domingo, 16 de abril de 2023

O eterno problema do Brasil é a sua origem.

O que se pode esperar de um país inventado a partir da exploração, da despossessao, do genocídio, de verticalidades, da degradação sistemática dos recursos naturais e da desumanização dos seres humanos?

Mentalidades prodigas em destruir, submeter, subjugar, explorar.

Nesse "projeto" sem projeto, nunca se pensou qualquer respeito, jamais algum espaço para o equilíbrio e equidade. E, mesmo quem assim cogitasse a pensar, logo se vira preso nas tramas e malhas da armadilha cognitiva.

A lógica nunca foi sequer a da competição, quiçá cooperação, mas da imposição, do domínio, de uma suposta superioridade civilizatória sustentada por colunas raciais e da racializacao.

Aliás, povos originais, tradicionais, e trazidos de África como coisas, apenas para uso dos invasores, nunca tiveram humanidades ponderadas, quanto mais validadas.

Hoje, essa compreensão parece absurda, mas na mentalidade vigente, a época, era realidade.

Uma realidade sustentada em bases, primitivas para o hodierno, mentais possíveis para o alcance do conhecimento a compor tal mentalidade em constante evolução.

Seria muita soberba achar atingirmos os padrões mais elevados, apenas é possível afirmar a progressiva descoberta, assimilação e acumulação de conhecimento. Tal qual o universo, o processo é infinito, e só finda quando acreditarmos os seres humanos terem chegado ao ponto final.

O ponto final só é final quando não é possível ir além, por conta de recursos, da possibilidade de reverter efeitos, quando não houver mais inteligência para seguir…




Quebrar paradigma nesse espaço, deslugarizado, seria o crime passar a somente compensar e não também recompensar.


O lugar morre quando deixa de existir, e só existe quando é reconhecido assim por vidas... existência é a capacidade mais poderosa conferida pela mente humana...

É absurda a ideia de estabelecer comunicação com extraterrestres, não conseguimos sequer nos comunicarmos perfeitamente com cães, gatos, pássaros...com outros seres humanos.


 Não existe nada de diferente entre seres humanos, aliás são classificados assim, seres humanos.

Todo o funcionamento desse organismo e qualquer órgão, sangue…conforme a tipologia e padrões são comuns.

Não existe diferença, mas diversidade, somos diversos, completamente diversificados, nada natural é exatamente igual, portanto, se nada natural é igual como pode ser diferente?

Parece esquisito, paradoxal, mas só é possível admitir diferenças entre desiguais…

O que é diferença???

Compreende a falta de igualdade ou semelhança. Logo, para ser diferente é preciso ser completamente desigual.


E se houvesse o ser perfeito, que não existe, nós, nem de longe perfeitos, procurariamos exaustivamente alguma possível imperfeição.


Indeléveis…aplicariamos todo o nosso conhecimento e preconceito na busca de prováveis imperfeições, apenas para auferir/conferir alguma semelhança.


Selexia 


Não existe verdade, pelo menos absoluta, pois tudo é relativo, determinado por perspectivas e, principalmente, expectativas. Em todo e qualquer fato, mesmo em situações isoladas com apenas um sujeito, o evento possui ao menos um ponto de observação, referência e incontáveis outros não percebidos. A verdade, se houvesse, seria a totalidade, completa, na íntegra, sem pontos cegos, invisíveis, despercebidos, negando a possibilidade de questionamentos por outrem.

Portanto, obviamente também não existe mentira, apenas diferentes perspectivas, expectativas, realidades, compreensões…

Para tudo, por mais absurda, desaprovada, ilegal e imoral, de acordo com a mentalidade da época, existe ao menos duas explicações, as vezes três, uma que afirma, outra a questionar e ainda outra a ponderar, todas determinadas por juízos de valores.



Palavras, além de precisas apenas para coisas, traem, criam armadilhas.

Muitas vezes nos vemos despreparados pelo efeito das palavras, que dependem tanto de quem pensa e as usam quanto daquele que as recebe e pensa. Muitas vezes dizemos: não foi isso que eu quis dizer. Caiu na armadilha.

Nem sempre se sabe o que dizer, por mais querer, a palavra não descreve sentimentos e, por inúmeras vezes, arrasta a compreensão do que se quer entender.

