segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

 As vezes eu acho não querer ser lembrado, talvez esquecido.

Também, não tem nenhum motivo importante para que lembrem de mim.

Nunca fiz nada extraordinário, só coisas ordinárias, comuns, simples, daquelas que não precisa lembrar.

Fui apenas um cara muito aquém do normal, fora algumas bobagens, algumas besteiras, alguns risos pela falta de noção, pela falta de profundidade, pela tamanha banalidade, sem dúvidas tenho tudo para ser facilmente esquecido.

E isso, não é ruim, não fará ninguém se culpar, não fará ninguém sentir saudade, não fará ninguém me guardar na memória.

Afinal, só se lembra do que é preciso lembrar.

Por essa perspectiva, acredito que não será nem preciso esquecer.

Quando eu sair de cena serei apenas um figurante nas histórias de vida.

As vezes queria acreditar, ser como um vento, um sopro, mas o elemento ar tem tanto significado, então não dá.

Não encontro nenhuma figura, alegoria, analogia com poder de representar tamanha inutilidade nessa passagem pelo existir. Nada que confira algum reconhecimento, nada que mereça sentimento.

A vida inteira fui um nada, sem nada a agregar, sem nada a contribuir, sem nada para acreditar.

Não a toa fiquei só, só sem alguém, até eu não me suporto e precisei me afastar de mim.

Eu vou sentir saudade das pessoas, de estar com elas e ter a sensação efêmera que era alguma coisa. Mesmo quando sabia não ser nada, mesmo ignorado, mas ignorante, ou melhor delirante, tentava acreditar que fazia parte, que era integrante.

Sempre fui passageiro nessa viagem, no máximo acompanhante, por necessidade.

Voltando a metáfora do ar, com certeza não posso adotar. Mas com muita benevolência, com muito esforço, talvez possa com a poeira me comparar.

Não é tão ilustre, mas também nunca fui.

É poeira, fragmentos, resíduos, restos, partículas, de restos, que pegam carona no vento, no movimento do ar, mas não vão longe e quando se acumula precisa limpar.

Ninguém precisa lembrar da poeira, só sabe que há e, periodicamente, precisa limpar.

Já disseram isso, mas por ausência de criatividade, talvez a única opção, e repetir o que já vi.

Sendo assim, metaforicamente, poeira e solidão.

Chega uma hora que não precisa mais saber, nada mais se pode fazer.

Obrigado por deixar, -ia dizer sujar, mas é meio feio, desagradável, até mais que eu-, eu empoeirar a sua, as suas vidas.

Vivam até quando a vida durar, e lembrem, não vai ser difícil esquecer e nem necessário lembrar.

Teve um tempo na minha vida, pra ser sincero a maior parte do tempo e dessa vida, que acreditei a minha função fosse fazer as pessoas rirem. Por um tempo, acho até ser bem sucedido nessa tarefa, mas o meu sorriso parou de sorrir, e um sorriso escondido, enchido de triste não consegue estimular alegria, gargalhadas, essas coisas que parecem com o poder de enganar, ao menos driblar a tristeza e simular felicidade.

Queria dizer preciso, mas sei que não vai precisar.

Sem beijo no coração e em nenhum outro lugar.

Lembra só se esquece do que precisa lembrar.

O grito esquecido, contido, retido, engolido, não gritado, não pode ser ouvido, não é grito...precisa gritar?

Se por descuido, ignorância, insensibilidade, eu estiver um pouquinho errado, enganado, e se alguém de mim lembrar, e até esquecer, provavelmente não poderei responder, mas pode gritar por qualquer coisa, acho que de onde estiver, se é que vou estar, possivelmente vou ouvir, vou escutar, vou amar, me sentir junto, sua vida me fará, outra vez, vivo e o nada, é sério, será de novo tudo.

Com certeza isso não é tudo, mas é muito mais do que de verdade eu posso…

É curioso como as vezes é tão difícil só com os olhos ver.

Não é só com os olhos, não é só com o que a gente sente ou não se sente.

O pensamento é um lugar onde tudo é sempre permitido e sempre pode se encontrar.


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