segunda-feira, 2 de maio de 2022

As vezes dizemos para alguém que queríamos dizer uma coisa.

Não é verdade e também não é mentira.

Queríamos que o algo a dizer mudasse a realidade, seduzisse, conquistasse.

O dito uma vez dito, falado, liberto, escancarado ou o dito não dito, escondido, calado, preso, o grito sufocado, sempre será acompanhado de mudança.

Não é possível prever o resultado.

Pode o pesadelo se transformar e acontecer como sonho ou vê-lo definitivamente sepultado.

Pode trazer, aproximar, juntar ou afastar, causar repulsa ou expulsar.

Transformar a tristeza em alegria ou a incerteza numa dor maior ainda.

Dizer ou não dizer?

Falar ou calar?

Independente da escolha, o silêncio acolhe o tempo da espera e mantém o sorriso na boca de quem a gente…, pra simplificar, não quer ver chorar.

Se achar o que se quer dizer não é mais importante que o resultado do que se disser dito pode resultar, espere até um amanhã, se houver, numa manhã virá.

Na manhã de vir, vir há.

Disse o João, desse lembro:

Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo…(Guimarães Rosa).

Não sei se consigo acreditar...




É tão difícil encontrar um jeito de mergulhar.

Falo de um mergulho profundo, bem do alto, de qualquer lugar.



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