Seres humanos são recipientes, de formatos diferentes, feitos com o mesmo material.
Embora possam receber, hipoteticamente, conteúdos iguais o resultado não é previsível e será, naturalmente, diverso mesmo, hipoteticamente, submetidos as mesmas condições de temperatura e pressão.
Os resultados, igualmente serão diversos quando enchidos com conteúdo diferente, no máximo serão semelhantes, similares.
A sua forma, única, sempre define e redefine o resultado como conteúdo único.
As pessoas se transformam, continuamente, assim como o conteúdo, devido as diversas possibilidades de assimilação, adaptação e distribuição de efeitos.
O conteúdo é único, nem sempre, mas a forma como se transmite e como é absorvido, selecionado, acumulado, acomodado nas diferentes fases da transformação da forma, determinam as distinções.
Experiente fazer um bolo numa forma redonda nova, com meio uso e, finalmente muito usada, quase acabada, os sabores, odores, serão diferentes.
Experimente fazer uma mesma receita numa frigideira, numa panela, num bule, novos, usados, velhos, em temperaturas e pressão diferentes.
E, nessa experiência não se considera outros materiais ou matéria, imagina quando é considerado o ser único, exclusivo, chamado gente?
Embora hajam padrões, sempre haverá interpretação, compreensão, assimilação e projeções.
Cada um, embora existam interseções, transforma o que vê, lê, identifica, entende, toca, sensibiliza, agrada, precisa, na sua própria versão que, com o passar do tempo, da sua maturidade, regeneração, degradação, sensibilidade, emoção, compreensão pode ser mudada.
É muito possível, provável, por sermos seres em eterna mutação, mudarmos de opinião, observar de novas expectativas.
Seres humanos são recipientes, são conteúdo, em constante resignificação.
A gente nunca sabe o que dizer, menos ainda o que o outro quer ou precisa ouvir, escutar, ler, saber. Por isso simplesmente diz, na pretensão de sintonizar emissor e receptor.
A gente quase nunca sabe, nem vai saber, o que dizer, arrisca e as vezes obtém sucesso. O ser humano é mobile, átomo em órbita, em movimento…
A melhor hora, o melhor momento, pode e não pode ser agora, quando é ninguém sabe nem vai saber.
O que eu preciso não posso pedir, ninguém pode dar.
O que é preciso, não precisa ganhar, mas receber, retribuir, compartilhar.
Acontece…
A vida é movimento, mas principalmente transição…
Os "homens bons" empurram no público todo rebotalho da privada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário