sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

As vezes, em quase todos os dias, a qualquer hora, dá vontade de gritar eu te amo.

Mas vem a dúvida, com status de dívida, será que posso?

Não, não deixei de amar o amor, mas não sei se o amor merece, se o amor carece.

Já pensei ser nada e descobri ser tudo, tudo que não merece ser visto, tudo que não precisa ser quisto, um nódulo, um sisto.

Do preciso a precisão, da necessidade a compulsão.

Quando a gente não tem nada inteligente, sentimental, com conteúdo a dizer a gente deve ser honesto e nada dizer.

O que eu disse era algo que não devia dizer, o que não disse era algo que não podia viver, o que eu quero é algo que não depende só e exclusivamente do querer, até depende do querer, de ser o mesmo, dos quereres se encontrarem, se quiserem pra querer acontecer.


A solidez, a solitude, a solidão e a solidariedade do beijo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Falta energia

Falta luz

Tá escuro

Falta alegria

Falta amor

Falta tudo

Sobra dor

Não consigo mais esconder

E mesmo quando a manhã do amanhã do amanhã amanhecer ainda falta você.

Se é pra viver assim

Só fugindo de mim

Quero ir.

Assim não dá mais

Queria luz, queria paz, queria sorrir

Por favor me deixa dormir

Um sono profundo

Sair desse mundo, da escuridão,

acordar do pesadelo, adeus solidão.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Voa longe o coração.


Maravilhas, de segredos e mistérios.


Um planeta em órbita, hemisfério de voar.


Tentar achar razão, na alegria de sonhar.


Liberdade, poder ou não, se aprisionar, sem prender se amarrar a pessoa mais brilhante do planeta.


Vai coração,

Amor, paixão.

Vai dizer pro mundo inteiro,


que eu não tenho mais jeito,


meu defeito foi me apaixonar,


pela rainha de um mundo, onde eu não posso entrar.


Ser da rosa o espinho, esse artifício, pra ficar perto da flor.

O amor que faz feliz, contraditóriamente, mais facilmente faz sentir dor.

Final nunca será feliz e nada vai mudar isso.

Mas, se é impossível mudar a história, tirar a tristeza desse lugar, dá para construir e irrigar a memória.

Colorir a trajetória, enfeitar, embelezar o percurso, encher de alegrias, de prazeres e de sorrisos. 

Não dá pra mudar tudo, mas parte, com música, poesia, bobeiras, bobagens, com arte,

para quando o último dia chegar, na Terra, no mar, no ar se preferir, como ensina a lição do palhaço, que todo dia faz graça e transforma a desgraça, em música, em poesia, em ironia, até chorar de rir.




A vida é mesmo uma grande contradição.

O primeiro dia inicia o percurso ao fim.

Quem acompanha te faz conhecer solidão.

Quem faz feliz, dá alegria, faz sorrir, é a mesma pessoa que mais facilmente faz sentir infelicidade, tristeza, te põe a chorar.



Doutor a comprovar a teoria da relatividade.

Insanidade, insana idade?

Milhões de anos, ao longo dos tempos, se vão cristalizando a ideia de evolução.

De fato o ser humano, com inúmeros percalços, com incontáveis avanços e retrocessos, apesar de tamanha destruição para, contraditória mente, construir construções, evoluiu como ser humano.

Mas como previu Políbio, ao imaginar o modelo da anaciclose, parece caminhar a involução.

Talvez não seja uma simples regressão, meia volta a um ponto de início, tomara, mas a oportunidade de rever a trajetória.

Mas a impressão, independente do otimismo, é da manifestação de uma insanidade que corrompe o ser humano por conta do excesso de individualidade.

O ser humano que evoluiu por perceber o óbvio, a possibilidade de desenvolvimento estar condicionada a ideia de fusão, primitiva e natural, de fluídos, conhecimentos, capacidades por intermédio da conexão de códigos, reconhecimentos, compartilhares, comunicações, aproximações que permitiram encontrar nas semelhanças igualdades, facilitando o desenvolvimento de fraternidade a cada dia parece se afastar dessa compreensão.

