segunda-feira, 2 de maio de 2022

 É no teu ser que preciso o meu ser escrever, meu ser…meu estar...

Sem você não sou, não estou, não estarei, nem estar…

É no teu ser que quero escrever o meu ser…

O que foi, o que é e com você será…


Te amo e amo você, quase sem dizer nada, diz quase tudo, sem precisar, que é preciso dizer…

De você eu não consigo sentir só saudade.

Sinto o que não sei dizer, o que eu não consigo explicar, o que não consigo entender, o que não dá pra precisar.

Só sei que sinto, sinto muito, sinto muito mais, é mais que saudade, é mais que desejo, é mais que vontade, é…

É engraçado como até dormindo sonho com você.




Ser livre não é falar, dizer, vomitar qualquer coisa.

Ser livre é respeitar a todos, não precisar pedir respeito e, mesmo assim, ser respeitado por qualquer um.

Liberdade, ao contrário de ferir a liberdade do outro, é respeitar o outro e o outro ao reconhecer o respeito, reciprocamente também respeitar.


O passado não sabe o seu lugar, está sempre presente.

Mais, o passado é cheio de presentes, cheio de futuros.

O passado é um futuro que virou presente.

Ao contrário, o futuro pode até virar presente, mas sempre seguirão o curso de passado…

O futuro é um presente que ainda não passou ...

 O que se pensa, imediatamente, ao ouvir: escravos fugitivos, fugidos???

Confesso, tal denominação, nomenclatura, divulgada, assimilada e, certo modo, naturalizada, incomoda por através dos vocábulos inconscientemente, quero acreditar, incorporar e acatar não só a expressão, mas a compreensão da semântica do explorador.

Penso, escravos eram pessoas, seres humanos, que tiveram a liberdade roubada. Pessoas, que presas eram vendidas, compradas, escravizadas por outras pessoas.

Seres humanos.

Penso, na realidade com a suposta fuga não fugiam, insurgiam, buscavam libertação, contestavam a condição humana imposta, de prisioneiro, escravizado e assumiam a de prisioneiros, culpados, criminosos, escravizados fugitivos?

Não sei se poderia escrever, descrever, de melhor forma. Utilizar uma denominação, expressão, nomenclatura mais justa, ajustada, mais precisa, menos equivocada. Até, por, como a querer totalidade, estar preso a construção, ao truque, a semântica do explorador, do escravizador, do "senhor".

As vezes penso no perigo do eufemismo. Parece tentar amenizar, suavizar, poupar, perdoar, com tom, entonação e denotação permissiva. Tal qual uma fuga para não comprometer e, principalmente, para não se comprometer.

Quando não se afirma, ipsis litteris, uma folga, um espaço, um perdão, uma falha, vão, fenda, vazio, se abre e junto a possibilidade de um "termo de ajuste" se concede.

Sei, parece ser perigoso afirmar, indicar, emitir uma opinião definitiva e definidora, por medo do erro.

E, assim, se comete outro erro, que pode dar origem a outro erro, a outro erro, a outros erros.

Talvez o "tudo indica", "segundo a documentação", registros, oralidade, pesquisa...pode não dar exatidão...

Para não comprometer, preservar, uma suposta integridade intelectual, apela-se ao relativismo, a uma pressuposta imparcialidade, a falta de incisão. Sem ser incisivo, seguro, direto, preciso, recrudesce uma espécie de leniência, ideias anacrônicas são permitidas, mantidas em circulação. Que, semânticas conservadas no âmbar, da covardia, permaneçam, se preservem, assumam o caráter de conservadoras…

Pelo medo do julgamento não julgamos, de certo, não é papel da história, mas a permissividade permite e, grosso modo, absolve.

Tudo isso se dá, quero acreditar, por conta  da imprecisão, da incerteza, da falta de recursos, de materialidade das provas, dos registros, da compreensão das fontes. Também, por conta da "euristica do medo", de uma hermenêutica esculpida como armadilha, ardilosa, de uma gramática, construída, constituida pelo explorador, escravizador, dominador, opressor e por ele, invisível, imposta.

