Você quase não se olha por isso pouco se vê.
A posição dos seus olhos não permite se olhar, por mais que conheça o interior, que sinta por dentro, não assiste seus movimentos, suas ações, as suas reações diante do outro o que prejudica se reconhecer.
Temos um monte de referências, as incorporamos, podemos ser referência para todo e qualquer outro, menos para nós mesmos.
Sempre se põe em evidência a relação com o outro, quase nunca consigo.
Já reparou que a sua voz quando ouve é diferente da gravada, a percepção da imagem numa fotografia, num vídeo, numa reprodução não parece com você?
Já se olhou no espelho e reparou que o visto é diferente de uma dessas reproduções?
Você não se vê de perto, não se vê de longe, se olha, as vezes, por momentos, mas não conhece sua face, seu corpo inteiro, o seu movimento, o seu andar, o seu olhar.
Não vê as suas mudanças, a transformação, como era ontem, como está hoje, pouco vê a diferença.
Olhar é diferente de ver, ambos dependem do ângulo, da perspectiva, da luz, das sombras, do alcance e potência da visão de quem olha, dos seus conhecimentos, das expectativas, do que há detrás ou antes dos olhos de quem olha, do que se quer enxergar...
Por vezes o outro, parece mais bem lhe conhecer. É verdade, pois ele conhece e reconhece, vê, observa, acompanha.
Tenta fazer um autoretrato, descrever seus traços, se olhar no espelho, em filmes, imagens. Será que você é você o mesmo que os seus olhos não vê?
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