Entre o não e o sim
começo,
entre
meio e fim
o lugar mais perto é o
copo
onde o teu
o meu
corpo
pode tocar
o único lugar
recuso acreditar
em que a tua e a minha
boca
te odeio, distância,
odeio odiar,
vão
se
encontrar
perder
ganhar
achar
amor
amar
Todos podem alterar, corrigir, reescrever. Apenas conserve a versão anterior e publique a sua. Não esqueça de incorporar seu nome. Resgatar o tempo perdido, usar a ciência como ferramenta, despertar para o renascimento, fornecer opções para preservação do meio.
Eu queria, parar de pensar em você.
Nem sei se isso é verdade, acho que não.
Mas não consigo, não sei se quero tentar, parar de pensar, se só no pensamento te encontro e penso pensando em você consigo, posso, pelo menos no pensamento estar com você.
pensando também em mim.
E só assim eu tenho, mesmo sem te ter...sem ter...
Não sei se deveria querer, mas quero, quero você meu bem querer.
Devia parar de pensar no que não vai acontecer.
Acho que por isso não preciso nem lembrar, e o pensamento não permite esquecer, penso porque só no pensamento acontece o que pode ou não acontecer.
As vezes chamam isso de sonho, sonho é como um rabisco, desenho feito de sentimento na areia do amar, que a onda apaga e pode apagar, mas o pensamento, que não sai da…, redesenha tudo e faz na areia gravar.
Gravada, solta, livre dentro de mim...
As vezes penso se a gente pensa ou só pensa que pensa???
O que não é, que acho nunca terei, o que quero ter, que não vai ser, o não pode acontecer, será que pode ser, você e eu, eu com você.
Sendo tudo o que é sem nada fazer para ser.
Incomoda, deixa confuso, não ter tudo, achar que não tenho nada a dar e tanto a perder.
Ah se não tivesse o que eu tenho poderia tentar o que acho não poder ter.
A busca por uma perfeição acaba por pasteurizar, retirar espontaneidade, negar as imperfeições que são naturais, a natureza é perfeita por ser imperfeita... ou não, nada é imperfeito, a perfeição está em ser diferente, em ver o outro muito mais que a sí mesmo... se fosse pra gente se olhar o olho não estaria em um ponto que não consegue ver o seu corpo todo... rsrs cara, a gente só consegue se ver por meio de um artifício... ou é melhor olhar o outro e com ele aprender…
A frase o mundo tá muito chato, tá muito chata rsrs nós pessoas estamos em transformação, a minha geração começou a transição, a sua já está em outro estágio... processo civilizador... mas o foda é que sinto um processo desumanizador...
Talvez devêssemos imitar os animais, esses que chamamos de irracionais..
Corrigindo... a minha geração não começou, ela está numa parte dessa transformação progressiva... nesse exato momento acho que precisamos retornar, desacelerar, voltar ao primitivo... é viagem...por isso não devo usar drogas rsrs mas sabe, a civilização andar mais, plantar mais, colher mais, contemplar mais, produzir menos... desracionalizar rsrs
Sem o outro não existe razão pra viver... o outro são todos os outros.
Precisamos fazer as pazes com o natural... reaprender a viver e perceber que a gente precisa do outro principalmente para se ver...
Quando eu partir, por favor, guarde o que viveu, no seu melhor lugar, e me conte tudo o que quiser, se eu voltar…
Quando eu voltar…
Eu acho que todas as respostas do mundo estão dadas no próprio mundo e nos cabe apenas fazer as perguntas.
Tenho perguntado muito, o que resta quando a gente pensa que tudo acabou?
Não sei se ainda resta alguma coisa, acho que pode restar…
A distância, falta de contato, não permite viver o mesmo tempo, congela a lembrança num momento que foge por não ser avivada, acessada, tocada, atualizada ao esquecimento.
Faz do que antes era necessário necessariamente ser substituído pelas necessidades.
A racionalidade acha que tudo o que é imprescindível para você, afetos, sentimentos, identidades, representatividades, quando não mais a toca deixar de se-lo.
E, mesmo assim, se insistentemente ainda o for, se precisa é essa energia que ama e compõe o amor desse ser, te manda a terapia, obrigam a desistir, a esquecer, a não ser o que é você...
Tudo no mundo dos humanos tem um nome. Botam nome em bicho, botam nome em planta, botam nome nos seres humanos, na gente …
Até o sentimento que ninguém consegue explicar decidiram denominar, chamam de amor e quando a gente ama todo mundo sabe que estamos a amar.
Eu quero morrer?
Não, não, eu queria viver.
Mas, viver é ter de suportar só dor, só solidão, só fracasso, só tristeza?
Se é, acho que ninguém quereria viver, nem mesmo sobreviver.
Isso é castigo, carma, desgraça, praga, maldição, e viver, acho que não é só isso não.
Na realidade o que não quero, não posso, não consigo é viver numa desvida, embora saiba que o início principia o fim, acho que não gosto dessa morte em vida.
Parece, que nessa ilusão de liberdade, a que somos aprisionados, sentir, amar, sofrer e doer, viver ou não viver, morrer, definitivamente não é opção, mas falta.
Nada depende do querer, do desejo, das tentativas, dos esforços concentrados e contínuos, mas, e principalmente, do acontecer.
Não adianta toda dedicação se não há talento, não adianta todo talento se não há oportunidade, não adianta oportunidade se não há reconhecimento, não adianta reconhecimento se não há surpresa... - seria possível prolongar o encadeamento, mas não precisa - não adianta surpresa se não há tesão e isso de pouco adianta sem paixão e amor.