A palavra só é eficiente em comunicar quando percorre a vida da intimidade, do conhecimento de ambos, das ambiguidades, das peculiaridades, ainda assim, não desfaz as armadilhas pois está vinculada a, no mínimo, duas expectativas distintas, diversas, particulares e individuais. Nunca é possível saber se o que se disse será compreendido como se quiz dizer.

Não adianta pensar bem, exaustivamente, pois a palavra dita, ou não, percorre caminhos e chega como se quer receber. A palavra tem remetente e destinatário certo, mas não prescinde de causar efeitos no itinerário e nem no destino final.

Por isso tantos ruídos, tantas exclamações, tantos julgamentos, tanta condenação.

A palavra pode causar danos, irreversíveis, pois nunca será possível medir os seus efeitos destrutivos, construtivos, transformadores…


domingo, 2 de abril de 2023

Eu só queria dizer: está tudo bem…

Achar que pode ficar

Que ainda vai melhorar

Mas quando acordo, ou vou deitar, não dá.

Sei não estar, 

Nem sei se posso sonhar,

Se a mim foi proibido,

Se posso ou ainda consigo amar.

Se tudo que sei, é de que nada sei,

Alguém saberá?

Não acho caminho e prendido não há lugar a ir, sem saber voltar

Não vou por ai, já não saio daqui,

O mundo não é meio, só um quarto, uma cela, me perdi de mim.

Tente compreender, só não quero sobreviver, 

E assim, 

Sinto chegar ao fim.

Eu queria, mas só dizer não posso.

    

E se criou um novo Deus, a tecnologia, artificial, capaz de tudo fazer, até o paradoxal resgate da humanidade de ser naturalmente natural.

A gente precisa perceber que somos nós, seres humanos, e não a coisa que inventamos, criamos, no controle dos movimentos, das aplicações, dos usos, das ações.

É muita pretensão, completamente egoico, típico de idiotes achar ser minha toda culpa.

Também, igualmente idiótico, cruel, oportunista e injusto atribuir, transferir responsabilidade, culpar o outro pelos fracassos, insucessos, incompetências e ações deletérias.

Nós, como cidadãos, sujeitos, membros da polis, participamos de tudo e é nossa, inclusive nos bons feitos, essa sociedade.

terça-feira, 28 de março de 2023

As vezes eu me revejo, com dois ou três anos, ao redor do poço, no quintal da minha casa.

Essa casa pegou fogo, e a agua do poço não pode apagar, mas isso é outro, do mesmo, assunto.

Me revejo rodeando, olhando o poço, pensando o que havia, se havia algo lá.

As vezes me revejo sozinho, ao redor daquele poço, olhando o fundo, pensando se ia cair, era objeto de diversão, de uma criança, que nem sabia o que era se divertir, talvez de contemplação, ou, se posso assim pensar,  com dois ou três anos já olhava para o fundo do meu poço.

As lembranças são dispersas, surgem aleatoriamente, nem sei se são corretas, ou enchidas com a imaginação. 

Recordo uma vez aparecer no poço uma cobra, tinha uma cruz na cabeça e comia um sapo.

Minha mãe ficava desesperada ao me ver rodeando o poço, e sempre interrompia esse passeio por um espaço perigoso no fundo do quintal.

Também tinha coqueiro, é disso que lembro, mas na recordação, possível, vem sempre a imagem do poço, perigoso, sentia medo, mas excitação, vontade de rodear.

As vezes me revejo, talvez não tenha nenhuma relação, com dois ou três anos, abrir o portão, da casa da minha avó, e caminhar para brincar com meus primos.

Errei o caminho, não os encontrei, depois errei o portão e não achei a casa da Dona Eurandina, a vovó.

Continuei a caminhar, caminhei, olhando e chorando todos os portões, até me perder e não conseguir me encontrar.

Ainda lembro, caminhei adiante, retornei alguns passos, ainda lembro procurar o portão da Rua Taquaruçu 104.

Não sei, nem lembro, se já sabia o endereço desde então, ou passou a ser uma preocupação da minha mãe, por me ver perdido, me ensinar a ter que lembrar.

Por um lado foi bom, pois foi saber o nome dos meus familiares, ajudou a um homem num bar, depois de me dar um guaraná, a me levar de volta para casa da vovó.

