terça-feira, 29 de março de 2022

Algumas pessoas facilmente condenam outras por supostamente desistirem da vida.

Mas é possível desistir daquilo que não se possui, do que não se tem?

Será que essas pessoas não percebem estas pessoas se sentirem sem forças para resistir as dores do abandono, da rejeição e da solidão decretada em vida?

Seria preferível seguir a morte em vida sem esperança, sem recompensas, sem gestos de carinho, sem amor?

"Sem pódios de chegada e beijos de namorada…".

É muito difícil sobreviver aos desafios, a tristeza cotidiana, a um tempo que passa, sem luz, sem, sem sopros de vida.

É muito difícil sentir todo dia a dor que dói sem doer, fugir até do silêncio, da falta de ouvidos, da ausência de falas, de bocas, de sorrisos.

Sabe quando tudo que pode acontecer é algo ainda pior?

A vida, de certo, não é feita de mais momentos bons que ruins, mas por menores que sejam os bons momentos, quase nunca suficientes, são necessários.

Não, as pessoas não desistem da vida, a vida é que, há tempos, parece delas insistir em desistir.

As forças falecem ao sabor dos fracassos, das decepções, de uma única suposta certeza, que só cresce, de que pra sempre nada mais pode dar certo.

Nesse instante, as energias concentradas num tentar, desesperadamente, tenta matar a morte. A cada dia é mais difícil sobreviver no que chamam vida.

Por falar em certo, não sei se é o mais certo a se fazer, mas pelo menos parece diminuir a dor a doer e por alguns instantes até achar que para de sofrer, aí se tenta esquecer de quem acha que sente que esquece você.

Mesmo assim, é preciso reconhecer, é tão difícil tentar não lembrar de quem não consegue se esquecer.

O mais digno que se pode fazer, quando sabe tudo que tem é nada a oferecer, é sair da vida de quem tem toda uma vida a viver.

Esse ser acha que sua existência é prejudicial, esse ser sabe que já não tem mais vida, não tem mais nada a viver, só tem nada para dar, nada a ganhar e não mais tudo a perder...

Quem é mais egoísta nessa história, quem insiste que viva um ser que morre, que vive a morrer, que se encontra morto em vida ou o ser que desistiu da vida por há tempos não mais viver?

São frases soltas sem sentido... ou fazem sentido por serem frases soltas?

que vive só a morrer...

que morre só a viver...

Vive de morrer e morre de viver...

Um morto vivo ou um vivo morto...

Compreender...que morrer não é antônimo de viver...

...parecer vivo é diferente de viver...

Estar vivo não é antônimo da morte...

Parecer estar vivo não é sinônimo de viver.

Assim como não é humano matar outro ser é sensato, humano, amável obrigar alguém a ser prisioneiro de uma vida que já morreu? 

o que dizer?

como dizer sim para a vida que todo dia não diz...

e mesmo sem dizer faz ouvir não...? 





Nenhum comentário: