segunda-feira, 17 de outubro de 2022

 Embora quiséssemos, pareça o cenário ideal, não se cura, felizmente, a dor do sentir por não ser doença, por sentir incluir dor.

Ainda, não tem remédio rápido para o desconforto, muito pela razão de não ser rápido, de demorar, de se somar, se dividir, subtrair e se múltiplicar, de crescer, desenvolver, ser maior, pior, melhor e nunca ser menor, de ser sentimento, que acontece a medida do tempo.

Sentimentos acontecem, aparecem e tomam formas, não desaparecem, se transformam, se deformam, degenera, regenera...

O problema não é sentir, mas não mais sentir, indiferente, insensível...

As vezes desencanto, desespero, desesperança fazem a gente achar que parou de sentir.

Mas, se isso nos incomoda é sinal que se sente, e sinto muito.

Quando o tanto faz quanto tanto foda-se se estabelece e pouco importa falar, dizer, contar, ouvir e escutar estamos diante do verdadeiro problema, do não sentir.

Por mais que pareça mínimo, o sentimento é sempre o máximo e a vida que agente vive, com altos e baixos, progressos e retrocessos, encantos e desencantos, só sente vivo.

As vezes demora para gente entender que o amargo também é sabor.


Regeneração...


Curiosa a dualidade, mas dentro desses pares há sempre milhares de pequenas partes, das experiências, de surpresas, das repetições... então, dizer que são pares é só uma forma de simplificar e de não conseguir explicar o que nem sempre tem explicação.



Criar referência não deveria ser objetivo, mas as vezes isso acontece, e quase nunca é por acaso, mas pelo reconhecimento de outras, de outres, do outro.


Existe fórmula para criar referência?


Merecer deferência?


Acho que não. A genialidade acontece naturalmente e, não raro, deixa de ser imediatamente reconhecida.






É engraçado, talvez nem seja, como as vezes sinto ter amigos imaginários.
Quando era criança, faz tempo, eu brincava sozinho, e me divertia com algumas imagens.
Não sei se era só imaginação, provavelmente, mas eu via o que não existia. As vezes sentia medo, mas essas pessoas, essas imagens, eram as minhas melhores, as vezes únicas, companias.
Hoje, sozinho, gostaria que eles aparecessem, mas isso não acontece.
Por outro lado, tenho amigos de verdade, que também não aparecem.
Eles existem, vivem, mas como não os vejo são como os amigos imaginários.
É engraçado, saber que conheço um bom número de pessoas, elas são reais, mas parecem viver só na minha imaginação.
Certo modo, são iguais aqueles de quando, faz muito tempo, eu era criança.
Acho que isso é coisa da solidão, uma solução, autodefesa, remédios para não sentir solidão.
Eu sempre falei muito, mas disse sempre quase nada.
É engraçado, não sei se é, como a maioria das pessoas que me conhecem, sabem pouco ou nada de mim.
Algumas até acham, eu não duvido, mas sabem só o que não tenho vergonha, medo, receio.
Eu sou muito bom nisso, disfarço, desapareço e deixo transparecer só o impossível esconder.
Pra ser sincero, não sei o peso dos meus pecados, da minha insegurança, o tamanho das minhas fantasias, das minhas dúvidas, nem as incertezas sobre os meus achos, não gosto de certezas, é coisa que eu detesto.
Enfim, as vezes até acho bom que todos sejam, ou pareçam, tão imaginários.
E eu, os imagino da melhor forma que consigo, que posso, que sei.
Sinceramente, não sei se seriam e continuariam meus amigos, por tanto tempo, se fossem mais reais e menos imaginários.
Por falar em tempo, quanto é muito tempo?
E... quanto é pouco tempo ou quanto é o tempo que está entre o muito e o pouco???





O mundo é inundado por produções com enfase em violência, em matança, em mortes.

Matadores, ladrões, criminosos são colocados como heróis que matam outros matadores, ladrões e criminosos inimigos, rivais, supostamente, vilões.

Enquanto isso, a realidade em que heróis sem fama para sobreviver desafiam as probabilidades, a crueldade, é desprezada.

