Estranho, assim como a ignorância e o exótico, é filho da distância.
O familiar, por sua vez é legítima cria da proximidade.
De perto, diariamente, o diverso nas suas diversas formas naturais, aromas, sabores e cores adquirem DNA, sangue, ganham identidade, pertencimento.
O comum, o próximo, o familiar, nasce do cruzamento de perto com diariamente.
O exótico, o estranho, o diferente, o outsider, é resultado acentuado pelo raramente, que não é frequente.
De perto é mais fácil ver as diferenças, mas também com elas acostumar, aceitar, conhecê-las e ao reconhecer cada dia ser mais difícil percebê-las, por isso misturam-se e compreendidas como semelhanças são.
Mas, mesmo improvável, uma vez não percebidas em razão de viver com ou com viver, conviver, elas passam a fazer parte.
Ou parte fazer…
Todo mundo é diferente, e isso faz todo um ser especial.
Tem tanta coisa em comum em todo um, as diferenças mais que comuns são fundamentais, faz cada ser ser único, ser original.
Na realidade o ser não é diferente, é estranho, é diverso, por certo ninguém é comum, incomum é ser desigual.
O natural não é igual.
Todo ser para ser precisa do outro ser, para se viver o outro precisa encontrar o outro…
As palavras e as coisas, assim disse Foucault, para coisas.
Acho que as palavras servem mais bem para as coisas.
O que não se sente, não tem semente, não é natureza, natural do ser gente.
É muito maior o quanto dói naquilo que se convencionou chamar de dor.
É muito maior o sentimento naquilo que a palavra se acostumou a chamar amor.
Às vezes faltam palavras, falta muitas vezes.
Aí lembro do Michel, o tal de Foucault.
Não é exatamente sobre isso, mas acho que as palavras servem mais bem a coisas.
Por isso, talvez seja natural faltarem para as coisas que só não são exatamente coisas.
Apesar de não saber o que escrever, faltarem palavras, "...Nao hà nada no mundo que possa fazer…Eu…deixar de gostar de você…".
É d'uma música, e "gostar" é desses casos em que a palavra mostra limitação, sua incapacidade, mas assim cantou Bethânia.
Sei que não tem nada a ver, mas além de desejar, e sei nunca será possível, que você realize todos os seus desejos, saiba que faltam palavras e ainda desconfio, felizmente, sempre faltarão para o que não tem semente, não é da natureza natural do ser gente.
Para o que não basta ler, pois precisa sentir, não se explica e se entende, no olhar, no tocar, no pensar…é falta palavras, mas só palavras…
Sabe é muito maior o quanto dói naquilo que se convencionou chamar de dor.
É muito mais e não pode caber naquilo que a palavra acostumou a chamar amor.
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