Trocando em miúdos, nos encontramos em uma condição humana que escraviza, feita para escravizar, a não permitir fugas, isurgentes, insurgencia, a condenar quem dela não se deixa aprisionar, tentar escapar, buscar a libertação …

Penso, assim os prisioneiros, falsamente livres, assumem sem assimilar, consciente ou inconscientemente, a condição de covardes, de oprimidos, de prudentes, de acomodados ou de escravizados???

É curioso como acatamos, nos restringimos, nos agredimos, limitamos, aprisionamos, nos violentamos sob o propósito da aceitação. Acatamos o discuso, a gramática, a semântica da casta, classe, camarilha regida e que se rege pelos acordes e cabrestos capitais do capital.

O objetivo é não ser classificado como fugitivo, como marginal, como louco, como desinteligente apenas por não concordar, não se encaixar, não ser submetido e submisso.

Tá, fugitivos, mas de onde?

Das garras, da senzala, da chibata, da domesticação, da desumanização, da miséria física, mental, moral, da desvida...do acodamento, dos crimes de criminosos, dos algozes? isso é fuga ou ato de sobrevivência, insurgencia pela redenção?


Não, não eram fugitivos, fugidos, mas pessoas que se rebelavam, insurgiam, contra as violências, contra a submissão, contra atrocidades, contra a condição desumana a que eram sujeitados pela ignorância.

Não fugiam, não eram fugitivos, mas escapavam da degeneração, da degradação, da injustiça, mesmo assim eram procurados por continuarem, caçados, resgatados, por conta da visão esteita, objetos, coisas, propriedades…

Buscavam ser gente, pessoa, fazer o caminho inverso da reificação, deixar de ser objeto, coisa, mercadoria e ser o que é, o que são, ser humano.

Sempre me pergunto: posso acreditar em um Cristo de cabelo liso e olhos azuis?

Em um Deus, homem, macho, contrário de fêmea, ocidental, e teoricamente, pelo menos em 90% das "representações" branco?

Não sei se acredito em Deus, não tenho certeza, mas quanto mais olho, percebo, toco, observo, sinto e testemunho os movimentos, as manifestações, as energias e sinergias da natureza mais penso,se existir, existirem, são também e principalmente Deusas.

Responsáveis por gerar, parir e criar...alegrias e tristezas



segunda-feira, 25 de abril de 2022

 Acho impossível lembrar do quê de quem a gente não sabe esquecer...

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Eu quero o que você quiser.

Se você quiser que eu queira.

O meu desejo é que realize e se realize o que desejar.


Geralmente a tristeza é desprezada, é tremida, jamais desejada.

Mas a alegria e a felicidade dela dependem.

Não desejo só felicidade, alegria, muito menos tristeza, mas que sinta, conheça, reconheça, aprenda, descubra, revele e sinta em todos os sentido sentimentos.

Que seja viva, humana, natural…

Chore quando for para chorar, sorria quando a felicidade tocar, abraçar, beijar…


Quanto ao amor sou amador, amo amar mas sinto dor.

Doem as dores de amores…

Faria sentido sorrir se nunca fosse chorar?

A dor sentida do amor faz chorar e anuncia o sorriso, o sonho, a felicidade se aproximar quando o dodói sarar.


A vida acaba antes de morrer, acaba quando não estou perto de você…


Não sei se é certo querer algo de alguém, de alguém só quero o que ela der, o que ela dá.

Também não sei se é certo querer alguém, quero alguém se ela quiser…

Será que é certo querer, desejar, amar uma mulher?

Se é certo não sei, mas se ela você quer e você não só por isso a quiser errado não é!




Ao invés de perguntar porque não quis mais o mundo, a vida, pergunte se algum dia o mundo, a vida quis?


Para ser é preciso estar.

Não estar induz a um deixar de ser.

Por não ver, não encontrar, não sentir, não tocar é fácil desconhecer, não lembrar, esquecer, até deixar de ser por não estar.

O que era vira a imagem na memória que descolore, perde luz, se distancia a cada momento enquanto passa o tempo até não dar mais para exegar o que foi e não mais será.


domingo, 3 de abril de 2022

Eu sou uma história que acabou.

Uma história sem graça que não se precisa contar.

Eu sou uma história que foi, que era e não será.

Que chega ao fim, no máximo está prestes a acabar.

Depois de deixar de ser quem eu sou, ninguém vai lembrar.

Sou uma história que se contou e nunca alguém contará.

