O que sinto talvez, algum momento, seja sentido.
Escrevo o que sinto, talvez para alguém se faça sentido.
Só faz sentido o que se sente
Para ser sentido é preciso sentir.
Sentir faz sentido.
Todos podem alterar, corrigir, reescrever. Apenas conserve a versão anterior e publique a sua. Não esqueça de incorporar seu nome. Resgatar o tempo perdido, usar a ciência como ferramenta, despertar para o renascimento, fornecer opções para preservação do meio.
Viver é seguir o seu caminho, e por mais que pareça nunca está sozinho.
Na caminhada, da vida, a gente encontra gente que também segue o seu,
Elas nos encontram e nós a encontramos, os caminhos se cruzam, se confundem, mas não se fundem, são exclusivos, únicos e cada um pertence só a si.
Essas pessoas, que ao seguirem pelas suas vidas atravessam, cruzam, entram, se fundem e se confundem com a nossa, nos faz companhia, trazem tristezas e muitas alegrias, são as responsáveis por fazer sentido caminhar mesmo quando achamos estar perdidos.
As vezes elas se afastam ou deixam de estar, essas ultimas completaram o seu caminho, todas sempre farão parte da nossa jornada, da nossa história, do nosso desenvolvimento como ser humano, pelo menos enquanto o destino desse caminho não chegar.
E mesmo quando chegar e parecer o final, algum caminho irá cruzar com o seu.
Como lembrança, como saudade, como curiosidade, como memória, com um sopro de vida.
Somos plantas de sementes de outras pessoas, somos as energias do lugar, os recursos, as substâncias encontradas no planeta Terra nos alimenta.
Somos recursos e substancias do planeta Terra.
Nenhuma energia pode ser criada ou destruída.
É, talvez seja assim e o nosso caminho parece que nunca chega ao fim, apenas se transforma.
O diferencial está no comportamento, no gesto, na atitude. Pode parecer pouco, e é, mas, reconhecer a infalibilidade, o erro, demonstrar respeito, a necessidade de aprender que é humana. Nada mais especial que ser semelhante, ser comum.
Os preconceitos, os racismos, devido aos perigosos antecedentes, precedentes, os "estruturais", são chagas, pragas nocivas, asquerosas, delicadas. Faz possível ofender o outro sem perceber e o outro se sentir ofendido, com toda razão, mesmo ofender não fosse quisto. É preciso estudar, se estudar, analisar o que está acontecendo para encontrar explicações, respostas e solução humana. A situação é delicada, perigosa, complexa, pessoas já foram compreendidas como racistas por simplesmente oferecer uma fruta e, infelizmente, isso não é um absurdo. Por séculos comportamentos depreciativos, desumanos, desrespeitos foram naturalizados, não é possível desnaturaliza-los facilmente, mas vamos aprender, descobrir, reconhecer o que doi e o que faz doer. Precisamos ter atenção, tomar cuidado, cuidar e jamais esquecer não bastar ser sem querer. Sem querer também machuca, prejudica, fere, mata. É melhor por querer, querer ajudar, querer respeitar, querer compreender, querer desnaturalizar o que nunca foi natural, querer bem, querer amar.
Sem querer também machuca o ser.
Sem querer também faz sofrer.
Sem querer também pode matar.
Se for pra ser sem querer, experimente pensar, sorrir, respeitar, amar…mesmo sem querer…
Não é legal e não basta pedir desculpa, não tira, a culpa permanece, assim como a dor, o desamor.
As vezes dizem, é só um sonho!
Mas, nunca é pouco, apenas, só.
Se sonha por algo ou, mais bem, por alguém.
Sonhar realiza o antes do acontecer.
Espera da lua no anoitecer
O sol, só esse sim, ao amanhecer.
Sonho se vive e faz viver
Se não se realizar, outro virá
Jamais é só ou é só!
Sonho é sempre muito mais.
A gente morre muito quando o amor não quer amar,
Fica só, quando fecha os olhos e não vem um sonho pra sonhar.
Seres humanos são recipientes, de formatos diferentes, feitos com o mesmo material.
Embora possam receber, hipoteticamente, conteúdos iguais o resultado não é previsível e será, naturalmente, diverso mesmo, hipoteticamente, submetidos as mesmas condições de temperatura e pressão.
Os resultados, igualmente serão diversos quando enchidos com conteúdo diferente, no máximo serão semelhantes, similares.
A sua forma, única, sempre define e redefine o resultado como conteúdo único.
As pessoas se transformam, continuamente, assim como o conteúdo, devido as diversas possibilidades de assimilação, adaptação e distribuição de efeitos.
O conteúdo é único, nem sempre, mas a forma como se transmite e como é absorvido, selecionado, acumulado, acomodado nas diferentes fases da transformação da forma, determinam as distinções.