Talvez por conta de uma confusão sobre liberdade, ao invés de expandir o grupo, associar mais recursos humanos, unir mais inteligências, reduz. Os grupos são cada vez menores, seletivos, exclusivos, individuais, vips, individual.

Se sabe ao certo os parâmetros da exclusão, mais que os da inclusão, os interesses mais imediatos, o apego a curta duração, a falsa percepção da liberdade como artigo uno.

Ora, tudo é uno e estéril enquanto uno. Aliás, só alguns seres, específicos, unicelulares conseguem se reproduzir, mesmo assim, dependentes de um outro elemento... 

Nessa insana idade parece negarmos a nós mesmos, a nossa própria natureza, embriagados …

Esquecendo a via da evolução, do desenvolvimento, se basear na probabilidade do reconhecimento. De olhar o outro e observar, admirar, aprender, compreender, dividir, compartilhar, reconhecer o ser dentro do outro ser para reproduzir seres, estares, e assim os seres poderem ser.

O ser sozinho até é mas está limitado a só poder ser àquilo que acha ser que é.

Ele não se olha, não se vê, não pode se reconhecer.

A insana idade é o momento do imperioso egoísmo…

Sem o outro alguém é só ninguém.

A solução parece ser retomar o ponto onde a aproximação excitou encontrar pontos de semelhança, de igualdade, para restabelecer a produção e reprodução de afetos, de fraternidade, o respeito ao outro, a sua individualidade, mas sem se afastar, sem desconectar, sem negar a nossa liberdade de ser e estar.


Silêncio

Falta de som

Silêncio

Falta de...

Grita em silêncio

Dói sem som

Não adianta gritar

Não quer escutar

E se

Vai sentir?

Grito

Silêncio

História sem sim

Viver

Fim

Ouvir

Silêncio

Gosto de te olhar

De ver

De estar

Contigo

Encontrar

Sentir

Perto

De você.

De confundir ser e estar, estar e ser

De beber e embriagar, teu ser.

Eu gosto de te ver sair e entrar no mar, 

Gosto do gosto que acho ter te amar.

De proteger, até o nome, por amor.

Te gosto e gosto de ti.

Não é sobre a vida, é sobre viver.

Quando penso na vida vivida que vivi, não sei se é viver.

A dúvida paira e se aclara, principalmente, quando lembro as desilusões, as muitas tristezas e as poucas alegrias.

Jamais vivi a vida que sonhei.

Talvez seja severo, rigoroso, e deixe as dores serem falarem mais alto, é verdade.

Mas, as experiências rotineiramente são acompanhadas, ornadas, decoradas, por desencantos, insucessos e decepções.

Confesso, sempre esperei mais, sempre quis mais, sempre precisei demais.

Raramente aceitei acomodado o que recebi, sempre achei pouco, sempre precisei de mais.

As vezes questiono se era realmente pouco, e mesmo fosse, se era digno de  merecer…mereço bem menos…

Eu vivi a vida com os dois pés fora da minha realidade. Nunca aceitei as minhas ausências, deficiências, sempre careci, tive carências, frustrações. Sempre imaginei que podia ser melhor, que conseguiria alcançar o topo, mas nunca passei do segundo andar…

Nunca fui competente para conseguir, e sei disso, acho por isso valorizo tanto o amor. O amor, como a crença, não requer, não obriga, não precisa, o amor acontece.

E não precisa de competência, de alguma habilidade, de inteligência, só depende de amar.

Ah, eu amei demais, nem sei se vale ou pode quantificar, e mesmo quando desconfiava ser, não me sentia completamente amado.

Sempre desconfiado, acho que tentava me preservar, tentar me defender, medo para evitar sofrer, consciente de não merecer… nunca deu certo, muito pelo contrário, eu amei demais, sofri demais, chorei demais, fui demais, e sempre tenho aquela pequena, bem pequenininha, esperança de um acontecer acontecer.