Heróis são as pessoas que trabalham para criar filhos, construir casas, fazer bem ao outro, sobreviver honestamente, sem matar, roubar, cometer crimes.

Heróis são as pessoas que amam, cuidam, protegem, amparam, recebem, acolhem, estudam, vence as probabilidades através das suas possibilidades, mesmo sem oportunidade.

Esses heróis, repletos de humanidade, de caráter, de ética, moral, responsabilidade, solidariedade, de ensinamento, de aprendizado, salvadores de vidas, que eu gostaria de ver nas produções, nos filmes.

Heróis, sem violências, mas heróis de decência, com defeitos e virtudes, com bondade, com amigos, que respeitam leis, o outro, valorizam vida e humanidade.

Mas, a civilidade dessa sociedade semeia violência, vende violência, maldade, crueldade, selvageria, barbaridade como entretenimento e sabem que vender esse produto não é por pura inocência.

Vedem violência como referência.

Violência, sangue, armas são exibidas, entregues, veiculadas, feitichizadas para serem compradas...

Dizem, frequentemente, "a vida imita a arte", mas será?
Arte é criação da criatura, do ser humano, do ser vivo, é do criador e principalmente do admirador.
É expressão e representação de experiências, de sensações, de conhecimento, de reconhecimento, de criatividade, do poder de transformar o que seres vivos vivem, querem e imaginam viver ou fazer vida.
Sendo assim, a vida, o acontecer, é incapaz de qualquer coisa imitar, coisa que, por sua parte, a arte também não é capaz de fazer.
Para sermos mais razoáveis, a arte representa, apresenta, manifesta sentimentos de gente que vive ávida a vida e assim a aviva.
A vida não imita a arte, nem a arte reproduz, copia, imita a vida.
Simplesmente, a arte convida, enviva, enfeita, encanta, confeita, respira o ser vivo, com vida, inspirado viver a vida.

Eu.

Eu e muitos.

Eu e muitos outros.

Eu. Eu e todo mundo.

Todo mundo e eu.

Eu não sou gente de bem.

Eu não sou gente de mal.

Eu, tenho defeitos, tenho virtudes.

Tenho defeitos que são virtudes.

Tenho virtudes que são defeitos.

Sou o equilíbrio de defeitos, de virtudes, de boas e más ações.

Entre o meu bem e o meu mal hão muitas faces e facetas, situações, condições, conjunturas, ações.

Não sou só bom.

Não sou só mau.

Sou bom e mau.

Entre o bom e o mau há muito mais.

Não sou gente de bem.

Não sou gente de mal.

Eu sou gente.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

História, essencialmente, é do tempo presente.

A historiagrafia eterniza, independente da sociedade, da corrente, do tempo.

Todo passado já foi presente e todo futuro, antes de passado, será presente.

O passado, o fato, o momento, o objeto de registro, formal ou informal, a fonte, será acessada, consultada, produzida, para as perguntas e respostas feitas num presente determinado, datado, assinado, registrado.

O censo na era do individualismo, da desconfiança, da ignorância, da negação, da desinformação, do ódio, do psicopatetismo…


Nos anos 1970 mesmo sem tanto acesso a informação, ou enformação, a maioria das pessoas não só conhecia como reconhecia o censo.

A contagem, recontagem, atualização do número e do perfil da população era revestida de valor, de importância.

Os recenseadores eram recebidos com educação, as pessoas mesmo sem saber todos os motivos, se achavam no dever em prestar as informações para a gestão do país.

Mesmo feito a mão, num processo que exigia mais tempo, para preencher papéis, fichas, formulários, como queira, o trabalho era realizado com mais precisão, por um simples fator, o espírito de colaboração, de solidariedade e de reconhecimento, de consciência da sociedade.


O censo é coisa séria.

Recenseadores, todos os dias, convivem com bocas sem dente, com barrigas vazias, com doenças, com esgoto, com a precarização, com o desamparo, com o desemprego, com o desespero.

Também com o trabalho, com a luta diária para ter o que comer, onde morar e fazer malabarismos para driblar a miséria.

O censo é coisa séria.

