Eu sou uma história que acabou.
Uma história sem graça que não se precisa contar.
Eu sou uma história que foi, que era e não será.
Que chega ao fim, no máximo está prestes a acabar.
Depois de deixar de ser quem eu sou, ninguém vai lembrar.
Sou uma história que se contou e nunca alguém contará.
As histórias só são histórias se algum dia for possível continuar, continua a ser história se preciso lembrar.
Acessar, ter registro, relatar, reproduzir…
A história que se esquece, esqueceu, esquecível, difícil de lembrar…
Que existiu, mas em breve não existirá…
A história só existe se for possível conjugar o existirá...resiste…
Ninguém precisa entender, se esforçar, pra esquecer, nem lembrar, não dá para explicar...nem preciso foi, é ou será.
Só um ser, só um estar…
Sei que é difícil entender, mas se esforce para compreender quem compreende sempre estar no resto das vidas, e assim, no resto que resta das suas vidas...sendo sempre o resto que sobra. Só, resto.
A primavera de Platão…
Descobre que a sua vida não vive.
Provavelmente, que a sua morte não morre.
Que a vida morre, todo dia morre um pouquinho, e não consegue matar so um pouquinho dessa morte que lentamente te mata, segue, prossegue, continua e aos poucos vai matando, mata e matará antes do final, de chegar a hora definitiva, de matar… sabe o que é morrer, já estar morto antes da morte matar?
Uma vida que termina dez minutos antes do fim…
Uma vida que começa dez minutos depois do fim...
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