terça-feira, 20 de setembro de 2022

A gente pensa muito, geralmente, naquilo que sente necessidade.

No que falta, no que faz muita falta.

Penso, diariamente, no amor.

Penso, sinto, enfim, é curioso como acho ter tanto e o que tanto tenho falta, faz falta, faz muita falta.

Enfim, quero, queria, amar, preciso de amor.

E estava pensando, o que é o amor?

Já pensei em várias, inúmeras, respostas, mas nenhuma parece completa. Pelo menos não completamente.

Ultimamente pensei, com toda sinceridade, que o amor é uma oportunidade.

Oportunidade de dar significado a vida, de se sentir significante.

Oportunidade de colorir os dias cinzentos, nublados, e dar significado ao significado.

Tá aí. Pode não responder, não completamente, mas o amor é uma oportunidade de dar significado a gente.

Cada tempo tem os seus próprios moldes, formas, enformação.

Cada época produz os seus próprios templos, suas mentalidades, sua sociabilidade, sua condição humana e sua humanidade.

Seus palácios e seus castelos...

Num passado, recente, e ainda anacronicamente em alguns rincões, o machismo se confundia com masculinidade. Podia ser sinal de virilidade, de prestígio, um padrão a ser seguido.

O jogo da sedução não apenas permitia, mas quase obrigava a pegar no braço, puxar, roubar um beijo.

Ser agressivo, arrogante, grosso, grotesco, bruto, mal educado podia demonstrar charme, ser motivo de atração.

Por outro lado, ser delicado, educado punha em cheque a orientação sexual. Nesses tempos, pretéritos, primitivo, chorar era sinal de fraqueza, fragilidade, e as pessoas, sobretudo o homem, precisava ser forte. Era como ser fraterno, carinhoso, sensível fosse defeito, desvio…

Quem esperava era otário, quem pedia era...quem respeitava era lerdo... covarde, motivo de questionamento e de piadas, machistas, até de pessoas que eram tratadas com respeito e zelo… sinal de que, no linguajar popularizado, "não gostava da fruta".

As orientações sexuais, fora de um suposto padrão binário, eram negadas, discriminadas, perseguidas, desnaturalizadas, tratadas como distúrbios, doenças, e essas pessoas aberrações.

Há bem pouco tempo, não se admitia olhar adiante, cogitar possibilidades, distinções, diferentes, diversos, somente o provavel, no molde daquela forma, mereceria respeito.

Até bem pouco tempo, a crítica mais crítica foi a classificação de "politicamente correto" para tratamentos respeitosos as diferenças. Embora, tudo na pólis seja político, deveríamos aceitar a mudança dos tempos, aperfeiçoamentos, adequações, ajustes das conologias sociais e o óbvio, pessoas não são iguais. Na realidade, nenhuma forma, espécie, ser da natureza, natural, naturalmente não é igual, no máximo guardam semelhanças, portanto, se assemelham, são semelhantes.

Cada tempo produz o seu próprio tempo, e o tempo passado, com todas as suas peculiaridades, passou e será substituído, impreterivelmente, por um novo tempo a cortigir virtudes e defeitos, produzir suas próprias virtudes e defeitos que serão afinados por constantes ajustes, adequações e, naturalmente, substituídos pelas virtudes e defeitos de outro e sucessivo novo tempo.

Tudo muda o tempo todo no mundo, disse o poeta, o compositor, o popular, só o que não muda é esse eterno e constante estado de mudança.

Olha, não está errado dizer que a gente muda o mundo, por conta da nossa experiência, inquieta e insaciável, de viver. De se relacionar, conviver, descobrir, criar, inventar, transformar e se transformar enquanto vive e depois com o que a gente fez quando viveu. Mas, também, não está certo, por conta do mundo sempre mudar a gente através de todas as diversas respostas, ainda sem perguntas, que fornece para quem vive a experiência de viver, no mundo.

Não sei se é o mais certo ou errado, também não conseguirei saber, mas acho que a gente, toda gente, muda o mundo enquanto o mundo muda a gente e tudo, mundo na/da gente e gente do/no mundo, vira outra coisa sem deixar de ser o que naturalmente é.