Experiente fazer um bolo numa forma redonda nova, com meio uso e, finalmente muito usada, quase acabada, os sabores, odores, serão diferentes.
Experimente fazer uma mesma receita numa frigideira, numa panela, num bule, novos, usados, velhos, em temperaturas e pressão diferentes.
E, nessa experiência não se considera outros materiais ou matéria, imagina quando é considerado o ser único, exclusivo, chamado gente?
Embora hajam padrões, sempre haverá interpretação, compreensão, assimilação e projeções.
Cada um, embora existam interseções, transforma o que vê, lê, identifica, entende, toca, sensibiliza, agrada, precisa, na sua própria versão que, com o passar do tempo, da sua maturidade, regeneração, degradação, sensibilidade, emoção, compreensão pode ser mudada.
É muito possível, provável, por sermos seres em eterna mutação, mudarmos de opinião, observar de novas expectativas.
Seres humanos são recipientes, são conteúdo, em constante resignificação.
A gente nunca sabe o que dizer, menos ainda o que o outro quer ou precisa ouvir, escutar, ler, saber. Por isso simplesmente diz, na pretensão de sintonizar emissor e receptor.
A gente quase nunca sabe, nem vai saber, o que dizer, arrisca e as vezes obtém sucesso. O ser humano é mobile, átomo em órbita, em movimento…
A melhor hora, o melhor momento, pode e não pode ser agora, quando é ninguém sabe nem vai saber.
O que eu preciso não posso pedir, ninguém pode dar.
O que é preciso, não precisa ganhar, mas receber, retribuir, compartilhar.
Acontece…
A vida é movimento, mas principalmente transição…
Os "homens bons" empurram no público todo rebotalho da privada.
O eterno problema do Brasil é a sua origem.
O que se pode esperar de um país inventado a partir da exploração, da despossessao, do genocídio, de verticalidades, da degradação sistemática dos recursos naturais e da desumanização dos seres humanos?
Mentalidades prodigas em destruir, submeter, subjugar, explorar.
Nesse "projeto" sem projeto, nunca se pensou qualquer respeito, jamais algum espaço para o equilíbrio e equidade. E, mesmo quem assim cogitasse a pensar, logo se vira preso nas tramas e malhas da armadilha cognitiva.
A lógica nunca foi sequer a da competição, quiçá cooperação, mas da imposição, do domínio, de uma suposta superioridade civilizatória sustentada por colunas raciais e da racializacao.
Aliás, povos originais, tradicionais, e trazidos de África como coisas, apenas para uso dos invasores, nunca tiveram humanidades ponderadas, quanto mais validadas.
Hoje, essa compreensão parece absurda, mas na mentalidade vigente, a época, era realidade.
Uma realidade sustentada em bases, primitivas para o hodierno, mentais possíveis para o alcance do conhecimento a compor tal mentalidade em constante evolução.
Seria muita soberba achar atingirmos os padrões mais elevados, apenas é possível afirmar a progressiva descoberta, assimilação e acumulação de conhecimento. Tal qual o universo, o processo é infinito, e só finda quando acreditarmos os seres humanos terem chegado ao ponto final.
O ponto final só é final quando não é possível ir além, por conta de recursos, da possibilidade de reverter efeitos, quando não houver mais inteligência para seguir…
Quebrar paradigma nesse espaço, deslugarizado, seria o crime passar a somente compensar e não também recompensar.
O lugar morre quando deixa de existir, e só existe quando é reconhecido assim por vidas... existência é a capacidade mais poderosa conferida pela mente humana...
É absurda a ideia de estabelecer comunicação com extraterrestres, não conseguimos sequer nos comunicarmos perfeitamente com cães, gatos, pássaros...com outros seres humanos.
Não existe nada de diferente entre seres humanos, aliás são classificados assim, seres humanos.
Todo o funcionamento desse organismo e qualquer órgão, sangue…conforme a tipologia e padrões são comuns.
Não existe diferença, mas diversidade, somos diversos, completamente diversificados, nada natural é exatamente igual, portanto, se nada natural é igual como pode ser diferente?
Parece esquisito, paradoxal, mas só é possível admitir diferenças entre desiguais…
O que é diferença???
Compreende a falta de igualdade ou semelhança. Logo, para ser diferente é preciso ser completamente desigual.
E se houvesse o ser perfeito, que não existe, nós, nem de longe perfeitos, procurariamos exaustivamente alguma possível imperfeição.
Indeléveis…aplicariamos todo o nosso conhecimento e preconceito na busca de prováveis imperfeições, apenas para auferir/conferir alguma semelhança.
Selexia
Não existe verdade, pelo menos absoluta, pois tudo é relativo, determinado por perspectivas e, principalmente, expectativas. Em todo e qualquer fato, mesmo em situações isoladas com apenas um sujeito, o evento possui ao menos um ponto de observação, referência e incontáveis outros não percebidos. A verdade, se houvesse, seria a totalidade, completa, na íntegra, sem pontos cegos, invisíveis, despercebidos, negando a possibilidade de questionamentos por outrem.