Apesar de tanta dor e dissabor, convive também com a simpatia, de pessoas simples que oferecem um copo d'água e sorriem com amor.

O censo é coisa tão séria que deveria ser realizado pelos políticos.

Talvez assim, com a oportunidade de ver a realidade sem verba pública, sem paletó, sem ar condicionado, sem comes e bebes, sem mordomia, conheceriam, reconheceriam e conjugariam verbos para que ela não fosse tão cruel, tão desesperadora.

Ninguém pode ficar rico, milionário, fazer fortuna, comprar milhares de imóveis, tão somente parasitando a vida pública, apropriado-se de cargos públicos, mamando ad eternum nas tetas...

O político, tomador de cargo público eletivo e temporário, precisa usar transporte público, saúde pública, educação pública, segurança pública, defensoria pública, tudo público e, no máximo, sobreviver com um salário mínimo.


Impossível é a mais usual resposta de quem não quer tentar.


 Inovar, pode até ser, mas não é simplesmente fazer o novo, é fazer mais simples, mais produtivo, mais resistente ou frágil, mais fácil, acessível, para satisfazer a necessidade de cada sociedade em sua respectiva época.

Ou seja, tratar e melhorar as bases, descobrir novas bases, ampliar aplicações.


A relação entre seres humanos forja a humanidade.


Vínculo/proximidade 

Dependência.    Necessidade 

Interesse.           

Reciprocidade.   Interdependência

Solidariedade.    Relação

Afetos.                Sentimentos


 Palavras não dão conta de contar todos sentimentos.

Elas se esforçam, não é culpa delas, mas não conseguem reportar tudo que se sente.

As palavras...para as coisas... pessoas, gente...

Você não sabe, acho, nem poderia saber, tantas vezes que eu penso só em você.

Muito menos quantas vezes pensei que não poderia como penso pensar.

Tem sentimentos que por mais que tente a gente sente e parar de pensar não dá.

Mas eu nem consigo dizer, mesmo quando tento, não consigo falar.

Não consigo, eu sei, não sou capaz, nem de falar...


A palavra é impotente diante da potência do sentimento.

A gente nem sabe direito o que sente, confunde paixão, atração, a necessidade de sentir dor com amor.

Amor é mais que palavra…


A palavra comporta/suporta coisas, não sentimentos.


O vocabulário sempre será imitado, a palavra só dá conta de coisas, limitada, não do sentimentos...encantados, surpreendentes, inesperados…

Gente é feita do romance com o ilimitado…


Somos animais.

A relação entre seres humanos forja a humanidade.


O ser humano, esse selvagem humanizado pela vida em sociedade, parece sempre estar mais preocupado com saída e chegada, por isso às vezes deixa de perceber os prazeres, as surpresas, espalhadas no caminho traçado pelos sentidos na direção do destino.


É a humanidade, a vida em sociedade, que controla, freia, reduz os instintos primitivos, selvagens, a nossa natural ferocidade.


Somos animais, o que contém a nossa ferocidade, primitividade, ferocidade é a humanidade construída no convívio, na vida com o outro, em sociedade.


O psicopata finge humanidade com o objeto de saciar suas necessidades.

Esse ser só existe na sua dimensão individual, olha, pensa e age apenas para si mesmo, idi otis.

Ao ignorar, desprezar, o outro, a sociedade, não desenvolve sentimentos.

Como não possui amor, não sente dor.

Roubar para ele não é crime, mentir não é danoso, pois na sua psicopatia tudo é dele.

E, embora possa parecer, sequer defende os seus, familiares e próximos, se esforça para evitar que os desvios, os crimes, as atrocidades deles possam atingi-lo, prejudicar, e assim não possa mais usá-los.

O psicopata não vê limites para matar as suas fomes, satisfazer os seus instintos mais primitivos, selvagens, animalescos, por conseguinte, desumano.

Por isso tem prazer em matar, deixar morrer e, até, se alimentar do seu único alimento, seres humanos.



O sistema capitalista construído sob a lógica binária esvazia o desempenho e privilegia o resultado. Desta forma, posiciona indivíduos como vencedor e, em oposição, como perdedor, onde quem vence ganha e o derrotado perde.