A chave dessa resposta ainda não tem perguntas, ou dessa pergunta, ainda, não tem resposta, até podem ser, talvez seja, múltiplas e/ou não ser resposta ou pergunta.

O que muda o mundo, e a gente, é o encontro dá gente no mundo e o mundo de gente. Os encontros, as sinergias, as catalizes, as integrações, as desintegrações, as interações, ações e reações, transformações…

O mundo sem gente não faz sentido. Assim como na faria sentido gente sem mundo, sem as coisas do mundo, não há grandeza sem natureza. Nós somos o mundo e o mundo, lá no fundo, é nós, amarrações, junções, complementos, completude.

A chave não é combater as diferenças, as desigualdades, mas universalizar, garantir e permitir acessos das semelhanças. Em outras palavras, possibilitar oportunidades e respeitar todos semelhantes, reconhecer as semelhanças.

Como assina a natureza, no mundo natural nada é completamente igual, mas pode ser similar, semelhante.

O Estado, os Estados nacionais, invenção humana, artificial, tem como finalidade proteger, amparar, defender a individualidade dos indivíduos, desiguais, que com as suas contribuições, participações, interações forma um corpo, um mundo de gente, uma sociedade, o artifício e sentido de público, de todos, na forja do Estado.

O motor que move esse mundo e a gente que vive nesse mundo é movido pela transformação de possíveis em prováveis. Provável é um efêmero completamente dependente da descoberta sobre as infinitas possibilidades. Quase tudo é possível, num universo desconhecido de respostas as perguntas pertinentes são capazes de torna-las prováveis. Possível é a resposta para qual ainda não foi formulada a(s) pergunta(s). Para toda resposta não existe uma só pergunta e vice-versa.


Preclaro 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

 Eu tive que aprender sozinho.

Aprender só, só aprender.

Eu era o que sou e não sabia o que era, acho que até hoje não sei.

Sempre fui moleque, imaturo, aventureiro, sempre arrisquei pois achava não ter nada a perder.

Só depois que perdi descobri que tinha, tinha tanto e hoje é que não tenho nada.

Acho que nunca mais vou ter alguma coisa, coisa alguma.

Perdi tudo o que tive e não dá para recuperar.

Não dá.

Não dá para recuperar o que se perde, principalmente aquilo que se perdeu por não saber que tinha.

Eu tinha tudo e hoje só tenho lembrança, saudade e muito arrependimento por aprender que tinha.

 As vezes usam, questionavelmente, a expressão: superou o mestre.

Não acho ser correto.

Na realidade o filho, o aprendiz, o aluno é, como todos, um ser diferente e, obviamente, pensa e faz coisas diferentes.

O aprendiz aproveita, como atalho, o que já foi descoberto, aprendido, ensinado e por já ter aquilo feito, realizado, faz o que seu mestre, seu professor, sua mãe e seu pai não pensaram, não quieram, não puderam ou não tiveram tempo para fazer.

Objetivamente, o processo é de sucessão, acumulação, são novas experiências e resultados que fornecerão bases a uma eterna cadeia de sucessão para o desenvolvimento de novas descobertas, através de experiências e resultados.

Podemos dizer o aprendiz jamais superar e sim suceder, acrescentar, adicionar, complementar, seguir possíveis sentidos, prováveis direções tendo como pano, como tela, aquilo aprendido, e ensinado, pelo mestre.

Para simplificar, de forma bem simples, o aprendiz põe temperos, cobre com chocolate, acrescenta outra estrofe, outro acorde, outra tonalidade, um parágrafo, um capítulo, observa do seu ponto de vista, da sua perspectiva, expectativas, atualiza, modifica sútil ou bruscamente a forma e assim, consequentemente, também o conteúdo, o resultado.

O mestre sempre será o mestre, a referência, a inspiração, o guia de iluminação, da imaginação, a raiz que transforma as energias ao caule que conduz a seiva e permite o milagre da flor.


 Mais que de terra a agricultura, qualquer cultura, precisa de umidade, precisa de água.

Quando se desmata não se mata somente a mata, mas nascentes, fontes, mananciais, córregos, ribeirões, rios, se disseca, elimina umidade, mata a água.


É significante, é significado.


"A raiva é mãe do medo, irmã da covardia" Chico Buarque - caravana.


