O censo na era do individualismo, da desconfiança, da ignorância, da negação, da desinformação, do ódio, do psicopatetismo…
Nos anos 1970 mesmo sem tanto acesso a informação, ou enformação, a maioria das pessoas não só conhecia como reconhecia o censo.
A contagem, recontagem, atualização do número e do perfil da população era revestida de valor, de importância.
Os recenseadores eram recebidos com educação, as pessoas mesmo sem saber todos os motivos, se achavam no dever em prestar as informações para a gestão do país.
Mesmo feito a mão, num processo que exigia mais tempo, para preencher papéis, fichas, formulários, como queira, o trabalho era realizado com mais precisão, por um simples fator, o espírito de colaboração, de solidariedade e de reconhecimento, de consciência da sociedade.
O censo é coisa séria.
Recenseadores, todos os dias, convivem com bocas sem dente, com barrigas vazias, com doenças, com esgoto, com a precarização, com o desamparo, com o desemprego, com o desespero.
Também com o trabalho, com a luta diária para ter o que comer, onde morar e fazer malabarismos para driblar a miséria.
O censo é coisa séria.
Apesar de tanta dor e dissabor, convive também com a simpatia, de pessoas simples que oferecem um copo d'água e sorriem com amor.
O censo é coisa tão séria que deveria ser realizado pelos políticos.
Talvez assim, com a oportunidade de ver a realidade sem verba pública, sem paletó, sem ar condicionado, sem comes e bebes, sem mordomia, conheceriam, reconheceriam e conjugariam verbos para que ela não fosse tão cruel, tão desesperadora.
Ninguém pode ficar rico, milionário, fazer fortuna, comprar milhares de imóveis, tão somente parasitando a vida pública, apropriado-se de cargos públicos, mamando ad eternum nas tetas...
O político, tomador de cargo público eletivo e temporário, precisa usar transporte público, saúde pública, educação pública, segurança pública, defensoria pública, tudo público e, no máximo, sobreviver com um salário mínimo.
Impossível é a mais usual resposta de quem não quer tentar.
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