Podemos pensar a escolha ser nossa, individual, que nós escolhemos, trilhamos, construímos, mas só respondemos a estímulos, a leis de compensação.
Perguntas são feitas, e desfeitas, apenas para as respostas conhecidas, reconhecidas e direcionadas pela percepção do alcance.
Esse raio é muito limitado, e é sim um estado de aproximação dado pelo sistema de probabilidades, mais ainda possibilidades determinadas por nossas habilidades, conhecimentos, pelas noções de capacidade adquiridas e desenvolvidas.
Só nos apaixonamos e amamos quem conhecemos, admiramos, aproximamos, trocamos, por quem nos dá prazer de estar, faz sonhar e promete, promete ser ainda melhor quando juntos.
A promessa, comumente, é quase sempre melhor que a realidade.
Todavia a realidade existe, se toca, se reconhece, se realiza e a promessa só promete.
Por isso é tão difícil arriscar, ter coragem de apostar e poder perder o que se tem para tentar o que falta.
Para amar é preciso conhecer, reconhecer e se reconhecer merecedor capaz de desejar esse amor.
Sobretudo esse amor parecer ser, por mais difícil e improvável, possível.
O principal motivo de amar é...
Sei que não tem nada a ver, ou haver.
Mas tem gente de tão especial que não cabe num foi, nem no será, sempre e só existe no é.
É pra sempre. E, a sede não acaba depois que a gente bebe água.
Sacia, por um tempo, mas inúmeras vezes se será necessário saciar.
Repetir, reviver, recordar.
A gente aprende que essa memória está para nossa história assim como nossa história está para a existência.
Mais que lembrança aquece o viver no lembrar e não conseguir esquecer.
As vezes é preciso tentar ou, mais bem, aprender a conviver com a improbabilidade do acontece não acontecer.
Essas pessoas tão especiais que não pertencem a um pertencer, a um estar, e só a temos ao não vê-las somente num lugar, limitadas, após compreender esse ser solto no ar, compreender o amar.
Pra essa gente a sensação da gente é de receber até quando dá.
Ninguém jamais conseguirá ser completamente feliz, mas pode todo dia sorrir, sentir alegrias, se iludir e tentar enganar a máxima, a lógica, se acreditar.
A chave está na crença, não precisa entender por não precisar explicar.
Não é o objetivo, mas o subjetivo. A promessa é sempre muito melhor que a realidade e a realidade é uma bosta.
A mentalidade do guardião, de todo e qualquer guardião, aquele que guarda, deve se baser no princípio do respeito e da responsabilidade. O guardião, fundamentado nesses valores, não impõe a força, a violência, o conflito. Muito pelo contrário, com a sua atuação e presença impede, reduz, evita tais modelos, ações, respostas.
A única resposta plausível para a guerra, a paz, se constrói com inteligência, conhecimento, responsabilidade, compreensão e alternativas.
O enfrentamento, última...
As vezes dizemos para alguém que queríamos dizer uma coisa.
Não é verdade e também não é mentira.
Queríamos que o algo a dizer mudasse a realidade, seduzisse, conquistasse.
O dito uma vez dito, falado, liberto, escancarado ou o dito não dito, escondido, calado, preso, o grito sufocado, sempre será acompanhado de mudança.
Não é possível prever o resultado.
Pode o pesadelo se transformar e acontecer como sonho ou vê-lo definitivamente sepultado.
Pode trazer, aproximar, juntar ou afastar, causar repulsa ou expulsar.
Transformar a tristeza em alegria ou a incerteza numa dor maior ainda.
Dizer ou não dizer?
Falar ou calar?
Independente da escolha, o silêncio acolhe o tempo da espera e mantém o sorriso na boca de quem a gente…, pra simplificar, não quer ver chorar.
Se achar o que se quer dizer não é mais importante que o resultado do que se disser dito pode resultar, espere até um amanhã, se houver, numa manhã virá.
Na manhã de vir, vir há.
Disse o João, desse lembro:
Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo…(Guimarães Rosa).
Não sei se consigo acreditar...
É tão difícil encontrar um jeito de mergulhar.
Falo de um mergulho profundo, bem do alto, de qualquer lugar.
Criança de areia
Sereia me chama...
É até possível não acreditar em Deus.
Mas, com certeza existe a Deusa Natureza, naturalmente mãe, a parir toda e tanta beleza.
É até possível não acreditar em Deus.
Mas, ao observar e sentir toda e tanta beleza parida pela mãe, Natureza, com certeza existe Deusa.
Deusas
Se existe Deus ninguém tem certeza.
Mas, ao sentir a luz, a magia, a vida e a beleza na natureza é impossível contestar a presença da Deusa, das deusas.
Se existe Deus não tenho certeza.
Mas, ao sentir a luz, a energia, a pureza e ver tanta beleza criada e sustida pela mãe Natureza não dá para duvidar na existência da Deusa, de Deusas…
Não sei dizer quantas vezes encontrei com a morte. Algumas delas também morri.
Encontrei com ela antes de nascer, de saber que vivia, do anoitecer e também depois.
Encontrei com a morte de pessoas, de amigos, de amores.
Do início até o fim sei que vou encontrar.
Pra sintetizar, acho que viver é todo dia a vida com a morte se encontrar, saber estar perto, e tentar disfarçar.
Mais que fugir, escapar da indiferença, do distanciamento imposto pelos escravizadores, as pessoas perseguidas e submetidas as amarras buscavam a encontros. Encontravam identidades, junto a outras pessoas privadas da liberdade. Na realidade a fuga, uma falta de opção, era a única forma de ser humano, gente, semelhante, de ser vivo com a possibilidade de viver.
O encontro dele com eles mesmos era a oportunidade de serem reconhecidos como significados e significar.