sábado, 14 de janeiro de 2023

O Poeta uma vez escreveu: "navegar é preciso, viver não é preciso".

Estava certo.

Viver é como uma nau a seguir rumos, imprevisíveis e decisivos.

Precisamente, viver é impreciso.

Viver é não saber o que vai acontecer, mesmo navegando por mares calmos, seguindo os rumos planejados, pode acontecer o que não se previa, o que não se esperava, o que muda os rumos, mesmo seguindo nas mesmas direções.

São os acontecimentos que acontecem sem mesmo a gente perceber estar acontecendo.

Derepente encontra, também passa a ver, sentir, ter necessidade que não sabia.


O som não explica, se faz entender…


E se ao invés de Deus, chamassemos, rotineiramente, a energia criadora e transformadora, que se reflete na denominação Natureza, de Deusa?

Como a Deusa-Mae cretense.

Se dividissemos o poder da criação, no mínimo, a um Deus junto a uma Deusa?

Visto nada ser reproduzido sozinho, por um unico organismo, elemento, substância. Todo um precisar de, pelo menos, um outro para...

Provavelmente as injuncoes/ concepções sobre o patriarcado não seriam tão sólidas.

Não se demoliram as fundações do patriarcado, necessárias e legítimas, mas seriam reforçadas a instituição do matriarcado.

Todas as civilizações, em todas as épocas, se valeram do inexplicável para justificar o que não é possível explicar.

No entanto esse inexplicável, inteligentemente usado, sempre foi construido com a face, os argumentos, os interesses de quem não poderia e não pode explicar.

Se tivéssemos Deusa….precisaria dividir...



É muito bom dizer eu te amo a quem se ama e saber que apesar de poder parecer ridículo não acredita ser ridículo.

Poderia dizer que é confiança, também é, mas é amor.


Alguém sabe dizer quem foi a primeira pessoa a nascer nas terras chamada Brasil?

Não falo dos nativos, dos povos originais, mas do filho do "imigrante" que chegou depois, bem depois, de quem aqui estava antes.

Qual foi a primeira pessoa a nascer não em Pindorama, quase impossível saber, mas quem aqui chegou para ser o primeiro brasileiro?

Certo, na época ainda não ser Brasil, mas nessas terras, o filho de estrangeiro ou de nativo com estrangeiro que viria a ser o primeiro brasileiro.

Acho ninguém poder, com precisão, dizer.

O Brasil, repito não Pindorama, desde a pré-colonização não é terra de estrangeiro, mas de brasileiro.

Brasileiro é mistura de nativo com outro, de outro com outro, de quem nasceu aqui.

Nativo, natural, já nascia aqui antes de inventarem o Brasil.


As cores do arco-íris são representativas, fato, mas ao observar as proibições, restrições absurdas e anacrônicas, em regimes, esses sim, anormais poderiam ser adotadas alternativas.

Por exemplo, se a soma de todas as cores é a cor branca, por que não pensar em adota-la, além de ser improvável ser proibida, vetada, censurada… sei lá com algum símbolo a mais, o de infinito…???

Todas as vezes que as cores do arco-íris forem vítimas da mentalidade tacanha, retrógrada, a liberdade for cerceada, como já se fez contra a censura, usar o que não parece, mas é.

Sugiro a cor branca, mas a preta, ausência de cores, também pode servir de crítica ao atraso, à opressão, à hipocrisia.



Político não deveria ter salário, qualquer remuneração, receber quando muito o que fazia jus antes de ocupar o cargo eletivo.

E, após deixar o cargo ser investigado, supervisionado, auditado, criteriosamente, durante 30 anos para saber da sua mobilidade, da conquista e acumulação de patrimônio, se houvesse, fosse, sem dúvidas, lícita, honesta.

Outra coisa, ricos e milionários deveriam ser proibidos de ocupar cargos eletivos, qualquer função em que pudesse legislar em causa própria, pelo interesse individual.






Poder, poder, a gente pode tudo, mas deve?

Nada pode limitar a ação individual, só o próprio indivíduo e em razão das suas convicções.

Não é uma lei que restringe o ser, mas a sua razão de ser.

Nada pode impedir alguém de matar, mas também pode lhe matar, a não ser que  respeito do outro pelo outro os mantenham vivos.