Sinceramente, talvez esteja enganado completamente, pudesse até pensar diferente, mas na minha opinião racista não merece nem ser chamado de gente.


É muito óbvio, não é nenhuma novidade, também não é profundo, mas é fácil perceber.

Para tudo que não há explicação evoca-se o nome de Deus. E isso, embora seja, não chega a ser um grande problema. O problema, creio, é evocar o nome, a divindade, a energia mítica para não explicar o explicável e por na conta de Deus, dos deuses, das figuras e energias "sagradas" a responsabilidade.

Não, não foi Deus que quis assim.

Não, não é graças a Deus.

Todas as vezes que se põe na conta de um Deus suprimos a nossa diminuímos o nosso esforço, a nossa dedicação, o nosso talento, competência, aprendizado. Se, por um lado, pode também não ser um problema, apesar de ser e demover responsabilidades dos competentes, por outro retira a responsabilidade, a obrigações, o dever, por incompetência ou, pior ainda, por negligência/maldade/arrivismo dos culpados.

Deus é e pode ser a resposta para os crentes, mas não pode servir de escudo, bengala, desculpas para os aproveitadores.

Enquanto ignorar for a receita dos poderosos para a manipulação não seremos apenas ignorantes, despossuídos, miseráveis, mas escravizados a serviço da elite, dos ladrões, dos ricos...

A religião, há séculos, toma tudo e finge conceder, nada, migalhas. A fé, a crença, a religiosidade não pode ser tomada como uma grande caixa registradora, máquina de roubar dinheiro, potente droga, fonte de vício. Por isso a primeira coisa é falar por ti, te fazer repetir, tomar a sua palavra, o teu seu pensamento, o seu agir...e, óbvio, te controlar, te fazer ignorar e acreditar que é correto dar, trocar, material por imaterial, até não receber essa recompensa. Pois você precisa doar incessantemente, fazer apostas, como num jogo.

E como nada explica, de todas as sementes que semeou, com tantas probabilidades, se atribui a germinação a alcunha de graça, milagre, benção… pensa, se você ninguém semear pode uma semente germinar?

Talvez existam milagres, mágicas, mas as dádiva divinais sobrevivem até o momento que não sejam explicáveis. Tipo o ser, enquanto não se saber quem plantou essa semente e porquê!





sexta-feira, 16 de setembro de 2022

As vezes eu tenho a sensação de não saber mais sonhar.

De não saber, desaprender, de não poder, de não conseguir, de ser proibido de sonhar.

Nesses momentos parece que o sonho, como tudo na vida, tem prazo de validade.

O tempo passou, a fábrica de sonho desandou, o sonho estragou, já não tenho muito tempo, nem capacidade de sonhar.

As vezes até tento, penso, insisto, mas logo a realidade traz de volta, desperta, acende a luz das limitações.

Pra sonhar é preciso uma porção, generosa, de ilusão, de esperança, de fantasia, não ter limites, de alucinação.

Pra sonhar não é preciso saber, mas acreditar na imaginação, que é possível, sobretudo, o improvável.

Quando a gente pisa o chão, racionalmente…

Eu sinto saudade, e pensar todo dia, toda hora, a cada segundo...pra simplicar, meu pensamento só pensa em você...

A natureza faz a gente de gente.

De dois, de três, de quatro, cinco, seis, dezenas, centenas, milhares, de indivíduos, de diferentes.

A gente, antes de ser gente, sem saber se gente vai ser, muito menos que sexo vai ter, já é amado muito antes de nascer.

Depois que nasce, mesmo antes de crescer, de aprender a falar, a andar, a olhar, aprende sem saber a amar.

A gente ama a mulher e o homem, as mulheres, os homens.

Ama Gente grande, gente pequena, gente preta, gente branca, gente amarela, gente parda, gente morena.

A gente ama gente.

Mãe, paí, avó, avô, tia, tio, irmã, irmão, prima, primo, amigos, amigas... A gente ama tanta gente, e para esse amor é tudo igual e é diferente.

A gente ama gente.

E gente, mulher e homem, mulheres e homens, mesmo sem saber o que a gente vai ser, nos ama também.

E a gente cresce, aprendendo a amar essa amores, amando toda gente que há.

Não tenho certeza, mas pelo que desde cedo aprendi, amar não é pecado.

