sábado, 7 de maio de 2022

Sei que não posso fazer nada e,
você, pode nada fazer.
Nada se pode fazer.
E se nada fazer se pode.
Faço barulho.
É tudo que posso, faço sem fazer.
Faço sem querer.
Faço.
Faço, para acordar, para despertar, faço por fazer.
Faço, para não deixar dormir, para não apagar,
para, mesmo sem acordo, acordar.
Faço o que posso, faço porque não posso.
Faço por mim, para mim, por você.
Faço barulho, faço tocar, pra você ouvir.
Faço em silêncio, dog whistle, para bater.
Para, mim, para, me, escutar.
Faço, não sei se faço fazer, sem poder, dizer.
É barulho, é silêncio, é.
Sem o erre
Se é erro, 
por, ah mah.
As vezes, na maioria das vezes, acho que não queria fazer me amar, 
mas que ame como eu amo fazendo tudo sem nada fazer precisar…

Sendo tudo o que é sem nada fazer para ser.

Incomoda, deixa confuso, não ter tudo, achar que não tenho nada a dar e tanto a perder.

Ah se não tivesse o que eu tenho poderia tentar o que acho não poder ter.


sexta-feira, 6 de maio de 2022

A irrelevante irrelevância do material.
A busca pelo material é óbvia, é lógica, mas não se fundamenta no aspecto material da busca.
O material é apenas um meio de transporte, acesso, possibilidade aos significados, a representação, ao simbólico, ao impalpável, ao imaterial.
Essa caixa que contém e está contida por compreensões, emoções, sentimentos.
Sem isso, o material não é sequer matéria, artefato, utilidade, satisfação.
Sem o que costumamos chamar imaterialidade a materialidade é coisa, é inútil, é vazio.
O ser humano precisa reconhecimento, significado, valor.
Por isso, para isso, busca o amor.
O que não tem forma, o que não tem cheiro, o que não tem sabor, o que não tem cor. Aquilo que preenche vazios, que não sabe explicar, o que não se consegue entender.

Igreja de nossa senhora da natividade, igreja dos pretos, inacabada por conta da abolição, quando o povo escravizado teve a liberdade de dizer não.

Parece ironia, entusiasta da ditadura falando de democracia.
Sonegador em economia.
Da tortura em …
Miliciano rachador em ..
Hipocrisia…
Jogada ensaiada...


As vezes eu acho que o tempo podia dar um tempo e dar um tempo pra mim.
As vezes acho que a vida podia viver a vida e dar vida em mim.
As vezes acho que a sorte podia se colorir de sorte e dar só uma sortinha pra mim.
Tá foda, todo dia a mesma coisa, uma vida sem sorriso, com lágrimas, com agonia, vazia, sem alegria.
Eu só quero um sorriso, não precisa ter dentes, não precisa ser branco, só precisa sorrir pra mim.
Não precisa ser inteira, não precisa ser completa, precisa ser muita, basta um pedaço, pode ser pequeninho, só um pouquinho, pra mim.
Não importa se é verdade, não importa se é mentira, só importa ser e nem precisa ser pra mim...
Não precisa ficar perto, não precisa estar presente, é só não deixar eu achar que desistiu de mim e a distância te fez me abandonar.
Não precisa pensar em mim, lembrar de mim, só não precisa esquecer.
Não precisa nem parar de doer, pode doer, sempre haverá dor, mas que não só doa...que não doa só...
As vezes penso se a gente pensa ou só pensa que pensa???


Que doesse só em mim, aprendi a suportar…
Penso em você mesmo sem pensar…
Te odeio... distância
Que põe longe, separa, não deixa estar, nem ser…
Não permite ver, olhar, sentir, tocar, provar…
Dar provas, 



segunda-feira, 2 de maio de 2022

A busca por uma perfeição acaba por pasteurizar, retirar espontaneidade, negar as imperfeições que são naturais, a natureza é perfeita por ser imperfeita... ou não, nada é imperfeito, a perfeição está em ser diferente, em ver o outro muito mais que a sí mesmo... se fosse pra gente se olhar o olho não estaria em um ponto que não consegue ver o seu corpo todo... rsrs cara, a gente só consegue se ver por meio de um artifício... ou é melhor olhar o outro e com ele aprender…

A frase o mundo tá muito chato, tá muito chata rsrs nós pessoas estamos em transformação, a minha geração começou a transição, a sua já está em outro estágio... processo civilizador... mas o foda é que sinto um processo desumanizador...

Talvez devêssemos imitar os animais, esses que chamamos de irracionais..