As histórias só são histórias se algum dia for possível continuar, continua a ser história se preciso lembrar.

Acessar, ter registro, relatar, reproduzir…

A história que se esquece, esqueceu, esquecível, difícil de lembrar…

Que existiu, mas em breve não existirá…

A história só existe se for possível conjugar o existirá...resiste…

Ninguém precisa entender, se esforçar, pra esquecer, nem lembrar, não dá para explicar...nem preciso foi, é ou será.

Só um ser, só um estar…


Sei que é difícil entender, mas se esforce para compreender quem compreende sempre estar no resto das vidas, e assim, no resto que resta das suas vidas...sendo sempre o resto que sobra. Só, resto.


A primavera de Platão…


Descobre que a sua vida não vive.

Provavelmente, que a sua morte não morre.

Que a vida morre, todo dia morre um pouquinho, e não consegue matar so um pouquinho dessa morte que lentamente te mata, segue, prossegue, continua e aos poucos vai matando, mata e matará antes do final, de chegar a hora definitiva, de matar… sabe o que é morrer, já estar morto antes da morte matar?

Uma vida que termina dez minutos antes do fim…

Uma vida que começa dez minutos depois do fim...

Provavelmente, é melhor calar quando achar que não tem nada de bom a dar, dividir, compartilhar.

Quando não se tem nada de bom a escrever, a dizer, a falar, é prudente calar.

Apesar do silêncio não poder preservar o bem estar, guarda potencial de não excitar sentimentos ruins.

O silêncio pode não ajudar, mas com mais frequência não causa desconfortos, tristezas, decepções.

O silêncio não diz mentira, também não entrega verdade, não é sínico, também não é sinceridade, ao contrário de não dizer nada reverbera muitos sons de achos, mas só revela o sentimento impossível de conter, aquele que grita e diz sem dizer, que não se pode esconder, querendo ou não querendo, sem querer, acontece como acontecer.

Em suma, quando tudo que se tem é nada a dizer, ou o que todos estão cansados de saber, por não dar para esconder, ainda o que ninguém precisa ou deseje escutar, ler, ver, presenciar, melhor é calar a qualquer coisa falar.



Não é difícil, para um significativo número de pessoas, confundir improvável e impossível.

Diversas vezes o improvável pode acontecer, nem todo mundo sabe a sutil diferença até o impossível aparecer.

E ele acontece, a gente percebe, a gente sente.

O impossível tem jeito de impossível, a gente nem precisa tentar.

Mas o impossível atenta, faz a gente confundi-lo com o improvável.

Mas a diferença é gritante.

Não perder é muito diferente de ganhar, mas existem valores que são impossíveis de apagar.

Se opta por não tentar ganhar o que não se tem para não perder o que importa.

quarta-feira, 30 de março de 2022

 ...pra ser sincero, acho que esqueci como é dar um sorriso.

Como é sorrir um sorriso sorrido.

Aquele que vem de dentro, saí e ao se soltar ganha vida.

Ainda tenho sorrisos, mas são presos, tímidos, burocráticos, reprimidos, amarelos.

Quando esse sorriso ainda acontece, poucas vezes, ele precede um anúncio de tristeza.

Não devia ser assim, eu não fico mais a vontade para sorrir, mas sei que depois o choro vem.

Explico.

Quando posso sorrir sei que logo depois vem o choro de saudade.

Esse sorriso não é pleno, é cheio da certeza da tristeza que o contamina.

Se tenho um motivo para sorrir sei que ele logo partirá e a felicidade do sonho sorrindo não demorará a acabar.

É um sorriso presente com breve data de expiração, com limitado prazo de validade, o momento da sua chegada precipita da sua partida.

As vezes acho melhor que nem venha, melhor não sentir o prazer pra logo depois a dor que faz chorar, a alegria vai embora, e a tristeza, o vazio, a saudade ocupa o seu lugar.

terça-feira, 29 de março de 2022

Algumas pessoas facilmente condenam outras por supostamente desistirem da vida.

Mas é possível desistir daquilo que não se possui, do que não se tem?

Será que essas pessoas não percebem estas pessoas se sentirem sem forças para resistir as dores do abandono, da rejeição e da solidão decretada em vida?

