terça-feira, 21 de setembro de 2021

Deus

Minha religiosidade não é ortodoxa, tradicional, pelo contrário é nada convencional.
Acredito sim, no que sinto, em todos sentidos, mas sei algumas coisas parecerem não ter explicação.
As vezes invoco Deus, desde pequeno aprendi, mas quase sempre com pouca convicção.
Nas minhas aflições mais significativas, até então, pedi o auxílio, mas, aparentemente, nunca recebi. 
Assim foi quando senti minha mãe parecer partir, e ela se foi.
Assim acontece na angústia diária de viver sem ela.
Também sem meu pai, que logo depois se foi, mas nem cheguei a pedir nada, tinha impressão não ser, outra vez, atendido.
Por mais que incrédulo pareça, confesso, as vezes sinto a energia que muitos chamam de Deus.
Pouco peço, mais converso, sozinho, achando com um ele conversar.
É meio vício, droga, vicia.
A gente sabe que fala com o nada, mas será?
Converso, peço, amor, discernimento, graça em resposta as desgraças, sorriso.
Peço, quando me sinto só e sem ninguém a não ser as energias, que formam Deus, santos, entidades, a natureza.
Não sei se é coisa de Deus, talvez pela falta de explicação, mas algumas coisas acontecem e só a gente parece ter e poder resolver. Muito como fruto de nossas escavações, das nossas buscas e investimentos, das nossas crenças em nós mesmos.
Quase sempre acho que nós somos os nossos próprios deuses, mas sempre fica um será, será destino, será consequência, será que será?
Nós, nos empenhamos, buscamos, investimos, e precisamos decidir, submeter, conquistar, acreditar que podemos até conseguir ou desistir.
Se existe Deus e nós somos a sua imagem e semelhança, ainda por ele fomos assim criados, não é nenhuma heresia, como na balada do louco, pensar e acreditar que Deus, pelo menos o meu, sou eu.
Eu sempre fui obrigado a resolver meus problemas, minhas dores, minhas necessidades desnecessárias, mas precisas. Algumas dessas pendências, e dependências, parecem não serem, mas todas são sim resolvidas, de uma forma esperada ou desesperada, de outra forma ou de outra explicável ou inexplicável, ou não, no fim.
Lembro do Deus, meu pai enfermo, que avisava logo resolveria o seu e o nosso problema, resolveu depois de 39 dias de hospital, num 9 de dezembro de 2016.
Quando tudo acabar, para esse Deus que sou eu, não sei o que será, mas terei mais um problema resolvido?
Hoje nem sei se quero ser esquecido ou ser lembrado, não faz muita diferença, afinal eu sou só o Deus meu.



O que a gente mais precisa, quer e faz a vida valer a vida não se pede, não se compra, não se promete.
O que importa, faz sentido...

domingo, 19 de setembro de 2021

Risco, rabisco...

O risco, o rabisco, significar...

Arrisco o risco, corro o risco, do rabisco, significar... desenho, desenha, de senha, desenhar.

O a riscado, é arriscado...

É arriscado o a riscado a riscar...

Só se deve ter coragem de tudo arriscar quando o que se tem a perder, insuficiente, não é tão necessário diante do que se pode ganhar.

Quando não é suficiente, mas necessário é aconselhável muito pensar.

Não dá para perder tudo para nada ganhar.  

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Uma vida entra noutra vida para com viver. Quando uma vida entra noutra vida a vida passa a ser vívida e vivida.
A vida entra noutra vida como dádiva, entra para dar vida a vida que não convivia, que mesmo viva era perdida, não vivia.
Essa tal de vida da vida a vida ...

Eu queria parar de sentir a angústia, essa dor no meu ser, queria não só chorar, queria voltar a sorrir, queria viver, mas tem horas que sinto que não será possível.
É tanta lágrima, é tanta dor, a solução é sentir um sorrir ou não sentir mais nada, mas não consigo vivo não sentir...

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A proximidade permite não somente formas, maneiras, de conhecer. Obriga ao exércicio dos outros sentidos, e assim reconhecer. A gente conhece e reconhece pela visão, mas também pelo cheiro, pelo toque, pela têmperatura, pelo frio e pelo calor, pelo sabor, gosto. Gosto disso, a gente identifica pela escrita, pela fala, pela voz, pelo sussurro, pelo gemido. Pelo andar, pelos pêlos, ou por não tê-los, pelos apelos.

Quando a gente conhece, reconhece pelo olhar, pelo silencioso ou barulhento, pelo andar, pelo movimento. Reconhece até na distância, percebe a presença, a ausência, quando está e quando não estar.

Conhece por todos os sentidos, pelos aquilos, pelo que diz e não sabe dizer, pelo que faz. Reconhece até quando não se recinhece, quando você não é você.

De perto, de longe, de cima, acima, embaixo, de lado, de frente, de costas, em pé e deitado.

Não precisa ver, não precisa tocar, não precisa tocar, se sente quem a gente conhece, faz parte e quer perto da gente.

A natureza é a resposta, não é uma, mas várias que sempre irão responder as perguntas feitas em cada época.
A cidade é resposta feita com os recursos naturais e intelectuais, perguntas, correspondentes a uma mentalidade. Por isso a cidade tem várias faces, várias linhas, variações arquitetônicas, referências trazidas que se somam as herdadas. A cidade é viva, dinâmica, sua aparência tem prazo de validade pois ela precisa se adequar, responder as demandas, as necessidades, as perguntas que foram, são e ainda serão feitas. É sempre a resposta da natureza para se transformar em lugar.
O Rio de Janeiro, um sítio impróprio para construir uma cidade, em virtude da sua topografia, das suas marcas naturais, lagoas, brejos, charcos, baixada na escarpa da serra da mata atlântica, litorânea, Elmo amador, cresceu por necessidade.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Tem muito tempo que eu não rio sozinho, não sinto aquele prazer absoluto de estar vivo.
Sabe, quando você suspira, sente alegria, satisfação, bem estar, aquela sensação de ser e ser é ser feliz?
Há tempos que não sinto nenhum prazer, e mesmo quando existiria uma razão pra sentir, é como arrotar depois de beber uma coca cola.
As vezes acho que nunca mais vou sentir, que não vou conseguir rir de mim, pra mim rir. Mas, apesar disso incomodar, não me preocupa, o que faz preocupar é achar que nunca mais vou conseguir sorrir para as outras pessoas. E quando falo sorrir é sorrir não com os dentes, com a boca, mas sorrir com as coisas que fazem o sorriso.
Sorrir simplesmente, com satisfação, sem a obrigação de sorrir, o sorriso de coração e não decoração.
Acho que não vou conseguir sorrir o sorriso livre, vivo, sem ...

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O fim me assusta.

O fim, acho assustar qualquer um.

Parar de perguntar talvez não signifique esgotar as possibilidades de obter respostas.

Talvez seja não mais se importar, não ter mais interesse, negar a importância de obtê-las, não interessar.

É esgotar o motivo de fazê-las, de tê-las, já que nada se tem, só se porta, se comporta.

Talvez seja se esgotar, cansar, desistir de tentar, descobrir que não importa, se comportar e aceitar que nunca ia dar. 

Por fim, chegar ao assustador fim.

     

domingo, 12 de setembro de 2021

É muito pouco a alegria não ser tristeza... as pessoas, a vida merece mais...o ser merece mais...

Não sei se é isso o que eu quero, mas muitos dias não sinto vontade de qualquer coisa. Nestes eu não quero ir, mas não quero ficar, é um partir, como na música, sem dizer adeus.

As vezes peso se ainda vale a pena. Na realidade não, não está valendo. Mas, será que ainda valerá, ainda irá um dia voltar a valer?

Não sei, não tenho certeza, se tivesse e visse que a resposta é um não já teria ido, já teria partido. Mas, a falta de certeza ainda produz esperança. A esperança de voltar a sorrir, um sorriso vivo, um sorriso colorido. Entretanto, não sei por quanto tempo, e é essa a medida, ainda vou poder esperar.

Tô cansado e, mais que as dores, eu que não gosto nem um pouco da certeza, tô sofrendo muito com a incerteza. Mais ainda com não ter motivos, não encontrar caminhos, me sentir perdido...

Por mais que seja planejada, projetada e preparada a história não nasce História, precisa ser experimentada, conhecida e contada, precisa acontecer. Assim como, ser sentida, reconhecida e entrar  memória. "Cada época fabrica sua própria Atenas, sua Roma...",... É coisa do presente com saudade do passado, que esse olhar, remetido ao futuro, reconhece como valor, pela importância os seus significados.

O grande problema da vida, numa construção anacrônica, do homem, dos indivíduos nas sociedades tem a ver com os resultados esperados, as metas estabelecidas, sempre pretenciosas, imediatas e sem muito avaliar o devir. Não basta querer, fazer como se pensa e não atentar que sempre se tratará de uma experiência, jamais cem por cento garantidas, dependentes do acontecer para acontecer. Depende das variações, das condições de temperatura e pressão, ainda mais das mentalidades, das aspirações e compreensões dos seres humanos, para ser mais preciso,cacrônico e diacrônico, por mais que essa realidade precise ser excessão e não regra, ainda do homem.

Fórmulas, métodos, receitas devem e precisam ser respeitadas, no entanto estão sujeitas a inconsistências, a vicissitudes, as falhas inerentes ao caráter humano, no dito popular pode desandar, a Nau, mesmo sem rumo, não foi feita para naufragar, mas acontece. A história não nasce História, é resultado por mais que se tente prever imprevisível, menos no campo das probabilidades e mais no domínio das possibilidades.

A história se conhece, se descobre, se aprende e continua a ser apreendida e aprendida.

No desafio de aprender ensinar a aprender, precisamos continuar a aprender com a certeza de que nunca aprenderemos tudo.

História é a experiência que não precisa ser registrada para ganhar registro. Marcante, marcada, deixa marcas, imprime...

Na maioria das vezes, na ambição de um suposto excepcional, escondido atrás de um desconhecido, se esvazia com desprezo o óbvio. Mas o óbvio, que já foi o escondido, já foi desconhecido, é o que se consolidou como ideia geral...

Óbvio não é um valor dado, mas conquistado, seguro, estabilizado, garantido, talvez por isso as vezes, muitas vezes, é desconsiderado, desvalorizado, por não ser esquecido, mas simplesmente lembrado como adquirido e preservado. Parece que a gente esquece do esforço para transformar e fazer com que o óbvio fosse óbvio...

A gente só dá valor a um valor quando o perde???