Corrigindo... a minha geração não começou, ela está numa parte dessa transformação progressiva... nesse exato momento acho que precisamos retornar, desacelerar, voltar ao primitivo... é viagem...por isso não devo usar drogas rsrs mas sabe, a civilização andar mais, plantar mais, colher mais, contemplar mais, produzir menos... desracionalizar rsrs

Sem o outro não existe razão pra viver... o outro são todos os outros.

Precisamos fazer as pazes com o natural... reaprender a viver e perceber que a gente precisa do outro principalmente para se ver...

Quando eu partir, por favor, guarde o que viveu, no seu melhor lugar, e me conte tudo o que quiser, se eu voltar…

Quando eu voltar…

Eu acho que todas as respostas do mundo estão dadas no próprio mundo e nos cabe apenas fazer as perguntas.

Tenho perguntado muito, o que resta quando a gente pensa que tudo acabou?

Não sei se ainda resta alguma coisa, acho que pode restar…


A distância, falta de contato, não permite viver o mesmo tempo, congela a lembrança num momento que foge por não ser avivada, acessada, tocada, atualizada ao esquecimento.

Faz do que antes era necessário necessariamente ser substituído pelas necessidades.

A racionalidade acha que tudo o que é imprescindível para você, afetos, sentimentos, identidades, representatividades, quando não mais a toca deixar de se-lo. 

E, mesmo assim, se insistentemente ainda o for, se precisa é essa energia que ama e compõe o amor desse ser, te manda a terapia, obrigam a desistir, a esquecer, a não ser o que é você...


Tudo no mundo dos humanos tem um nome. Botam nome em bicho, botam nome em planta, botam nome nos seres humanos, na gente …

Até o sentimento que ninguém consegue explicar decidiram denominar, chamam de amor e quando a gente ama todo mundo sabe que estamos a amar.

Eu quero morrer?

Não, não, eu queria viver.

Mas, viver é ter de suportar só dor, só solidão, só fracasso, só tristeza?

Se é, acho que ninguém quereria viver, nem mesmo sobreviver.

Isso é castigo, carma, desgraça, praga, maldição, e viver, acho que não é só isso não.

Na realidade o que não quero, não posso, não consigo é viver numa desvida, embora saiba que o início principia o fim, acho que não gosto dessa morte em vida.

Parece, que nessa ilusão de liberdade, a que somos aprisionados, sentir, amar, sofrer e doer, viver ou não viver, morrer, definitivamente não é opção, mas falta.

Nada depende do querer, do desejo, das  tentativas, dos esforços concentrados e contínuos, mas, e principalmente, do acontecer.

Não adianta toda dedicação se não há talento, não adianta todo talento se não há oportunidade, não adianta oportunidade se não há reconhecimento, não adianta reconhecimento se não há surpresa... - seria possível prolongar o encadeamento, mas não precisa - não adianta surpresa se não há tesão e isso de pouco adianta sem paixão e amor.

Podemos pensar a escolha ser nossa, individual, que nós escolhemos, trilhamos, construímos, mas só respondemos a estímulos, a leis de compensação.

Perguntas são feitas, e desfeitas, apenas para as respostas conhecidas, reconhecidas e direcionadas pela percepção do alcance.

Esse raio é muito limitado, e é sim um estado de aproximação dado pelo sistema de probabilidades, mais ainda possibilidades determinadas por nossas habilidades, conhecimentos, pelas noções de capacidade adquiridas e desenvolvidas.

Só nos apaixonamos e amamos quem conhecemos, admiramos, aproximamos, trocamos, por quem nos dá prazer de estar, faz sonhar e promete, promete ser ainda melhor quando juntos.

A promessa, comumente, é quase sempre melhor que a realidade.

Todavia a realidade existe, se toca, se reconhece, se realiza e a promessa só promete.

Por isso é tão difícil arriscar, ter coragem de apostar e poder perder o que se tem para tentar o que falta.

Para amar é preciso conhecer, reconhecer e se reconhecer merecedor capaz de desejar esse amor.

Sobretudo esse amor parecer ser, por mais difícil e improvável, possível.

O principal motivo de amar é...


Sei que não tem nada a ver, ou haver.

Mas tem gente de tão especial que não cabe num foi, nem no será, sempre e só existe no é.

É pra sempre. E, a sede não acaba depois que a gente bebe água.

Sacia, por um tempo, mas inúmeras vezes se será necessário saciar.

Repetir, reviver, recordar.

A gente aprende que essa memória está para nossa história assim como nossa história está para a existência.

