Quando se apaga a luz grita mais alto.
Sua ausência enche o vazio.
É, não sei se a luz nasce mesmo na escuridão.
Só sei que nessa hora não se sabe o que dizer, desnecessário dizer que a lágrima rola, que o choro chora, todo mundo pode ver.
Eternamente é muito tempo.
Sinto sem vontade de sentir, sinto por sentir sentimento.
Será que no outro lugar a gente pode encontrar com a gente que a gente acha que nunca mais estará?
Gente que é importante a gente nunca deixa de ver, nas fotografias, nos objetos, na lembrança, na saudade, na memória, nos sinais, nos sonhos, elas existem, elas persistem, elas estão.
É gente que a gente é, e por isso nunca deixa de ser, vive dentro da gente, mas será que um dia a gente poderá estar junto delas novamente, será?
Sabe, se a gente soubesse seria gratificante, mas também muito perigoso. Peligroso...
Se a gente soubesse que poderia estar novamente com tanta gente tão importante poderia ter vontades de não estar mais com tanta gente tão importante quando achasse que elas não estão mais com a gente.
Mas, feliz ou infelizmente a gente não sabe.
Acha, é possível, sonha, pode ser improvável, mas jamais tem a certeza e essa dúvida, essa imprevisibilidade, faz a gente esperar o tempo decidir para a gente.
Dor é coisa de viver.
Só o ser vivo sente dor, enquanto sentir dor sabe ser e estar nessa dimensão, nessa emoção, nessa vida, vivo nesse amor, nessa importância, nessa necessidade, de ser e estar gente.
Hoje eu sei dizer o que preferiria, se pudesse, se soubesse, nessa hora, nesse agora, mas não sei se estaria certo.
Certamente, a incerteza é combustível do viver, e a gente vive sem saber, se soubesse, se tivesse, muito provavelmente preferiria não ter.
Viver é dúvida, dúvida que a gente precisa, pra viver.
Todo dia a vida corre risco e é arriscado viver, viver e ver algo vivo vir e surpreender.
Qual graça teria se andássemos sobre o fio da certeza e soubéssemos, programassemos, esperassemos tudo ser exatamente como imaginassemos?
Tudo fosse previsível, matariamos o improvável, o impossível, o surpreendente, o imponderavel, o algo mais, não daríamos chance ao acontecer.
E é sobre vida, é sobrevida, é sobre viver.
Minha mãe dizia, tantas outras pessoas também, que Deus, prefiro Deusas, escreve certo por linhas tortas… não acho mais que são linhas tortas, a gente só não sabe, não alcança, não consegue compreender, não tem a menor ideia de como rascunha, desenha e constrói o destino.
Imagina o corpo humano, a natureza, a complexidade inscrita em artérias, veias, fluxos, órgãos, composições, funções, quanta física, tanta química, cálculos, somas, subtrações, divisões, arranjos, combinações e inexplicáveis, e inacreditáveis, arranjos e, e inimagináveis, pelo menos pra gente, mortais, limitados, humanos, seres.
Humanos seres, cheios de histórias, escritas, escrotas, contadas, cantadas, tocadas sob o escrutínio do encantamento.
Encanto, num canto qualquer, proporcionado pelo fato de não saber, mas aprender, descobrir, revelar, por simplesmente ser, estar, encontrar, ganhar, perder e as vezes achar se perder.
Eu preciso de você, da sua voz, do seu olhar, do seu cheiro, do seu sorriso, do seu sabor, gosto, do seu gosto, do seu calor, do seu...
De muito, de tudo, de um pouco preciso, preciso demais.
Preciso de você.
De você preciso.
Preciso para ser.
Para ser preciso.
Para ser, preciso.
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