Cada tempo tem os seus próprios moldes, formas, enformação.
Cada época produz os seus próprios templos, suas mentalidades, sua sociabilidade, sua condição humana e sua humanidade.
Seus palácios e seus castelos...
Num passado, recente, e ainda anacronicamente em alguns rincões, o machismo se confundia com masculinidade. Podia ser sinal de virilidade, de prestígio, um padrão a ser seguido.
O jogo da sedução não apenas permitia, mas quase obrigava a pegar no braço, puxar, roubar um beijo.
Ser agressivo, arrogante, grosso, grotesco, bruto, mal educado podia demonstrar charme, ser motivo de atração.
Por outro lado, ser delicado, educado punha em cheque a orientação sexual. Nesses tempos, pretéritos, primitivo, chorar era sinal de fraqueza, fragilidade, e as pessoas, sobretudo o homem, precisava ser forte. Era como ser fraterno, carinhoso, sensível fosse defeito, desvio…
Quem esperava era otário, quem pedia era...quem respeitava era lerdo... covarde, motivo de questionamento e de piadas, machistas, até de pessoas que eram tratadas com respeito e zelo… sinal de que, no linguajar popularizado, "não gostava da fruta".
As orientações sexuais, fora de um suposto padrão binário, eram negadas, discriminadas, perseguidas, desnaturalizadas, tratadas como distúrbios, doenças, e essas pessoas aberrações.
Há bem pouco tempo, não se admitia olhar adiante, cogitar possibilidades, distinções, diferentes, diversos, somente o provavel, no molde daquela forma, mereceria respeito.
Até bem pouco tempo, a crítica mais crítica foi a classificação de "politicamente correto" para tratamentos respeitosos as diferenças. Embora, tudo na pólis seja político, deveríamos aceitar a mudança dos tempos, aperfeiçoamentos, adequações, ajustes das conologias sociais e o óbvio, pessoas não são iguais. Na realidade, nenhuma forma, espécie, ser da natureza, natural, naturalmente não é igual, no máximo guardam semelhanças, portanto, se assemelham, são semelhantes.
Cada tempo produz o seu próprio tempo, e o tempo passado, com todas as suas peculiaridades, passou e será substituído, impreterivelmente, por um novo tempo a cortigir virtudes e defeitos, produzir suas próprias virtudes e defeitos que serão afinados por constantes ajustes, adequações e, naturalmente, substituídos pelas virtudes e defeitos de outro e sucessivo novo tempo.
Tudo muda o tempo todo no mundo, disse o poeta, o compositor, o popular, só o que não muda é esse eterno e constante estado de mudança.
Olha, não está errado dizer que a gente muda o mundo, por conta da nossa experiência, inquieta e insaciável, de viver. De se relacionar, conviver, descobrir, criar, inventar, transformar e se transformar enquanto vive e depois com o que a gente fez quando viveu. Mas, também, não está certo, por conta do mundo sempre mudar a gente através de todas as diversas respostas, ainda sem perguntas, que fornece para quem vive a experiência de viver, no mundo.
Não sei se é o mais certo ou errado, também não conseguirei saber, mas acho que a gente, toda gente, muda o mundo enquanto o mundo muda a gente e tudo, mundo na/da gente e gente do/no mundo, vira outra coisa sem deixar de ser o que naturalmente é.
A chave dessa resposta ainda não tem perguntas, ou dessa pergunta, ainda, não tem resposta, até podem ser, talvez seja, múltiplas e/ou não ser resposta ou pergunta.
O que muda o mundo, e a gente, é o encontro dá gente no mundo e o mundo de gente. Os encontros, as sinergias, as catalizes, as integrações, as desintegrações, as interações, ações e reações, transformações…
O mundo sem gente não faz sentido. Assim como na faria sentido gente sem mundo, sem as coisas do mundo, não há grandeza sem natureza. Nós somos o mundo e o mundo, lá no fundo, é nós, amarrações, junções, complementos, completude.
A chave não é combater as diferenças, as desigualdades, mas universalizar, garantir e permitir acessos das semelhanças. Em outras palavras, possibilitar oportunidades e respeitar todos semelhantes, reconhecer as semelhanças.
Como assina a natureza, no mundo natural nada é completamente igual, mas pode ser similar, semelhante.
O Estado, os Estados nacionais, invenção humana, artificial, tem como finalidade proteger, amparar, defender a individualidade dos indivíduos, desiguais, que com as suas contribuições, participações, interações forma um corpo, um mundo de gente, uma sociedade, o artifício e sentido de público, de todos, na forja do Estado.
O motor que move esse mundo e a gente que vive nesse mundo é movido pela transformação de possíveis em prováveis. Provável é um efêmero completamente dependente da descoberta sobre as infinitas possibilidades. Quase tudo é possível, num universo desconhecido de respostas as perguntas pertinentes são capazes de torna-las prováveis. Possível é a resposta para qual ainda não foi formulada a(s) pergunta(s). Para toda resposta não existe uma só pergunta e vice-versa.
Preclaro
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