domingo, 3 de abril de 2022

Eu sou uma história que acabou.

Uma história sem graça que não se precisa contar.

Eu sou uma história que foi, que era e não será.

Que chega ao fim, no máximo está prestes a acabar.

Depois de deixar de ser quem eu sou, ninguém vai lembrar.

Sou uma história que se contou e nunca alguém contará.

As histórias só são histórias se algum dia for possível continuar, continua a ser história se preciso lembrar.

Acessar, ter registro, relatar, reproduzir…

A história que se esquece, esqueceu, esquecível, difícil de lembrar…

Que existiu, mas em breve não existirá…

A história só existe se for possível conjugar o existirá...resiste…

Ninguém precisa entender, se esforçar, pra esquecer, nem lembrar, não dá para explicar...nem preciso foi, é ou será.

Só um ser, só um estar…


Sei que é difícil entender, mas se esforce para compreender quem compreende sempre estar no resto das vidas, e assim, no resto que resta das suas vidas...sendo sempre o resto que sobra. Só, resto.


A primavera de Platão…


Descobre que a sua vida não vive.

Provavelmente, que a sua morte não morre.

Que a vida morre, todo dia morre um pouquinho, e não consegue matar so um pouquinho dessa morte que lentamente te mata, segue, prossegue, continua e aos poucos vai matando, mata e matará antes do final, de chegar a hora definitiva, de matar… sabe o que é morrer, já estar morto antes da morte matar?

Uma vida que termina dez minutos antes do fim…

Uma vida que começa dez minutos depois do fim...

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