terça-feira, 20 de julho de 2021

Obrigado

Não sei se um dia vou poder dizer o que queria dizer, nem sei se quero, se precisa ser dito.

Acho que mesmo se dissesse não conseguiria dizer tudo o que significa.

Se consigo ou não consigo dizer, o que sinto e sinto por você, só resta agradecer.

Obrigado pelo que fez, pelo que não fez, por estar, por não estar, por fazer eu sentir e me sinto melhor comigo com e por você.

Muitas vezes eu quero morrer.

Não é bem assim, mas não quero mais viver.

Quando bate essa vontade, ou essa falta, essa saudade, penso em você. Você me salva, salva minha alma, muda minha vontade e a vontade é de você. Assim sim eu ainda quero viver.


Sem medo de errar

Engraçado, não tenho medo de errar com você.

dá tudo certo, tá tudo certo com você por perto.

Não é vazio, não é deserto, meu coração.

Até quando não é muito bom, é bem melhor que ruim, mas só se for com você.

É mágico, o tempo passa rápido, e disso não gosto, por que quero de estar com você, ficar com você, viver com você

O único defeito é a velocidade que passa o tempo e cada segundo fica mais perto de não estar com você.

Você presente, a minha mente, meu coração, meu sentimento, todo momento, no pensamento, nessa canção.

Imagem mente imaginação


segunda-feira, 19 de julho de 2021

...

Todo dia espero, e mesmo querendo muito que não seja, na esperança de um sopro de esperança haver, sei que é em vão.

Olho e-mails, notícias, mensagens, mas, por mais que queira, nada diferente dessa certeza incerta acontece.

Todo dia é a mesma coisa, queria alegria, mas é só vazio, quando não é pior e invade a tristeza.

Por mais que queira, por mais que tente, por mais que insista, os sonhos viram lágrimas.

Acho que não aguento dar mais nem um passo, acho que não adianta mais, acho que só conto as horas e as horas não vão me contar mais nada.

Há tempos acho que não espero mais nada, por mais que pareça esperar, resistir, não desistir, na verdade já desisti.

Eu tento acreditar que numa curva duma esquina...

Mas não acontece.

Nessas horas penso do que serve a vida, que viver é morrer todo dia, são pequenas mortes que permite viver, mas viver do quê?

Mas viver pra quê, por quem, com quem, porquê?

Só, eu sozinho e a solidão?

Isso é viver?

Eu digo que não.

Por mais que não possa não estar, só me sinto.

Sabe, ninguém tem culpa, eu sei, mas saiba nem eu, por isso não me culpe, me desculpe quando acontecer o que ainda não aconteceu.


sábado, 10 de julho de 2021

ignorância ignorada

 Estudar é ampliar o tamanho da sua consciência em relação ao crescente tamanho da sua ignorância.

É como cavar um buraco do qual quanto mais se tira fica maior, quanto mais se bota fica menor.

Quanto mais se sabe se percebe o quão ainda não se sabe e que não será possível saber de tudo.

A vida se limita a ensinar, por um tempo, apenas o que é possível aprender para quem o quê precisa. 

sábado, 3 de julho de 2021

promessa

Sempre tem, precisa, de uma compensação ou uma promessa de recompensar.

O ser humano precisa da promessa, muito mais que do real.

Na realidade, a realidade é também uma promessa. 

Embora possa até entregar, suprir, atender, confortar, se faz rotina, comum, hábito, o necessário, a realização do prometido, o objetivo, não é mais suficiente.

O ser humano é voraz, insaciável, obstinado na busca de prazer, de compensações, e a realidade, diferente da promessa, não é capaz de entregar o algo mais pelo qual viver é correr atrás.

Saciar é satisfazer por um determinado intervalo de tempo, mas o ser humano tem mais tempo que precisa ser saciado depois que o prometido deixa de ser promessa.   

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Você é você igualzinho a você?

Você quase não se olha por isso pouco se vê.

A posição dos seus olhos não permite se olhar, por mais que conheça o interior, que sinta por dentro, não assiste seus movimentos, suas ações, as suas reações diante do outro o que prejudica se reconhecer.

Temos um monte de referências, as incorporamos, podemos ser referência para todo e qualquer outro, menos para nós mesmos.

Sempre se põe em evidência a relação com o outro, quase nunca consigo.

Já reparou que a sua voz quando ouve é diferente da gravada, a percepção da imagem numa fotografia, num vídeo, numa reprodução não parece com você?

Já se olhou no espelho e reparou que o visto é diferente de uma dessas reproduções?

Você não se vê de perto, não se vê de longe, se olha, as vezes, por momentos, mas não conhece sua face, seu corpo inteiro, o seu movimento, o seu andar, o seu olhar.

Não vê as suas mudanças, a transformação, como era ontem, como está hoje, pouco vê a diferença.

Olhar é diferente de ver, ambos dependem do ângulo, da perspectiva, da luz, das sombras, do alcance e potência da visão de quem olha, dos seus conhecimentos, das expectativas, do que há detrás ou antes dos olhos de quem olha, do que se quer enxergar...

Por vezes o outro, parece mais bem lhe conhecer. É verdade, pois ele conhece e reconhece, vê, observa, acompanha.

Tenta fazer um autoretrato, descrever seus traços, se olhar no espelho, em filmes, imagens. Será que você é você o mesmo que os seus olhos não vê?