Muito pelo contrário, acho que pecado é não aprender e nunca saber amar.

Eu aprendi a amar mulher e homem, homem e mulher, isso me define, eu amo quem o meu amor amar.

E se sempre foi assim, e assim sempre será, por qual razão insistem no desamor, na crueldade, no desrespeito, em recriminar homem que ama outro homem e mulher que ama outra mulher, e tentam desorientar a orientação de quem é somente o que é, gente, ser, humano, indivíduo, distinto, diferente, diverso, plural, semelhante?


Meu coração não escolhe quem amar, homem ou mulher, gay, lésbica, btqi..., ….ele simplesmente ama...ama gente 



Ah se eu pudesse.
Mudaria minha vida, faria ela ser bem diferente.
Tiraria o sofrimento, tiraria as dores, tudo o que acho errado, injusto…

Mas, será que uma vida tão perfeita seria perfeita sem...?

E se eu, não o destino, pintasse a minha tela, mudaria meu destino, faria algo diferente nessa vida da gente?

Hoje eu não lembrei de uma música pra você ouvir.
Até tentei, mas faltou inspiração, faltou vontade de dizer, faltou tudo, mas não faltou o pensar em você…

Prisioneiro de mim mesmo…
Não existe vontade de chorar, é justamente o contrário…
Nao se chora por vontade, talvez por necessidade…
A tristeza consome a calmaria, logo depois de devorar a alegria.
Apesar de não querer, o choro invade, ganha corpo, mistura vazio e saudade…
Se chora por dor, sofrimento, pela emoção, por amores, até por felicidade, é verdade, mas chorar não é legal, acontece quando vence a resistência e expõe a nossa fragilidade…
Acho que alguém pode até encontrar algo de bom no choro, mas, sinceramente, com esse alguém não faço coro.
Talvez as lágrimas possam molhar uma semente e ela germinar, mas choro, chorado, chorão, raramente, deixa de anunciar o fim de uma historia, o início de um terminar...ou de um acabar...


A memória desbota, perde as cores, os tons, deixa de ouvir ecos, os sons, os tons, de sentir odores, os cheiros, aromas…
O registro, o documento... conserva..

Minha família não anda armada.
Minha resolve na conversa, sem porrada, nunca na bala.
Minha família não anda na manada, não abre a porteira, e na canetada deixa passar a boiada.
Minha família não dá canelada, não pede emprestado, é de gente vacinada, se não é completamente de bem, de mal também não é, ninguém virou jacaré.
Minha família age com o coração, com a lei, com a razão, acata a constituição, não tem político, nem psicopatético, muito menos ladrão.
Não tem fábrica de chocolate, nem laranjal, ou mansão, também não faz rachadinha nem rachadão, ô cara de pau isso é corrupção.
Gado...safado 
Minha família sabe, na realidade, a palavra que mais fácil sai da boca dos safados, vagabundos, larápios, salafrários, corruptos, criminosos, mentirosos é, é, é...
"É mentira Terta?"
Verdade!

Chega de fascismo, de racismo, de machismo, de psicopatetismo, de intolerância, de ignorância, de familicia, de Rachadinha...

Filha do medo, a raiva é mãe da covardia.


sábado, 3 de setembro de 2022

 O Outro


O Outro só é importante para um Outro que se importa com o Outro.

Esse Outro encontra no Outro o que precisa, não aquilo que sacia a necessidade que é insaciável, mas aquilo que o completa.

Como são tantas as necessidades, várias as precisões, o Outro sabe que o Outro devolve o tanto quanto ele pode dar.

E essa relação recíproca o faz encontrar sentido, dar vazão a qualidade da sua razão.

Dá somente o que pode retribuir.

Devolve todo amor que reconhece receber e na medida exata que pode amar sabe entregar. 

O Outro complementa o Outro.

Um do Outro não é inteiro, tampouco metade, apenas parte.

É até uma parte que parte para encontrar Outra parte.


Viver se parece com catar amoras, acho tantas outras coisas também, a gente olha e vai pegar o que vê e quando toca, pra colher, por conta da perspectiva, algumas se escondem e aparecem outras, aumentando e diminuindo as expectativas.

Aparece o que não se vê e desaparece o que se viu.