Não lembro bem a reação quando cheguei, quando de volta, quando estava achado, mas suponho de beijos, abraços e carinhos.

As vezes até penso, será que me perco para receber esse calor, manifestações, sinais de amor?

Se por um lado, como disse, foi bom, por outro, aprender a lembrar faz a gente não esquecer, e as recordações guardam emoções, guardam sentimentos, e não é muito fácil, embora necessário, conviver com a presença de maus momentos, tristezas, com a saudade do que não pode mais ser.

Ainda com dois ou três anos, lembro da baia de Guanabara, nem sabia que era ela, pela janela do quarto, do hospital.

Lembro que era obrigado a ficar sozinho, tomar injeção, precisava comer cenoura, não gostava, as vezes tinha gelatina, e só era realmente bom quando vinha e via a minha mãe, a minha tia Solange, a tia Maria, quando iam me visitar.

Mamãe dizia, -sinto muita, muita, saudade dela-, que todo dia ia, mas nem sempre a deixavam me encontrar.

Curioso o médico, ou a médica, um dia dizer que ela podia me perder, mas ela sempre disse não, que eu iria viver.

Fez promessa a São Cosme e Damião, mesmo sem muitos recursos, por anos distribuiu doces. E a gratidão era tão grande, que enquanto ela viveu, mesmo quitada a promessa, continuou a dar doces a crianças por toda sua vida. Minha irmã ainda faz isso, virou uma espécie de tradição.

Posso estar enganado, provavelmente esteja, mas o dia mais feliz da minha vida foi quando ela me levou dali.

Não sei se faz sentido, nem como chega ao fim, mas as vezes me sinto, e se sinto faz sentido, me revejo perdido, olhando pela janela para o tudo que parece nada, para a agua, rodeando o poço, olhando a agua, e no fundo caindo.

Talvez seja isso, uma vida relacionada, condicionada, movida por agua...

Sei que não faz o menor sentido, não é pra tentar entender, mas senti vontade de escrever, bem mau, sobre essa recordação, sobre a imagem e inação, sobre as saudades, sobre o aprisionado, sobre o distante de esquecer, sobre rodear poços e olhar, sem saber, o fundo, o profundo...  


   

 

Me esforço e tento lembrar, acho que sim, não lembro direito, um dia que meu pai estava lá, mas acho que ele também ia me visitar.                

   



 

sábado, 18 de março de 2023

Solidão não é estar sozinho, é sentir um vazio, a ausência de sentimento, de prazer, de motivo, de razão.

Solidão não é a falta de companhia, até é, mas a indiferença com qualquer presença.

Você pode sentir conforto estando só, sabendo que em algum lugar tem alguém, até um você mesmo, para contar.

Ao contrário, pode se sentir sozinho, vazio, e saber que ninguém, muito menos você, pode ajudar.

Solidão é assim, é quando o perdido não consegue se encontrar e acha o que ninguém consegue, pode ou se interessa.

É possível estar sozinho em meio a muita gente, e, sentir conforto, calor, amor, energia, a outra companhia, no deserto do ninguém por perto, mas em algum lugar.


Sabe, todo dia eu acordo triste, isso há tempos, mas é mais frequente ultimamente.

Eu não digo, eu tento esconder, não quero deixar ninguém, não quero deixar ninguém, triste.

Não quero esquecer, preciso lembrar.

Essa lembrança, respeito pelas pessoas, é que me faz, mesmo sem acreditar, ou só um pouquinho, insistir e dizer não ao desistir.

Embora negue, ainda sonho, a maioria é pesadelo, não faz sentido…e esse canto de sereia, mesmo desconexo, tresloucado, às vezes me convida ao dormir profundo, a terra do não acordar.

Nos últimos tempos só encontro as pessoas quando durmo, e mesmo que não haja sentido, nessa imagem e ação inconsciente existe sentimento, aflora a emoção.

É só desacordado que me encontro junto a pessoas, junto a gente, junto aos amores, aí faz sentido, é óbvio não querer acordar…

Quando acordo a tristeza, de estar só, invade e novamente toma a mente, o peito… e certamente terei mais um dia vazio, sozinho, sem encontros, em todos os sentidos, é/ só /mais um/ dia /perdido.