Eu posso fazer o que quiser, mas ao fazer posso perder mais que ganhar.



What most threatens a National State, a political regime, is disrespect for the laws. Without law, there is no crime, widespread barbarism sets in and this is due to impunity.

When there is no punishment


O que mais ameaça um Estado Nacional, um regime político, é o desrespeito às leis. Sem lei não há crime, instala-se a barbárie generalizada e isso se deve à impunidade.

Quando não há punição, não são criminosos, poderiam ser caso as leis fossem validadas pelas instituições com a sua aplicação, na forma da lei, independente de cargo, do status, do poder conferido por nomeação, por capitais políticos e financeiros, conforme determina o princípio, basilar, da impessoalidade.

O que temos visto, com frequência e de forma endêmica, é o desrespeito às leis. Inclusive, e principalmente, por quem deveria seguir, zelar e fazer cumprir o código penal, de ética, o decoro, as normas sociais de conduta e de convivência.

Quando um insano, psicopatético criminoso assume, temporariamente, o Poder e acha poder fazer e falar qualquer coisa, imperialmente e impunemente, desrespeitar ilimitadamente as leis, incentivar, afiançar e até financiar ilegalidades inverte e subverte a natureza do referencial, de ser referência, destrói órgãos, Instituições, racha o Estado.


 




As vezes faltam palavras.

E isso é natural.

Afinal, elas foram feitas só para coisas.

Pode ser que alguém venha a dizer que tudo é coisa, e todas as coisas do mundo para representar tenham palavras.

É compreensível.

Mas tem coisas, que até podem parecer, mas se parar para pensar, pode surgir um será?

Será que são coisas o que a gente sente?

Será que são coisas o que sentem pela gente?

Será que são coisas o que a gente pensa sentir e o que a gente pensa que sentem pela gente?

Como saber, como provar?

Na minha, modesta, opinião coisas são palpáveis, materializadas, facilmente compreensíveis, também explicaveis.

Será que as coisas que não se compreendem, facilmente, que não tem explicações lógicas, fáceis, visíveis, palpáveis, são coisas?

Já tentou descrever um sabor, um cheiro…?

Até é possível, mas se faz necessário uma comparação, de algo que existe e não será exatamente igual, semelhante, similar, muito parecido, mas diferente.

Mesmo assim, objetivamente, é possível representar por conta da sua materialidade, se fosse exatamente igual não teria uma palavra, seria a mesma coisa.

É essa coisa que falta que faz a coisa até parecer mas nunca ser só coisa.

Coisa é algo possível de substituir, de ocupar um espaço, encher um lugar, físico.

Mas, o espaço, o lugar, o ser, por mais que possa parecer, não é só físico.

As palavras até se esforçam, até chegam bem perto, mas não conseguem atender, ocupar, encher o espaço, o lugar, o ser.

Por isso, insisto em usar palavras para dizer que elas só servem para denominar, representar, responder, perguntar coisas e as vezes, muitas vezes, faltam palavras.



Engraçado, como as músicas que a gente gosta fala tanto da gente.

Quando era pequeno, gostava de uma música que diz "...eu só não quero cantar sozinho", ficava indignado com a parte "eu quero couro de passarinho", só fiquei sossegado quando descobri ser "coro", e o que era "coro"... não sei se tenho um milhão de amigos, nem sei se isso importa, a quantidade…

Sempre gostei de músicas, de várias, inúmeras, ritmos, gêneros, estilos, diversas, diversos…


Solidão.

Todo mundo é só, só um, sem comparação, sem substituto, sem cópia…

Solidão é do ser humano, é mais de dentro que de fora, todo mundo é só.

É só quando nasce, sua porção acompanhado é só na geração, depois que se fundem, as partes fazem um ser só, só quando cresce, só quando esquecem, só desaparece.

Mas também é só quando lembra, quando lembram.

Só o ser chora a sua dor no quanto essa dor dói, seu sofrimento, e sempre o ser está sozinho.

O seu sorriso tem somente o brilho da sua alegria, é individual, desse indivíduo.

Por mais que queira repartir, não dá, tá dentro desse ser e só ao ser pertence, só a ser.