Algumas são fáceis de pegar, outras, difíceis, carecem de um certo esforço.

Mas todas, como respostas, estão lá, precisa perguntar, olhar, mudar o foco, se afastar, se aproximar para poder pegar.

Elas não se escondem, mas também não se mostram, estão presentes, dadas, dispostas, assim como respostas, possíveis, esperando, passíveis, a pergunta.

Depende, como já dito, do lugar do olhar, do se pode enxergar, e a gente só consegue ver se ampliar o raio de visão, o campo de opção, as possibilidades de perceber.

O Outro


O Outro só é importante para um Outro que se importa com o Outro.

Esse Outro encontra no Outro o que precisa, não aquilo que sacia uma necessidade, já que essa é insaciável, mas é aquilo que completa.

Como são tantas as necessidades, várias precisões, o Outro sabe, e não precisa, que o Outro devolve o tanto quanto ele pode dar.

E essa relação, recíproca, solidária, complementar faz o outro no outro encontrar sentido, dar razão a qualidade da sua razão.

Da somente tudo o que pode retribuir.

Devolve todo amor que reconhece receber, e mesmo sem reconhecer, na medida exata ama porque pode amar e saber entregar. 

O Outro é o faz o Outro inteiro.

É quando o inteiro é inteiro por inteiro, e nunca foi metade.

Um do Outro não é inteiro, tampouco metade, apenas parte.

Partes que quando se encontram ampliam, dão significado, originam outra dimensão.

É até parte que parte, parte que fica, parte que não reparte mas encontra Outra parte.


Viver se parece com catar amoras, acho tantas outras coisas também, a gente olha e vai pegar o que vê e quando toca, pra colher, por conta da perspectiva, algumas se escondem e aparecem outras, aumentando e diminuindo as expectativas.

Aparece o que não se vê e desaparece o que se viu.

Algumas são fáceis de pegar, outras, difíceis, carecem de um certo esforço.

Mas todas, como respostas, estão lá, precisa perguntar, olhar, mudar o foco, se afastar, se aproximar para poder pegar.

Elas não se escondem, mas também não se mostram, estão presentes, dadas, dispostas, assim como respostas, possíveis, esperando, passíveis, a pergunta.

Depende, como já dito, do lugar do olhar, do se pode enxergar, e a gente só consegue ver se ampliar o raio de visão, o campo de opção, as possibilidades de perceber.



O Outro


O Outro só é importante para um Outro que se importa com o Outro.

Esse Outro encontra no Outro o que precisa, não aquilo que sacia uma necessidade, já que essa é insaciável, mas é aquilo que completa.

Como são tantas as necessidades, várias precisões, o Outro sabe, e não precisa, que o Outro devolve o tanto quanto ele pode dar.

E essa relação, recíproca, solidária, complementar faz o outro no outro encontrar sentido, dar razão a qualidade da sua razão.

Da somente tudo o que pode retribuir.

Devolve todo amor que reconhece receber, e mesmo sem reconhecer, na medida exata ama porque pode amar e saber entregar. 

O Outro é o faz o Outro inteiro.

É quando o inteiro é inteiro por inteiro, e nunca foi metade.

Um do Outro não é inteiro, tampouco metade, apenas parte.

Partes que quando se encontram ampliam, dão significado, originam outra dimensão.

É até parte que parte, parte que fica, parte que não reparte mas encontra Outra parte.


Viver se parece com catar amoras, acho tantas outras coisas também, a gente olha e vai pegar o que vê e quando toca, pra colher, por conta da perspectiva, algumas se escondem e aparecem outras, aumentando e diminuindo as expectativas.

Aparece o que não se vê e desaparece o que se viu.

Algumas são fáceis de pegar, outras, difíceis, carecem de um certo esforço.

Mas todas, como respostas, estão lá, precisa perguntar, olhar, mudar o foco, se afastar, se aproximar para poder pegar.

Elas não se escondem, mas também não se mostram, estão presentes, dadas, dispostas, assim como respostas, possíveis, esperando, passíveis, a pergunta.

Depende, como já dito, do lugar do olhar, do se pode enxergar, e a gente só consegue ver se ampliar o raio de visão, o campo de opção, as possibilidades de perceber.