Mais que lembrança aquece o viver no lembrar e não conseguir esquecer.

As vezes é preciso tentar ou, mais bem, aprender a conviver com a improbabilidade do acontece não acontecer.

Essas pessoas tão especiais que não pertencem a um pertencer, a um estar, e só a temos ao não vê-las somente num lugar, limitadas, após compreender esse ser solto no ar, compreender o amar.

Pra essa gente a sensação da gente é de receber até quando dá.


Ninguém jamais conseguirá ser completamente feliz, mas pode todo dia sorrir, sentir alegrias, se iludir e tentar enganar a máxima, a lógica, se acreditar.

A chave está na crença, não precisa entender por não precisar explicar.

Não é o objetivo, mas o subjetivo. A promessa é sempre muito melhor que a realidade e a realidade é uma bosta.


A mentalidade do guardião, de todo e qualquer guardião, aquele que guarda, deve se baser no princípio do respeito e da responsabilidade. O guardião, fundamentado nesses valores, não impõe a força, a violência, o conflito. Muito pelo contrário, com a sua atuação e presença impede, reduz, evita tais modelos, ações, respostas.

A única resposta plausível para a guerra, a paz, se constrói com inteligência, conhecimento, responsabilidade, compreensão e alternativas.

O enfrentamento, última...

As vezes dizemos para alguém que queríamos dizer uma coisa.

Não é verdade e também não é mentira.

Queríamos que o algo a dizer mudasse a realidade, seduzisse, conquistasse.

O dito uma vez dito, falado, liberto, escancarado ou o dito não dito, escondido, calado, preso, o grito sufocado, sempre será acompanhado de mudança.

Não é possível prever o resultado.

Pode o pesadelo se transformar e acontecer como sonho ou vê-lo definitivamente sepultado.

Pode trazer, aproximar, juntar ou afastar, causar repulsa ou expulsar.

Transformar a tristeza em alegria ou a incerteza numa dor maior ainda.

Dizer ou não dizer?

Falar ou calar?

Independente da escolha, o silêncio acolhe o tempo da espera e mantém o sorriso na boca de quem a gente…, pra simplificar, não quer ver chorar.

Se achar o que se quer dizer não é mais importante que o resultado do que se disser dito pode resultar, espere até um amanhã, se houver, numa manhã virá.

Na manhã de vir, vir há.

Disse o João, desse lembro:

Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo…(Guimarães Rosa).

Não sei se consigo acreditar...




É tão difícil encontrar um jeito de mergulhar.

Falo de um mergulho profundo, bem do alto, de qualquer lugar.



Criança de areia

Sereia me chama...



É até possível não acreditar em Deus.

Mas, com certeza existe a Deusa Natureza, naturalmente mãe, a parir toda e tanta beleza.


É até possível não acreditar em Deus.

Mas, ao observar e sentir toda e tanta beleza parida pela mãe, Natureza, com certeza existe Deusa.

Deusas


Se existe Deus ninguém tem certeza.

Mas, ao sentir a luz, a magia, a vida e a beleza na natureza é impossível contestar a presença da Deusa, das deusas.


Se existe Deus não tenho certeza.

Mas, ao sentir a luz, a energia, a pureza e ver tanta beleza criada e sustida pela mãe Natureza não dá para duvidar na existência da Deusa, de Deusas…


Não sei dizer quantas vezes encontrei com a morte. Algumas delas também morri.

Encontrei com ela antes de nascer, de saber que vivia, do anoitecer e também depois.

Encontrei com a morte de pessoas, de amigos, de amores.

Do início até o fim sei que vou encontrar.

Pra sintetizar, acho que viver é todo dia  a vida com a morte se encontrar, saber estar perto, e tentar disfarçar.



Mais que fugir, escapar da indiferença, do distanciamento imposto pelos escravizadores, as pessoas perseguidas e submetidas as amarras buscavam a encontros. Encontravam identidades, junto a outras pessoas privadas da liberdade. Na realidade a fuga, uma falta de opção, era a única forma de ser humano, gente, semelhante, de ser vivo com a possibilidade de viver. 

O encontro dele com eles mesmos era a oportunidade de serem reconhecidos como significados e significar. 


É o colorir da flor.

É o florir da cor.

É o perfume da…

Flor fere a ferida quando exala sobre a vida entristecida a esperança da flor…

É perfume, é o aroma, é a cor, é esperança, é amor, é o colorir, é a flor... é a é, é o é, é e é.



Não lembro ao certo quem disse: a pior coisa que pode acontecer é não acontecer nada.

Mas, durante algum tempo acreditei.