Sua lágrima, também para dar não dá, dividir, inunda só a sua tristeza, a sua emoção, e ninguém sente o que sente esse ser.

As vezes se sente menos só sozinho.

Não são as pessoas que enchem a vida, põem limites a solidão, mas quando o ser deixa, permite, quer, para encher a vida desse ser.

As vezes fica faltando vida com quem queira viver.

O problema é seu, sempre é só o ser, essa é a sina do indivíduo, do ser que é só, só e único.

Nada pode encher o vazio que há no ser.

Nada pode esvaziar o cheio que o ser enche.

Todo mundo é só e só isso.



Será que tudo passa?

As pessoas passam.

O lugar delas pertencem sempre ao passado.

Tudo pertence ao passado.

Toda hora, minuto, segundo o passado passa.

Num milésimo de segundo o futuro se veste de presente e no mesmo instante se despe como passado.

Eu queria que algumas pessoas não passassem, mas elas passam, assim como eu.




É humano esquecer.

O ser humano esquece, para lembrar registra.

Mas, o artifício apesar de conservar é incapaz de preservar a experiência, o vivido, o sentido, se sentiu.

Os sabores, aromas, as cores, a sensação, emoção, temporariamente é lembrança.

É só momento, único, de coração.

Mistura emoção, prazer, dor, aflição e é único. 

Não se repete, sentimentos dormem no afeto, jamais serão iguais.

Mas, quando bate aquela saudade a gente se esquece de esquecer, as sensações acordamr, ah saudade.

É o ser é feito de esquecer, mas ama, e amar é lembrar.


O ser é feito de esquecer, para lembrar acessa registros…


Sobreviver, é não ter mais vida para apresentar…



 Nos últimos tempos não tenho contido as lágrimas.

Aliás, acho lágrimas não serem feitas para serem contidas, para conter, elas contém o feito para verter.

Incontidas ou não, contém emoção, verte sentimento que não pode se conter…

Por que tentar, se todo mundo sabe, e não dá para esconder?

Lágrima, forma líquida, igual a água, irriga, a irrigar nossa planta, ação.

Irrigar, semente a germinar, florescer, frutificar, em ser, gente, em ser, humano, em ser, coração.


Embora não ache correto, também não concorde, a expressão "homem" e suas derivações na documentação, registros, fontes, publicações até, pelo menos, os anos finais do século XX não chega a ser um absurdo.

Visto, o patriarcado, inclusive anacronico, ser o modelo premente nas sociedades ocidentais até então.

Inadimissivel é a sua manutenção, principalmente, a partir dos anos finais do século XX, em virtude do desenvolvimento das mentalidades na direção de uma lógica, inequívoca, referente a igualdade de gênero.

Embora tardia, o despertar para a consciência foi resultado de…


É preciso mudar urgentemente o uso da expressão "resistência".

Celebrada e empregada, comumente, para denominar espaços de memória, lugares de fala e de convivência, não acho a palavra "resistência" definir de maneira apropriada razões, sentimentos, reivindicações, pertinências e legitimidades de todo e qualquer movimento a substantivar o vívido, o viver, o existir.

Embora a expressão "resistência" enfatize, simbolize e reforce as marcas, as marchas, os movimentos contra a opressão, também dão créditos ao que não pode se esquecer, através dos registros, da documentação, mas não merece ser lembrado.

É perigoso e, infelizmente, muitos algozes, crimes e tiranias tornam-se referências para criminosos, tiranos, para desnaturados.

Assim como "deuses", monstros "quando não acreditam neles deixam de existir".

Por isso, mais preciso é sinalizar a presença, a inclusão, a participação, a contribuição e a composição resultante nos processos.

Assim, acho coerente as representações que assinam significados, onde é impossível ignorar sentidos e direções, identidades e identificações, diminuírem o som do "R" e colocar em evidência o entendimento, não somente sugerir reflexões.

O que está no primeiro plano, elemento fundamental, prioritário não é a resistência, resistir a um esquecimento, a um apagamento, aos ataques realizados pela ignorância, mas apesar e além de… consagrar o existir.

Por isso, acho, mais apropriado serem conhecidos, antes mesmo de lembrados e reconhecidos, como: espaço da/de existência, lugar da/de existência...de humanidade.