Portanto, obviamente também não existe mentira, apenas diferentes perspectivas, expectativas, realidades, compreensões…
Para tudo, por mais absurda, desaprovada, ilegal e imoral, de acordo com a mentalidade da época, existe ao menos duas explicações, as vezes três, uma que afirma, outra a questionar e ainda outra a ponderar, todas determinadas por juízos de valores.
Palavras, além de precisas apenas para coisas, traem, criam armadilhas.
Muitas vezes nos vemos despreparados pelo efeito das palavras, que dependem tanto de quem pensa e as usam quanto daquele que as recebe e pensa. Muitas vezes dizemos: não foi isso que eu quis dizer. Caiu na armadilha.
Nem sempre se sabe o que dizer, por mais querer, a palavra não descreve sentimentos e, por inúmeras vezes, arrasta a compreensão do que se quer entender.
A palavra só é eficiente em comunicar quando percorre a vida da intimidade, do conhecimento de ambos, das ambiguidades, das peculiaridades, ainda assim, não desfaz as armadilhas pois está vinculada a, no mínimo, duas expectativas distintas, diversas, particulares e individuais. Nunca é possível saber se o que se disse será compreendido como se quiz dizer.
Não adianta pensar bem, exaustivamente, pois a palavra dita, ou não, percorre caminhos e chega como se quer receber. A palavra tem remetente e destinatário certo, mas não prescinde de causar efeitos no itinerário e nem no destino final.
Por isso tantos ruídos, tantas exclamações, tantos julgamentos, tanta condenação.
A palavra pode causar danos, irreversíveis, pois nunca será possível medir os seus efeitos destrutivos, construtivos, transformadores…
Eu só queria dizer: está tudo bem…
Achar que pode ficar
Que ainda vai melhorar
Mas quando acordo, ou vou deitar, não dá.
Sei não estar,
Nem sei se posso sonhar,
Se a mim foi proibido,
Se posso ou ainda consigo amar.
Se tudo que sei, é de que nada sei,
Alguém saberá?
Não acho caminho e prendido não há lugar a ir, sem saber voltar
Não vou por ai, já não saio daqui,
O mundo não é meio, só um quarto, uma cela, me perdi de mim.
Tente compreender, só não quero sobreviver,
E assim,
Sinto chegar ao fim.
Eu queria, mas só dizer não posso.
E se criou um novo Deus, a tecnologia, artificial, capaz de tudo fazer, até o paradoxal resgate da humanidade de ser naturalmente natural.
A gente precisa perceber que somos nós, seres humanos, e não a coisa que inventamos, criamos, no controle dos movimentos, das aplicações, dos usos, das ações.
É muita pretensão, completamente egoico, típico de idiotes achar ser minha toda culpa.
Também, igualmente idiótico, cruel, oportunista e injusto atribuir, transferir responsabilidade, culpar o outro pelos fracassos, insucessos, incompetências e ações deletérias.
Nós, como cidadãos, sujeitos, membros da polis, participamos de tudo e é nossa, inclusive nos bons feitos, essa sociedade.
As vezes eu me revejo, com dois ou três anos, ao redor do poço, no quintal da minha casa.
Essa casa pegou fogo, e a agua do poço não pode apagar, mas isso é outro, do mesmo, assunto.
Me revejo rodeando, olhando o poço, pensando o que havia, se havia algo lá.
As vezes me revejo sozinho, ao redor daquele poço, olhando o fundo, pensando se ia cair, era objeto de diversão, de uma criança, que nem sabia o que era se divertir, talvez de contemplação, ou, se posso assim pensar, com dois ou três anos já olhava para o fundo do meu poço.
As lembranças são dispersas, surgem aleatoriamente, nem sei se são corretas, ou enchidas com a imaginação.
Recordo uma vez aparecer no poço uma cobra, tinha uma cruz na cabeça e comia um sapo.
Minha mãe ficava desesperada ao me ver rodeando o poço, e sempre interrompia esse passeio por um espaço perigoso no fundo do quintal.
Também tinha coqueiro, é disso que lembro, mas na recordação, possível, vem sempre a imagem do poço, perigoso, sentia medo, mas excitação, vontade de rodear.
As vezes me revejo, talvez não tenha nenhuma relação, com dois ou três anos, abrir o portão, da casa da minha avó, e caminhar para brincar com meus primos.
Errei o caminho, não os encontrei, depois errei o portão e não achei a casa da Dona Eurandina, a vovó.
Continuei a caminhar, caminhei, olhando e chorando todos os portões, até me perder e não conseguir me encontrar.