Na curva, numa esquina, numa noite, num amanhecer...aquela bobagem de achar o amanhã ser.

É tudo muito louco, se juntar todos os pedaços dos poucos com os muitos e mais os outros tudo o que a gente quer é ser feliz.

Eu já fui feliz com amendoim, com macarrão e molho de tomate, com uma garrafa de qualquer coisa, estava com aquela, com ela, com a mulher.

É interessante como uma pessoa tem a capacidade de fazer, sem nada fazer, outra pessoa simplesmente, com toda a riqueza contida na simplicidade, feliz.

Não precisa de muita coisa, só precisa dela, ser ela, estar com ela, ouvi-la, pois ouvir ela é esquisito, receber dela um oi, um sorriso, um olhar, sentir o cheiro, nela pensar.

Mas quer saber, eu nunca acreditei nas minhas loucuras, me esforço, as vezes até acho, mas sabe fazer promessa, prometer, pagar e ter a certeza que nada, rigorosamente nada, vai acontecer?

Só espero que a próxima vida não seja tão sofrida e se for que eu consiga ser mais resistente para suportar a dor.

Adiar o sofrimento aumenta a angústia.


Mulher, tudo muda só o mundo fica no lugar.

Maravilhosamente o mundo gira e sempre volta pro mesmo lugar.

O que passou passou, o que virá também passará, mas não apaga, não se pode apagar.

Tá na memória, na história, tá no ser, tá no ar, no mar, no amar.

Embora nada tenha lugar cativo, na existência o que foi é e sempre será.

Gravado, guardado no peito, sentimento que se sente, invariavelmente sente-se, pra sempre.

Não dá para curar a dor, faz parte do amor e amor não foi feito pra curar, não, não tem lugar para um amou se se ama e só sabe amar.

É como o mundo, sempre parte e volta no mesmo lugar, pode não lembrar, de esquecer não dá.

Para sempre sempre será.

Contraditório, paradoxal, apesar do tudo não lembrar, aquece, nada esquece.

Amar não tem a perdoar.

Não ten medo do não, só do fim.

Não desistir da vida, não é bem assim, 

A vida, inteligente, há tempos dá sinais

desistiu de mim.


Acho, posso estar certo ou não, só dá para explicar o que tem explicação.

Não é o caso, sentimento não se explica, só,

Complica, com emoção.

Sabe lá o que é gostar muito e de repente surgir um clarão?

Dar branco em tudo,

A música tocar e não tocar o coração.

Não tem explicação,

Acordar sem encontrar

Dum sonho profundo despertar, foi sonho, um sonho em vão.

Tempo, miragem, ilusão.

Aí toca aquela música:...o sonhador tem que acordar...triste é viver na solidão.

Tristeza e solidão, a impensável aproximação, tentativa de fugir do desespero, de mim, da depressão.

Tentar o motivo e apostar 

Tudo, a possibilidade de amar.

Só faltou combinar.

Culpa não há, mas viagem chega ao fim, acaba e precisa acabar.

Sair da imaginação e só ser triste, só é realidade e a realidade é uma bosta.

Insano, amar quem não sabe desse amor, 

Não quer, não precisa dele.

Não é possível amar quem nem se sabe, e nem se é amor ou tentativa de fugir da realidade, do destino, da sina, do final sempre infeliz.

A realidade é uma bosta.

Preciso confessar, nesse tempo, sem esforços, vivi, com todos as vantagens e prejuízos, com todos os corações, com sorrisos e lágrimas, a real sensação de amar, a razão do amor.

O restante, detalhes, precisar explicar se não dá para entender?

Talvez, mais que provavelmente, declinar seja outra fuga, saber, nessa doida e doída vida, menos possível e demais improvável.

Desculpa e obrigado, por sem querer, sem saber, tentar me salvar.

Contínuo na dúvida, não sei se te amo ou se amo você.

Mas acho, nessa vida não conseguir saber.