Hoje, não mais.

Pelo contrário, tenho medo de o nada ser interrompido por ruins, péssimos, tristes.

Pelas perdas, ausências, despedidas, solidão, que habita em mim.

Há tempos me sinto só.

Sobre isso, diversas vezes escrevo.

É sim o medo maior, apesar de todo dia conviver só comigo.

Assim mesmo, tenho muito medo da dor, ela maltrata, tortura, degrada.

Então, o pior que pode acontecer é algo pior ainda, só estar e a cada dia mais vazio.

O pior que pode acontecer é não acontecer o que possa, se não preencher, não deixar esvaziar.

Faz sofrer, faz sofrer ainda mais, faz chorar.

Hoje, acordo sem vontade de acordar.

Vivo, sem vontade de viver.

Ainda sonho, mas só mente e se mente vale a pena sonhar?

Sabe o que é olhar para o céu e…?

Saber que não, não adianta, não vai adiantar!

Só sinto vontade de dormir, hibernar e não chorar.

Só sinto vontade de não ser e de não estar.

Só sinto vontade de ir, sair da vida e não voltar.

Queria viver a vida?

Queria, mas não dá, não dá mais ao achar que o perder vai ganhar do achar.

Não, não quero desistir, só, não consigo mais tentar!

Se todos os sorrisos perdem os dentes como posso sonhar?

O que se sente e não dá para explicar é possível entender?

Não dá para entender o sentimento que se sente e não se consegue explicar.




Minha voz uso pra dizer...


E só vai quem chegou… e só vem quem partiu...


Vou aprender como se come e vive o gosto da comida…

Clarisse Lispector Cazuza e Frejat

O mal estar, está, segue, prossegue.

Só peço que nada de ruim aconteça, embora disso duvide.

Sempre que me sinto assim, espero uma má notícia.

Infelizmente, sempre acontece algo de ruim, direta ou indiretamente, com alguém que gosto.

Parece uma praga.



Beijo.

Sem saber o que dizer, talvez até por não ter, mando um beijo.

Penso o beijo conter tanto significado, que não dá para explicar, que faz possível tudo compreender, contudo sem com isso preocupar.

Sabe a liberdade do sentimento, um poder de poder pensar em qualquer coisa, a qualquer momento, sem precisar justificar e mesmo assim significar?

Difícil entender, não precisa importar.

Beijar, pode ser, parecer ver um monte de respostas, sem perguntas, sem questionamento, sem a necessidade de interrogar, de responder, de perguntar.

A vida poderia ser mais simples, como um beijo, se não precisássemos complicar.

Ser igual ao beijo, que ao beijar se entrega e entrega a paixão, desejo, as vezes o amor, quase sempre o tesão, beijo, desejo, beijar.


Mas tornar complexo enriquece, confunde, expressa, é arrogante...


Quando achar que tem tanta coisa a dizer e não sabe por onde começar, mande um beijo beijar.

O beijo deixa tudo especial, transborda sentimento, solta o que tá preso da gente, de dentro, espalha significado no ar.

Beijo até silencioso faz barulho, faz rir, faz chorar, faz... só não é indiferente, nunca deixa do mesmo jeito, da mesma maneira, como está, no mesmo lugar.

Um beijo diz tudo, mesmo sem nada dizer, consegue e não precisa explicar.

Beijo é beijo e pronto, a qualquer momento, em qualquer lugar.

Beijo diz até eu te amo, mesmo sem amar.

Mas quando ama, faz calor, ama até o amor que ainda não ama entender o que é amar, antes, durante e depois de gozar.

Beijo, fechamento e preliminar.

Meu um beijo é o grito aflito, de preciso, de que eu preciso e o único que consigo gritar.

Meu pedido de ajuda, tô perdido, desesperado, desamparado, pedindo pra me ajudar, para em algum instante, de onde está, se importar.

Beijo é plural mesmo sendo singular...


Vício, não tome o primeiro gole.

Vício, não acenda o cigarro e nem dê um trago.

Vício, não mande mensagem.

Vício, não diga mais um eu te amo.

Vício, não entre na farmácia, não compre seringa e agulha.

Vício, desligue o telefone, não ouça a música, não veja um beijo, não olhe a fotografia... não deixe esquentar, e se, banho de água fria.

Durma e reze para não sonhar o sonho que sonha mesmo acordado.

Vício, vicia…

Se depois de tudo isso ainda lembrar, não abandonar o vício, ame pois não dá pra curar, ame pois amor é amor e não vai acabar.

Não vai deixar não amar o amor que ama amar.