A gente nunca quer se despedir, nunca quer ir para não voltar, mas...
Entre os vivos o humano é, aparentemente, o único ser cujo movimento pretende ir além do movimento.
Por isso, provavelmente, mesmo ameaçado e correndo riscos tem conseguido, há tempos, fugir das ameaças e dos riscos.
É paradoxal, mas o ato de pensar o tempo que ainda não veio, mas virá, viver a fugir do destino, fazer perguntas antes de respostas possíveis, de raciocinar, o leva a criar uma “máquina do tempo” que ele controla e é controlado.
A capacidade, desenvolvida, de perceber os desiquilíbrios
que ele mesmo provoca e propor remendos desencadeou um processo onde movimento precede
“promessas” de movimentos.
Não é suficiente, mas necessário, seguir o
cronograma, pois, como pudesse, carece, ambiciona, deseja, modifica-lo. Na
realidade, precisa assumir o controle do tempo, do movimento. Talvez, provisoriamente,
como não consegue, a sua salvação ou perdição seja prorrogar, esticar, alongar o
quanto puder até o dia de ser possível.
Para tanto, cria artefatos e artifícios
materiais, mecânicos e simbólicos justificados na crença, a qual não precisa
ser comprovada.
Assim, o ser humano reforça a sua condição de Prometeu acorrentado, ao
tempo.
A promessa de vida, impossível como individuo, transmite/transcende/transforma/transfere o compromisso de eternidade através da memória, de conhecimentos, a gerações
futuras e acredita, de alguma forma, ter algum controle sobre o tempo, sobre o
movimento.
Se controla, é controlado ou não é relativo, assim como relativas são as despedidas daqueles que se vão e ficam dentro da gente, até como DNA, mas é indiscutível a preservação.
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