Pode parecer apenas uma alteração semântica, gráfica, morfológica, mas a simples mudança aponta para além do plano simbólico, da esfera significativa, do caráter representativo a compreensão concreta do, apesar dos contrários, dos resistentes, das resistências - nesse caso faz sentido -, existiu, existe, insiste, persiste e insistirá em existir por toda a existência, humana.


Museu da cultura afro brasileira...



 Estranho, assim como a ignorância e o exótico, é filho da distância.

O familiar, por sua vez é legítima cria da proximidade.

De perto, diariamente, o diverso nas suas diversas formas naturais, aromas, sabores e cores adquirem DNA, sangue, ganham identidade, pertencimento.

O comum, o próximo, o familiar, nasce do cruzamento de perto com diariamente.

O exótico, o estranho, o diferente, o outsider, é resultado acentuado pelo raramente, que não é frequente.

De perto é mais fácil ver as diferenças, mas também com elas acostumar, aceitar, conhecê-las e ao reconhecer cada dia ser mais difícil percebê-las, por isso misturam-se e compreendidas como semelhanças são.

Mas, mesmo improvável, uma vez não percebidas em razão de viver com ou com viver, conviver, elas passam a fazer parte.

Ou parte fazer…

Todo mundo é diferente, e isso faz todo um ser especial.

Tem tanta coisa em comum em todo um, as diferenças mais que comuns são fundamentais, faz cada ser ser único, ser original.

Na realidade o ser não é diferente, é estranho, é diverso, por certo ninguém é comum, incomum é ser desigual.

O natural não é igual.

Todo ser para ser precisa do outro ser, para se viver o outro precisa encontrar o outro…



As palavras e as coisas, assim disse Foucault, para coisas.

Acho que as palavras servem mais bem para as coisas. 

O que não se sente, não tem semente, não é natureza, natural do ser gente.

É muito maior o quanto dói naquilo que se convencionou chamar de dor.

É muito maior o sentimento naquilo que a palavra se acostumou a chamar amor.



Às vezes faltam palavras, falta muitas vezes.

Aí lembro do Michel, o tal de Foucault.

Não é exatamente sobre isso, mas acho que as palavras servem mais bem a coisas.

Por isso, talvez seja natural faltarem para as coisas que só não são exatamente coisas.

Apesar de não saber o que escrever, faltarem palavras, "...Nao hà nada no mundo que possa fazer…Eu…deixar de gostar de você…".

É d'uma música, e "gostar" é desses casos em que a palavra mostra limitação, sua incapacidade, mas assim cantou Bethânia.

Sei que não tem nada a ver, mas além de desejar, e sei nunca será possível, que você realize todos os seus desejos, saiba que faltam palavras e ainda desconfio, felizmente, sempre faltarão para o que não tem semente, não é da natureza natural do ser gente.

Para o que não basta ler, pois precisa sentir, não se explica e se entende, no olhar, no tocar, no pensar…é falta palavras, mas só palavras…

Sabe é muito maior o quanto dói naquilo que se convencionou chamar de dor.

É muito mais e não pode caber naquilo que a palavra acostumou a chamar amor.





 O corpo humano nos ensina, embora únicos e compostos de únicos, precisa do braço, da mão, do lóbulo, do rim, da perna… da direita, também da esquerda, do equilíbrio. O corpo humano tem vários órgãos, artérias, veias, sangue a fazer bater o coração. O corpo é uno, mas depende de tantos outros, diversos, em harmonia para funcionar.

Ninguém desenvolve se não tiver crítica, erros, referências, aprendizados.

Ninguém cresce, floresce, progride se todos sempre concordam.

Ninguém está só certo, só errado.

Não existe gente de bem, não existe gente de mal, só existe gente.

A falência da nossa humanidade fica mais evidente quando leis são feitas para obrigar seres humanos serem humanos.

 O amor é incontrolável.

Não sei se dá para aprender, mas não dá para ensinar.

Não dá para pedir, não dá para dar.

Pode até ser descoberto, mas não dá para esconder.

Quando o amor acontece ele acontece porque tem que acontecer.

As vezes acho que é descontrolado, mas não ele é espontâneo…



Um programa habitacional não pode contemplar apenas a aquisição de imóveis.