Sem voz no ouvido, sem imagem, sem paisagem, sem cheiro, sem calor, sem toque, sem sabor, sem vida, sem cor, sem sorrisos, só lágrimas e imenso contido/proibido/impossível amor.



quarta-feira, 15 de março de 2023

 As vezes faltam palavras.

E isso é natural.

Afinal, elas foram feitas só para coisas.

Pode ser que alguém venha a dizer que tudo é coisa, e todas as coisas do mundo para representar tenham palavras.

É compreensível.

Mas tem coisas, que até podem parecer, mas se parar para pensar, pode surgir um será?

Será que são coisas o que a gente sente?

Será que são coisas o que sentem pela gente?

Será que são coisas o que a gente pensa sentir e o que a gente pensa que sentem pela gente?

Como saber, como provar?

Na minha, modesta, opinião coisas são palpáveis, materializadas, facilmente compreensíveis, também explicaveis.

Será que as coisas que não se compreendem, facilmente, que não tem explicações lógicas, fáceis, visíveis, palpáveis, são coisas?

Já tentou descrever um sabor, um cheiro…?

Até é possível, mas se faz necessário uma comparação, de algo que existe e não será exatamente igual, semelhante, similar, muito parecido, mas diferente.

Mesmo assim, objetivamente, é possível representar por conta da sua materialidade, se fosse exatamente igual não teria uma palavra, seria a mesma coisa.

É essa coisa que falta que faz a coisa até parecer mas nunca ser só coisa.

Coisa é algo possível de substituir, de ocupar um espaço, encher um lugar, físico.

Mas, o espaço, o lugar, o ser, por mais que possa parecer, não é só físico.

As palavras até se esforçam, até chegam bem perto, mas não conseguem atender, ocupar, encher o espaço, o lugar, o ser.

Por isso, insisto em usar palavras para dizer que elas só servem para denominar, representar, responder, perguntar coisas e as vezes, muitas vezes, faltam palavras.



Engraçado, como as músicas que a gente gosta fala tanto da gente.

Quando era pequeno, gostava de uma música que diz "...eu só não quero cantar sozinho", ficava indignado com a parte "eu quero couro de passarinho", só fiquei sossegado quando descobri ser "coro", e o que era "coro"... não sei se tenho um milhão de amigos, nem sei se isso importa, a quantidade…

Sempre gostei de músicas, de várias, inúmeras, ritmos, gêneros, estilos, diversas, diversos…



Até queria dizer, lembrei de você, poderia ser, se fosse feita de lembrar ao invés de não esquecer…


Eu queria dizer, lembrei de você.

Mas não é verdade, até poderia ser, se fosse feita de lembrar ao invés de não esquecer.

As vezes eu acho que viajei, que fui aonde jamais pisei, senti ou vi.

Isso acontece quando acho as pessoas me levam aos lugares que eu nunca fui e jamais irei.

É muita pretensão, mas se elas lembram de mim onde estão, suponho estar noutra dimensão, noutro estágio de ser.

Sei, é muita teoria da relatividade, mas não existe limites somente para a imaginação, para o sentimento, para a emoção, para a vontade de não estar, de apenas ser.

As vezes eu viajo, me leva, mesmo sem saber estou com você.




 Eu sei que não é a realidade.

Também sei que não é assim.

Mas, agradeço as flores, por não me deixarem completamente só, e em alguns momentos até chegar a achar que elas gostam de mim.

Que florescem por mim.

Principalmente, quando não consigo achar o bonito.


Eu sei que não vai entender, nem eu explicar, só você me faz querer…


Sempre foi impossível.

Invariavelmente, sempre foi impossível.

Tudo se mostrou impossível, não improvável, e sim impossível.

Tinha forças, quis acreditar, joguei com a sorte, joguei com truques, joguei com ilusões, mas era impossível.

Não posso dizer que consegui tudo, mas muitas vezes diminui a potência da impossibilidade, julguei ser provável até ser.

E por uma hora, por um dia, por uns instantes foi.

Não importa o quantum no tempo, mas poder realizar, sentir o acontecer.

Mas, sempre foi impossível.

Não sei se ainda tenho forças, me forço a não desistir.

Talvez por achar ser impossível desistir, por desistir ser o fim…

Sabe, lá, bem longe, ainda guardo esperança, de novamente transformar o que não podia em ser…

Uma vez pensei em escrever sobre um ser que era proibido de sonhar.

