O que a gente chama milagre é o possível escondido atrás do medo que a gente chama de provável...
Todos podem alterar, corrigir, reescrever. Apenas conserve a versão anterior e publique a sua. Não esqueça de incorporar seu nome. Resgatar o tempo perdido, usar a ciência como ferramenta, despertar para o renascimento, fornecer opções para preservação do meio.
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Qualquer coisa grita
Ei você!!!
Sabe aquela frase, sem sentido, que eu repito
insistentemente?
Podia ser, mas o autor não sou eu, assim como parece tudo em
minha vida, se na verdade ela é minha.
Daqui a pouco farão mais anos, em maio e dezembro, que duas
vezes minha vida escureceu e perdeu a cor.
Mesmo assim, eu continuo a gritar, mesmo que talvez eles não
possam ouvir.
Outro dia pensei, o que diria minha mãe e meu pai se eles pudessem,
de lá, me ouvir?
Provavelmente, pelo que aprendi com eles, que me deram o
preciso de diversas formas, principalmente amor, para compreender a vida não
ser, como na música, exatamente como a gente quer!
Se eles ouvirem, por isso deram força a permitir ganhar presentes
em forma de “você”, para eu abrir a caixinha e novamente colorir a vida.
Que como, o poeta, pessoa é preciso, como em outra música, com
cores novas, com cores vivas, colorir a vida que começa quando se perde e só
sente dor.
Por falar nisso, tem tanta coisa que eu queria dizer para
eles, tanta coisa que já colori...
Enfim, não importa se eu estarei, ou se qualquer outra
pessoa estará perto quando você estiver a precisar, mas enquanto houver a
possibilidade do grito é preciso gritar.
Grita, pois o imoral dessa história, que a gente vive só uma
vez, é esperar e com isso deixar de perceber que o grito já foi ouvido, e a força
desse grito dá cores para continuar a colorir a vida que desbotou!
Qualquer coisa grita!
Parte
Parte...
Na verdade, gente é feita de um monte de pedaço de gente, de
outra gente.
Pedaço, metade, parte, de pessoas a fazer amor, a outra
metade é outra parte.
Quando algumas partes partem sobra na caixa um pedaço das
partes.
É, as partes partem.
Não é possível distinguir qual a parte mais importante se foi, se vai ou ficou.
Mas a parte que parte fica arquivada nas gavetas da outra
metade de parte,
De qualquer modo continua e mesmo faltando um, dois pedaços,
o eterno, o sobrenatural ainda faz parte.
Nós somos a parte que falta, em compensação também a parte que
completa,
Dentro dos nossos porões, guardamos a soma de todas as partes.
Mas as partes não morrem, esperam e podem se fundir a outras
partes,
A parte que falta se completa da parte que sobra,
Quando o encontro acontece a parte perdida namora a parte é achada,
ruídos, tons, notas, acordes acorda gritos e sons.
Substancias, aromas combinam odores e o cheiro traduz um perfume.
As caricias nas partes insinuam, coisas, o atrito e o ritmo aquece
a carne até o fluido misturar pimenta e sal
Carinhos afora afloram sentidos a explodir desejos,
gostos, energias e sabores.
Nesse encontro das partes a vida floresce antes do fruto se
enfeitar de cor.
Ao ver, tocar, sentir a tua parte o corpo ressuscita,
O encontro da tua parte com a minha parte ainda viva é o
mais que tudo,
A parte que partiu, a parte que ficou, a parte encontra a parte que sobrou
Quando a minha parte encontra a tua parte fazemos amor.
A parte da tua parte com a minha parte é origem de outra
parte.
uma criativa e frutífera fábrica que com matéria prima da
tua e de minha parte faz arte.
Semente e fruto sucedem a flor...
Despedida
A gente nunca quer se despedir, nunca quer ir para não voltar, mas...
Entre os vivos o humano é, aparentemente, o único ser cujo movimento pretende ir além do movimento.
Por isso, provavelmente, mesmo ameaçado e correndo riscos tem conseguido, há tempos, fugir das ameaças e dos riscos.
É paradoxal, mas o ato de pensar o tempo que ainda não veio, mas virá, viver a fugir do destino, fazer perguntas antes de respostas possíveis, de raciocinar, o leva a criar uma “máquina do tempo” que ele controla e é controlado.
A capacidade, desenvolvida, de perceber os desiquilíbrios
que ele mesmo provoca e propor remendos desencadeou um processo onde movimento precede
“promessas” de movimentos.
Não é suficiente, mas necessário, seguir o
cronograma, pois, como pudesse, carece, ambiciona, deseja, modifica-lo. Na
realidade, precisa assumir o controle do tempo, do movimento. Talvez, provisoriamente,
como não consegue, a sua salvação ou perdição seja prorrogar, esticar, alongar o
quanto puder até o dia de ser possível.
Para tanto, cria artefatos e artifícios
materiais, mecânicos e simbólicos justificados na crença, a qual não precisa
ser comprovada.
Assim, o ser humano reforça a sua condição de Prometeu acorrentado, ao
tempo.
A promessa de vida, impossível como individuo, transmite/transcende/transforma/transfere o compromisso de eternidade através da memória, de conhecimentos, a gerações
futuras e acredita, de alguma forma, ter algum controle sobre o tempo, sobre o
movimento.
Se controla, é controlado ou não é relativo, assim como relativas são as despedidas daqueles que se vão e ficam dentro da gente, até como DNA, mas é indiscutível a preservação.
sábado, 24 de abril de 2021
...
Ainda não sei como fazer, quando será, mas um dia vou plantar um sorriso no teu sentir, no seu olhar.
quinta-feira, 22 de abril de 2021
movimento...
