmente vou ouvir, vou escutar, vou amar, me sentir junto, sua vida me fará, outra vez, vivo e o nada, é sério, será de novo tudo.

Com certeza isso não é tudo, mas é muito mais do que de verdade eu posso…

É curioso como as vezes é tão difícil só com os olhos ver.

Não é só com os olhos, não é só com o que a gente sente ou não se sente.

O pensamento é um lugar onde tudo é sempre permitido e sempre pode se encontrar.


 Eu tenho um lugar comum que é muito desafiador.

Eu nunca desafiei ninguém, mas ao me arriscar, buscar o que parece impossível eu sempre desafio todo mundo.

Acho que todo mundo desconfia de mim. Pra ser sincero eu sempre desconfio de todo mundo, principalmente de mim, das minhas capacidades, as quais julgo não possui-las.

Mas, ao me jogar, sabendo a distância para o impossível é não tentar, acabo por desafiar as probabilidades e jogo.

A vida é jogo, não sei se é, nem tudo é possível, mas o provável só é provável posto a prova.

Assim, esqueço o jogo das probabilidades, finitas, e aposto nas infinitas possibilidades.

Certo, certeza, é sem sonho, expectativa reta, perspectiva una, linear, é parecida com a morte, o final.

O incerto, a incerteza, é a surpresa, a promessa, as curvas, assimetria, como as possibilidades de felicidade, mínimas, é viver a vida.

E a vida, sem as ilusões, sem as drogas, sem as alucinações, miragens, tudo o que chamam de sonho, é só realidade, que por sua parte é uma merda.

A vida acaba quando se deixa de acreditar nas fantasias do viver e só sobra a pálida realidade.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Creep

É, é a música do Radiohead, mas também é outra coisa.
Reconhece ser um verme, ser algo esquisito, o que não presta.
Sabe, tem gente que parece ser proibido de sonhar.
Mas, teimoso, sonha, quer o que importa, àquilo que ninguém pode dar.
Já disse isso, o que importa é coisa que nunca será coisa, não se pode pedir, ninguém pode dar, não é possível fazer, não dá pra comprar.
Quer dizer, pedir até pode, mas é ridículo pedir o que não se pode sentir, o que seria injusto, por muitos motivos, dar.
Voltando ao verme, não ninguém é. Talvez até seja quando faz sofrer.
Quanto ao proibido de sonhar, existe.
São aquelas pessoas que sonham, tentam, fazem de tudo que pode, mas tudo o que pode é muito pouco, seu tudo é muito nada.
Não consegue fazer brilhar o brilho, a luz que não tem. Porém, o insistente, o teimoso, o sem noção, sonha.
Mesmo sabendo que não pode dar nada, entregar nada, que é pouco e quer muito, e para o muito não pode dar nem um pouco.
A realidade é uma merda, por isso a gente sonha, para fugir ou tentar enganar essa merda de realidade.
Por isso a gente usa drogas como álcool, antidepressivos, psicotrópicos, alucinógenos, ou até mais pesadas como a crença, para fugir da realidade, para temperar a ilusão, a esperança, o sonho.
Cada dia mais convicto fico, eu odeio ter certeza, não que a vida acabou, infelizmente isso não acontece assim, mas que a capacidade de enganar a si mesmo, de acreditar e de alimentar esperanças e coisas especiais, tão comuns, com a única finalidade de criar novas ilusões, podem acontecer.
Cada dia tenho mais certeza, o que é péssimo, de que a areia da ampulheta tá caindo e preciso esperar ela acabar, até o fim, cruelmente, para não ser cruel, para adiar as lágrimas, se tiverem, inevitáveis de quem não é proibido de sonhar.
Sabe o que é pior de tudo? 
É ter certeza, é não conseguir mais acreditar que numa esquina o sorriso vai sorrir.
O pior de tudo é sonhar com um impossível que só você achou, mesmo sabendo ser um creep, mesmo sendo proibido de sonhar, que na esquina do horizonte, por um golpe se sorte, poderia ser possível.
Já passou da hora de acordar, acordar e reconhecer ser um merda.
Ou melhor, ser um nada, incapaz de poder dar o que merece a quem você queria merecer.
Reconhecer que ela merece muito mais, kilometros, do que a incapacidade de alguém proibido de sonhar consegue ser.
É preferível amar em silêncio, sem o amor que se ama saber, do que revelar o amor que ela não poderá amar, por não ser uma coisa, por não poder dar, por não poder ser vendido, fabricado, por não poder atender o pedido.
As vezes é preciso muita coragem para ficar em silêncio, para calar, para não fazer triste.
Sei que não há culpa em ser proibido de sonhar, mas culpa também não há em ser sonho e é preciso respeitar, até por de verdade amar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Só é preciso explicar o que tem explicação.

E a crença?

A gente crê, não se explica.

A crença se acredita.

Nao tem significado, não significa nada, mas tudo significa.

Não dá pra entender, não dá pra significar, se sente a sentir significa.

E uma energia que faz o mundo rodar ao redor do que significa.

E poesia de montanha...