 É muita saudade, é tanta saudade, é saudade de mais

É vontade de ver, de abraçar, de poder beijar um beijo, é desejo, desejo de jogar a saudade pra lá.

É muita saudade, é tudo saudade, e é só

E sendo só, só, sinto saudade, mas não é só saudade, é também vontade.

Vontade de ver, vontade de ter, de poder abraçar, de encontrar o sorriso, a sorrir ao lado, a sorrir com você, o sorriso de dentro de mim a pra ti sorrir.

É tudo só vontade de não sentir mais saudade.

paradoxalmente igual por ser diferente

 Embora no Brasil a segregação não seja oficialmente reconhecida, assinalada, marcada como, por exemplo, nos EUA, ela existe como “não-dito”, implícita, perceptível nos lugares de pobres e nos de ricos. Ainda, sua nitidez reverbera no processo ancorado por ecos e bases estruturais.

Nos lugares de ricos, os pobres, que adentram, apenas servem aos ricos. Enquanto, nos lugares de pobres os ricos, que adentram, comumente pelos pobres são servidos e, ainda, se servem dos pobres. O mesmo acontece nos lugares comuns, públicos, neutros, que não carregam visíveis as marcas de distinção. Em poucos lugares, sob condições especiais e momentaneamente, não apenas pobres e ricos, mas os inúmeros marcados/identificados/estigmatizados/discriminados, recebem o mesmo trato, não são discriminados, pelo menos explicitamente, mas semelhantes, os iguais que são diferentes.

Ainda, é preciso pensar numa categoria pouco estudada e que sofre todo tipo de estranhamento, a da aparência física, do feio, do tapuia, aqueles que são considerados a margem de padrões estéticos, de incompreendida beleza. Assim, podemos deduzir a distância ser física, mas também simbólica. Está na falta de reconhecimento, na falta de vontade ou oportunidade de conhecer para depois reconhecer. Como disse Djamila Ribeiro, ao comentar uma discriminação, um preconceito, comumente o ator da ação procura encontrar desculpas, argumentos, para se defender quando descoberto, poucos reconhecem imediatamente sua falta, seu preconceito, se retrata e observa a oportunidade de preencher hiatos existenciais, comportamentais.

Ainda, no período que antecedeu a abolição, não raro, forros, libertos, ex-escravizados com mais posses/recursos adquiridos por esforço ou herança mantinham a prática, inscrita e normalizada, na mentalidade da época, de escravizar. Esses, por certo, incorporavam um princípio de distanciamento, do não reconhecimento e da ignorância que faz o outro semelhante, altero, comum e quase igual, ser discriminado por ser como todo mundo diferente.

semelhante

Semelhante é igual e igualmente diferente.

Percebe, entende, corresponde, correlato, comparável, correspondente,

Equivale, parecido, símile, paralelo, parente.

Semelhante é o que sente as mesmas coisas, não exatamente,
é quase, é outro, é ser, é único, é gente.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

...

As vezes queria que as pessoas não me importassem, que comigo não se importassem, acho que seria mais fácil.

Ao sentir elas importarem, achar comigo também se importarem, feliz ou infelizmente não me sinto livre, esse é o preço do apreço, da relação, do amor.

Sei que delas dependo, delas encontro e acho os valores em mim, os significados da minha vida como significado, como razão, como...

Quando eu penso em não querer mais, quando acho não conseguir suportar a dor, dor que dói muito, dói toda hora, não para de doer, lembro não poder simplesmente fazer o que quero, o que preciso, o que... tem tanta gente que preciso respeitar, que preciso não fazer sentir uma suposta dor por eu fazer...

O que me prende é querer pensar que estão presos a mim de alguma forma. 

Nem sei se estão, provavelmente não, mas quero acreditar, e se não estão, quero acreditar...

Pensando bem, acho que só estou preso ao que quero acreditar, e eu quero acreditar que as pessoas que acho amar me amam.

Estamos presos a promessa, a uma ideia de realidade que vive muito mais no desejo de realidade, pelo menos enquanto não pode e não é real.

Eu vou morrer, todo mundo irá, e mesmo a hora que parece não ser a hora, de qualquer forma, é sempre a hora.

A sociedade condena, recrimina, não aprova a ideia de decidirmos. Mas o que fazer, morrer aos poucos, todo dia, sem vontade de continuar apenas vivo por não conseguir viver?

Tá, pode parecer egoísta alguém decidir sozinho se matar, mas é sensacional “não permitir” alguém que sofre sozinho decidir, não é egoísta obrigar fazer o que não se quer e não deixar fazer o que se quer?

Eu morro todo dia ao acordar, mesmo antes de abrir os olhos já sei que será mais um dia em que vou sofrer, vou sentir dor, solidão, vazio e é improvável conseguir sorrir, sentir algo diferente de dor e conseguir a vida viver.
Não aguente mais viver da morte, de morrer todo dia.
Sabe, é muito ruim quando você não é mais o melhor você que você conhece, quando parece ser o pior você que você conhece, quando você nem se conhece, se desconhece.
é muito ruim quando a gente deixa de acreditar, de que vale a pena, de que só dará certo por milagre, por obra do destino. 
deixar de achar que conduz e ter a convicção de que virou passageiro nessa viagem, e que tanto faz, não vai fazer diferença...