Comumente desconsidera entre esses dois modelos, que só se perde de alguém que venceu e que só se vence de alguém que perdeu, estar o aprender.

Sendo assim, para simplificar, devemos perceber, sempre foi assim e assim será, a sociedade não será exclusivamente de vencedores tampouco de perdedores, mas as perdas e os ganhos são o processo. Assim, não existe sociedade de vencedores ou de perdedores, mas a sociedade do aprendizado, apesar de avanços e retrocessos, de vitórias e derrotas, o processo é constante  e em evolução.

Para ir mais fundo, o que por ora parece correto, com o passar do tempo pode se mostrar equivocado, incorreto, "errado".

E ao contrário, a experiência ruim, o dissabor, a escolha fracassada, nessa mesma esteira do tempo pode se transformar em dádiva, evitar maiores sofrimentos.

No entanto, não existe certo ou errado, o que existe é aprendizado.



A música é um registro emocional, livre, que diz o que quer dizer para quem ouve ouvir como quiser, puder ou conseguir entender. Liberdade...


Quando se convive com diferentes, embora, e felizmente, as diferenças persistam, a aproximação aclara, permite identificar, conhecer, reconhecer, promover o encontro de semelhanças. Por isso, o diverso, diversas vezes, se confunde com igual.

Sendo mais fácil enxergar os "mesmos" problemas e soluções esses, até, pareçem comuns/similares, quando não são.

Cada ação, embora possível de replicar, é única e depende de vários fatores. De determinadas condições sociais, políticas, econômicas, intelectuais, culturais. Para resumir, depende da sua respectiva condiçao humana, de cada condição de "temperatura" e "pressão".

Talvez o maior erro do ser humano seja manter a distância e desviar o olhar do diferente, a indiferença, enquanto tenta ver a semelhança como igual.

A única igualdade entre semelhantes é justamente todos serem naturalmente diferentes, e isso não é um problema, muito pelo contrário.

Só o artificial pode ser, mesmo muito relativo e discutível, igual.

Pois não são as mesmas coisas, são produzidos em locais, máquinas, material distinto, em momentos diferentes...mas causam essa percepção de igualdade.


Aprender só se aprende aprendendo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

 E se, só seguisse adiante e não olhasse para trás?

Andaria sem lembrar, mas também sem esquecer, sem aprender, sem ensinar, não teria motivos para ir, nem para voltar, pelo nada vazio andaria vadio...baldio.

Se assim seguisse, andando sem vida, sem porto de chegada, sem ponto de partida, não teria...despedida.

Ah se eu soubesse dizer tudo que há no meu peito.

Mas, não existem todas as palavras capazes de explicar cada sentimento.

As palavras até fingem dizer, mas só uma parte, um pouco, elas conseguem contar.

Não que não digam, mas elas só dão um gosto, só dizem um pouco, que já é muito, do que não se pode ou se sabe falar.

Por isso a gente só sente e nem sempre conseguem entender o sentimento da gente.

Por isso é preciso olhar para trás antes de ir adiante, antes de andar.

Viver seguir o caminho, andar para frente sem deixar de olhar para cima, para os lados, para trás, pois independente de tudo, de todas as coisas, de toda sorte, a gente anda e caminha sempre no rumo da morte.


Não sei, mas acho que sentimento não precisa rimar...


Tudo tem seu tempo, não é qualquer agora, é preciso esperar, se toda hora houvessem flores, mesmo sem ser, poderia achar vulgar, a gente sempre espera a flor florir e o tempo das flores sorrir.

Tudo que vale a pena, vale mais ainda quando precisa esperar…


Tudo de amar tem preliminar, até parece a espera o prazer temperar, para ser mais intenso, especial o gosto de gozar...

Tudo tem o seu tempo, chega num exato momento, a luz da lua quando anoitece e os raios do sol no amanhecer, antes da árvore deixar saborear, comer o fruto, precisa esperar, pacientemente, a flor florescer…

...o amor só acontece quando tem que acontecer…

... quando se sabe esperar tudo fica mais gostoso, o tempo de amar precede e intensifica o gozo...