Seria preferível seguir a morte em vida sem esperança, sem recompensas, sem gestos de carinho, sem amor?

"Sem pódios de chegada e beijos de namorada…".

É muito difícil sobreviver aos desafios, a tristeza cotidiana, a um tempo que passa, sem luz, sem, sem sopros de vida.

É muito difícil sentir todo dia a dor que dói sem doer, fugir até do silêncio, da falta de ouvidos, da ausência de falas, de bocas, de sorrisos.

Sabe quando tudo que pode acontecer é algo ainda pior?

A vida, de certo, não é feita de mais momentos bons que ruins, mas por menores que sejam os bons momentos, quase nunca suficientes, são necessários.

Não, as pessoas não desistem da vida, a vida é que, há tempos, parece delas insistir em desistir.

As forças falecem ao sabor dos fracassos, das decepções, de uma única suposta certeza, que só cresce, de que pra sempre nada mais pode dar certo.

Nesse instante, as energias concentradas num tentar, desesperadamente, tenta matar a morte. A cada dia é mais difícil sobreviver no que chamam vida.

Por falar em certo, não sei se é o mais certo a se fazer, mas pelo menos parece diminuir a dor a doer e por alguns instantes até achar que para de sofrer, aí se tenta esquecer de quem acha que sente que esquece você.

Mesmo assim, é preciso reconhecer, é tão difícil tentar não lembrar de quem não consegue se esquecer.

O mais digno que se pode fazer, quando sabe tudo que tem é nada a oferecer, é sair da vida de quem tem toda uma vida a viver.

Esse ser acha que sua existência é prejudicial, esse ser sabe que já não tem mais vida, não tem mais nada a viver, só tem nada para dar, nada a ganhar e não mais tudo a perder...

Quem é mais egoísta nessa história, quem insiste que viva um ser que morre, que vive a morrer, que se encontra morto em vida ou o ser que desistiu da vida por há tempos não mais viver?

São frases soltas sem sentido... ou fazem sentido por serem frases soltas?

que vive só a morrer...

que morre só a viver...

Vive de morrer e morre de viver...

Um morto vivo ou um vivo morto...

Compreender...que morrer não é antônimo de viver...

...parecer vivo é diferente de viver...

Estar vivo não é antônimo da morte...

Parecer estar vivo não é sinônimo de viver.

Assim como não é humano matar outro ser é sensato, humano, amável obrigar alguém a ser prisioneiro de uma vida que já morreu? 

o que dizer?

como dizer sim para a vida que todo dia não diz...

e mesmo sem dizer faz ouvir não...? 





sábado, 26 de março de 2022

As ideias não são claras, pra ser sincero nem ideias são. 

Não há gosto ou motivos para escolher, combinar palavras, sequer expor sentimentos, apenas uma sensação que lembra angustia, junta a uma falta de vontade de explicar, só me sinto e isso sentindo sinto que viro saudade.

A gente vira muita coisa nessa vida, é transformado, se transforma, percebe estar mais distante da metade e anunciar que finda quando se sente virando saudade.

Saudade, sentimento que a gente sente quando já não mais sente estar presente, num futuro menos ainda futuro, e que deixa de ser sentido.

Que vira só um passado que passa, passará, até cair nas profundezas do esquecer que já passou.

Eu não queria me transformar ou ser transformado numa saudade, mas é inevitável.

A flor seca, a fruta cai, o fruto apodrece e desaparece...

saudade é isso, uma vaga, acidental e furtiva lembrança de um existiu, caiu, apodreceu e desapareceu...

Saudade é retrato, congelado, de um milésimo enquadrado e um momento, sem movimento, estático, estéril, sem continuidade, parado no tempo, congelado, sem sentido...preso num determinado lugar que não se repete, aprisionado, sem ar, sem movimento, um fragmento a cada dia cobrar mais esforço ao lembrar.

Saudade é um era, se foi, não volta e nunca mais será.

Eu não queria virar saudade. 

Pode até não ser, mas saudade mais parece uma verdade que vira mentira ou uma mentira que vira verdade, transformada e a se transformar só em saudade.    

um nada a virar tudo

um tudo a revirar nada revirar, revirar...

ontem eu já era, 

hoje já não sou, só sou saudade...

e amanha, ninguém vai lembrar, só esquecer..