Considerando o substantivo número de residências construídas e desocupadas, existentes no país, seria interessante pensar um modelo híbrido, semelhante ao Europeu, e incorporar um projeto de aluguel social.

Além de reduzir, de imediato, o déficit habitacional atende a camada de menor posse, valores mais baixos que as prestações da compra, gera renda aos proprietários das unidades ociosas, e os custos dessa política também seriam bem menores.

Ainda, imóveis da União, dos estados e municípios, vazios, poderiam ser utilizados na política habitacional.

 Quando se apaga a luz grita mais alto.

Sua ausência enche o vazio.

É, não sei se a luz nasce mesmo na escuridão.

Só sei que nessa hora não se sabe o que dizer, desnecessário dizer que a lágrima rola, que o choro chora, todo mundo pode ver.

Eternamente é muito tempo.

Sinto sem vontade de sentir, sinto por sentir sentimento.



Será que no outro lugar a gente pode encontrar com a gente que a gente acha que nunca mais estará?

Gente que é importante a gente nunca deixa de ver, nas fotografias, nos objetos, na lembrança, na saudade, na memória, nos sinais, nos sonhos, elas existem, elas persistem, elas estão.

É gente que a gente é, e por isso nunca deixa de ser, vive dentro da gente, mas será que um dia a gente poderá estar junto delas novamente, será?

Sabe, se a gente soubesse seria gratificante, mas também muito perigoso. Peligroso...

Se a gente soubesse que poderia estar novamente com tanta gente tão importante poderia ter vontades de não estar mais com tanta gente tão importante quando achasse que elas não estão mais com a gente.

Mas, feliz ou infelizmente a gente não sabe.

Acha, é possível, sonha, pode ser improvável, mas jamais tem a certeza e essa dúvida, essa imprevisibilidade, faz a gente esperar o tempo decidir para a gente.

Dor é coisa de viver.

Só o ser vivo sente dor, enquanto sentir dor sabe ser e estar nessa dimensão, nessa emoção, nessa vida, vivo nesse amor, nessa importância, nessa necessidade, de ser e estar gente.

Hoje eu sei dizer o que preferiria, se pudesse, se soubesse, nessa hora, nesse agora, mas não sei se estaria certo.

Certamente, a incerteza é combustível do viver, e a gente vive sem saber, se soubesse, se tivesse, muito provavelmente preferiria não ter.

Viver é dúvida, dúvida que a gente precisa, pra viver.

Todo dia a vida corre risco e é arriscado viver, viver e ver algo vivo vir e surpreender.

Qual graça teria se andássemos sobre o fio da certeza e soubéssemos, programassemos, esperassemos tudo ser exatamente como imaginassemos?

Tudo fosse previsível, matariamos o improvável, o impossível, o surpreendente, o imponderavel, o algo mais, não daríamos chance ao acontecer.

E é sobre vida, é sobrevida, é sobre viver.

Minha mãe dizia, tantas outras pessoas também, que Deus, prefiro Deusas, escreve certo por linhas tortas… não acho mais que são linhas tortas, a gente só não sabe, não alcança, não consegue compreender, não tem a menor ideia de como rascunha, desenha e constrói o destino.

Imagina o corpo humano, a natureza, a complexidade inscrita em artérias, veias, fluxos, órgãos, composições, funções, quanta física, tanta química, cálculos, somas, subtrações, divisões, arranjos, combinações e inexplicáveis, e inacreditáveis, arranjos e, e inimagináveis, pelo menos pra gente, mortais, limitados, humanos, seres.

Humanos seres, cheios de histórias, escritas, escrotas, contadas, cantadas, tocadas sob o escrutínio do encantamento. 

Encanto, num canto qualquer, proporcionado pelo fato de não saber, mas aprender, descobrir, revelar, por simplesmente ser, estar, encontrar, ganhar, perder e as vezes achar se perder.


Eu preciso de você, da sua voz, do seu olhar, do seu cheiro, do seu sorriso, do seu sabor, gosto, do seu gosto, do seu calor, do seu...

De muito, de tudo, de um pouco preciso, preciso demais.

Preciso de você.

De você preciso.

Preciso para ser.

Para ser preciso.

Para ser, preciso.