sábado, 14 de janeiro de 2023

 Estranho, assim como a ignorância e o exótico, é filho da distância.

O familiar, por sua vez é legítima cria da proximidade.

De perto, diariamente, o diverso nas suas diversas formas naturais, aromas, sabores e cores adquirem DNA, sangue, ganham identidade, pertencimento.

O comum, o próximo, o familiar, nasce do cruzamento de perto com diariamente.

O exótico, o estranho, o diferente, o outsider, é resultado acentuado pelo raramente, que não é frequente.

De perto é mais fácil ver as diferenças, mas também com elas acostumar, aceitar, conhecê-las e ao reconhecer cada dia ser mais difícil percebê-las, por isso misturam-se e compreendidas como semelhanças são.

Mas, mesmo improvável, uma vez não percebidas em razão de viver com ou com viver, conviver, elas passam a fazer parte.

Ou parte fazer…

Todo mundo é diferente, e isso faz todo um ser especial.

Tem tanta coisa em comum em todo um, as diferenças mais que comuns são fundamentais, faz cada ser ser único, ser original.

Na realidade o ser não é diferente, é estranho, é diverso, por certo ninguém é comum, incomum é ser desigual.

O natural não é igual.

Todo ser para ser precisa do outro ser, para se viver o outro precisa encontrar o outro…



As palavras e as coisas, assim disse Foucault, para coisas.

Acho que as palavras servem mais bem para as coisas. 

O que não se sente, não tem semente, não é natureza, natural do ser gente.

É muito maior o quanto dói naquilo que se convencionou chamar de dor.

É muito maior o sentimento naquilo que a palavra se acostumou a chamar amor.



Às vezes faltam palavras, falta muitas vezes.

Aí lembro do Michel, o tal de Foucault.

Não é exatamente sobre isso, mas acho que as palavras servem mais bem a coisas.

Por isso, talvez seja natural faltarem para as coisas que só não são exatamente coisas.

Apesar de não saber o que escrever, faltarem palavras, "...Nao hà nada no mundo que possa fazer…Eu…deixar de gostar de você…".

É d'uma música, e "gostar" é desses casos em que a palavra mostra limitação, sua incapacidade, mas assim cantou Bethânia.

Sei que não tem nada a ver, mas além de desejar, e sei nunca será possível, que você realize todos os seus desejos, saiba que faltam palavras e ainda desconfio, felizmente, sempre faltarão para o que não tem semente, não é da natureza natural do ser gente.

Para o que não basta ler, pois precisa sentir, não se explica e se entende, no olhar, no tocar, no pensar…é falta palavras, mas só palavras…

Sabe é muito maior o quanto dói naquilo que se convencionou chamar de dor.

É muito mais e não pode caber naquilo que a palavra acostumou a chamar amor.





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