Ainda lembro, caminhei adiante, retornei alguns passos, ainda lembro procurar o portão da Rua Taquaruçu 104.
Não sei, nem lembro, se já sabia o endereço desde então, ou passou a ser uma preocupação da minha mãe, por me ver perdido, me ensinar a ter que lembrar.
Por um lado foi bom, pois foi saber o nome dos meus familiares, ajudou a um homem num bar, depois de me dar um guaraná, a me levar de volta para casa da vovó.
Não lembro bem a reação quando cheguei, quando de volta, quando estava achado, mas suponho de beijos, abraços e carinhos.
As vezes até penso, será que me perco para receber esse calor, manifestações, sinais de amor?
Se por um lado, como disse, foi bom, por outro, aprender a lembrar faz a gente não esquecer, e as recordações guardam emoções, guardam sentimentos, e não é muito fácil, embora necessário, conviver com a presença de maus momentos, tristezas, com a saudade do que não pode mais ser.
Ainda com dois ou três anos, lembro da baia de Guanabara, nem sabia que era ela, pela janela do quarto, do hospital.
Lembro que era obrigado a ficar sozinho, tomar injeção, precisava comer cenoura, não gostava, as vezes tinha gelatina, e só era realmente bom quando vinha e via a minha mãe, a minha tia Solange, a tia Maria, quando iam me visitar.
Mamãe dizia, -sinto muita, muita, saudade dela-, que todo dia ia, mas nem sempre a deixavam me encontrar.
Curioso o médico, ou a médica, um dia dizer que ela podia me perder, mas ela sempre disse não, que eu iria viver.
Fez promessa a São Cosme e Damião, mesmo sem muitos recursos, por anos distribuiu doces. E a gratidão era tão grande, que enquanto ela viveu, mesmo quitada a promessa, continuou a dar doces a crianças por toda sua vida. Minha irmã ainda faz isso, virou uma espécie de tradição.
Posso estar enganado, provavelmente esteja, mas o dia mais feliz da minha vida foi quando ela me levou dali.
Não sei se faz sentido, nem como chega ao fim, mas as vezes me sinto, e se sinto faz sentido, me revejo perdido, olhando pela janela para o tudo que parece nada, para a agua, rodeando o poço, olhando a agua, e no fundo caindo.
Talvez seja isso, uma vida relacionada, condicionada, movida por agua...
Sei que não faz o menor sentido, não é pra tentar entender, mas senti vontade de escrever, bem mau, sobre essa recordação, sobre a imagem e inação, sobre as saudades, sobre o aprisionado, sobre o distante de esquecer, sobre rodear poços e olhar, sem saber, o fundo, o profundo...
Me esforço e tento lembrar, acho que sim, não lembro direito, um dia que meu pai estava lá, mas acho que ele também ia me visitar.
Solidão não é estar sozinho, é sentir um vazio, a ausência de sentimento, de prazer, de motivo, de razão.
Solidão não é a falta de companhia, até é, mas a indiferença com qualquer presença.
Você pode sentir conforto estando só, sabendo que em algum lugar tem alguém, até um você mesmo, para contar.
Ao contrário, pode se sentir sozinho, vazio, e saber que ninguém, muito menos você, pode ajudar.
Solidão é assim, é quando o perdido não consegue se encontrar e acha o que ninguém consegue, pode ou se interessa.
É possível estar sozinho em meio a muita gente, e, sentir conforto, calor, amor, energia, a outra companhia, no deserto do ninguém por perto, mas em algum lugar.
Sabe, todo dia eu acordo triste, isso há tempos, mas é mais frequente ultimamente.
Eu não digo, eu tento esconder, não quero deixar ninguém, não quero deixar ninguém, triste.
Não quero esquecer, preciso lembrar.
Essa lembrança, respeito pelas pessoas, é que me faz, mesmo sem acreditar, ou só um pouquinho, insistir e dizer não ao desistir.
Embora negue, ainda sonho, a maioria é pesadelo, não faz sentido…e esse canto de sereia, mesmo desconexo, tresloucado, às vezes me convida ao dormir profundo, a terra do não acordar.
Nos últimos tempos só encontro as pessoas quando durmo, e mesmo que não haja sentido, nessa imagem e ação inconsciente existe sentimento, aflora a emoção.
É só desacordado que me encontro junto a pessoas, junto a gente, junto aos amores, aí faz sentido, é óbvio não querer acordar…
Quando acordo a tristeza, de estar só, invade e novamente toma a mente, o peito… e certamente terei mais um dia vazio, sozinho, sem encontros, em todos os sentidos, é/ só /mais um/ dia /perdido.
Sem voz no ouvido, sem imagem, sem paisagem, sem cheiro, sem calor, sem toque, sem sabor, sem vida, sem cor, sem sorrisos, só lágrimas e imenso contido/proibido/impossível amor.