Vida é movimento, e o ser humano, resultado vivo de movimentos e movimentações, de transformações, físicas e mentais, tem como fundamento viver e se movimentar.
Por isso, de tanto ver, de tanto sentir, de tanto ser, viver natureza em movimento, colhe, recolhe, forma, deforma, se transforma e transforma o natural.
Sob a justificativa, argumento, legitimo, de suprir
necessidades desmonta a natureza para com emprego do que chama arte fazer
artificial, mas de modo “artificial” tudo que tenta e consegue reproduzir,
quase sempre, é o que é tão natural.
Na realidade a necessidade é de movimento, de movimentar.
Depois de destruir precisa reconstruir, depois de matar ressuscitar,
de desmatar reflorestar, de perder recuperar, depois de terminar seu único objetivo,
enquanto vivo, é recomeçar, na verdade não quer, mas precisa.
A natureza, em constante movimento, naturalmente criou com movimento um ser para se movimentar e o movimento está na e é a sua gênese, seu princípio, seu fim, sua/seu geist.
Parado, inerte, sem movimento, morre por dentro, por fora,
por...
Por ainda não entender, ignorar cadeia, processo, ciclo, que mesmo
quando aparentemente não mais conseguir se movimentar, para salvar suas propriedades físicas
e mentais, ainda será movimento, organismo em de e composição, já que a vida é movimento
a movimentar outros movimentos, energias.
O movimento não morre, nem deixa de estar, apenas se transforma
em alguma outra coisa, em outro qualquer lugar a se movimentar.
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Ensinamentos da Mamãe
Lembro, por volta de 1977, minha mãe entrar numa discussão após ouvir um amigo da família dizer que seus filhos não fariam serviços domésticos por não ser coisa de homem.
Na continuidade da discussão, depois de
argumentar sobre a utilidade dessa ajuda nos trabalhos caseiros, quase sempre desvalorizados,
e do carinho contido no ato retrucou: quanta ignorância!
Desde muito pequeno, também lembro, ouvir minha
mãe dizer que seus filhos poderiam ser qualquer coisa, tudo o que quisessem, se
assim o quisessem. Dizia ela, apenas não gostaria que fossem desonestos, criminosos,
bandidos. Mas, se por acaso desviassem desses seus preceitos mais íntimos, embora reprovasse,
não deixaria de amá-los, de defendê-los e de respeitá-los.
Com o passar do tempo, de tanto ouvir pronunciamentos e posicionamentos preconceituosos, soltos no convívio social, confesso, adquiri hábitos e falas ao encontro. Mas, sempre lembrei, e cheguei a questionar a validade dos ensinamentos da minha mãe, comuns, que determinavam, independente de estereótipos, conceitos e preconceitos, acima de tudo o respeito.
Hoje, mais ignorante do que supunha - tem pouco tempo que aprendi o significado do nome Cibele - principalmente, por descobrir que continuo e preciso aprender e reaprender até aquilo que minha mãe há tempos ensinava. Que não importa como deveria ou não uma pessoa ser, o que importa é a pessoa, é respeitá-la, é amá-la, não pelo que a gente acha que é, pelo que ela quer ser, mas por ela ser.sábado, 17 de abril de 2021
foi...
Tudo na vida é perecível, até a palavra perecível perece.
Bases, colunas, estruturas, alicerces... seres são sólidos, mas perecem, sólidos padecem até esfacelarem, não mais serem e serem substituídos por outra solidez, solide, solitude, solidão.
O tempo de
duração, de um conceito, de uma ideia, de um pensamento, de uma “verdade” a estruturar
e conformar a realidade em uma mentalidade tem somente o tempo que dura, o tempo que pode ser.
Tudo, como incita Políbio em “sua” Anaciclose, fixado nos dispositivos/recursos/objetos de memória pode ser "ressuscitado", por segundos, portanto é passível de reanimação, recuperação, reintegração, reviver um presente, mas nessa estante onde se aloca e se coloca instantes só há lugar para aquilo que foi, o “é”, subitamente, deixa de ser para ser engolido, pelo será, pelo ter sido.
Porém, o será também sofre os mesmos efeitos e rapidamente depois que passa a ser percebido se vai, se foi, é passado, perece.
E assim, registrado, passa a ocupar um espaço nas prateleiras da lembrança, da memória, nesse
repositório, até esquecidos serem, para, num momento de qualquer tempo, reavivadas, novamente, voltar a ser ser.
O futuro vive no agora e acaba de passar.
A vida é cheia de vazios
A vida é cheia, muito cheia, toda cheia, de vazios.
E, a gente passa a vida toda tentando enche-la.
Mas, por mais cheia que a vida pareça, sempre esta cheia de vazios e sempre falta aquilo que faz falta.
O ser acumula, acumula tudo e, sem perceber, tudo o que acumula, depois de acumular, parece não importar, importa é o que falta.
O tudo que temos só será indispensável quando faltar.
O que temos, o que somos, já realizou o desejo.
A vida humana deseja, só deseja, deseja muito, deseja mais, por isso cheios não parecem cheios e vazios prometem encher, mas são cheios apenas de vazios.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
Ser Humano se acha
A gente vive tentando encontrar certezas, mas a única certeza é uma incerteza tão certa que desconcerta.
A todo momento atento tenta dela fugir, dela que é certa, é voraz, é fatal, é desfecho, é final.
Para tanto, acha até razão onde razão não há, não se explica, mas é preciso, por isso precisa achar.
Essa gente tenta tanto driblar a morte, tanto tenta ter sorte, tenta prolongar, tanto dar continuidade, tenta, atenta e não consegue, talvez não precise, enganar a realidade.
A realidade é que não adianta correr, não adianta chorar, ser ser humano é e se achar.