Quer dizer, de sonhar não, mas de realizar qualquer feito…

Até me confundi com a personagem, achei ser um autoretrato, mas tenho que me retratar. Se mesmo impossível eu consegui, poucas vezes, realizar…

Ainda acredito, ainda tenho esperança, não tenho a menor ideia de como conseguir, mas acho e por isso…

Por mais que queira, por mais que pense, por mais que elabore, eu sempre acho que se desistir, logo depois vai acontecer…

Não sei explicar, mas algo dentro de mim diz que sou proibido de desistir…

Só peço desculpas, e olha que isso eu não gosto de fazer, por não poder fazer tudo que podia pela minha mãe e pelo meu pai…

Acho que eu podia mais …

Podia ter dado mais sorrisos, fazê-los orgulhosos, retribuir mais o amor que me deram, ter ficado mais tempo perto de vocês, valorizado os seus cheiros, compreendido um pouco mais, ter feito a vida de vocês menos dura, dolorida…ter abraçado e beijado mais…ter ouvido mais…eu poderia tanta coisa mais…mas nem sei se agora é impossível…


Ia escrever que todo dia penso em você, mas é mentira…Não é só todo dia.
Não precisa devolver, mas no mínimo, uma, duas, três ... .vezes no dia sinto vontade de estar…beijo, nem imagina…

O amor é uma intercomunicação íntima de duas consciências que se respeitam. Cada um tem o outro como sujeito de seu amor. Não se trata de apropriar-se do outro.


Morte digna.
Tem horas que pessoas não se importam mais com a vida e elas só querem uma morte digna.
Digna significa não deixar dívidas , dúvidas, inimigos, críticas fundamentadas, mágoas, agressões, ofensas, tristezas. No popular, motivos para lembrar do indigno.
Chega a hora que pessoas não precisam mais viver, mas a morte não pode ser motivo de vergonha, de decepção, de tristeza amplificada, não precisa ser explicada, mais ainda defendida, condenada, justificada, com despedida.
É quando a morte mata, esfacela, maltrata, faz a vida desfalecer e a única razão é morrer.
Não tem porquê.
O que aconteceu?
Simplesmente morreu…
Aconteceu, do mesmo modo que veio, depois saiu, desapareceu…

Sabe quando você não tem nada bom a dizer?
O melhor é não fazer nada, não dizer nada.
Eu queria contar novidades. Nem precisa ser novidade, mas que seja algo…

O Brasil é o fruto de uma invasão.
Uma invasão que enquanto encobria, a e/ou in cidental, cores originárias com as de forasteiros produziu outras matizes.
O Brasil é um resultado, uma consequência, uma tela acabada que depois de queimada novamente foi pintada…e a gente nem se conhece, com muito esforço só se reconhece, com o quê nos forçaram a aprender…o que é o povo brasileiro?
Muita gente, provavelmente a maioria, não consegue lembrar cinco, quatro, três gerações.
Somos desalmados, sem raízes, sem família, desmemoriados, sem registro, sem certidão…eta povo indigente, feito de gente que veio e voltou, de gente que se perdeu e não se achou, de gente roubada, escravizada, sem futuro, sem chão, lavada na vastidão e na incertezas, fluidas, das águas.



Quero pedir desculpas pela ausência, pela distância, pelo silêncio que habita em mim, não é indiferença, pelo contrário, é todo grito preso.

De fato é uma escolha, uma opção, mas não quero encher o saco das pessoas com a minha tristeza, com a angústia, com a desesperança e o desespero.

E até falar sobre, acho ser uma espécie de chantagem.

Enfim, não precisa desculpar o ato egoico, o ser egoísta, mas não acho justo com quem já me ajuda muito.

Na realidade são a razão de eu prosseguir, continuar e não desistir.

Desistir não é desistir de mim, mas de você…

Estranho como a vontade de não fazer mal, triste, pode fazer mal e entristecer outras pessoas. Pior, pode faze-las esquecer, e tornar para sempre um estranho.

Pra ser sincero é também por respeito, mas é também por dor.

Mas não esqueço, muito lembro e, por favor, nunca duvidem do meu amor.

Acho que nasci pra isso, só para isso, para isso tudo, amar.

É é isso, essa coisa de amor, por amar, que me mantém.

É esse o meu motivo, a minha razão, a minha única…